quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Lafões, 2º Duque de (1719-1806)

D. João Carlos de Bragança Sousa Ligne Tavares Mascarenhas e Silva. Maçon. Irmão do 1º duque de Lafões. Opositor do marquês de Pombal, retira-se para Londres. Voluntário na Guerra dos Sete Anos (1756-1763) nos exércitos austríacos. Regressa a Portugal em 1777. Apoia o abade Correia da Serra na fundação da Academia das Ciências (1779) de que foi presidente (1779-1806). Mordomo mor e ministro assistente ao despacho, acumulando a pasta da guerra de D. João VI, de 6 de Janeiro 1801 a 1804. Morre em 1806.

Retirado de Respublica, JAM

Lafitte, Pierre (1825-1903)

Positivista, amigo e discípulo de Comte. Depois da morte deste, assume a ala ortodoxa do positivismo, dirigindo seita como sumo sacerdote da religião da humanidade, de 1857 a 1879.


Retirado de Respublica, JAM

Lacroix, Jean (1900-1986)

Professor francês do ensino secundário, em Lyon, de 1937 a 1968. Um dos fundadores da revista Esprit. Responsável pelas crónicas filosóficas do jornal Le Monde, entre 1951 e 1980. –Personalismo e direito natural,136,949–Poder e autoridade,55,352–Política, realização da filosofia entre homens,17,122–Política, retorno da violência sobre si mesma,17,125 Jean Lacroix, a autoridade, como indica a etimologia, é o que aumenta do interior a sociedade humana, a aprofunda, e lhe permite realizar-se. Ter autoridade é ser autor. Podemos contestar os poderes, mas não podemos recusar toda a autoridade. De facto, não devemos identificar o poder com a autoridade, porque é verdade que o poder é sempre constituído e a autoridade apenas constituinte "a política ,na sua essência,é a vontade de realizar,tanto quanto possível,a filosofia entre os homens",isto é,"a mediação concreta que permite ao homem pô r-se como ser racional". Jean Lacroix, o problema está em que o homem não se torna racional senão quando treme diante da razão, que lhe aparece inicialmente sob a forma de coacção exterior. É obedecendo à lei que se torna concretamente racional, onde o direito é uma anti-razão ao serviço da razão e onde a política constitui uma espécie de retorno da violência sobre si mesma "o fim do político é a realização do universo concreto nos e pelos Estados particulares hoje, talvez no e pelo Estado mundial amanhã ". "o homem é um lobo que se torna Deus pela instituição simultaneamente racional e artificial do Estado".

"o pensamento de Rousseau é incrivelmente desconhecido" ,acentua que há nele um kantismo antecipado bem como uma visão cristão da sociedade:"a vontade geral quer dizer vontade do geral,é a vontade da razão,a vontade universal".

numa aproximação ao personalismo,"o direito natural é o reconhecimento de uma espécie de direito geral de ter direitos",é a "racionalidade própria da ordem jurídica,constituindo simultaneamente a sua norma imanente e o seu princípio de julgamento".

Para este autor "dele não podemos extrair nenhum direito positivo particular mas,no entanto,obriga-nos a admitir uma lei positiva e a corrigi-la constantemente.Utilizado por uns como conservador, por outros como revolucionário,o direito natural é,como toda a ideia reguladora,uma e outra coisa".

Em Lacroix há,assim,um retomar do justicialismo jurídico,num retorno ao direito natural que não passa pelo regresso ao direito divino ou à razão iluminista,mas antes a uma justiça existencial.Como ele diz,"o direito natural age através da crença" e "admitir o direito natural é admitir a pessoa,ou,antes,reconhecë-la;negá-lo é negá-la". Numa aproximação ao personalismo considera que o direito natural é o reconhecimento de uma espécie de direito geral de ter direitos, é a racionalidade própria da ordem jurídica, constituindo simultaneamente a sua norma imanente e o seu princípio de julgamento. Assim, dele não podemos extrair nenhum direito positivo particular mas, no entanto, obriga-nos a admitir uma lei positiva e a corrigi-la constantemente. Utilizado por uns como conservador, por outros como revolucionário, o direito natural é, como toda a ideia reguladora, uma e outra coisa.

· Le Sens du Dialogue, Neuchâ tel, La Baconnière, 1944.

· Marxisme, Existentialisme et Personnalisme

Paris, Presses Universitaires de France, 1946. Ver a trad. port. Marxismo, Existencialismo, Personalismo, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1972.

· Le Sentiment et la Vie Morale, Paris, Presses Universitaires de France, 1952.

· La Sociologie d'Auguste Comte, Paris, PUF, 1956.

· Histoire et Mystère, 1962. Cfr. trad. port. de Paulo Eduardo Arantes, São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1967. Obra dividida em quatro partes: a crise do progresso; a filosofia kantiana da história; economia, moral e po·lítica; mistério e razão.

· Panorama de la Philosophie Française Contemporaine

Paris, Presses Universitaires de France, 1966.

· Philosophie de la Culpabilité

Paris, Presses Universitaires de France, 1977.

· Le Personnalisme

1981. Cfr. trad. port. de Olga Magalhã es, O Personalismo como Anti-Ideologia, Porto, Rés Editora, 1977.

Retirado de Respublica, JAM

Lacordaire, Henri-Dominique (1802-1861)

Antigo advogado, ordenado padre em 1827. Dominicano desde 1839, restabelece a ordem em França. Companheiro de Lamennais e Mamtalembert na fundação de L'Avenir em Outubro de 1830. Um dos militantes do liberalismo católico, líder da respectiva ala esquerda. Critica o individualismo. Célebre pelas conferências proferidas em Paris na igreja de Notre Dame. Eleito deputado em 1848. Considera-se um liberal impenitente e um peregrino de Deus e da liberdade.


Retirado de Respublica, JAM

Labriola, Antonio (1843-1904)

Professor de história e filosofia em Roma. Discípulo de Bertrando Spaventa, hegeliano italiano, com quem estuda em Nápoles, e mestre de Croce e Gramsci. Considerado o primeiro marxista hegeliano, por contrariar a interpretação determinista e materialista do modelo de Engels, é também influenciado por Espinosa e Vico, acentuando o papel da consciência e da praxis. Se defende o gradualismo marxista, opõe-se, contudo, ao revisionismo de Bernstein, ao mesmo tempo que também se distancia das teses voluntaristas de Sorel. Considera que as leis do mundo natural não se aplicam ao mundo humano, dado que este é um meio artificial, onde a estrutura económica só em última análise determina as instituições e a consciência. Propõe a criação de uma associação que não produzisse mercadorias e que por isso já não é o Estado, mas sim o seu oposto, ou seja, o sustentáculo técnico e pedagógico da convivência humana, o “self government” do trabalho... a sociedade dirigida como Estado foi sempre a de uma maioria entregue à tutela de uma minoria, dado que o Estado é... sistema de forças que mantém o equilíbrio ou o impõe pela violência ou pela repressão, dado que Estado cresceu ou diminuiu de poderes mas nunca desapareceu... o Estado é uma real ordenação de defesas para garantir e perpetuar um método de convivência.


Retirado de Respublica, JAM

Labour Party

Depois da formação de Independent Labour Party em 1893 que falhou estrondosamente as eleições de 1895, surge em 1900, com o apoio dos fabianos e do TUC um Labour Representation Committee que consegue eleger dois deputados em 1903. O líder Ramsay MacDonald faz então um acordo com os liberais, aumentando a representação dos trabalhistas para 29 deputados em 1906, ano em que o partido passa a assumir-se como Labour Party.

Retirado de Respublica, JAM

Tour du Pin, René de la (1834-1924)

Um dos primeiros teóricos do catolicismo político. Uma perspectiva antiliberal. Defende a sociedade como um todo orgânico, dependente da lei de Deus (clef de voûte de l’édifice sociale). Assume a defesa do corporativismo, a partir da família, da oficina e das corporações. 134,921.

Retirado de Respublica, JAM

Boétie, Étienne de la (1530-1563)

Amigo de Montaigne, foi como este conselheiro no paralamento de Bordéus. Célebre tradutor de clásicos gregos. Adopta como lema o n'ayez pas peur. escravidão voluntária, onde o tirano apenas tem o poder que se lhe dá, um poder que vem da volonté de servir das multidões que ficam fascinadas e seduzidas por um só.

Retirado de Respublica, JAM


Do Novíssimo Testamento *

(ou do estado a que o espectáculo chegou)
texto de

José Rodrigo Coelho

Professor do Ensino Secundário em Portugal

Licenciado em Gestão e Administração Pública, pelo ISCSP – Universidade Técnica de Lisboa

Mestrando em Ciência Política pela mesma Escola

Liberale, ma non tropo


Comecei a dar os primeiros passos nos caminhos da Ciência Política pela pena do Pedagogo que, juntamente com muitos dos seus discípulos da Escola, me ensinaram a ultrapassar as angústias cultivadas pela falta de respostas que a vida vai somando. Sobretudo, se deixarmos de ter paixões ou, pior ainda, se já não damos por elas, e com isso ofuscamos a ‘luz’ que pode estar a reflectir, mesmo nas coisas mais simples que aprendemos, a imagem que sempre procuramos em nós! Então, devo dizê-lo, considero-me um afortunado, não pelo montante dos ganhos, mas pela proficuidade do investimento!

1. Confesso que também começo a ter medo. Desde que, como qualquer um de nós, me sinta parte da factura que alguém contabilizou no nosso passivo colectivo. Alguém! Que pensamos ser quem seja. E que julgamos ter começado a descodificar como age? Fazemos, há já algum tempo, uma ideia dos métodos, visto que eles não são tão novos quanto podemos ser levados a pensar. Onde? Hã, isso faz parte do método, não dizer onde nem quando, porque a morte não se deve anunciar, sobretudo a do inimigo. E talvez seja na surpresa que estará a maior fatalidade! De que se trata? De vingança, do tipo primitivo, daquela que, classicamente, estará sempre ligada às ofensas ao sangue e à honra ou, ainda mais, à divindade que a abençoa!

E porquê? Ah!, para essa questão já podemos formular várias respostas, apesar de com elas não podermos justificar os métodos, por um lado, nem tão pouco diminuir o tal passivo, por outro! Devemos, e o que devemos temos de pagar, mas não paguemos com ‘nota’ falsa, e façamo-lo de forma inequívoca. Para mostrarmos que somos gente de Bem! O acto de contricção faz parte da doutrina social, seja ela particularmente a da Igreja ou, colectivamente, a da nossa socialização! Depois, ... “quem não deve, não teme”! (A cultura dos universais revisitada)!

2. Mas, indo mais directa e linearmente ao assunto, sabem de que estou a falar. De medo! De terrorismo? Esse ismo do terror que se refere aos seus autores, ou ao modo como operam? Na segunda das duas hipóteses estaremos a criar uma injustiça historicamente relativa, e talvez pelas mesmas razões, mas com maior acuidade, devemos situacionar a primeira! Sempre num contexto historicamente comparativo, para não rotularmos uns com adjectivações sempre merecidas por outros!

Por isso, perdoem-me, não quero falar de ninguém! Não devo! Nem me interessa pessoalizar, se é pela clandestinidade do Estado, pelo evolucionismo da permissividade, pelo maquiavelismo da ganância, pelo ódio na vingança, pela loucura do desespero, …! Não me interessam os Bushes, os Aznares, os Blaires, os Soares, os Durões, os Sadames, os Ibnes Ladenes, a CIA e as outras companhias de telefones sob escuta, ... não me interessa estar a falar mais de quem não conheço, de quem apenas sei o que me dizem os ‘frames’ noticiosos!

Apenas me interessa dizer aqui que: a paciência é uma capacidade psicológica inerente à natureza humana, que todos os homens a possuem em mais uma medida desigual, tão igual a tantas outras desigualdades naturais ou artificiais (idealizadas ou não); que o súbdito não se prostra eternamente, mas apenas enquanto se vê representado no soberano; (...)

3. Agora, a esse vazio que a crise do Estado chama liberdade, veio substituir-se a paranóia (ou o vazio de estímulos que, realmente, provocam o medo), não por que não haja razões que se lhe juntem, suficientes para temermos pela nossa integridade física, mas pela forma como estamos a ser levados a combatê-la. O Leviatã ergue-se, vociferando, atingido na vitalidade da sua obsolescência! E, qual diagnóstico, recomenda-se que o Mal seja estranho nas origens, adamastoriano nos efeitos, perverso nos fins e incógnito nas razões, artefacto das novas tecnologias (...), ilegítimo na filiação à natureza que o criou! Por isso, o Populum precisa de encontrar os anticorpos para tal combate, sob pena de perecer da mesma enfermidade. Mas eis que o Rotularium, instituição que se dirige às misérias daquele, apela para que o apoio em massa (a principal fonte de energia do sistema) não falte com o plasma necessário ao retorno da normal vitalidade do corpo reunificado, mas não unido.

4. Valha-nos Stº Agostinho [1], que na Utopia [2] voltou a visitar-nos, e que o Concílio Vaticano II [3] brilhantemente redefiniu:

4.1 “Se falais a homens imbuídos de princípios contrários aos vossos, não deveis esperar que eles façam caso das vossas palavras se de repente lhes atirais à cabeça a contradição e o desmentido. Segui o caminho oblíquo, conduzir-vos-á mais seguramente ao fim visado. Aprendei a dizer a verdade habilmente e no momento próprio; e se os vossos esforços não puderem servir para tornar o bem efectivo, que pelo menos sirvam para diminuir a intensidade do mal; (...)

Sabeis o que me aconteceria se procedesse assim? Acontecer-me-ia que, ao querer curar a loucura dos outros, cairia na demência de que eles próprios sofrem. (...) A minha moral mostra o perigo, afasta dele o homem sensato; só fere o insensato que se lança desvairado no abismo.

«Existe cobardia ou infâmia em calar as verdades que condenam a perversidade humana, com o pretexto de que elas serão motivo de irrisão e consideradas novidades absurdas ou impraticáveis quimeras. Dever-se-ia, em tal caso, lançar um véu sobre o Evangelho e dissimular aos cristãos a doutrina de Jesus.

(...) Os pregadores, homens hábeis, seguiram o caminho oblíquo de que há pouco faláveis; vendo que repugnava aos homens pôr em conformidade os seus maus costumes com a doutrina cristã, vergaram o Evangelho com uma régua de chumbo, para o moldar conforme os maus costumes dos homens. A que os conduziu essa hábil manobra? A dar ao vício a estabilidade e a segurança da virtude”. 2

4.2 “Para edificar a paz, é preciso, antes de mais, eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras, sobretudo as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades e do atraso em lhes dar remédios necessários. Outras, porém, nascem do espírito de dominação e do desprezo das pessoas; e, se buscarmos causas mais profundas, da inveja, desconfiança e soberba humanas, bem como de outras paixões egoístas. Como o homem não pode suportar tantas desordens, delas provém que, mesmo sem haver guerra, o mundo está continuamente envenenado com as contendas e violência entre os homens. E como se verificam os mesmos males nas relações entre as nações, é absolutamente necessário, para os vencer ou prevenir, e para reprimir as violências desenfreadas, que os organismos internacionais cooperem e se coordenem melhor e que se fomentem incansavelmente as organizações que promovem a paz. (...)” 3



* A analogia com o título da obra do mestre que a escreveu (O Novísimo Príncipe) é, talvez, uma ousadia que apenas a verosimilança factual permite contemplar. No entanto, não podemos deixar de passar o alerta para os incautos da História, pois se o princeps se metamorfoseou, o legado tão pouco pode deixar de ser passado, sobretudo àqueles em quem não encontra corpo para encarnar.

[1] A Cidade de Deus, Vol. 1, Livro I, Cap. I, (4.2 dos textos citados) “Acerca dos inimigos do nome de Cristo que, por causa de Cristo, os bárbaros pouparam durante a devastação de Roma”, Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª Ed., 1996, pág. 99.

[2] MORUS, Tomás, A Utopia, Guimarães Editores, 8ª Edição, Lisboa, 1992, pp. 61-62

[3] Constituição Pastoral Gaudium et Spes, 83 – Construção da comunidade dos povos.

Kuo-Min-Tang (1900)

(Partido Nacional do Povo). Partido chinês criado em 1900 por Sun Iat Sem. Já sob a chefia de Chang kai Chek, foi reorganizado pelos soviéticos em 1923-1924. Mantém-se na Formosa a partir de 1949.


Retirado de Respublica, JAM

O Kuomintang (Partido Nacionalista ou KMT), que no momento controlava o governo da República da China recolheu-se com o seu líder Chiang Kai-shek em Taiwan após a Guerra Civil Chinesa entre o KMT e o Partido Comunista Chinês, que terminou a favor dos comunistas em 1949. Neste êxodo contavam-se aproximadamente 2 milhões de refugiados vindo da China continental. Chiang Kai-shek, então presidente da República da China, tomou o comando de Taiwan, reorganizou as suas tropas e instituiu reformas politico-democraticas limitadas tendo continuado a prometer a reconquista da China continental. A sua posição internacional acabou por se enfraquecer quando em 28 de novembro de 1971 os Estados Unidos da América expulsaram o seu regime e aceitaram os comunistas como o único governo legítimo da China. Chiang Kai-shek permaneceu presidente até ao fim da sua vida em 1975.

Fotos e texto 2 retirados da Wikipédia

Kung, Hans (n. 1928)

Teólogo católico suíço. Um dos inspiradores das teses do Concílio do Vaticano II. Entra em ruptura com a Santa Sé, depois de criticar o dogma da infalibilidade papal.

Retirado de Respublica, JAM

Kundera, Milan

Romancista checo que retratou o regime pós-totalitário de Praga no romance de 1984 A Insustentável Leveza do Ser, qualificando tal modelo político como kitsch, uma estação intermédia entre o ser e o olvido.

Retirado de Respublica, JAM

Kun, Bela (1886-1937)

Revolucionário profissional comunista húngaro. Treinado em Moscovo. Lidera a revolta comunista húngara de 1918. Derrotado por Horthy em Março de 1929. Passa para o exílio na URSS onde terá sido assassinado por ordem de Estaline.

Retirado de Respublica, JAM

Kulturkampf (1871-1879)

O mesmo que luta pela civilização. Designação do período de 1871-1879 na Alemanha, quando Bismarck, apoiado pelos liberais, empreendeu uma série de reformas laicistas. Os católicos reagiram, especialmente depois das chamadas Leis de Maio de 1873, com o apoio do papa Pio IX. As tensões só foram esbatidas depois da eleição do papa Leão XIII.


Retirado de Respublica, JAM


Kujawski, Gilberto de Melo (n. 1929)

Liberal brasileiro da actualidade, influenciado por Ortega y Gasset. Considera que o liberalismo é, sobretudo, um estilo de vida, uma praxis, típica do mundo ocidental, porque uma porção da pessoa deve estar livre da jurisdição pública. Neste sentido, o liberalismo é anterior ao aparecimento da própria ideologia liberal. Começou como prática e só depois é que se transformou em ideologia. Aliás, antes de ser uma questão política era uma ideia radical sobre a própria vida. Adepto do liberalismo social, invocando Gasset, para quem o liberalismo era a organização social da liberdade, pelo que defende a existência da um Estado sólido, necessário para a defesa da liberdade.

Retirado de Respublica, JAM

Kuhn, Thomas Samuel (1922-1996)

Filósofo da ciência norte-americano. Forma-se em fisica. Introduz o termo paradigma na análise do desenvolvimento histórico da ciência. Considera que toda a ciência obedece a um paradigma, a uma visão do mundo sancionada pela comunidade científica, o que requer inevitavelmente um acto de fé. Porque não há fundamentos racionais para a escolha entre os múltiplos paradigmas disponíveis, dado que muitos deles podem resolver uma série de problemas. Há, assim, uma ciência normal, quando se dá a aplicação estável de um paradigma. Salienta também que a ciência normal, que obedece a esse paradigma, quando as anomalias se acumulam, é derrubada por uma revolução científica, da qual surge um novo paradigma. O progresso científico dá-se quando surgem as tais anomalias, fenómenos que o paradigma não consegue explicar, pelo que se inicia uma revolução científica em busca de um novo paradigma, o qual, quando é adoptado pela comunidade científica, produz o progresso científico. Considera, portanto, que há uma descontinuidade no progresso científico, com longos períodos de normalidade, quando conduzidos inteiramente no interior de um paradigma dominante, a que se sucedem as perturbações ocasionadas pelas revoluções centíficas.

Retirado de Respublica, JAM

Kropotkin, Piotr Alexeivitch(1842-1921)

Político russo. Exila-se na Suíça em 1872. Regressado à Rússia em 1874, é preso, mas evade-se em 1876, passado ao exílio. Chega a estar preso em França de 1882 a 1886. Regressa à Rússia em 1917, insurgindo-se contra o leninismo, acusando-o de enterrar a revolução. Assume um anarquismo comunalista, mutualista e solidarista. Defende uma sociedade baseada na lei da solidariedade e da ajuda mútua, ou entreajuda, porque o homem tem predisposição natural para ela. Adopta o comunalismo, defendendo a comuna como proprietária de todos os meios de produção. Considera que a política deve ser norteada por ideias morais, por aquilo que qualifica como o progresso moral da nossa raça. Traduzido para português por Afonso Lopes Vieira.

Retirado de Respublica, JAM

Krizhanitch, Yuri (n. 1617)

Iniciador do movimento eslavófilo. Sacerdote católico croata, que vem para a Rússia em 1647, autor de umas Considerações Políticas, escritas por volta de 1650, talvez o primeiro manual do pan-eslavismo, onde se referem os eslavos como o jovem povo do futuro, dado serem marcados pela espiritualidade. Já então defendia a união de todo o povo eslavo sem Estado (sérvios, croatas, búlgaros, checos e polacos), insurgindo-se contra a moda da xenomania, então dominante na Rússia, onde as famílias ilustres tentavam, através de uma genealogia inventada, encontrar um qualquer antepassado prussiano ou inglês. Ao mesmo tempo, criticava as teses da Terceira Roma adoptadas por Ivan IV: não se contentando com o poder que adquiriu, o czar Ivan procurou as vaidades da glória e os aduladores gregos fabricaram-lhe contos ridículos segundo os quais Moscovo era a Terceira Roma e ele mesmo um herdeiro do imperador Augusto. Um dia Deus castigará a Rússia por essas pretensõe.

Retirado de Respublica, JAM

Krisis (Die) der europäischen Wissenschaften” 1935 - 1936

Edmund Husserl critica o modelo positivista dominante, baseado na regra da evidência, considerada um preconceito e um engodo. A ciência positivista considera que apenas é possível uma ciência dos factos puros e simples, baseando-se na matematização da natureza, oriunda de Galileu, onde a natureza é idealizada sob a inspiração da nova matemática. Surge também uma naturalização do espírito, mas não é pelo facto de reflectir-se que se define a relação entre o objecto e o pensamento, mas pelo sentido do objecto e da sua existência. O positivismo gera dois erros complementares e simetricamente inversos: o objectivismo fisicista, ou materialismo mecanicista, e o subjectivismo transcendental, de Kant.

Retirado de Respublica, JAM

Kriegel, Blandine Barret

Professora francesa, formada em filosofia e investigadora do CNRS. Colaboradora do Institut d'Études Politiques de Paris. Professora na Universidade de Paris X- Nanterre. De origens judaicas, assume a tradição do estatismo republicano francês, assumindo a defesa do Estado de Direito, na linha kantiana. Procura demonstrar, contra o pensamento germânico, o carácter inovador do direito político moderno. Considera que o Estado de Direito nasceu em ruptura com o Império e o regime senhorial, como organização de um espaço público unificado onde o poder público foi sujeito à lei e limitado pelos direitos individuais.

Retirado de Respublica, JAM