sábado, 6 de outubro de 2007

Jano

Em latim, Janus, o deus dos começos, que tinha duas faces. Duverger, em Janus, les Deux Faces de l’Occident, de 1972, diz que a política tem as duas faces do mesmo deus. Dessa mesma origem é a desiganação que damos ao primeiro mês do ano, Janeiro, o mês que significa a passagem de um ano para o outro. Duverger considera nessa obra que, depois de 1945, à democracia liberal sucedeu uma tecnodemocracia, fundada em vastas organizações, complexas e hierarquizadas, com uma nova oligarquia que depende mais do estado que na anterior ordem assente na concorrência de pequenas unidades autónomas.
Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikipédia

Janet, Paul (1823-1899)

Professor em Estrasburgo e em Paris. Historiador francês da filosofia moral, respondendo a um concurso da Academia das Ciências Morais e Políticas de 1848. Um dos primeiros a utilizar o nome de ciência política, embora como sinónimo de filosofia oral.

Retirado de Respublica, JAM

James, William (1842-1910)

Estuda medicina em Harvard, onde se torna professor de filosofia e psicologia. Irmão do romancista Henry James. Influenciado por Agassiz e Renouvier. Fundador do chamado pragmatismo que considera um método mais ou menos provisório para dispensar a metafísica, uma teoria genética da verdade, isto é, aquilo que nos convem mais acreditar - eis o que mais se parece com uma definição de verdade. Porque a realidade é apenas um caminhon no nosso pensamento, tal como a verdade é apenas um meio, no caminho do nosso comportamento. Começou por qualificar essa posição como empiricism, em 1897.

Retirado de Respublica, JAM

Jaime Stuart (1566-1625)

Jaime (rei) Stuart, VI da Escócia, desde 1567, e I da Inglaterra, desde 1603. Filho de Maria Stuart. Educado por George Buchanan e defendido por W. Barclay. Assume-se contra os católicos e os presbiterianos. Considera que os reis têm o poder de levantar ou de abater, de dar vida e de dar morte … têm o poder de exaltar o que é humilde e de rebaixar o que é soberbo, e de utilizar os respectivos súbditos como peças de xadrez. Do lado católico, este modelo de monarquia de direito divino, foi impugnado tanto pelo cardeal Belarmino como por Francisco Suárez, em Defensio Fidei Catholicae et Apostolicae Adversus Anglicanae Sectae Errores, de 1613. Assume-se contra as teses dos puritanos, para os quais o poder dos reis derivaria do povo, assumindo o princípio da herança. Aproxima-se das teses dos politiques franceses. A Igreja anglicana defende, então, as teses do direito divino dos reis, visando o fortalecimento da igreja oficial. Mobilizam-se em favor deste modelo as teses dos gibelinos defensores do Imperador, como Dante, Ockham e Marsílio de Pádua, bem como as perspectivas de Lutero quanto ao carácter sagrado dos príncipes alemães. Rejeitam-se as teses contratualistas e, mesmo quando se admite um contrato original, fundador da monarquia, salienta-se que Deus teria sido o respectivo árbitro, pelo que só a ele se poderia recorrer, no caso de reclamação contra a tirania. Num discurso de 1609, perante o Parlamento, Jaime I chega mesmo a proclamar: reverenciam-se os reis justamente como se fossem deuses, porque exercem um certo poder divino sobre a terra. Em 1616 declara: do mesmo modo que o ateísmo comete blasfémia quando se atreve a julgar o que Deus pode fazer, assim representa grande vaidade e menosprezo que os súbditos discutam as acções do monarca.

Retirado de Respublica, JAM

Jacobinos

Do fr. Jacobins. Nome dado a um clube político de 1790 que reunia os membros da extrema-esquerda da assembleia constituinte. A designação tem a ver com o sítio de reunião do mesmo, o convento de Saint Jacob (S. Tiago, em português) dos dominicanos, na rua de Saint Honoré, em Paris. Assim, por ironia etimológica, o nome de jacobinos equivale ao de dominicanos, dado que estes, em Paris, eram conhecidos até então por aquele último designativo. O grupo, em oposição aos girondinos, que propunham a colaboração entre as classes e a descentralização, assumiram o radicalismo revolucionário que conduziu ao Terror, invocando a Razão, a Virtude e a Regeneração, visando a construção de um homem novo. Invocando o Povo estabeleceram o centralismo democrático, procurando eliminar quer os corpos intermediários quer a autonomia das províncias. O grupo teve a sua origem em Outubro de 1789, reunindo deputados ditos patriotas que constituem a Societé des Amis de la Constitution, alargada a advogados e ricos burgueses não parlamentares. Em 1790 já congregam cerca de 1200 pessoas. Nesse ano criam secções em quase todos os bairros de Paris e promovem a formação de cerca de 2 000 sociedades nos vários departamentos franceses. Girondinos.

Retirado de Respublica, JAM

Rastreio de bicadas JAM

Vou aqui iniciar estas análises ao politicamente inconveniente, proferidas pelo meu mui citado mestre e inspirador deste espaço internáutico, através das suas já bem conhecidas 'bicadas' na besta que nos oprime. Hoje, depois de mais um dia comemorativo da instauração do regime que implantou esta quase res pouco publica.

Já agora, passo a citar esta adjectivação, talvez ao jeito de uma insinuação fundamentada, da natureza da nossa "revolução republicana":

“Deu-se aqui um verdadeiro cataclismo. Caiu numa manhã uma tradição de sete séculos, sacudida por um estremecimento social que só tem equivalente num tremor de terra. Rolou por terra um trono, sob uma chuva de granadas, e um rei espavorido tomou o caminho do exílio, num batel de pescadores. Tudo o que fazia a sua omnipotência caiu com ele e foi subvertido – a corte, a nobreza, o governo, o parlamento, o seu palácio e a sua guarda (João Chagas).

“Se considerarmos, a título de exemplo, as revoluções do século XX, será forçoso reconhecer que, com toda a evidência, as revoluções portuguesa e turca são burguesas. Mas nem uma nem outra são “populares”, pois a massa do povo, a sua imensa maioria, não intervém de uma forma visível, activa, autónoma, com as suas reivindicações económicas e políticas próprias, nem numa nem na outra destas revoluções. (Lenine)."

"Pretender equiparar o espírito revolucionário da Rotunda com o espírito revolucionário da Revolução Francesa é incorrer perante a sociologia e perante a história em tão imbecil equívoco como seria em zoologia o de confundir uma lombriga com uma cobra cascavel. No dia 5 de Outubro, em Portugal, não havia opressão e não havia fome… Os famosos princípio da Revolução Francesa, leit-motiv de toda a cantata revolucionária de Outubro último, são, precisamente, os que vigoram em toda a política portuguesa, desde o advento da revolução liberal de 34 até aos nossos dias (Ramalho Ortigão, em Julho de 1911)."

E agora, ou a revolução continua, ou ainda "a casa vai abaixo"!?

Quem dera!

Ivens, Roberto (1850-1898)

Oficial da marinha. Explorador africano. Com Serpa Pinto parte para a expedição de Angola à contra-costa em 7 de Julho de 1877.


Retirado de Respublica, JAM

"Roberto Ivens nasceu a 12 de Junho de 1850, na freguesia de São Pedro, Ponta Delgada, filho de Margarida Júlia de Medeiros Castelo Branco, de apenas 18 anos de idade, oriunda de uma família de modestos recursos, e de Robert Breakspeare Ivens, de 30 anos, filho do abastado comerciante inglês William Ivens, residente em Ponta Delgada desde 1800. Robert Breakspeare Ivens era bisneto materno do famoso Thomas Hickling, vice-cônsul americano em Ponta Delgada.

Não sendo os pais casados, e dadas as diferenças sociais e convenções da época, fruto de amores furtivos e proibidos (mas tolerados), o nascimento deu-se numa casa alugada onde o pai havia instalado a amante, que entretanto fora amaldiçoada, deserdada e expulsa de casa pelo pai. A instâncias da mãe, o recém-nascido foi baptizado às escondidas como filho de pai incógnito, na igreja da Fajã de Cima, arredores da cidade. Entregue à parteira do lugar, Ana de Jesus, foi por esta levado à igreja sendo baptizada pelo cura, tendo como padrinho o irmão do vigário.

A criança foi entretanto criada na companhia da mãe e da tia, Ana Matilde. Com o aparecimento de uma nova gravidez, Roberto Breakspeare Ivens providencia uma empregada e uma casa na Rua Nova do Passal, Ponta Delgada. Por influência do Dr. Paulo de Medeiros, reconhece a paternidade sobre o pequeno Roberto, mesmo antes do nascimento do segundo filho, Duarte Ivens. Com apenas três anos de idade perde a mãe vítima da tuberculose.

Permanecendo em Ponta Delgada, beneficiando do estatuto social que o reconhecimento por parte da família Ivens lhe conferiu, frequenta a Escola Primária do Convento da Graça, onde desde logo foi apelidado de "Roberto do Diabo" dadas as travessuras em que se envolvia.

O pai, que entretanto casara, fixou-se em Faro, no Algarve, para onde leva os filhos em Agosto de 1858.

Em 1861 Roberto Ivens é inscrito na Escola da Marinha, em Lisboa, ali fazendo os estudos que o conduziram a uma carreira como oficial de marinha. Foi sempre um estudante inteligente e aplicado, mas igualmente brincalhão. Um dos camaradas de curso confirmaria mais tarde este aspecto do carácter de Roberto Ivens: "Onde havia uma guitarra era chamado o Ivens e onde estava o Ivens era procurada uma guitarra".

Carreira naval

Concluiu o curso de Marinha em 1870, com apenas 20 anos, com as mais elevadas classificações. Frequentou em 1871 a Escola Prática de Artilharia Naval, partindo em Setembro desse ano para a Índia, pelo Canal do Suez, integrado na guarnição da corveta Estefânia, onde é feito guarda-marinha.

A partir de 1872 inicia contactos regulares com Angola. A 10 de Outubro de 1874, completa os três anos de embarque nas colónias: Regressando a Portugal, em Janeiro de 1875 faz exame para segundo tenente fora da barra de Lisboa. Em Abril de 1875, segue na corveta Duque da Terceira para São Tomé e Príncipe e daqui para os portos da América da Sul. Regressando em Abril de 1876, parte no mesmo mês, no Índia, para Filadélfia, com produtos portugueses para a Exposição Universal daquela cidade.

Após o regresso da grande viagem de exploração, Roberto Ivens, por motivos de saúde, abandona o mar, passando a prestar colaboração cartográfica na Sociedade de Geografia de Lisboa e na execução de trabalhos relacionados com África, sobretudo Angola, no Ministério da Marinha e Ultramar.

Foi nomeado, por Decreto de 8 de Maio de 1890, oficial às ordens da Casa Militar do rei D. Carlos. Em 1891 colabora na constituição de um instituto ultramarino do qual viria a ser vogal da direcção. Por Decreto de 20 de Dezembro 1892, foi colocado no quadro da Comissão de Cartografia, como vogal permanente. Por Decreto de 27 de Abril de 1893, foi transferido para o cargo de ajudante-de-campo do rei.

Em 1895 foi feito oficial da Real Ordem Militar de S. Bento de Avis e por Decreto de 17 de Outubro nomeado secretário da Comissão de Cartografia, cargo que manterá até ao ano seguinte. O topo da sua carreira na Marinha foi alcançado a 7 de Dezembro de 1895, com a promoção a capitão-de-fragata.

As explorações africanas

Ao regressar a Lisboa, soube do plano governamental de exploração científica no interior africano, destinado a explorar os territórios entre as províncias de Angola e Moçambique e, especialmente, a efectuar um reconhecimento geográfico das bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Foi, de imediato, oferecer-se para nela tomar parte. Como, porém, a decisão demorasse, pediu para ir servir na estação naval de Angola. Aproveitou esta estadia para fazer vários reconhecimentos, principalmente no rio Zaire, levantando uma planta do rio entre Borud e Nóqui.

Por Decreto de 11 de Maio de 1877 foi nomeado para dirigir a expedição aos territórios compreendidos entre as províncias de Angola e Moçambique e estudar as relações entre as bacias hidrográficas do Zaire e do Zambeze. Na mesma data foi promovido a primeiro tenente.

De 1877 a 1880, ocupou-se com Hermenegildo Capelo e, em parte, com Serpa Pinto, na exploração científica de Benguela às Terras de Iaca. No regresso, recebe a Comenda da Ordem Militar de Santiago e é nomeado a 19 de Agosto de 1880 vogal da Comissão Central de Geografia. Por Decreto de 19 de Janeiro de 1882, foram-lhe concedidas honras de oficial às ordens e a 28 de Julho foi nomeado para proceder à organização da carta geográfica de Angola.

Em 19 de Abril de 1883, é nomeado vogal da comissão encarregada de elaborar e publicar uma colecção de cartas das possessões ultramarinas portuguesas. Por portaria de 28 de Novembro do mesmo ano foi encarregado de proceder a reconhecimentos e explorações necessários para se reunirem os elementos e informações indispensáveis afim de se reconstruir a carta geográfica de Angola.

Face às mais que previsíveis decisões da Conferência de Berlim era preciso demonstrar a presença portuguesa no interior da África austral, como forma de sustentar as reivindicações constantes do mapa cor-de-rosa entretanto produzido. Para realizar tão grande façanha, são nomeados Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens.

Feitos os preparativos, a grande viagem inicia-se em Porto Pinda, no sul de Angola, em Março de 1884. Após uma incursão de Roberto Ivens pelo rio Curoca, a comitiva reúne-se, de novo, desta vez em Moçamedes para a partida definitiva a 29 de Abril daquele ano.

Foram 14 meses de inferno no interior africano, durante os quais, a fome, o frio, a natureza agreste, os animais selvagens, a mosca tsé-tsé, puseram em permanente risco a vida dos exploradores e comitiva. As constantes deserções e a doença e morte de carregadores aumentavam o perigo e a incerteza. Só de uma vez, andaram perdidos 42 dias, por terrenos pantanosos, sob cndições meteorológicas difíceis, sem caminhos e sem gente por perto. Foram dados como mortos ou perdidos, pois durante quase um ano não houve notícias deles.

Ao longo de toda a viagem, Roberto Ivens escreve, desenha, faz croquis, levanta cartas; Hermenegildo Capelo recolhe espécimes de plantas, rochas e animais.

A 21 de Junho 1885, chega a finalmente expedição a Quelimane, em Moçambique, cumpridos todos os objectivos definidos pelo governo.

Na viagem foram percorridas 4500 milhas geográficas (mais de 8300 km), 1.500 das quais por regiões ignotas, tendo-se feito numerosas determinações geográficas e observações magnéticas e meteorológicas.

Estas expedições, para além de terem permitido fazer várias determinações geográficas, colheitas de fósseis, minerais e de várias colecções de história natural, tinham como objectivo essencial afirmar a presença portuguesa nos territórios explorados e reivindicar os respectivos direitos de soberania, já que os mesmos se incluíam no famoso mapa cor-de-rosa que delimitava as pretensões portuguesas na África meridional.

Honra e glória

Finda a viagem de exploração, Roberto Ivens e Hermenegildo Capelo foram recebidos como heróis em Lisboa, a 16 de Setembro de 1885. O próprio rei D. Luís dirigiu-se ao cais para os receber em pessoa e os condecorar à chegada. O rio Tejo regurgitava de embarcações. Nunca se havia visto tamanho cortejo fluvial. Acompanhados pelo rei foram conduzidos ao Arsenal da Marinha para as boas vindas, com Lisboa vestir-se das suas melhores galas para os receber. Foram oito dias de festas constantes, com colchas nas varandas, iluminação, fogos de artifício, recepções, almoços, jantares e discursos sobre a heróica viagem.

Mais tarde, o Porto não quis ficar atrás, excedendo-se em manifestações de regozijo e recepções. E no estrangeiro, Madrid esmerou-se em festas, conferências, recepções e condecorações; em Paris é-lhes conferida a Grande Medalha de Honra.

Em Ponta Delgada, por iniciativa de Ernesto do Canto sucederam-se as manifestações em honra do herói. O dia 6 de Dezembro de 1885 foi o escolhido para as solenidades. As ruas da cidade encheram-se de gente de todas as condições sociais. Cada profissão, cada instituição se incorporou no cortejo cívico com os seus pendões. Não faltaram as bandas de música e os discursos. Expressamente para esse dia foi composto o número único do jornal Ivens e CapeloHino a Roberto Ivens, com letra de Manuel José Duarte e músico de Quintiliano Furtado. e foi executado um

Roberto Ivens faleceu no Dafundo, Oeiras, em 28 de Janeiro de 1898, deixando viúva e três filhos que, por decreto de D. Carlos, continuariam a receber o subsídio que havia sido atribuído ao pai. O enterro, a 29 de Janeiro, foi uma grande manifestação de pesar nacional. A urna de mogno estava coberta com a bandeira nacional. O segundo tenente Ivens Ferraz conduzia o bicórnio e a espada do falecido, envolta em crepe. Sobre a urna, três coroas de flores. No largo do Cemitério de Carnaxide prestou as honras fúnebres uma força de 160 praças do corpo de marinheiros, com a respectiva charanga, e junto do jazigo, o Ministro da Marinha proferiu o elogio fúnebre.

Por todo Portugal existem dezenas de ruas com o nome de Roberto Ivens. Ponta Delgada prestou-lhe também a devida homenagem, erguendo um busto inicialmente colocado no Relvão e transferido, por decisão camarária de 1950, para a "Avenida Roberto Ivens", que começou a ser aberta com a demolição do muro da cerca do Convento da Esperança em 7 de Abril de 1886. Em Ponta Delgada, bem próximo do lugar do seu nascimento, funciona a Escola Básica Integrada Roberto Ivens.

Obras publicadas

Roberto Ivens deu conta das suas expedições em obras que hoje são consideradas clássicos da literatura de viagem, tendo merecido múltiplas reedições:

  • De Benguela às Terras de Iaca, 1881;
  • De Angola à Contracosta (2 volumes), 1886."
Retirado da Wikipédia

Itália

(Repubblica Italiana) 301 262 km2 e 57 290 519 habitantes; 34, segundo a fórmula de Cline. Unificada desde 17 de Março de 1861.





Guelfos e gibelinos


Nos séculos XIII e XIV, a Itália divide-se entre os partidários do papa, a parte Guelfa (os partidários de Otão IV) e a parte Ghibellina (partidários dos Hohenstaufen, liderados por Frederico II), defensora do imperador; os guelfos predominam em Florença, Milão, Bolonha, Mântua e Ferrara; os guibelinos em Siena, Pisa, Rimini, Modena, Pavia e Cremona; no fim do século XV, os guelfos assumem-se como aliados do rei de França, enquanto os guibelinos se inclinam para Carlos V. Em 1494 o rei de França Carlos VIII ocupa Nápoles e, em nome dos direitos históricos da casa de Anjou, assume-se como rei; será expulso no ano seguinte; nova investida de Luís XII sobre Milão, contra a qual se ergue uma Santa Liga formada pelo papa Júlio II. Francisco II, aliado a Veneza, vence os suíços em Marignano (1515) e toma posse do ducado de Milão durante seis anos. Francisco I, em Fevereiro de 1525, é derrotado em Pavia por um exército de Carlos V comandado pelo belga Charles de Lannoy; é obrigado a assinar o Tratado de Paris de 1526, onde renuncia a Milão e a Nápoles, assim como à Flandres, à Borgonha e ao Artois. Entre 1536 e 1538; Francisco I conquista a Sabóia e o Piemonte em 1536; a França irá abandonar estas conquistas em 1559. Sexta guerra entre os Valois e os Habsburgos, a partir de 1556; em Agosto de 1557, vitória de Filipe II em Saint-Quentin; a França ocupa Calais, em Janeiro de 1558, e o Luxemburgo; termina com o tratado de Cateau-Cambrésis (3 de Abril de 1559), Filipe II mantém Milão e o reino de Nápoles e o rei de França permanece em Calais, há duzentos anos na posse dos ingleses, Metz, Toul e Verdun; a partir de então os reis de França renunciam a uma presença forte em Itália e Habsburgos são obrigados a renunciar a um império universal.

Disputas entre Habsburgos e os Bourbons

Nos séculos XVII e XVIII, a Itália é um campo de disputas entre os Habsburgos e os Bourbons, onde apenas emergem duas comunidades políticas essencialmente italianas: a decadente República de Veneza e os domínios da Casa de Sabóia. Com efeito, parte da Guerra da Sucessão de Espanha desenrola-se no norte de Itália, ficando os Habsburgos austríacos com a parte de leão do território, depois da Paz de Utrecht, de 1713. Contudo, os Bourbons de Espanha, com Filipe V, casado com Isabel Farnese e pela acção do ministro italiano Alboreti, tenta, a partir de 1717, intervir pela força na Itália, assim procurando rever a partlha de Utrecht. Só uma acção conjugada da Áustria, da França e da Inglaterre obrigam à cedência espanhola, no tratdo de Madrid de 1729. Mas Isabel Farnese não desiste e em 1731 consegue que o seu segundo filho, Filipe, fique com o Ducado de Parma. Com a Guerra de Sucessão da Polónia (1734-1738) e a Guerra de Sucessão da Áustria (1741-1748), a Itália volta a ser campo de conflitos. A situação estabiliza com a paz de Aix-la-Chapelle de 1748: o Milanês e a Toscana são atribuídos aos austríacos; nas Duas Sicílias reinam os Bourbons de Espanha, que também acumulam com Parma, Placência e Guastalla; a França consegue o protectorado de Génova e Modena e mantêm os Estados papais no centro; Veneza continua independente e a Casa de Sabóia reforça-se, com o Piemonte, a Sardenha e Montferrat.

Incursões napoleónicas

Este equilíbrio vai ser desfeito com as incursões napoleónicas, iniciadas em 1796; em 28 de Abril de 1796, pelo armisticio de Cherasco já é eliminado o Piemonte; em 14 de Maio já entra em Milão; segue-se Veneza que, entretanto, pela Paz de Campoformio, é atribuída à Áustria. Entretanto, Napoleão vai reorganizando o modelo político italiano. Em Outubro de 1796 cria a República Cispadana; em Julho de 1797, a República Cisalpina; em Outubro de 1797, a República Lígure; seguem-se outras ocupações a sul: Roma cai em Fevereiro de 1798; Nápoles em Janeiro de 1799 - o rei Fernando foi obrigado a exilar-se em Palermo -, e mais duas repúblicas se juntam ao modelo, a República Romana e a República Partenopeia. Contudo, a partir da primavera de 1799, tropas austro-húngaras obrigam os franceses a retirar-se da Lombardia; contudo, no ano seguinte, depois da vitória de Napoleão em Marengo (14 de Junho), restabelece-se a ocupação francesa na Lombardia, garantida pela Paz de Lunéville, de 9 de Fevereiro de 1801. Em Janeiro de 1802 já Napoleão unifica o território, instituindo uma República Italiana de que se assume como presidente. Mas em Maio de 1804, depois de estabelecido o Império francês, Napoleão transforma-a no Reino de Itália de que assume a titularidade, colocando Eugénio de Beauharnais, como Vice-rei; muito simbolicamente, em 26 de Maio de 1805, o mesmo Napoleão recebe em Milão a coroa de ferro dos lombardos. É também em 1805 que conquista Veneza aos austríacos, bem como o Trieste e a Ilíria; em Janeiro de 1806 reocupa Nápoles; quatro anos depois, integra Trento; em 1809, na Itália, fora da dominação napoleónica, apenas resta a Casa de Sabóia, reduzida à Sardenha, e os Bourbons de Nápoles, na Sicília; a irmã, Elisa, é grã-duquesa da Toscana, o papa é expulso e os Estados Pontifícios são integrados no Império francês.

Congresso de Viena

Resta esperar pelo Outono de 1813 quando os austríacos, depois da derrota das tropas napoleónicas em Leipzig, tratam de reocupar os seus domínios italianos; em Maio de 1814, já o papa Pio VII volta a Roma. Depois do Congresso de Viena, a Itália, considerada como mera expressão geográfica, segundo o célebre dito de Metternich, passa a ter uma nova configuração; os Habsburgos austríacos passam a ser titulares do reino Lombardo-Veneziano, anexam Trento, a Ístria e a Dalmácia; dominam no centro, onde regressam vários príncipes titulares aparentados com os Habsburgos, no grão-ducado da Toscana, no ducado de Modena e no ducado de Parma; os Estados Pontificios mantêm-se, mas guarnições austríacas instalam-se em Ferrara e em Romana; cresce também o reino do Piemonte-Sardenha que passa a integrar a República de Génova; no sul, o reino das Duas Sicílias é atribuído aos Bourbons de Nápoles.

Nacionalismo liberal

É neste ambiente que o nacionalismo liberal vai operar; a partir de 1815, a partir de meios aristocráticos e burgueses, especialmente entre universitários e militares passam a operar inúmeras lojas maçónicas, influenciadas pelos modelos dos carbonari que em Nápoles se opuseram à dominação francesa; o principal adversário são os austríacos, os tedeschi e a Santa Aliança que os sustenta.

Os efeitos da Revolução de 1830

O impulso libertacionista recebe novo alento a partir da Revolução de Julho de 1830 em França, destacando-se, sobretudo, a acção de Giuseppe Mazzini que, no exílio, a partir de 1831, funda o movimento Jovem Itália (La Giovane Italia)que integra num mais vasto movimento, a Jovem Europa que pretendia assumir como o contraponto da Santa Aliança. As palavras de ordem deste movimento são as de Deus e Povo. Serão os mazzinianos que estarão por trás das várias revoltas frustradas que ocorrem em 1833 e 1834, visando a instituição de uma república unitária, democrática e deísta, mais ou menos de inspiração maçónica.

Risorgimento

Esta é a pedra básica do chamado Risorgimento que também vai ter um pilar piemontês, onde Cesare Balbo, autor do livro As Esperanças de Itália, e Massimo d'Azeglio, propõem um modelo de federação em torno da Casa de Sabóia, o chamado albertismo, onde a federação constituiria uma associação de Estados, entendidos como associação de comunas, e onde as comunas se vislumbram como associações de famílias. Contudo, uma terceira linha italianista emerge entre os meios clericais e católicos, impulsionada pelo abade Vincenzo Gioberti que, na linha neo-guelfa, propõe o estabelecimento de uma confederação de príncipes italianos agrupados em torno do papado. Esta linha tem um forte sustentáculo em 1846 quando o prelado liberal Giovanni Mastai Ferreti é eleito papa, com o nome de Pio IX, sucedendo a um Gregório XVI, considerado partidário da Áustria; com efeito, logo no início do respectivo pontificado, os Estados pontificais adoptam uma série de medidas de abertura e de amnistia que não tardam a ser seguidas noutras regiões de Itália. No Piemonte, Carlos Alberto, logo em 5 de Março de 1848, abandona o modelo da legitimidade da Santa Aliança, concedendo uma carta constitucional.

A primavera dos povos de 1848

Acontece também que vai chegar a Itália o choque da primavera dos povos que assume particulares dimensões na Lombardia, onde em 22 de Março de 1848, e instaura uma república em Milão; aproveitando as circunstâncias o Piemonte de Carlos Alberto assume a liderança do processo e trata de declarar a guerra à Áustria, proclamando então que a Itália se libertará por si mesma (L'Italia farà da se). Contudo, Pio IX vai deitar água na fervura quando, em 29 de Abril, sob o pretexto de condenar qualquer guerra entre cristãos, não apoia a luta dos italianos contra os Habsburgos. Aliás o próprio movimento de revolta cresce entre os Estados pontificais. Nos finais de 1848, em Roma, o primeiro-ministro do Papa é assassinado, Pio IX é obrigado a fugir para Gaeta e os mazzinianos tomando a ofensiva chegam a proclamar uma república em 9 de Fevereiro de 1849. Sol, aliás, de pouca dura, dado que em 4 de Julho de 1849 se restabelece a ordem papal, garaças ao apoio de uma força expedicionária francesa, para lá enviada por Napoleão III. O Piemonte, no entanto, vai alastrando e entre Junho e Julho de 1848 estende-se a Parma, Modena, a toda a Lombardia e a Veneza. Contudo, entre 23 e 25 de Julho, Carlos Alberto é derrotado na batalha de Custozza e é obrigado a abandonar Milão, nos termos do armistício de Salasco, assinado em 9 de Agosto. No ano seguinte volta entretanto à guerra, mas em 23 de Março, sofre nova derrota na batalha de Novara, abdicando em pleno campo de batalha a favor do filho Vitor Emanuel II, Il Re Galantuomo.

Segue-se uma aliança entre o Piemonte e a França de Napoleão III que, em 1859, declaram guerra à Áustria. Com o armistício de Vilafranca e a Paz de Zurique, esboça-se a organização de um Estado federal italiano. A Áustria cedia a Lombardia, mantendo-se, embora, em Veneza; a França obtinha definitivamente Nice e Sabóia e conseguia evitar a intervenção da Prússia na guerra.

Contudo, os Estados da Itália central decidem através de referendo a integração com o Piemonte. Garibaldi com os mil camisas vermelhas desembarca na Sicília, conquista Nápoles e oferece esses territórios ao rei do Piemonte.

Mas em 1879, já depois da integração de Roma no Reino de Itália, um dos líderes do triunfante Risorgimento, Azeglio, proclamava: agora, a Itália está feita, mas é preciso fazer italianos. De Mazzini fica a ideia mítica da Terceira Roma. Um caldo que vai inebriar Benito Mussolini. Em Outubro de 1922, a marcha sobre Roma que vai levar ao poder Mussolini. Em 1929, o Tratado de Latrão entre a Itália e a Santa Sé.

Retirado de Respublica, JAM

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Ismo

Sufixo de origem bizantina, divulgado no ocidente europeu pelos cultores da teologia. Vem do grego ismos. Começou por ser utilizado em Portugal pela linguagem eclesiástica em palavras como baptismo, cristianismo, aforismo, exorcismo ou paganismo. Na época do renascimento, surgem várias palavras com o sufixo, por via erudita (v. g. humanismo). Nova invasão, pela língua erudita, surge nos séculos XVIII e XIX, por via francesa. Nos começos do século XX passou a ser utilizado massivamente, passando da lingiagem erudita à linguagem popular, coincidindo com o aparecimento da sociedade industrial. Significa, em princípio, a generalização de alguma coisa. Na politologia serve sobretudo para qualificar uma doutrina, uma corrente de pensamento ou uma ideologia, bem como uma atitude, uma maniera de agir que se pretende de acordo com uma doutrina.

Retirado de Respublica, JAM

Israel

20 325 km2. Cerca de cinco milhões de habitantes. Pela declaração do ministro dos negócios estrangeiros britânico Arthur James Balfour, de 2 de Novembro de 1917, aceita-se a reivindicação do movimento sionista no sentido da criação de um lar nacional judeu na Palestina. Trata-se, então, de dividir o Império Otomano, e os britânicos obtêm em 1920 um mandato sobre a Palestina, dividida em 1921, com a separação da Transjordânia. Uma primeira guerra entre Maio de 1948 e Janeiro de 1949. Novo conflito em 1967.

Retirado de Respublica, JAM

"O Estado de Israel (em hebraico Sound מְדִינַת יִשְׂרָאֵל?, Medinat Yishra'el; em árabe دَوْلَةْ اِسْرَائِي, Dawlat Israil) é um país no Oriente Médio, na extremidade sudeste do Mar Mediterrâneo. É uma república democrática parlamentar fundada em 14 de Maio de 1948. É o único Estado judeu em todo o mundo[1][2]. Faz fronteira com o Líbano no norte, Síria e Jordânia ao leste e Egito no sudoeste[3].

A capital do país e sede do governo é Jerusalém, que é também a residência do Presidente da nação, repartições do governo, suprema corte e o Knesset (parlamento). A Lei BásicaJerusalém, completa e unida, é a capital de Israel" apesar de a Autoridade Palestina ver Jerusalém Oriental como futura capital da Palestina e as Nações Unidas e a maioria dos países não aceitarem a Lei Básica, argumentando que o status final deve esperar futuras negociações entre Israel e a Autoridade Palestina. A maioria dos países mantém sua embaixada em Tel Aviv[4][5][6]. Israel é o único país no Oriente Médio considerado como uma democracia liberal, tendo uma extensiva gama de direitos políticos e direitos civis[7]. Em adição, Israel é considerado o mais avançado na região em termos de liberdade de imprensa[8], regulamentações empresariais[9], competição econômica,[10], liberdade econômica[11] e desenvolvimento humano médio[12]. estabelece que " presentes

O conflito entre Israel e a Palestina[13][14]. Em particular, isto causou tensões com os vizinhos árabes de Israel, com alguns dos quais Israel também entrou em conflito.[14] Grupos como a Anistia Internacional[15] e Human Rights Watch[16] têm sido críticos das políticas de Israel, enquanto outras organizações como a Freedom House[17] e o governo dos Estados Unidos e alguns países da Europa geralmente apoiando Israel[18]. em andamento continua a ser uma fonte de tensão dentro e fora de Israel

Segundo as escrituras bíblicas, Israel é a terra prometida por Deus aos hebreus e é o berço da religião e da cultura judaica desde o século XVII a.C.."

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Islândia

(Lýoveldio Island) 103 033 km2 e 260 000 habitantes. Depois da ocupação viking, no século IX, integra-se na Noruega; fica dependente da Dinamarca de 1380 a 1918; desde esta data, torna-se Estado independente em regime de união pessoal; desde 1944 com independência completa, tornando-se república. Membro da NATO desde 1949.

Retirado de Respublica, JAM

"A Islândia, oficialmente República da Islândia (islandês: Ísland ou Lýðveldið Ísland, AFI: [ˈliðvɛltɪð ˈistlant]) é um país insular localizado no noroeste da Europa (apesar de geograficamente situar-se na dorsal meso-atlântica), entre o resto do continente e a Groenlândia. Em julho de 2007, dua população era de 311.396 habitantes. Sua capital e maior cidade é Reiquiavique.

A ilha é banhada pelo Oceano Atlântico a sul e oeste, e pelo Mar da Noruega a norte e a leste, e está separada da Groenlândia pelo Estreito da Dinamarca. Os territórios mais próximos, além da própria Groenlândia, são as ilhas Feroé, a sudeste, e a ilha norueguesa de Jan Mayen, a nor-nordeste. É considerado um dos melhores países do mundo para se viver, devido ao seu elevado índice de desenvolvimento humano e à alta qualidade de vida da sua população. A Islândia é um dos poucos países do mundo que não tem exército."

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Isidoro (Santo) de Sevilha 570-636

Isidorus Hispalensis. Arcebispo de Sevilha desde 594. Chefe da igreja católico sob o regime dos visigodos em Espanha. Promotor dos concílios de Toledo. Autor da principal obra enciclopédiaca dos conhecimentos do mundo antigo. Define a civitas como a "multidão humana associada pelo consenso do direito e pela comunhão da concórdia". Também as Siete Partidas referem que "pueblo llamam el ayuntamiento de todos los omes comunalmente, de los mayores e delos medianos e de los menores". referia que natio vem de nascendo tal como gens de engendrar :"gens autem appelata propter generationes familiarum, id est a gignendo, sicut natio a nascendo".

Retirado de Respublica, JAM

Isabel Maria - Regime político do Primeiro Cartismo (1826-1828)

O ciclo político correspondente ao primeiro período de vigência da Carta Constitucional, entre 1826 e 1828, apesar de curto, merece destaque. Quanto à forma do poder, assinale-se que os dois diplomas fundamentais para a respectiva definição são, além da Carta Constitucional, jurada em 31 de Julho de 1826, as instruções de 7 de Agosto de 1826 sobre as eleições, referendadas pelo ministro Trigoso. Eles traduzem a introdução em Portugal de um novo edifício institucional, aquele que podia ter sido concretizado em 1814, evitando a ruptura vintista, mas que vai ser boicotado pela pressão da balança da Europa, principalmente pela atitude táctica da Santa Aliança, motivado pela situação política espanhola. A introdução do constitucionalismo nasce torta e demorará muito tempo a endireitar. Com efeito, D. Pedro não conhece a efectiva realidade portuguesa, vê-se a si mesmo como meio Bolívar e meio Washington, marcado pela codificacionite à maneira de Bentham. Os cortesãos de Lisboa pensam que D. Pedro abdicaria em D. Miguel. Stuart sugere que a Carta seja pelo menos efectivada através da reunião dos Três Estados à maneira tradicional. Acaba por dominar o pronunciamento de Saldanha, apoiado pelas burguesias comerciais e pelas maçonarias. A sede formal do poder acha-se na regência individual de D. Isabel Maria e no governo que dela dimanava. No Governo, na Câmara dos Deputados, na Câmara dos Pares e no Conselho de Estado. Mas D. Pedro, a partir do Rio de Janeiro não comanda o processo. Com efeito a sede efectiva do poder está no comando militar do ministério da guerra, no jogo de influências no Paço, junto da regente. Local onde se fazem e desfazem governos, pela intriga e pela pressão diplomática.
Quanto aos grupos sociais, os grandes do reino são favoráveis à Carta, juntamente com a burguesia mercantil. A pequena nobreza não é beneficiada. O clero em guerra aberta. O povo em geral abstém-se. No governo está o grupo de Trigoso/ Sobral/ Lavradio em sucessivos conflitos, primeiro, com o grupo de Saldanha; depois, com o grupo de Melo Breyner. Acaba por triunfar o grupo ligado aos apostólicos.
Quanto às facções, destacam-se o grupo apostólico do interior manobrado por D. Carlota Joaquina, apoiado por membros do clero ferozmente antimaçónicos; o grupo rebelde apostólico que invade Portugal a partir de Espanha, com o marquês de Chaves, Magessi e Teles Jordão; os moderados apostólicos que aceitam as regras do jogo nas Câmaras e no governo, como é o caso do bispo de Viseu, Francisco Alexandre Lobo e do visconde de Santarém. Próximos estão todos os futuros miguelistas que esperam a chegada de D. Miguel em conciliação com D. Pedro. Há moderados que pretendem conciliar o tradicionalismo com a ideia de governo representativo (Trigoso e São Luís); moderados liberais que apoiam Lavradio e Sobral, como Luís Mouzinho de Albuquerque, Filipe Ferreira Araújo e Castro, Mouzinho da Silveira e o conde de Vila Real. Neste grupo amplo, pode incluir-se Palmela bem como os aristocratas e grandes do reino satisfeitos com a Carta.
De referir também a existência de exaltados, ditos progressistas, como Cândido José Xavier e Pinto Pizarro, aliados a Saldanha, que comandam a máquina do ministério da guerra até Julho de 1827. Deste grupo, faz parte José Liberato Freire de Carvalho, que é nomeado redactor da Gazeta de Lisboa por Saldanha. Do mesmo modo, Abrantes e Castro.
Quanto à influência externa, é dominante a dos britânicos, sob o gabinete de Canning, até Agosto de 1827. O principal representante é o embaixador A’Court, um tory, ligado ao Palmela. Em finais de Dezembro de 1826 desembarca a divisão de Clinton. As tropas britânicas vêm mais defender o terreno face a uma eventual agressão franco-espanhola. A Áustria de Metternich está interessada num acordo com o Brasil.
No tocante aos actores principais, destacam-se: D. Isabel Maria, a regente, é, entre os filhos do falecido rei, a mais joanina. Saldanha, William A’Court, Trigoso, o ministro do reino; Lavradio, ministro dos estrangeiros; São Luís eleito presidente da Câmara dos Deputados em 30 de Outubro de 1826. Palmela actua em Londres. Nomeado ministro dos estrangeiros em 8 de Junho de 1827. José Joaquim Rodrigues de Bastos, intendente da polícia. D. Miguel em Viena de Áustria. Jura a Carta logo em Outubro de 1826, por pressão de Metternich. Conde da Ponte nomeado ministro da guerra e dos estrangeiros em 26 de Junho de 1827, reprime as Archotadas. Cândido José Xavier, saldanhista, substitui o conde da Ponte nos estrangeiros e na guerra em 7 de Setembro de 1827. Pinto Pizarro é o principal administrador do ministério da guerra, apoiante de Saldanha. Na primeira jogada, impõe, pela ameaça do pronunciamento militar, o juramento da Carta logo em 31 de Julho de 1826. Numa segunda jogada, dinamiza o combate bem sucedido aos rebeldes militares anti-cartista. Numa terceira jogada, perde o golpe das archotadas. Chefias militares: Marquês de Chaves, Magessi, Teles Jordão. Chefias militares favoráveis à Carta: Vila Flor, marquês de Angeja, Azeredo.

Retirado de Respublica, JAM

Irlanda

(Eire) 70 280 km2 e 3 720 000 habitantes. Os ingleses começaram a conquista sistemática da ilha no século XII, mas qutro séculos depois, o seu domínio apenas atinge algumas regiões costeiras orientais, em redor de Dublin; a partir de finais do século XV começa a tentativa de integração, nomeadamente pela aplicação das leis britânicas em 1494. Com Henrique VIII procede-se à ocupação e assume o título de Rei da Irlanda. Ocupação e repressão religiosa pela confiscação de terras e por massacres. Os irlandeses apoiam Jaime II. Uma memória de humilhações, onde atingiram ponto alto as campanhas de Cromwell de 1649-1650, como castigo de uma revolta de 1641-1649. Novos proprietário de terras protestantes. Proibidos os irlandeses de frequentar escolas até 1781-1782. A liberdade religiosa é assegurada em 1691. mas logo volta a intolerância. O próprio Guilherme III promulga s leis penais de 1704 que impedem a aquisição e terras pelos católicos, o respectivo acesso a funções públicas e o banimento da hierarquia religiosa católica. Fortes rebeliões em 1791 e 1798, por impulso do nacionalismo revolucionário. Em 1800 é instituído o Acto de União e os irlandeses passam a estar directamente representados no Parlamento de Londres. Grandes fomes em 1846 e 1849. Nos finais do século XIX, as leis agrárias de Gladstone restituem aos irlandeses dois terços das terras.

Sinn Fein

Em 1900 surge o Sinn Fein (em gaélico, só nós) com Arthur Griffith. O movimento já não pede apenas autonomia, mas antes a independência total; advogando a resistência passiva, o movimento, a partir da lei do Home Rule de 1912, evoluiu para a acção violenta, estando na base dos acontecimentos de 1914. A revolta da Páscoa de Dublin, em 1916, foi dirigida por uma ala extremista do movimento, dirigida por Patrick Pearse; a partir de Outubro de 1917, passou a ser dirigido por De Valera que, em 1919-1920 desencadeou uma luta armada contra as tropas britânicas.

Estado Livre da Irlanda

Em 6 de Dezembro de 1921 era constituido, pelo Tratado de Londres, o Estado Livre da Irlanda, qualificado como um domínio independente, dominion, no seio da Commonwealth britânica e que não impedia o Reino Unido de ser qualificado, até 1927 como United Kingdom of Great-Britain and Ireland e não de Northern Ireland.

De Valera

Na base do processo está sobretudo a acção de Eamon De Valera e do Sinn Fein que nas eleições de Dezembro de 1918 conseguiram eleger 73 representantes n parte católica da ilha, com os quais constituiram um parlamento irlandês separado, o Dáil Eiremann, que em Janeiro de 1919 proclamou unilateralmente a independência da Irlanda. De Valera que se opôs ao Tratado de Londres, contraraiamente à maioria do parlamento irlandês que o aceitou em Janeiro de 1922, por 64 contra 57 votos, colocou-se à frente do Irish Republican ArmyCumann nan Gaedheal. que assumiu um combate armado até à primavera de 1923. Os moderados, aceitando o Tratado de Londres, constituiram o

Fianna Fáil

Só em 1926 é que De Valera se separou do Sinn Fein, constituindo o Fianna Fáil, aceitando participar na vida parlamentar a partir de 1927. Em Fevereiro de 1932 já ganhava as eleições, mantendo-se no poder sem interrupção até 1948.

Eire

Em 29 de Dezembro de 1937 surge uma nova Constituição que transforma a Irlanda num Estado Soberano e Independente, o Irish Free State, que passou a adoptar o antigo nome de Eire, abolindo o estatuto de domínio; em 25 de Abril de 1938 chegava-se a um acordo com Londres. Em Fevereiro de 1948, De Valera perdeu as eleições, sendo substittuído por Costello, do Fianna Gael, com o apoio dos trabalhistas; nesta sequência em 18 de Abril de 1948 era proclamada a República do Eire.

Retirado de Respublica, JAM

"Este artigo trata da Illa de Irlanda, como unidade xeográfica, incluindo o estado chamado

Irlanda (ou República de Irlanda) e Irlanda do Norte. Ireland ( en Irlandés: Éire) é a terceira illa máis grande de Europa. Está situada entre o océano Atlántico e o Mar de Irlanda. Politicalmente está dividida na República de Irlanda (oficialmente chamada Irlanda), un estado que cubre os cinco sextos da illa (sur, leste, oeste e noroeste), e Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, no nor-leste da illa. [1] O nome deriva do Anglo-saxón, e significa 'Terra de Ériu'.

A poboación da illa é aproximadamente de 5,8 millóns de persoas (2001); 4 millóns na República de Irlanda e 1,7 millós en Irlanda do Norde."

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Iraque

República do Iraque. Independente desde 1921. 434 924 km2. Cerca de 19 milhões de habitantes. A monarquia foi abolida em 14 de Julho de 1958, subindo ao poder uma coligação dominada por nasseristas e comunistas. Dez anos depois, o partido Baas, afastando os dois primeiros, consegue o monopólio do poder, personalizado por Saddam Hussein desde 1980. Depois de uma longa guerra contra o vizinho Irão entre 1980 e 1988, desencadeia a ocupação do Koweit em 2 de Agosto de 1990, donde é afastado apenas em Fevereiro de 1991, com a chamada Guerra do Golfo.


Retirado de Respublica, JAM

Política
Ver artigo principal: Política do Iraque

Seu regime político é o presidencialista, após a ditadura de Saddam Hussein.

Atualmente vive em clima de conflito armado entre forças do governo e grupos contra o regime imposto pelo Estados Unidos.

Após viver por três décadas sob regime do ditador Saddam Hussein (morto na forca), o Iraque sofreu uma intervenção militar por parte dos Estados Unidos apoiado por alguns países da OTAN...

Para eternizar seu nome, Saddam gastou 2,5 bilhões de dólares por ano desde 1991 erguendo meia centena de palácios em vários pontos do país. Logo surgiu a suspeita de que funcionavam como esconderijos para as armas-químicas e biológicas que os americanos dizem existir no Iraque. os palácios têm arcos em estilo neo-islâmico, paredes de mármore, jardins monumentais, cascatas e piscinas - a água é um símbolo de poder em países desérticos como o Iraque. O ditador também gastou uma fortuna para atrelar sua imagem no Islã. Nenhum líder árabe, desde o século XIII, construiu tantas mesquitas quanto ele.

Fidel Castro disse: "O objetivo principal é preciso dizer sinceramente, foi a conquista de uma de destruição em massa e, no entanto, os norte-americanos têm o monopólio dessas armas". "O mundo se opôs, mais de 90% dos espanhóis, a maioria dos europeus, em todas as partes do mundo se opôs. Essa é a lei da selva e a lei do mais forte". matéria-prima essencial que se chama petróleo". Ainda afirmou que, "os argumentos que os Estados Unidos usaram para invadir o Iraque não são válidos: acusaram o governo de ter armas

Quanto a Saddam, disse que o ex-presidente iraquiano realmente cometeu erros e que o alertou, em diversas ocasiões, para que saísse do Kuwait, após a invasão do país, em 1990. "Nós nos esforçamos muito para convencê-lo a se retirar", afirmou. Fidel frisou, no entanto, que os erros do ex-ditador não justificam a ação liderada pelos Estados Unidos.

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Irão

República Islâmica do Irão. 1 600 000 km2. 58 milhões de habitantes, com cerca de 62% da população alfabetizada. Irão quer dizer país dos arianos, chamava-se Pérsia até 1935. Os persas são cerca de 60% da população, mas 98% são muçulmanos, dominados pelos chiitas. A república islâmica foi estabelecida em 1979. Um dos Estados mais antigos do mundo. Descobertas as primeiras jazidas de petróleo em 1908. Uma revolução constitucional em 1906. Nacionalização da Anglo-Iranian Oil Copmpany em 1951.

Retirado de Respublica, JAM


"Política

Ver artigo principal: Política do Irão

O sistema político do Irão tem por base a constituição de 1979, que fez do país uma república islâmica. Nos termos da constituição, as relações políticas, económicas, sociais e culturais vigentes no país devem estar de acordo com o Islão[1]

O Guia Supremo (ou Faqih) é o chefe de Estado do Irão. O cargo é ocupado desde Junho de 1989 pelo aiatolá Ali Khamenei, que sucedeu a Khomeini. É eleito pela Assembleia dos Peritos para um mandato vitalício. Suas principais atribuições são a de comandante-em-chefe das Forças Armadas, nomeação do chefe do poder judiciário, do chefe da segurança interna, dos líderes das orações da sexta-feira, do director das estações de rádio e de televisão, bem como de seis dos doze membros do Conselho dos Guardiães. Pode demitir o Presidente do Irão caso considere que este não governa de acordo com a constituição.

O poder executivo compete ao presidente, segunda figura do Estado após o Guia Supremo. É eleito através de sufrágio universal para um mandato de quatro anos. Até 1989, ano em que foi aprovada uma reforma constitucional, este cargo detinha pouco poderes. A reforma aboliu o cargo de primeiro-ministro e concedeu maiores poderes ao cargo presidencial. O presidente nomeia e supervisiona o Conselho de Ministros e coordena as decisões governamentais. O seu poder encontra-se limitado pelo Guia Supremo. Os candidatos a presidente devem ser iranianos xiitas e seus nomes são previamente aprovados pelo Conselho dos Guardiães. O atual Presidente do Irão, eleito em 2005, é Mahmoud Ahmadinejad.

O poder legislativo é exercido por um parlamento unicameral (Majlis-e-Shura-ye-Eslami, "Assembleia Consultiva Islâmica") composto por 290 membros eleitos através de sufrágio universal para um período de quatro anos. À semelhança do que acontece com os candidatos a presidente, o Conselho dos Guardiães deve aprovar as candidaturas a deputado. Todas as leis aprovadas pelo parlamento devem ser enviadas para o Conselho dos Guardiães, que verifica se estas estão em concordância com a constituição e com o Islão[2]. Em circunstâncias especiais, o parlamento pode demitir o presidente através um voto de censura com maioria de dois-terços.


O chefe do poder judiciário, actualmente Mahmoud Hashemi Shahrudi, é nomeado pelo Guia Supremo. O chefe do poder judiciário nomeia por sua vez o presidente do Tribunal Supremo e o procurador-geral. O sistema legal iraniano baseia-se na lei islâmica ou charia. Este sistema prevê a prática da retribuição, que permite, dentre outros casos, a um membro da família da vítima de homicídio executar a sentença. Os castigos corporais ou a amputação de membros estão previstos para casos como roubo, consumo de bebidas alcóolicas ou adultério.

O Conselho dos Guardiães é composto por doze juristas, metade dos quais são especialistas em direito religioso, sendo nomeados pelo Guia Supremo; a outra metade é formada por especialistas em direito civil nomeados pelo Conselho Supremo Judiciário e aprovados pelo parlamento. Este conselho analisa as leis do parlamento para garantir que se encontram de acordo com a constituição.

A Assembleia de Peritos foi originalmente constituída com o objectivo de redigir a constituição de 1979. Desde então, esta assembleia, composta por 86 membros, tem como função eleger o Guia Supremo, supervisionar a actuação deste e retirá-lo do exercício das suas funções caso este seja declarado incapacitado. Os membros devem ser clérigos e são eleitos para um período de oito anos.

O Conselho de Discernimento do Interesse Superior do Regime é um órgão composto por 22 membros (clérigos, juristas e políticos), nomeados pelo Guia Supremo. É presidido por Hashemi Rafsanjani e a sua principal função é arbitrar os conflitos entre o parlamento e o Conselho dos Guardiães."

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