quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Koyré, Alexander (1892-1964)

Autor russo, aluno de Husserl e de Bergson. Professor em Paris.

Retirado de Respublica, JAM

(...) "Alexandre Koyré identifica a revolução galileana, que fundou a ciência clássica, com a geometrização do mundo e a destruição do cosmos. (1) De fato, nos quase três séculos desde Galileu até o princípio do século XX, não se fez cosmologia plenamente dentro do programa de matematização do real. O Universo não é visto como um Cosmos com níveis de organização, mas sim como uma repetição monótona ad infinitum de uma porção local. Paralelamente, a dimensão temporal foi retirada das considerações sobre o Universo. O cotidiano também é estendido indefinidamente, tanto em direção ao passado, como em direção ao futuro. Não faria sentido falar em origens, em uma idade do Universo. O tempo só foi re-introduzido nas considerações do Universo em 1917, quando Einstein aplicou a Teoria da Relatividade Geral, recém-desenvolvida em 1915, na construção das suas equações cosmológicas. (2)" (...).

(1) Koyré, A. Études galiléennes. Paris, Hermann, 1966.

(2) Harrison, E. R. Cosmology: the science of the universe. New York, Cambridge University Press, 1981. Nesta obra encontramos um panorama do desenvolvimento da cosmologia durante a primeira metade do século XX."

Retirado de Ciência e Cultura

Foto picada da Wikipedia

Kossyguine, Alexei (1904-1980)

Primeiro ministro soviético desde Outubro de 1964, faz parte da troika que substitui Kruchtchev e leva ao poder Brejnev.

Retirado de Respublica, JAM


Foto picada da Wikipedia

Membro do Partido Comunista em 1927, ocupou diversos ministérios a partir de 1939. Em 1946, foi candidato ao Politburo e, em 1960, tornou-se membro do Presidium e do Politburo. Primeiro vice-presidente do Conselho de Ministros em 1960, participou na queda de Nikita S. Kruschev e foi presidente do Conselho de Ministros, ao mesmo tempo em que fez parte da elite dirigente do país, com Leonid Brejnev, Nikolai Podgorny e Mikhail A. Suslov. Influente em política externa, principalmente no início do desanuviamento entre os blocos, Brejnev afastou-o do poder, impedindo a continuação da reforma econômica.

Texto 2 retirado de Biografias

Korsch, Karl (1896-1961)

Pensador marxista alemão. Vive em Londres antes da Grande Guerra, fazendo, então, parte dos fabianos. Depois de ser membro do USPD, partido social democrata alemão independente, em 1919, adere aos comunistas. Professor de direito em Iena em 1923. Por criticar o imperialismo vermelho, é expulso do partido comunista em 1926, acusado de desvio esquerdista. Abandona a Alemanha em 1933, emigrando para os Estados Unidos da América, onde escreve na revista Living Marxism, dirigida por Paul Mattick. Critica tanto o revisionismo de Bernstein, onde dominaria o regresso a Kant, como a perspectiva de Kautsky. Insurge-se particularmente contra o esquecimento do carácter revolucionário do movimento marxista. Considera que as democracias liberais tendem a constituir um Corporate State que se aproximaria do modelo fascista.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikipedia

Konservative (1876)

Na Alemanha, a expressão Konservative tem mais a ver com o conceito francês de tradicionalista do que com o conservative britânico. Em 1876 é fundado o Deutschekonservative Partei, assente sobretudo nos grandes proprietários prussianos, opostos à instituição do sufrágio universal por Bismarck. Maioritários na Camara dos Representantes da Prússia desde 1879, são o principal apoio de Bismarck, quando este entrou em ruptura com os nacionais liberais. Defendem o proteccionismo. Fazem parte do governo alemão até à Grande Guerra (coligação com o Zentrum, oposição dos sociais-democratas).

Desaparecem em 1918 e dispersam-se durante a Repúblkica de Weimar pelo Partido Nacional Alemão e pelo Partido Democrático Alemão.

rmin Mohler Die konservative Revolution in Deutschland 1918-32, de 1950, refere a rnovação do pensamento conservador alemão antes da ascensão de Hitler ao poder, como Moeller van den Bruck, Carl Schmitt e Ernst Junger.

Retirado de Respublica, JAM

Komintern (III Internacional)

Nome pela qual é conhecida a III Internacional, ou Internacional Comunista, fundada em Moscovo em 4 de Março de 1919.

Centralismo democrático

No II Congresso, ocorrido em Julho de 1920, estabelece-se o modelo a que devem obedecer os partidos integrantes, ao mesmo tempo que se delineiam os esquemas da luta pela libertação nacional dos povos colonizados.

Segundo a 12ª condição de aderência, os partidos pertencentes à Internacional Comunista devem basear-se no princípio de centralismo democrático, isto é, a sua organização deve ser tão centralizada quanto possível e predominar uma disciplina de ferro.

Depurações

Do mesmo modo, nos termos da condição 13ª, os partidos comunistas nos países em que desenvolvem a sua actividade legalmente devem, de vez em quando, proceder a depurações dos seus membros, para se livrarem de quaisquer elementos pequeno-burgueses que hajam aderido. Tal centralismo democrático era também universal: o partido que desejar participar no Komintern deverá afastar os reformistas e centristas (2ª); tem de criar por toda a parte uma organização ilegal paralela, que, no momento decisivo, ajudará o partido a cumprir o seu dever para com a revolução (3ª); é obrigado a apoiar incondicionalmente qualquer república soviética na sua luta com forças contra-revolucionárias(14ª); além disso, os partidos que ainda conservarem os antigos programas sociais-democratas devem revê-los os mais depressa possível e elaborar [... ] um novo programa comunista em conformidade com as decisões da Internacional Comunista(15ª); todos os decretos dos congressos da Internacional Comunista, assim como os do seu Comité Executivo, abrangem todos os partidos pertencentes à Internacional Comunista(16ª); todos os partidos que desejarem ingressar na Internacional Comunista devem mudar de nome, desde que a fórmula partido comunista não esteja já incluída na designação(17ª).

Foi a partir deste II Congresso do Komintern que se deu uma vaga de fundações de partidos comunistas, destacando-se o nascimento da SFIC, Secção Francesa da Internacional Comunista, no Congresso de Tours da SFIO (25 a 29 de Dezembro de 1920), a fundação do Partido Comunista Italiano (5 de Janeiro de 1921) e do próprio Partido Comunista Português em 6 de Março de 1921.

Retirado de Respublica, JAM

Kolakowski, Leszek (n. 1927)

Filósofo polaco, dissidente dos comunistas. Expulso do partido em 1966 e, dois anos depois, demitido de professor de filosofia moderna da Universidade de Varsóvia, acusado de corromper a juventude. No exílio é professor em Berkeley, Yale e Oxford. Começa por criticar o leninismo, invocando o jovem Marx. Acaba por aproximar-se do cristinaismo, rejeitando a herança cientista do positivismo e o determinismo marxista. Assinala que a Revolução de Fevereiro de 1917 se deveu à coincidência de muitos factores: a guerra, as reivindicações camponesas, as recordações de 1905, a conspiração dos liberais, o apoio da Entente e radicalização das massas trabalhadoras. Criticando o inicial sovietismo, refere que , o génio de Lenine não foi o da previsão, mas o de concentrar num preciso momento todas as energias sociais que podiam utilizar-se para tomar o poder, e subordinar todos os seus esforços e os do seu partido para este fim. Porque que a Revolução não foi um "coup d'état" bolchevique, mas uma verdadeira revolução dos trabalhadores e camponeses. Apenas os bolcheviques foram capazes deos utilizar para os seus próprios fins; a sua vitória foi, por sua vez, uma derrota das ideias comunistas, inclusive na sua versão bolchevique. Assim, se Lenine não pensou num trânsito imediato para uma agricultura colectiva e estatal, não teve dúvida que a produção rural devia estar desde o início debaixo do controlo estatal directo e que o livre comércio de mercadorias significaria a ruína do socialismo.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de The Library of Congress

Koinonia

Termo grego imediatamente associado à ideia de comunidade. Contudo, o termo se exprime essa proximidade, impõe um modelo de comunhão, dado que apela para uma forma de vida em comum, para a consciência de um destino comum e da existência de uma fé partilhada pelos membros desse grupo. Em Aristóteles, 1, 5

koinonia politike

Koinon. Gr. O espaço comum, o espaço político, onde todos se assemelham

Koinonia. Gr. Comunidade no sentido de comunhão, de encontro das coisas comuns.


Retirado de Respublica, JAM

Koestler, Arthur (1905-1983)

Húngaro de origens judaicas. Depois de uma breve fase comunista, torna-se sionista, entre 1922 e 1929. Jornalista na Alemanha desde 1931, regressa à miltância comunista. Vai para a URSS em 1932, desiludindo-se do ideal. Instala-se em França a partir de 1834 e é repórter na guerra civil espanhola, chegando a estar preso. Regressa a França e trata de assumir o anticomunismo. Passa para Inglaterra em 1940. Volta à Palestina de 1942 a 1948.

Contra o reducionismo

Critica a chamada ideologia reducionista da modernidade, segundo a qual pela análise podem atingir-se os elementos simples, considerados como uma parte da complexidade. Defende a síntese que considere o conjunto como algo mais que a soma das parcelas. Neste sentido critica o marxismo, o freudianismo e o estruturalismo. Liga-se, no final dos anos sessenta, a Piaget, Hayek e Bertalanffy, promovendo a publicação conjunta Beyond Reductionism, Londres, Hutchinson, 1971.

·O Zero e o Infinito

1940 ed. ingl., 1941; ed. fr., 1946.

·Darkness at Noon

1948.

·Les Racines du Hasard

Paris, Calmann-Lévy, 1972.

·The Art of Creation

Nova York, Macmillan, 1964.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de A. K. Project

Avaliação dos Docentes

Não sei há quanto tempo este meu estimado parceiro em muitos pontos de vista sociais (políticos e, creio fortemente, também existenciais) escreveu este artigo. Mas há-de ter, por bastante tempo ainda (infelizmente assim nos apontam os actuais cenários para um futuro mais ou menos próximo), eco e reflexo nas linhas de contestação a algumas medidas educativas - diria quase xenófobas -, sobretudo as que tendem a arrasar com o que não encaixe em certo conceito de pedagogia da educação. O que não é exclusivo do ensino universitáro. eu que o diga.

E a História já nos mostrou o quanto podemos e devemos aprender com erros do passado, sobretudo quando nele vemos muito do que de mau acontece na sociedade do presente. Mas o meu amigo PFC, aqui, explica bastante do alcance desta asserção:

Avaliação dos Docentes Universitários

Teses academicamente incorrectas
sobre um mito do nosso tempo


Paulo Ferreira da Cunha
Prof. Catedrático - Fac. de Direito da Univ. do Porto


I. A Avaliação não foi descoberta agora

A demagogia na Educação instalou-se completamente.

Anuncia-se de vez em quando nos media, de forma pomposa, judiciosamente, que os professores do ensino superior podem ser avaliados pelos alunos. Descoberta da pólvora! Bravo!!! Dão-nos licença.... Como se a lei ou o poder no-lo permitissem agora...

Pessoalmente sou avaliado há muitíssimos anos, e outros são-no como eu.

Quem trabalha muito, investiga mesmo a dormir (o sonho é factor de imaginação criativa), está disponível (até se correspondendo com os alunos por e-mail: quer-se mais total disponibilidade?), quem não tem mais 3 empregos fora, não for antipático e souber umas coisas, animar as aulas, promover umas actividades interessantes, etc., parece não ter muito a temer... Embora não se agrade nunca cabalmente a todos, e sempre possa haver umas malquerenças, o bom senso acabará por prevalecer...

Não tenho que reclamar pessoalmente. Mas reclamo pela classe.

A avaliação não foi descoberta agora: já existe em muitas Universidades.

II. A Avaliação mede a popularidade e deveria ser responsabilizante

Mas sejamos claros: só serve para detectar a popularidade dos professores, e, no limite, apanhar os totalmente não cumpridores, que se espera sejam raros. Mas sempre e só se for olhada inteligentemente por quem possua muita experiência, muito bom senso: coisas cada vez mais raras, infelizmente.

Em geral, o “voto secreto” (desresponsabilizador) dos estudantes nesses inquéritos é apenas opinião, simples gostar ou não gostar. Tanto vale o voto do bom como o do mau aluno, tanto o do que foi às aulas como o do que lá vai só votar no último dia. E é importante saber-se quantos alunos votam, em que percentagem face aos inscritos e face aos que foram às aulas o ano todo.

Por outro lado, a avaliação tem de fazer-se na própria aula em que o docente está a ser avaliado, e não numa única classe para todos os docentes… Muito menos fora das aulas. Se é tudo respondido de atacado, quando chegam à última cruzinha - que estafa! - … lembrar-se-ão de quem estão a avaliar?

Mas mais ainda: seria interessante, isso sim, perguntar aos antigos alunos o que pensam, alguns anos passados, dos seus antigos professores. Essa avaliação, para além da imediata e imediatista, faria também ajuizar do que foi fugaz fascinação ou embirração, e do que foi influência perene.

Um outro aspecto problemático são as simpatias e antipatias, que, como sabemos, variam muito com a cor dos olhos, a idade, o sexo, e a cor política de cada professor…

III. Muitas Universidades capitularam na avaliação dos Estudantes

Há problemas profundos por detrás desta questão. Enquanto não se entender de vez que na sociedade há quem sabe e quem não sabe, e quem sabe não tem que ser escrutinado nessa veste senão por quem sabe mais, a comunidade continuará adiada e a fingir.

Sem dúvida que há muitas Universidades pelo mundo fora que de há muito vivem da popularidade professoral. Poucos estão para se maçar e enfrentar a barbárie que entrou portas adentro. Nisto da avaliação pergunto sempre: quem guarda os guardas? Para iludir as coisas, lá vem sempre o exemplo estrangeiro – mas lá fora (no lá fora de alguns cá dentro) há muito que o curso universitário vale pouco no mercado de trabalho e os professores já se renderam muito antes de nós. As Universidades são mais centros de investigação que subsidiariamente dão aulas, e muito mais subsidiariamente avaliam... Ora nós estamos longe dessa função, num país em que, apesar de tudo, ainda se confia nos títulos. Pelo menos nos de Universidades renomadas.

Continuo a não me queixar: sou um privilegiado, numa Faculdade com alunos até agora de excepcional nível (embora vá decaindo em geral com a estupidificação geral promovida pelo laxismo imperante no ensino secundário) - não faço nenhum favor em dar-lhes boas notas. Mas parece que há quem o faça por aí, em casas menos bafejadas pela sorte...

Por todo o lado se propõe avaliação: e também se querem avaliar as universidades pelo número dos diplomas que fornecem, independentemente da qualidade, claro. Em Itália, já se ironizou com isso:

“Che cosa penserebbero gli italiani se il Ministro della Sanità annunciasse che d’ora in avanti la qualità degli ospedali sarà valutata in base non al numero dei pazienti guariti ma al numero dei pazienti comunque dimessi, non importa se guariti o meno?” [1]

A propósito, em Itália, disseram-nos que, com base no mesmo processo de Bolonha que em Portugal nos faz truncar os cursos, aumentaram (pelo menos em algumas Faculdades) a duração do período para obtenção da laurea de 4 para 5 anos... Somos mais bolonheses que os bolonheses, mais papistas do que o Papa…

IV. Quem deve avaliar é só quem está no topo da carreira

Sobre avaliação dos docentes do ensino superior creio só haver logicamente uma resposta: ou o sistema está totalmente pervertido (e reconhecemos que títulos e graus e hierarquias de nada servem), ou então os únicos que podem julgar são os que se encontram no topo da carreira: todos (e não apenas uns happy few, amigos do poder) professores coordenadores e os catedráticos de nomeação definitiva, respectivamente no Politécnico e na Universidade, porque os únicos que foram avaliados toda uma vida, tendo ultrapassado os obstáculos. Sabemos que há génios noutros patamares, e que há génios autodidactas. Mas é preciso haver algum critério. O resto é demagogia.

V. A promoção artificial mediática e social é uma forma de fugir à vera avaliação

Aliás, essa demagogia anda de par com a muito difundida mania de querer vender gato por lebre, procurando o ensinante menos qualificado fazer-se passar por mais qualificado. Sobretudo se for social ou politicamente aspirante a mais. Sobretudo se tem múltiplo emprego, e precisa de se valorizar nos demais com o cartão de visita universitário. Em muitos países, a qualidade de assistente, que era na geração anterior à nossa muito prestigiante, passou de tal modo a representar (estultamente) uma vergonha social (pela hoje instalada mania das grandezas) que já ninguém quer ser assistente, e, cedendo à pressão social, a categoria deixou mesmo de existir em alguns países. Noutros, como Portugal, em que a categoria permanece, uma das formas de subir sem ser avaliado (ironisaríamos) é a de os assistentes se fazerem passar por “professores”, quer afirmando-se professores tout court, quer, mais subtilmente (e reconhecendo nós que só alguns de caso pensado claro), dizendo-se “docentes” ou “professores da cadeira X ou Y”… “Docentes” são realmente todos os que ensinam. Mas é nome alatinado, mais doirado para quem não quer “assistir”… Enfim, fechemos o parêntesis.

VI. A Pedagogia artificial não resulta. A Pedagogia em exercício, sim

A distinção entre capacidade científica e pedagógica procura iludir o problema. Para quem não percebe nada de coisas fulcrais, tudo seria magicamente melhor se os docentes universitários tivessem cursinhos e reciclagens dadas pelos pedagogos de serviço: que podem nada saber das respectivas matérias. Falácias e mais falácias. Esse ideal de Coménio de uma arte de ensinar tudo a toda a gente é complicado… Há muita formação pedagógica informal, tradicional, empírica e “em exercício” que vale mais que teorias de quem, sem saber, pretende ensinar os que sabem a ensinar aos que nada sabem…

VII. Pode haver “ maus” professores “bons” professores

Por outro lado, é bom que haja professores fora dos padrões pedagógicos das vigências.

Ninguém ignora que há cientistas quase mudos e antipáticos. E alguns deles introvertidos [2] . Mas, no limite, em países em que a investigação científica é paupérrima, poderemos prescindir deles, ainda que com o custo de serem menos apelativas as suas aulas? E o caso corrente nem sequer é esse: normalmente, a má pedagogia decorre também de má preparação científica. Quem sabe e se encontra apaixonado pela sua matéria até pelo simples exemplo de sua vida é um pedagogo. Deixemo-nos de formalismos e de mitos: o professor não é um palhaço de mil habilidades com vista a meter dados na cabeça dos estudantes; é um modelo, que mostra um caminho possível. Aprender é outro caminho, cada um, individualmente, tem de percorrer.

Por outro lado, ter apenas folies bergères pedagógicas é cansativo. Um ou outro professor medíocre faz descansar os alunos de tanto brilhantismo. Cursei três cursos superiores: Direito, Letras e Artes. Em todos eles tive professores brilhantes que nos tiravam o fôlego de tanto nos pôr a pensar, e professores mais cinzentos que nos debitavam matéria. Uns e outros são precisos. A todos agradeço.

VIII. Avaliação não pode ser demagogia

Quanto à avaliação: faço e farei enquanto me não proibirem os meus inquéritos, mas é só para saber se sou popular... Fraqueza narcisista, decerto... Deus me livre se acreditasse que sou bom ou mau professor pelos seus resultados.

A sociedade tem de ter os seus freios e contrapesos meritocráticos: senão a democracia degenera em demagogia e em anarquia. Ainda teremos um dia os arguidos a votar sobre a qualidade das sentenças dos juízes...




[1] Ernesto Calli della Loggia, Passato e Presente, in Sette, “Corriere della Sera”, n.º 39, 2003, p. 15.

[2] Cf. o excelente artigo de Jean Lauand "Vigência e Educação – a Ditadura da Extroversão"; Videtur No. 26, pp. 5-20, Porto, IJI-CEMOrOc-FEUSP, 2004.

Retirado de Editora Mandruval

Kjellen, Rudolf (1864-1922)

Professor sueco, na Universidade de Upsala. Deputado. Um dos grandes teóricos da geopolítica. Influenciado por Ratzel. O seu livro de 1916 teve grande êxito na Alemanha, com traduções de 1916 e 1924.

·Staten Som Lifsform (O Estado como Forma de Vida), de 1916.

Retirado de Respublica, JAM

"Johan Rudolf Kjellén (Torsö, 13 de Junho de 1864 - Uppsala, 14 de Novembro de 1922) foi um cientista político e político sueco. Cunhou o termo geopolítica, em 1899. O seu trabalho foi influenciado por Friedrich Ratzel. Com Alexander von Humboldt, Karl Ritter e Friedrich Ratzel, Kjellén lançou as bases da geopolítica alemã, que mais tarde seriam aproveitadas por Karl Haushofer."

Kjellén completou o ensino secundário em Skara, no ano de 1880 and matriculou-se na Universidade de Uppsala nesse mesmo ano. Completou o seu doutoramento em Uppsala em 1891 e foi docente nessa universidade entre 1890 e 1893. Leccionou também na UniversidadeGotemburgo, onde foi professor de ciência política e estatística a partir de 1901, até voltar a Uppsala em 1916, para uma posição prestigiada como professor de eloquência e governação. de

Sendo um político conservador, foi membro da segunda câmara do parlamento sueco , entre 1905 e 1908, e da primeira câmara, entre 1911 e 1917.

Retirado da Wikipédia

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Teoria dos Jogos

Teve a sua origem em P. G. Cambray, The Game of Politics. A Study of the Principles of British Political Strategy, Londres, John Murray, 1932, onde se aplicavam as metáforas do jogo do xadrez à política internacional. Atinge as suas culminâncias com o behaviorismo, tanto na obra de J. Von Neumann e Oscar Morgenstern, Theory of Games and Economic Behaviour, de 1943, como em A. Rapoport, Fights, Games and Debates, Michigan University Press, 1960. Nesta base, Michel Crozier vem falar na organização como uma forma de actividade estruturada em torno de um objectivo, num conjunto de jogos articulados uns com os outros, referindo que é a estruturação do campo que oferece constrangimento e recursos a partir dos quais os membros de uma célula elaboram o jogo que constituirá o seu governo, entendendo o poder como um jogo conjunto complexo de jogos abertos, entrecruzados e interdependentes, onde todos os jogadores procuram maximizar os seus ganhos.

Jogo político
Alguns autores, partindo da noção de jogo como um mecanismo concreto graças ao qual os homens estruturam as suas relações de poder(... ) deixando-lhes a sua liberdade,jogo de competição que se exerce numa ordemo conjunto de regras destinado a codificar a competição.
consideram por fim que a política é um definida como

Jogo de soma variável
Quando os jogadores competem uns com os outros, mas onde todos podem ganhar conjuntamente. Pensou-se que esta seria a regra da exploração da natureza, da sujeição da terra. Só que, como explica o ecologismo, gerou-se um utendi et abutendi. Assim, em vez do cartesiano dono e senhor da natureza, aquilo que Max Weber ainda qualificava como a luta pacífica do homem com a natureza, começa agora a defender-se o homem respeitador da natureza, onde aquilo que nela cultivamos, ou acrescentamos, tem de respeitar a regra da harmonia, e onde o abuso de direito deixa de ser direito.

Jogo de soma zero
Quando os ganhos de todos os jogadores somam zero, porque aquilo que um ganha perde o outro. Sempre que alguém obtém um ganho, o outro tem uma perda. Nas relações de poder, se um homem, colocado no lado activo, adquire ou exerce um poder sobre outro homem, este último, situado no lado passivo, perde alguma coisa, passando a estar vinculado a um dever (quando o outro tem um direito subjectivo) ou a uma sujeição (quando o outro tem um direito potestativo).

Retirado de Respublica, JAM

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Kibbutz

Colectividade em hebraico. Forma de exploração agrícola colectiva, experimentada no Estado de Israel. Unidades especialmente estabelecidas nas fronteiras, assumindo carácter paramilitar.

Retitrado de Respublica, JAM

Foto picada de Século XX

Kierkegaard, Soren aabye (1813-1855)

Filósofo dinamarquês, inspirador do existencialismo. Licenciado e doutorado em Teologia (1840 e 1841). Aluno de Schelling em Berlim em 1842. Atacando o cristianismo burgês, considera que a essência do cristianismo é uma vida infeliz e de sofrimento, marcado pelo temor e pelo tremor. No temor o homem tem medo de perder o que possui; no tremor, na angústia, tem medo de perder-se a si mesmo. Contra o hegelianismo, que defende o intelectual, o universal e o necessário, insiste na vontade, no singular e na liberdade, valorizando o singular. Considera a liberdade não nasce da certeza, mas da incerteza. Neste sentido, assinala a via do paradoxo, ou do absurdo, onde se manifesta uma oposição de termos irreconcliáveis. Neste sentido assinala a necessidade de um desespero autêntico, o do finito que permite elevar o homem até à eternidade. A fé é um dos exemplos do paradoxo, exigindo adesão sem compreensão. Com Cristo, Deus e Homem ao mesmo tempo. Observa que a política, o Estado e a Sociedade são causas de alienação e obstáculos à autenticidade da existência. Entre as suas obras, Temor e Tremor, de 1843; O Conceito de Angústia, 1844; O Desespero Humano, 1849; A Escola do Cristianismo, 1850.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Antrposmoderno

Kim Il Sung (1912 -1994)

Comunista coreano. Torna-se em 1948 chefe de governo da Coreia do Norte. Desenvolve um intenso culto da personalidade.

Retirado de Respublica, JAM

"Exerceu o cargo de primeiro-ministro de 1948 a 1972 e de presidente1972 até sua morte. Foi também o secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coréia, em que era o comandante autocrático. de

Como líder da Coréia do Norte, partiu de uma ideologiamarxista-leninista até formular a Idéia Juche baseada no culto à personalidade. Conhecido como "Grande Líder", Kim Il-sung é oficialmente o "presidente eterno da" Coreia do Norte, segundo a constituição do país, sendo seu aniversário de nascimento e morte feriados no país."

Foto e texto 2 retirados da Wikipédia

"De 1948 até 1994, ano de sua morte, Kim Il Sung governou a Coréia do Norte, com mão de ferro.

Nascido numa família de camponeses, Kim Il Sung recebeu uma educação cristã. Durante as lutas pela independência da Coréia, então pertencente ao Japão, a família de Kim mudou-se para a Manchúria, na China.

Lá Kim Il Sung freqüentou uma escola chinesa. Aos 15 anos foi preso como membro da Liga da Juventude Comunista do Sul da Manchúria. Libertado em 1930, passou a integrar o Exército Revolucionário Coreano.

Kim Il Sung tornou-se líder de um grupo guerrilheiro. Com a invasão da Manchúria pelos japoneses, cresceu o movimento de resistência na Coréia e na China. Mais de 200 mil chineses e japoneses envolveram-se na guerrilha.

Durante a Segunda Guerra, a Coréia foi invadida pelos japoneses e Kim Il Sung foi obrigado a partir para o exílio na União Soviética. Em 1945, a Conferência de Yalta permitiu que tropas soviéticas e americanas se instalassem na Coréia, dividindo o país em duas partes. O governo provisório da Coréia do Norte ficou a cargo de Kim Il Sung. Em 1948 a União Soviética estabeleceu a República Democrática Popular na Coréia do Norte.

Oficialmente líder do Partido dos Trabalhadores Coreano, Kim Il Sung na realidade teve poder quase total sobre o país, exercendo papel similar ao de Mao Tsé Tung, na China. Entre 1950 e 1953 Kim liderou os norte-coreanos na guerra contra a Coréia do Sul, protegida pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas. Após o acordo de paz entre as duas Coréias, Kim Il Sung intensificou um governo ditatorial baseado no culto à personalidade. Passou a ser tratado como "Grande Líder", enquanto seu filho King Jong-il, designado como seu sucessor, passou a ser "Estimado Líder".

Kim Il Sung desenvolveu também uma filosofia de massas chamada "Juche", que significa auto-suficiência, verdadeira religião oficial. Morreu em 1994, aos 82 anos, vítima de uma parada cardíaca. Quatro anos depois seu filho Kim Jong-il, atribuiu-lhe o título de "presidente eterno".

O regime comunista ainda em vigor na Coréia do Norte resultou numa imensa estagnação econômica que tem deixado a maior parte da população do país na miséria e a fome é um dos grandes males do país. Os recursos financeiros do Estado são carreados para a área militar, inclusive com o desenvolvimento de armas nucleares. Estas e a possibilidade de se usá-las na Coréia do Sul ou mesmo no Japão impedem uma intervenção norte-americana ou internacional no país e garante a sustentação do regime."

Foto e texto 3 retirados de Lição de Casa

King Jr., Martin Luther (1929-1968)

Teológo norte-americano. Activista dos direitos cívicos da minoria negra. Estuda em Boston e destaca-se como pastor baptista na Geórgia, donde vai empreender uma luta contra a segregação racional, através do método de Gandhi da não-violência e da cooperação social, ao mesmo tempo que invoca os pais-fundadores da democracia norte-americana, aquilo que num discurso de 1963 invoca com a célebre frase I have a dream.... Autor de Why Can’t Wait, 1964; Where do We Go From Here, 1967. Prémio Nobel da Paz em 1964, morre assassinado.


Retirado de Respublica, JAM


Foto 1 (direita) picada da Wikipédia


Foto 2 picada de R. E. I.

Kipling, Rudyard (1865-1936)

Romancista inglês. Autor da célebre frase definidora da colonização: white man's burden.
Retirado de Respublica, JAM


"Joseph Rudyard Kipling (Bombaim, Índia, 30 de Dezembro de 1865 - 18 de Janeiro de 1936) foi um escritor britânico.
Em
1907 ganhou o Prêmio Nobel de Literatura.
Foi educado em
Bideford, na Inglaterra. Em 1882 voltou à Índia, onde trabalhou para jornais britânicos. Começou sua carreira literária em 1886 e tornou-se conhecido como escritor de contos.
Foi o poeta do
Império Britânico e seus soldados, que retratou em vários contos, alguns deles reunidos no volume Plain Tales from the Hills', de 1888.
Em
1894 lançou O livro da selva, que se tornou internacionalmente um clássico para crianças, também conhecido pelo seu personagem principal, o pequeno Mowgli.
Muito conhecido também é um de seus poemas, "If" (Se), no qual um pai dá conselhos a seu filho sobre como ser um homem de bem."


Foto e texto 2 picados da Wikipédia

Kirchheimer, Otto

Politólogo alemão, célebre pela invenção da categoria de catch all parties, dita em francês attrape-tout...

Retirado de Respublica, JAM

Kireievski, Ivan Vasiljevic (1806-1856)

Monge russo que tenta conciliar a filosofia e a religião através daquilo que qualifica como uma metafísica auctótone. Considera que a civilização ortodoxa é interior e integral, enquanto a ocidental é exterior e lógico-técnica. Assim, as sociedades latinas e germânicas assentariam na coerção exterior, enquanto os laços sociais dos russos teriam fundamento no acordo, na harmonia, na comunidade da fé e do amor. Nestes termos, critica fortemente o europeísmo, considerado como um estado doentio, visto ser constituído por várias camadas de males: o destruidor Espírito das Luzes; o espírito científico, que não reconhece como verdadeiro senão o que é objecto de experiência sensível; as belas artes crispadas na imitação estéril; a moral utilitária.

Kirk, Russell (1918-1994)

Considera que o modelo liberal é caracterizado pela ideia de perfectibilidade do homem e o ilimitado progresso da sociedade, pelo desprezo da tradição, pela igualdade política, pela igualdade económica e pelo repúdio de uma concepção de Estado como "ente moral ordenado por Deus".
Retirado de Respublica, JAM
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Kissinger, Henry (n. 1924)

Nasce na Alemanha, de família judaica que se instala nos Estados Unidos desde 1938. Estuda em Harvard e faz uma tese de doutoramento sobre Metternich (1957). Conselheiro especial de Nixon desde 1969, passa a Secretário de Estado em Agosto de 1972. É o negociador da retirada do Vietname e das negociações com a China e Moscovo, preparando as visitas de Nixon a Pequim (Fevereiro de 1972) e Moscovo (Maio de 1972). Assume-se como um dos teóricos do neo-realismo, defendendo uma nova Realpolitik, capaz de aplicar mundialmente o conceito europeu de equilíbrio das potências. Depois do 25 de Abril, considera Portugal um caso perdido para o comunismo e chega a admitir que serviríamos de vacina para a Europa Ocidental.

Retirado de Respublica, JAM

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Khruchtchev, Nikita 1894-1971

Nikita Sergueievitch Khruchtchev. O sistema pós-totalitário

Como quase sempre acontece face às evoluções de uma continuidade que tenha elevado ao paroxismo a personalização do poder, os sucessores da pesada herança tendem a gerar uma viradeira com a intenção de criar novos espaços de apoio ao poder, sobretudo entre os anteriores dissidentes, para o que, depois de proclamarem a fidelidade, logo tratam de substituir de forma espectacular alguns dos actores secundários mais proeminentes da ordem anterior. Na URSS isso não vai acontecer logo após a morte de Estaline, dado que, durante alguns dias, tudo parecia continuidade, com Malenkov, em 6 de Março, a ser é nomeado Presidente do Conselho de Ministros e primeiro secretário do Partido, com Béria, que mantinha o Ministério do Interior, a assumir a Vice-Presidência. Mas, quinze dias depois, a 21 de Março, eis que se anuncia um novo secretário do Comité Central do PCUS: Nikita Sergueievitch Khruchtchev (1894-1971). Tratava-se de um engenheiro que fora responsável pela construção do metropolitano de Moscovo, primeiro secretário do partido na Ucrânia, de 1938 a 1940, um condecoradíssimo herói da resistência de Estalinegrado, donde, de 1949 a 1953, passara a 1º Secretário do partido em Moscovo. Não tarda que os órgãos de propaganda do regime, a partir de 16 de Abril, comecem a falar num novo princípio: o da colegialidade. E em 28 de Março era publicado um decreto de amnistia, onde eram libertados todos os que tinham sido condenados a menos de cinco anos de prisão, ao mesmo tempo que se reduzia para metade a pema de todos os outros. Anunciava-se também que nova legislação penal iria suprimir a responsabilidade criminal para os delitos económicos. Surpreendentemente, em 4 de Abril, o Pravda anunciava que a conjura das batas brancas tinha sido fabricada pela polícia política e que as confissões tinham sido arrancadas sob tortura. A viradeira estava a começar. Em 10 de Julho anunciava-se a prisão de Béria. E mais não se dizia. Apenas em 23 Dezembro de 1953 se explicava que o mesmo Béria fora preso no dia 26 de Junho e executado no mesmo dia, depois de um processo secreto. Como refere Edgar Morin, era o conflito entre o aparelho e a sua própria polícia: esta devia necessariamente ser o instrumento total da repressão total, mas, agindo assim, tornava-se um superaparelho todo-poderoso que ameaçava o próprio aparelho. Daí a depuração constante dos chefes de polícia, Iagoda, Ejov, até à mais recente de todas, a de Béria. A desestalinização marca a derrota definitiva do superaparelho policial, mas ao preço de uma degradação da omnipotência do aparelho, de uma primeira partilha do poder com o exército e os técnicos. A rápida ascensão de Khruchtchev significou, sobretudo, a vitória do aparelho do partido sobre o aparelho militar e policial. Com efeito, com Estaline, depois da repressão da segunda metade dos anos trinta e, principalmente, por efeito da guerra, o partido deixou de constituir o vértice do aparelho de poder, dado que o pai dos povos preferiu colocar, na sua directa assessoria, o aparelho militar e o aparelho policial. Com a ajuda dos tecnocratas, em Agosto de 1954, trata de fazer a revisão do plano estalinista, tendo em vista o acréscimo de produção de bens de consumo e o desenvolvimento da agricultura, em vez da anterior aposta na indústria pesada, contra as teses defendidas por Malenkov, que se retira em Fevereiro de 1955. Ganham, com este afastamento, tanto o Ministro da Defesa, Jukov, como o Presidente do Conselho de Ministros, Nikolai Bulganine (1895-1075).

Coexistência pacífica

Ao mesmo tempo, surgem inequívocos sinais de desanuviamento na política externa, em nome da restaurada tese da coexistência pacífica, que já havia sido utilizada depois de 1922. Como disse Nikita no XX Congresso do PCUS: ou a coexistência pacífica ou a guerra mais destrutiva da história. Não há outra saída. Assim, eis que em 19 de Maio de 1955, URSS restitui a soberania à Áustria. E que logo a seguir devolve à Finlândia a base naval de Prokkala bem como Port Arthur à China Não tarda o estabelecimento de contactos políticos com a República Federal da Alemanha, com a visita de Adenauer a Moscovo em 13 da Setembro de 1955. E, nesta sequência, em 7 de Outubro a URSS liberta os ultimos prisioneiros de guerra alemães Também em Maio de 1955 Khruchtchev e Bulganine visitam Tito em Belgrado, admitindo, deste modo, o comunismo nacional e reconhecendo que há caminhos diferentes para o socialismo. Era, pois, natural que surgisse a chamada Conferência dos Quatro Grandes em Genebra em Julho de 1955, a primeira desde 1947.

O degelo

O processo de mudança na URSS culmina em 25 de Fevereiro de 1956, no XX Congresso do PCUS, quando Khruchtchev, aí apresenta, à porta fechada, um incisivo relatório, onde é particularmente denunciado o sistema de governo de Estaline. Chegava a época do degelo, com a libertação de muitos prisioneiros por delitos de opinião, a retirada do corpo de Estaline do mausoleu de Lenine e a transformação dos campos de concentração em colónias de reeducação pelo trabalho. Mas as rosas da mudança continuam a ter sangrentos espinhos e Khruchtchev, para manter-se é obrigado a largar o princípio da colegialidadea procurar, de novo, a personalização do poder. Assim, em Junho de 1957, Molotov era expulso da direcção do partido, começando o processo de ataque ao grupo anti-partido, de que também fariam parte Gueorgui Malenkov, Lazar Kaganovitch e Kliment Vorochilov. Já a partir de Outubro do mesmo ano vão começar a cair os antigos aliados de Khruchtchev: primeiro o Ministro da Defesa, Jukov; depois, em Março de 1958, Bulganine. Com efeito, como assinalava Edgar Morin, o aparelho tem igualmente de lutar contra o exército e reforçá-lo, de lutar contra a burocracia e reforçá-la, de lutar contra a classe operária e reforçá-la. Com efeito, a burocracia não possui nenhum suporte autónomo como o exército ou a NKVD: o seu único supoorte é o próprio aparelho, que não é outro senão o esqueleto do Estado Finalmente, strutura-se o 6ºPlano Quinquenal de 1956-1960, onde se prevê a supressão das estações de máquinas e tractores, com a venda dos mesmos aos kolkozes, bem como a regionalização da indústria. Com efeito, no domínio da política agrícola, Khruchtchev optou por um desenvolvimento extensivo, nomeadamente desbravando as terras virgens da Sibéria, bem como pelo refortalecimento dos sovkhozes e pelo reagrupamento dos kolkhozes. Do mesmo modo, apostava-se no desenvolvimento da indústria química, como um meio de apoio à agricultura. Mas o 6º Plano é logo abandonado em 1957 e, em 5 de Fevereiro de 1959, quando se concluiu o XXI Congresso do PCUS, iniciado em 27 de Janeiro, adopta-se um plano septienal (1959-1965). Conforme as orientações aprovadas pelo mesmo congresso, na corrente década a União Soviética, enquanto cria a base tecnico-material do comunismo, ultrapasará per capita a produção do mais poderoso e rico país capitalista -os Estados Unidos. Este optimismo propagandístico proclamava também que o desenvolvimento da democracia, a participação de todos os cidadãos na edificação económica e cultural, a gestão dos assuntos sociais, constituem o elemento essencial no desenvolvimento da estrutura socialista do Estado. Assim, importava tanto a construção das bases materiais e técnicas do comunismo como a educação do homem do futuro e o desenvolvimento entre os soviéticos da moral comunista. O modelo de Estado também parecia evoluir, dado que o mesmo, tendo surgido como ditadura do proletariado passava a qualificar-se como Estado do Povo Inteiro, nomeadamente por causa das experiências de auto-administração que, nas colectividades locais, nos sindicatos e noutras associações, se iam empreendendo. Segundo o novo programa do PCUS aprovado pelo XXII Congresso, de 12 a 31 de Outubro de 1961, o Estado socialista entrou num novo período de desenvolvimento. Começou o processo de transformação do estado em organização de todos os trabalhadores da sociedade socialista. A democracia proletária foi-se convertendo cada vez mais em democracia de todo o povo... À medida que se desenvolva a democracia socialista, os órgãos de poder do estado ir-se-ão convertendo em órgãos de auto-gestão social. Outra era, na verdade, a ditadura dos factos, dado que, entre 1963 e 1965, a URSS teve de começar a fazer importações maciças de trigo dos USA e do Canadá. E a taxa de expansão da indústria é apenas de 7% contra os 13% previstos. Na frente da guerra fria, os soviéticos são, entretanto, sujeitos em importantes desafios. Em Junho de 1953 acontecera a revolta operária de Berlim. Em Junho de 1956 vai dar-se a sublevação de Poznam. Em 24 de Outubro de 1956 é a vez da revolta popular da Hungria. Assim, visando uma coordenação mais estreita dos países de Leste, suscitada, sobretudo, pela entrada da República Federal da Alemanha na NATO, surge em Maio de 1955, como resposta do Leste, o Pacto de Varsóvia Os êxitos da política externa soviética ocorrem, sobretudo, no Terceiro Mundo, nomeadamente a partir da Conferência de Bandung, de 18 a 26 de Abril de 1955, e da crise do Suez, na segunda metade de 1956, culminando com a revolução castrista, em Cuba, em 1 de Janeiro de 1959. Com efeito, a URSS, a partir de Bandung, privilegiando as relações com o Egipto de Nasser e com a Índia de Nehru, estabeleceu um programa de influência sobre o Terceiro Mundo que vai ter pleno acolhimento na I Conferência de Solidariedade Afro-Asiática, realizada no Cairo entre 26 de Dezembro de 1957 e 1 de Janeiro de 1958. Segundo muitos observadores, foi nesta Conferência do Cairo que a URSS fez a sua entrada em força em África, conseguindo que as jovens nações africanas, em nome da solidariedade afro-asiática não se referissem ao neo-colonialismo e ao imperialismo soviéticos, ao contrário do que chegou a ser esboçado em Bandung. A crise do Suez e a guerra da Argélia vieram depois acelerar o processo de ligação da URSS ao terceiro-mundismo, sendo disso bem sintomática a assinatura, em 25 de Agosto de 1959, de convenções técnicas e económicas com a Guiné-Conakry. A vitória da revolução castrista em Cuba, em 1 de Janeiro de 1959 e a inabilidade da política externa de Eisenhower que, em Julho de 1960, decidiu diminuir em 700. 000 toneladas anuais, as importações de açúcar de Cuba, vão fazer com que a URSS possa ter uma lança no próprio coração da América Apesar de tudo, há um retrocesso da influência soviética no Iraque, com o Baas a suprimir o Partido Comunista, e na Indonésia, com Sukarno a voltar-se para Pequim. Também em Africa há alguns reveses, com a inflexão de Sekou Turé e a subida ao poder de Mobutu. Isto é, a Guerra Fria foi-se transformando numa sucessão de empates técnicos integrados numa espécie de jogo de soma zero. A competição vai também chegar ao espaço quando em 4 de Outubro de 1957 a URSS lança o primeiro satélite artificial, o Sputnik I, para, logo depois, ensaiar o disparo do primeiro míssil balístico intercontinental. Não tarda que a mesma URSS, confirmando a liderança na corrida espacial, coloque, em 21 de Abril de 1961, o primeiro homem no espaço, Gagarine. A partir de então, a Guerra Fria, pelo menos na Europa Ocidental, atingiu as dimensões do grande medo que, eufemisticamente, se foi qualificando como disuassão ou equilibrio pelo terror. Foi neste ambiente de medo pelos mísseis soviéticos que medrou o pacifismo ocidental que, depois de, no Maio de 68, ter proclamado o hippie slogan do make love not war, acabou, menos romanticamente com o slogan de antes vermelhos que mortos, já nos anos oitenta. O Encontro de Camp David, de 25 de Setembro de 1959, entre Khruchtchev e Eisenhower, vem agravar a tensão internacional, traduzindo-se, nomeadamente no abate de um avião espião americano U2 pelos soviéticos em Maio de 1960. Nesse encontro, a URSS não aceitara o princípio dos open skies, proposto por Eisenhower, para a vigilância mútua de movimentos militares. Tinha, entretanto, subido a Presidente dos Estados Unidos da América John Kennedy, em 20 de Janeiro de 1961, que parecia disposto a vencer os desafios soviéticos através de um novo estilo. Mas depois do fracasso do desembarque na Baía dos Porcos (Cocinos Bay), em 20 de Abril de 1961, o ambiente de tensão entre as duas superpotências atinge o rubro, não permitindo o desanuviamento na Cimeira de Viena de 3 de Junho de 1961. Aliás, logo em Agosto de 1961 inicia-se a construção do Muro de Berlim e em Outubro do ano seguinte dá-se a crise dos mísseis de Cuba quase levou a um confronto directo entre norte-americanos e soviéticos.

Retirado de Respublica, JAM

Khomiakov, Aleksi (1804-1866)

Antigo oficial de cavalaria russo que, em nome do antiocidentalismo e da eslavofilia estrutura uma espécie de teologia ortodoxa de recorte neoplatónico. Para este autor de Escritos sobre a História Mundial, de 1838, existiria uma oposição na história entre um princípio iraniano ou ariano, marcado pela liberdade moral e representado pelo judaísmo e pela Igreja Ortodoxa Russa, e o princípio kuchita ou etíope, influenciado pela magia e pela necessidade científica, princípio que teria sido incarnado pelos romanos e pelos metafísicos alemães do século XIX. No tratado teológico A Igreja é Una, por seu lado, diz que só a Igreja Ortodoxa conserva os traços da Igreja primitiva, visto fazer a síntese entre a unidade e a liberdade, contrariamente à atitude dos católicos, que conservaram a unidade em prejuízo da liberdade, e à da Reforma, que sacrificou a unidade à liberdade. Neste sentido, considera que a verdade dogmática reside no consenso da Igreja e não na autoridade da hierarquia, como em Roma, ou na das Escrituras, à maneira dos protestantes. Do mesmo modo, defende a integração da vontade e da fé, insurgindo-se contra o que chama racionalismo teológico ocidental.

Retirado de Respublica, JAM

Khomeiny, Ayatollah S. Ruhollah (1900-1989)

Líder da revolução islâmica do Irão. Considera que a Europa não é senão um conjunto de ditaduras cheias de injustiças. Defende a supremacia universal do Islão contra a hegemonia de outros conquistadores. Admite a guerra santa. Contra a existência de um poder laico no mundo muçulmano, dado que qualquer poder laico é sempre um poder ateu, obra de Satã, gerando a corrupção sobre a terra, um mal supremo que deve ser irradicado.

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Khaldûn, Ibn (1332-1406)

Político, historiador e juiz árabe. Nasce em Túnis. Estuda na cidade natal e em Fez, de 1347 a 1357. Escreve uma história universal entre 1374 e 1378. Vive como conselheiro e a partir de 1384 instala-se no Cairo, como juiz e professor.

Contra o averroísmo racionalista

Reage contra o anterior racionalismo averroísta que dominava a teoria islâmica e assume o realismo, descrevendo minuciosamente os factos para, a partir daí, descobrir as relações que os regem.

A ideia de história

A história é entendida como a informação sobre a sociedade humana. Não está dependente de uma prévia revelação.

Precursor de Hobbes

Precedendo Hobbes, considera que a origem do Estado deriva, não de ameaças exteriores, mas sim de um estado de guerra intestina, dado que o homem é um ser naturalmente belicoso. Porque a agressividade e a injustiça são da própria natureza do homem, a organização social impõe que os homens tenham uma espécie de freio que os controle e separe. Asim, considera que o homem é o único animal que não pode viver sem uma autoridade que o contenha pela força.

Sociedade e Estado

Faz uma distinção entre a sociedade (umirán) e o Estado, salientando a existência da solidariedade ou espírito de grupo (açabiyyah).

Origem da comunidade política

Considera que primeiro surgiu a autoridade tribal, a qual, impulsionada pela procura da glória, transformou-se, nalguns casos, em realeza. Surge então a comunidade política que, começando no parentesco, se transforma num coactivo absolutista que, levando ao aumento da riqueza e da prosperidade, também conduziu à tirania e à subsequente fragmentação. Neste sentido, considera que cada Estado tem um ciclo de 120 anos, com três gerações e cinco fases.

Retirado de Respublica, JAM

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Khadafi, Muammar el- (n. 1942)

Militar líbio, chefe do golpe de Estado de 31 de Agosto de 1969 que derruba a monarquia. Lidera revolução líbia da terceira via que diz querer superar o socialismo e o capitalismo. Demite-se em 1979 de todas as funções oficiais, assumindo-se como tutor espiritual da nação. Até meados da década de noventa, transforma a Líbia num pária da comunidade internacional, com o apoio que dá a vários movimentos terroristas em nome do nacionalismo árabe.

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Keyserling, Hermann von (1880-1946)

Natural da Lituânia. Influenciado por Bergson, funda em Darmstadt, em 1929, uma Escola de Sabedoria e uma Sociedade de Filosofia Livre, onde pretendia lutar pelo renascimento da Europa, de acordo com o conceito oriental de sabedoria. Profere três celebradas conferências em Lisboa, em Abril de 1930. Considera o homem como a síntese de elementos telúricos e espirituais, salientando que, se as ideias permitem saber, só a alma pode compreender, isto é, penetrar no sentido daquilo que se sabe, um sentido que é o lugar onde se mistura o espiritual e o vivo. Analisando o processo das relações internacionais do seu tempo, fala na Rússia como a Eurásia, onde o gosto da destruição e a santidade, a crueldade aguda e o heroísmo não se sustentam senão quando se opõem, desafia todas as definições e escapa mesmo às classificações habituais. Sim, a Ásia começa aí, ao mesmo tempo que a Europa acaba, o Oriente e o Ocidente aí se misturam estreitamente, formando um continente, ao mesmo tempo explosivo e amorfo. Conclui, proclamando: Moscovo é o centro revolucionário de todo o Oriente que desperta... Em todo o lugar do Oriente, isto é, a Leste dos Urales e a sul dos mares Negro e Cáspio, reina um espírito cujo símbolo extremo é Moscovo. Também considera a Espanha como já pertencendo à África.

Retirado de Respublica, JAM

Keynes, John Maynard (1883-1946)

Economista inglês. Aluno de Alfred Marshall. Professor em Cambridge desde 1908. Editor do Economic Journal desde 1911. Delegado financeiro à Conferência de Paz de 1919. Dirige a delegação britânica à conferência de Bretton Woods e propõe a criação do Fundo Monetário Internacional de que viria a ser o primeiro governador. Começa marcado pelas ideias de Sidgwick e Marshall, mas acaba por distenciar-se das receitas da escola clássica, considerando que o desemprego só pode ser combatido pela intervenção do Estado. Passa, então, a defender a necessidade dos investimentos públicos, de grandes trabalhos de obras públicas e de um sistema de incentivos à exportação. Tenta, contudo, distanciar-se do chamado socialismo de Estado, advogando a descentralização das decisões. Do mesmo modo, rejeita o laissez faire, defendendo o controlo estadual do aforro e do investimento, em nome da justiça social e da estabilidade.

Ideias políticas

No plano das ideias políticas é o inspirador daquilo que Norman Barry qualificou como o consenso social democrata do segundo pós-guerra e que durou até 1973, criticando no modelo democrático anterior a incapacidade dele proporcionar o pleno emprego de de ter provocado uma desigual distribuição da riqueza e das rendas.

Retirado de Respublica, JAM

Ketteler, Wilhelm-Immanuel von 1811-1877

Teórico do cristianismo social. Assume-se contra o materialismo e o ateísmo. Defende a intervenção do Estado na economia e na sociedade, nomeadamente pela instauração do salário mínimo e a defesa da participação dos operários nos lucros das empresas. Para o efeito, invoca uma ideologia corporativista, inspirando a criação de círculos operários católicos.

Kerenski, Alexander

Posteriormente refugiado em França, este antigo professor de ciência política, vai ser autor tanto de uma História da Segunda Revolução, surgida em 1921, como de uma monumental História da Rússia, aparecida em 1932.

Retirado de Respublica, JAM

"Foi um líder do partido socialista revolucionário da Rússia no período da Revolução de Outubro.”

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Kennedy, John (1917-1963)

John Fitzgerald Kennedy. Diplomado em Harvard. Eleito presidente norte-americano em Novembro de 1960, contra a candidatura republicana de Richard Nixon. Assume o programa da Nova Fronteira. Assassinado em Dallas em 22 de Novembro de 1963. Retirado de Respublica, JAM

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Kemal Ataturk (1880-1938)

Kemal Ataturk (1880-1938) Mustafá Kemal ou Kemal Ataturk. Ingressa nos Jovens Turcos em 1908. Entra logo em divergência com o líder destes, Enver Pasha. Destaca-se como chefe militar na guerra contra os gregos, depois destes, com o apoio dos Aliados ocuparem a província de Esmirna em 1920. Depois de os ter vencido em 1922, institui a República em 22 de Outubro de 1923. Governando ditatorialmente, inicia um processo de secularização do Estado, naquilo que vai ser um dos paradigmáticos modelos de autoritarismo modernizante deste século e que vai fazer aproximar a Turquia do campo ocidental. O modelo kemalista tem algo de paralelo como o processo desencadeado na China por Sun Iat Sen, isto é, a tentiava de transformação de um grande império, mais ou menos teocrático, num Estado Moderno, através de uma ocidentalização justificada pelo nacionalismo. Os dois processos citados não têm, contudo, o êxito do modelo japonês. Postura semelhante será posteriormente adoptada pela Indonésia, de Sukarno a Suharto, e, de certa forma, pelos modelos do imperial-comunismo da Rússia e da China, dado que todos podem considerar-se processos de ocidentalização à força.