quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Liturgias políticas

Liturgia, etimologicamente, significa obra pública, serviço por parte de/ e em favor do povo Em termos cristãos, passou a significar o povo de Deus que toma parte na obra de Deus, abrangendo, sobretudo, a celebração do culto divino, no sentido de serviço de Deus e dos homens. Com efeito os instrumentos simbólicos do poder político exercem várias funções. Em primeiro lugar servem para exaltar o Estado; em segundo, contribuem para a educação política, permitindo que as populações adquiram instrução sobre as matérias políticas; em terceiro lugar despertam emoções positivas por parte da população.

· Maurray Edelman, The Symbolic Uses of Politics, University of Illinois Press, 1964.

· Georges Balandier, Le Pouvoir sur Scènes, Paris, Balland, 1980.

· Claude Rivière, Les Liturgies Politiques, Paris, PUF, 1988.

· David Kertzer, Rituals, Politicas and Power, New Haven, Yale University Press, 1988.

·Philippe Braud, Le Jardin des Délices Démocratiques, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1991.

Retirado de Respublica, JAM

Lituânia (Lietuvos Respublika)

65 000 km2 e 3 700 000 habitantes, com várias minorias nacionais - 9,4% de russos; 7% de polacos; 2% de bielo-russos; 1% de ucranianos.

O território foi conquistado pelos cavaleiros teutónicos no século XIII; torna-se num forte grão-ducado que ocupa o vazio deixado pelo reino de Kiev; no século XV estende-se do Báltico ao Mar Negro; em 1569 surge uma união pessoal com a Polónia; em 1795, por efeito da partilha da Polónia, passa a integrar o Império russo; ocupada pelos alemães em 1915.

Proclama a independência em 16 de Fevereiro de 1918; é ocupada pelos soviéticos em 1940, passando a integrar a URSS. No âmbito da URSS, o partido comunista local e o respectivo soviete distanciam-se de Moscovo, na segunda metade dos anos oitenta; logo em 1988, o soviete reconhece o carácter revolucionário da independência de 1918; em 6 de Outubro do mesmo ano é atribuído carácter oficial à bandeira histórica amarela-verde-laranja; em de Novembro proclama-se o lituano como língua oficial; em 21 de Dezmebro de 1989, o partido comunista lituano desliga-se do PCUS; em 7 de Fevereiro de 1990, o parlamento considera ilegal a incorporação da Lituânia na URSS; em Fevereiro e Março desse ano, em eleições livres, obtém a vitória o movimento independentista Sajudis liderado por Vytautas Landsbergis que logo proclama a independência em 11 de Março de 1990. Uma série de incidentes vai entretanto ocorrer; por iniativa conjunta de Mitterrand e de Kohl, o parlamento lituano aceita suspeender a declaração de independência a 23 de Maio de 1990; de 12 para 13 de Janeiro de 1991, comandos do Ministério do Interior de Moscovo tomam de assalto alguns edifícios públicos em Vilnius, mas as forças inependentistas resistem no parlamento, com apoio da população; em 9 de Fevereiro seguinte realizava-se um referendo sobre a independência que foi esclarecedor, dado que houve uma participaçáo eleitoral de 85%, com 90,5% de votos favoráveis; em 29 de Julho de 1991, já Boris Ieltsine, enquanto presidente do Parlamento russo reconhecia a independência da Lituânia que era admiitida na ONU em 17 de Setembro seguinte.

Quanto aos chamados Estados Bálticos, refira-se que com a partilha da Polónia de 1795 os mesmos passaram para a soberania russa. Tornados independentes, entre 1918 e 1920, serão marcados pelo mesmo ritmo histórico desde então. Começando por adoptar constituições democráticas, vão entrando em modelos autoritários entre 1926 e 1934. Nesta data unem-se por um pacto de colaboração nos domínios dos negócios estrangeiros e da defesa. O Pacto Germano-Soviético de Agosto de 1939 integra-os na zona de influência soviética e são ocupados pela URSS em 14 de Junho de 1940, para serem oficialmente anexados em 21 de Julho seguinte. Entre 1941 e 1944 acabam por ser ocupados pelos alemães e, entre 1944 e 1945, voltam a ser anexados pela URSS. A Lituânia, Lietuvos em lituano e Litvá por transliteração do russo, actualmente com cerca de 3 723 000, dos quais 80% são lituanos, 9,4% russos, 7% polacos, 2% de bielo-russos e 1% de ucranianos. Nos começos do século XIII, o território da actual Lituânia, ocupado por tribos pagãs, foi conquistado pelos cavaleiros teutónicos, passando a constituir uma unidade política que, no fim desse mesmo século, aproveitando a destruição do Reino de Kiev, vai tratar de ocupar o grosso do respectivo território. Organizada como unidade política feudal, liderada por um grão duque, a Lituânia estabeleceu a sua capital em Vilnius, no século XIV, com Gediminovici. Mas é a partir do grão duque Vytautas, morto em 1430, que a Lituânia atinge o máximo da dimensão, dominando territórios que se estendiam do Báltico ao Mar Negro. Em 1569 foi estabelecida em Lublin uma união pessoal com a Polónia, a Rzeczpospolita, que já havia sido tentada, embora de forma frustrada, em 1385. Por essa união, os lituanos conservavam as respectivas instituições de governo, mas a influência política e cultural da Polónia vai ser esmagadora e, a partir do século XVII, a língua lituana é substituída pelo polaco, é imediatamente adoptado pelas classes altas. Sofre, a partir dos finais do século XVIII, os efeitos das sucessivas partilhas da Polónia, passando grande parte do território a integrar o Império Russo, a partir de 1795. Apenas a zona de Suvalki foi, nesta data, atribuída à Prússia. Esta mesma zona, que chegou a fazer parte do napoleónico Grão Ducado de Varsóvia, em Março de 1939, foi, então, anexada pelos alemães, depois de ter vivido em regime de autonomia desde 1933. A russificação do século XIX significou tanto uma perseguição aos católicos, como a tentativa de liquidação da língua lituana, em caracteres latinos. A partir de 1830-1831, argumentando-se com a circunstância dos lituanos terem participado no levantamento polaco, foi encerrada a Universidade de Vilnius e o nome Lietuvos passou a ser proibido. Em 1839 perdem mesmo a autonomia legislativa. Entretanto, em 1863, depois da segunda grande insurreição polaca, onde os lituanos voltam a participar activamente, são proibidos os próprios caracteres latinos e divide-se em dois o território. Esta perseguição vai fazer acirrar o movimento nacionalista. Ocupada pelos alemães em 1915, proclamou a independência em 16 de Fevereiro de 1918, depois de, em Setembro de 1917, se ter instaurado o Taryba, ou Conselho. Entretanto, os alemães, impõem, como rei, Guilherme de Wurtenberg. Só em Novembro de 1918 é que o poder passou para o nacionalista Augustinas Voldemaras. Entretanto, os soviéticos ocupam a capital, Vilnius, em Janeiro de 1919, apesar de virem a reconhecer a independência em 12 de Julho de 1920. Vilnius vai, contudo, ser ocupada pelos polacos, em 9 de Outubro de 1920, sendo atribuída a estes pelos aliados em 1923, ao mesmo tempo que a zona de Memel era concedida aos lituanos.

Em 1926 celebram um pacto de não agressão com a URSS. Passam a ter um regime autoritário a partir de 17 de Dezembro de 1926. Memel, a que fora atribuída autonomia em 1933, acaba por ser ocupada pelos alemães em 22 de Março de 1939. Pouco depois, Vilnius, entretanto conquistada pelos soviéticos aos polacos, é restituída à Lituânia pelo Tratado de 11 de Outubro de 1939, em troca de bases militares. A ocupação soviética é de 15 de Junho de 1940. A transformação em República Socialista Soviética data de 21 de Julho do mesmo ano. A reocupação pelos soviéticos ocorre entre Julho e Agosto de 1944.

Tornou-se independente em 11 de Março de 1990, mas tal como os outros Estados Bálticos, apenas viu tal independência reconhecida pelo Congresso dos Deputados do Povo da URSS em 6 de Setembro de 1991. Em 17 de Setembro seguinte, os três Estados Bálticos eram, entretanto, admitidos na ONU. Refira-se que na noite de 12 para 13 de Janeiro de 1991 se deram sangrentos confrontos em Vilnius, a capital da Lituânia, quando tropas especiais soviéticas, sob as ordens directas do Ministro do Interior soviético, Boris Pugo, assaltaram o edifício da televisão lituana. Contudo, em 9 de Fevereiro seguinte, 76,39% dos eleitores lituanos pronunciaram-se pela independência. Entretanto, por lei de 10 de Dezembro de 1991, foi adoptada uma nova lei da nacionalidade que apenas concede a cidadania lituana aos que a tinham antes de 1940 e aos residentes na República há, pelo menos, três anos.

Retirado de Respublica, JAM Imagens picadas da Wikipédia

Littré, Maximilien Paul Émile (1801-1881)

Discípulo de Comte. Entra para a Academia Francesa em 1871, provocando a demissão de Dupanloup. Deputado e senador. Autor de um dicionário da língua francesa, em 1863-1872. Acaba por ser dissidente do positivismo, quando triunfa a ala dos ortodoxos, liderada por Lafitte. Nos últimos momentos de vida converte-se ao catolicismo. Na sua fase positivista considera que o Estado é posterior à sociedade e que a sociedade é que cria o Estado e não o Estado a sociedade, pelo que a sociedade guarda sempre o seu direito de rioridade e a sua prerrogativa criadora, que faz valer nas grandes épocas.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Académie Caen


List, Friedrich (1789-1846)

Professor alemão. Defende de um Zollverein, mas sob a liderança austríaca. Refugiado em França, muda-se para os Estados Unidos a partir de 1825. Regressa à Alemanha em 1831, exercendo funções de cônsul norte-americano em Hamburgo e Leipzig. Vive em Paris entre 1837 e 1841. Defensor do proteccionismo e do nacionalismo económico. Combate a escola inglesa da economia clássica. Assume aquilo que François Châtelet qualifica como bio-historicismo, quando considera que a raça germânica foi designada pela Providência, por causa da sua natureza e do seu próprio carácter para … dirigir as questões do mundo inteiro, civilizar os países selvagens e bárbaros e povoar os ainda desabitados. Nele se inspiram posteriores movimentos do proteccionismo, do nacionalismo económico e do próprio colonialismo.


Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikimedia

Lissenko, Trofime D. (1898-1976)

Um agrónomo que em 1929 tinha inventado o processo da iarovização, um método agrotécnico que consistia na submissão a uma temperatura positiva das sementes da cultura de inverno a fim de acelerar-se o respectivo florescimento da época da sementeira. Vivia-se nessa época o ambiente da proletarização dos estabelecimentos de ensino superior, que levou, por exemplo, a que o catedrático de genética da Universidade de Moscovo, Nikolai Koltsov tivesse sido substituído pelos seus assistentes. Como o processo não fora suficientemente demonstrado e corria o risco de ser desmascarado, Lissenko, em 1935, discursando no Kremlin perante Estaline questionou: não estará a luta de classes também presente na frente da iarovização. m 1938 é nomeado presidente da Academia Federal Lenine de Ciências Agronómicas e, no ano seguinte, entra para a Academia de Ciências da URSS, num cursus honorum que, além de três Prémios Estaline, o levará, em 1940, a director do Instituto de Genética de Moscovo. Entretanto, alguns adversários científicos, são declarados inimigos do povo, com prisões, deportações e passagens por campos de concentração. A tese voltou a ser apresentada em 1948 na Academia Lenine de Ciências Agrícolas, sob o título Duas Ideologias. Duas Biologias, depois dos opositores de Lissenko terem conseguido adeptos nas estruturas agrícolas do partido, nomeadamente I. Jdanov, filho do ideólogo do PCUS, e que estava à frente da secção do Comité Central para a ciência. Mesmo este hierarca acabou por ter de escrever uma carta de arrependimento que foi publicada no Pravda, triunfando, assim, a linha que teve a ilusão de criar também no campo científico uma doutrina marxista leninista. A predominância de Lissenko dura até 1964, dado que o mesmo era grande amigo de Kruchtchev. Aliás, foi Lissenko que inspirou o monumental desastre agrário do mesmo Kruchtchev, a valorização das terras virgens da Sibéria, na mesma altura em que se davam monumentais saltos na biologia molecular em toda a investigação científica do mundo ocidental. Entretanto, graças a Lissenko, muitos comunistas ocidentais, mais fiéis à ciência do que ao materialismo dialéctico, foram abandonando as hostes comunistas, como Jacques Monod e Marcel Prenant, logo em 1950, apesar dos comunistas franceses, terem tentado reagir contra a genética burguesa, nomeadamente através do inevitável Louis Aragon. Lissenko acabou por falecer em 1976, com 78 anos e ornado das honrarias da nomenklatura.


Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Britannica

Lipsius, Justus (1547-1606)

Também dito Justo Lipsio, em catelhano, e Joest Lip, em flamengo. Autor fundador da chamada razão de Estado cristã, também conhecida por tacitismo. Começando como protestante, marcado pelo neo-estoicismo, destaca-se nesta fase como professor em Iena e Leiden. Converte-se ao catolicismo em 1591 e passa a professor em Lovaina em 1593. Em 1595 torna-se historiador de Filipe II de Espanha. Autor de Politicorum, de 1589, obra posta no Index pelo papa Sisto V, em 1590. Contudo, depois da conversão do autor ao catolicismo, ela é revista no sentido católico, em 1596. A obra teve cerca de quarenta e cinco edições durante a vida do autor. A edição revista no sentido católico é traduzida em castelhano no ano de 1604.
Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Britannica

Lipset, Seymour Martin (n. 1922)


Politólogo norte-americano. Doutorado pela Universidade de Columbia em 1949. Professor em Berkeley de 1956 a 1966, em Harvard, desde 1966, e em Stanford, no Hoover Institute, desde 1975. Analisa a coesão social, considerando que o conflito institucionalizado, como o levado a cabo pelos sindicatos, pode favorecê-la. Defende assim um estado de tensão moderada entre as diversas forças em luta. Considera que nas sociedades ocidentais marcadas pela industrialização avançada as análises dos sociólogos acabaram por substituir as ideologias, existindo uma espécie de fase pós-política. Só os países subdesenvolvidos precisam de ideologias. Há assim nas sociedades ocidentais um conformismo com reivindicações moderadas e sem clivagens entre a direita e a esquerda.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da ASAnet


Lippmann, Walter (1899-1974)

Jornalista norte-americano, colunista de opinião nos jornais World (1921-1931), Herald Tribune (1931-1962) e Washington Post (1962-1967). Nos anos trinta assume-se como um dos principais vulgarizadores do neo-liberalismo. Fica célebre o chamado colóquio Lippmann que se reuniu em Paris, de 26 a 30 de Agosto de 1938, no qual participaram Jacques Rueff, Louis Baudin, Paul van Zeeland, Ludwig von Mises, Friedrich Hayek e Wilhelm Ropke.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Nieman Reports

Lipovetsky, Gilles

Professor de filosofia em Grenoble.

· L’Ère du Vide. Essais sur l’Individualisme Contemporain, Paris, Éditions Gallimard, 1983 [trad. port. A Era do Vazio. Ensaio sobre o Individualismo Contemporâneo, Lisboa, Relógio d’Água, 1989].

· L’Empire de l’Éphémère. La Mode et son Destin dans les Societés Modernes, Paris, NRF-Gallimard, 1987.


Retirado de Respublica, JAM

"Gilles Lipovetsky (Millau, 24 de setembro de 1944) é um filósofo francês, professor de filosofia da Universidade de Grenoble, teórico da Hipermodernidade, autor dos livros O luxo eterno e O império do efêmero.

Em suas principais obras, principalmente em "A Era do Vazio", analisa uma sociedade pós-moderna, marcada, segundo ele, por um desinvestimento público, pela perda de sentido das grandes instituições morais, sociais e políticas, e por uma cultura aberta que caracteriza a regulação "cool" das relações humanas, marcadas por tolerância, hedonismo, personalização dos processos de socialização e pela coexistência pacífico-lúdica dos antagonismos - violência e convívio, modernismo e "retrô", ambientalismo e consumo desbagrado, etc."

Rerirado da Wikipédia

Foto picada de Alua-Mundua

Linz, Juan J.

Analisando o modelo do corporativismo de Estado do salazarismo, aproxima-o do regime brasileiro instaurado em 1964. Assinala que nos dois modelos autoritários há uma delegação de certos atributos do Estado em corpos intermediários de natureza profissional, cultural ou educativa. Distingue o totalitarismo do autoritarismo, considerando que neste modelo se admite um pluralismo limitado, não identificação com uma ideologia e não se procura a mobilizar popular, preferindo-se a despolitização das massas.

Retirado de Respublica, JAM

Linguagem e política

As palavras são significantes, imagens fónicas que remetem para um conceito, o significado, conforme a terminologia de Saussure. Há, assim, que passar da expressão, do significante, para o conteúdo, o significado. Utilizando os termos de Charles S. Peirce, diremos que os signos são entidades compostas por um significante (um elemento material que pode ser um som, um desenho ou uma escritura) que remete para um significado. No caso da linguagem, usamos símbolos, relações convencionais que têm duas faces: a tal imagem acústica ou fónica, e o conceito. Acontece que na política, onde, pelo menos, há três níveis de abordagem, o filosófico, o empírico e o da linguagem dos homens comuns, as palavras têm inúmeros significados. As palavras da política são marcadas pela ambiguidade. A linguagem do homem comum é afectiva e ideológica. A dos cientistas políticos difere dos juristas. No caso da política, também é complexa a questão da etimologia. Se há termos de origem grega e latina que se referem a realidades políticas gregas e latinas, há vocábulos que foram inventados posteriormente, com raízes latinas mas que não correspondem a realidades políticas de gregos e romanos. Há etimologia. Evolução semântica. Palavras demonizadas.


Retirado de Respublica, JAM

Limburgo

Região repartida actualmente entre a Bélgica e a Holanda, onde, na parte holandesa, se situa Maastricht; constituiu a partir de 1155 o ducado do Limburgo, conquistado pelos duques de Brabante em 1288; em 1430 passou para a Borgonha e depois para os Habsburgos; era uma das 17 províncias dos Países-Baixos de Carlos V, mas a partir de 1648 foi dividido entre os Países-baixos espanhóis e as Províncias Unidas; conquistado pelos franceses em 1794, foi cedido ao Reino dos Países-Baixos em 1814; depois de 1830, os belgas reclamaram em vão todo o Limburgo holandês.


Retirado de Respublica, JAM

Fotos picadas de: Wikipédia; Luventicus

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Limes

Como espaços vazios nos impérios antigos,76,510. Pelo contrário, nos antigos impérios os limes eram meros espaços vazios. Com efeito, nem sequer havia linhas aduaneiras e os impostos, que recaíam sobre as mercadorias importadas, eram recebidos nos portos marítimos e no interior dos próprios mercados. Só com o Estado Moderno, na verdade, é que surge, como elemento preponderante, a raia seca, com as consequentes guardas fiscais e polícias alfandegárias. Diga‑se de passagem que os referidos limes também não constituiam fronteira militar já que os exércitos, normalmente, em lugar da defesa em linha optavam pela ocupação de pontos estratégicos. Só no século XVI é que a matemática e a cartografia visualizaram a representação gráfica global do território de um determinado Estado. E os juristas, para definirem as fronteiras, tiveram que recorrer a analogias com os limites da propriedade privada. Isto é, quando o Estado caminha para a abstractização do conceito de estado contra a visão feudal do Estado patrimonial, eis que se tem de patrimonializar o território, recorrendo ao regime do privatístico direito da propriedade.

Retirado de Respublica, JAM

Lima, Cândido Figueiredo e (1782‑1851)

Professor de direito romano. Deputado por Trás-os-Montes em 1822. Procurador às Cortes Gerais de 1828, por Chaves. Ministro do reino e da fazenda de D. Miguel, nomeado em 18 de Agosto de 1834. Demitido de professor pelo governo de D. Pedro, em 15 de Julho de 1834. Conspirdor no Minho em 1846. Defende então o modelo constitucional inglês, considerando que "o commum dos homens, se conduz melhor pelos seus hábitos, que pelo juízo", pelo que a regra vulgar da política, e recebida em todas as Naçoens, e em todos os séculos, que as Leis fundamentaes , e Políticas (dos) Estados, se não devem alterar, sem huma absoluta necessidade, que he só quando ellas são contrárias à recta razão, e oppostas ao bem público; e que neste cazo único, ainda a alteração, e mudança se deve operar muito lenta, e imperceptivelmente aos homens, porque a antiguidade de qualquer estabelecimento,e Leis, sempre foi tido por couza Sancta e venerável. E isto porque os costumes dos Povos necessitão do socorro das Leis para serem mantidos; e as Leis tem precizão dos costumes dos Povos , para serem observadas"( Para ele "a máxima vulgar da política , e adoptada na Arte de Reinar, pelos mais graves homens d'Estado, que he precizo ganhar o coração dos homens, para se submetterem de vontade; e que, quanto for possível, se devem conduzir sem coacção pela boa ordem, e pela esperança das recompensas".


Retirado de Respublica, JAM

Lima, João Evangelista Campos (1887-1956)

Um dos mais consolidados teóricos portugueses do anarquismo. Formado em direito em 1907, é um dos líderes da greve académica. Abraça desde então os ideais anarquistas. Organiza Congresso do Livre pensamento em 1913. Não é então admitido como professor da faculdade de direito de Lisboa em 1914. Recusa ser ministro da justiça em Outubro de 1921. –Concepção anarquista de Estado,102,690

·O Estado e a Evolução do Direito, Lisboa, Livraria Bertrand, 1914; dissertação apresentada na então Faculdade de Estudos Sociais e Direito de Lisboa

· O Reino da Traulitânia, Livro de memórias.

Retirado de Respublica, JAM

Lima, Henrique Linhares de (1876-1953)

Oficial do exército. Natural dos Açores. Um dos homens do 28 de Maio e da Ditadura Nacional, apoiante da institucionalização do salazarismo. Director da Manutenção Militar. Ministro da agricultura de 8 de Julho de 1929 a 5 de Julho de 1932, quando organiza a Campanha do Trigo, instituída em 16 de Agosto de 1929. Presidente da câmara municipal de Lisboa, Ministro do interior de 23 de Outubro de 1934 a 18 de Janeiro de 1936. Está para a agricultura dos anos trinta, assim como Duarte Pacheco está para as obras públicas. Logo na conferência de imprensa de apresentação da Campanha, no dia 17 de Agosto de 1929, considera: em breve nos bastaremos a nós próprios com a produção de trigo nacional. Logo em 1 de Agosto desse ano decreta a existência de um tipo único de pão, reivindicação tradicional dos sindicalistas. Chama para organizar a propaganda da campanha Rocha Martins. Para a coordenação técnica mobiliza o professor de agronomia António Sousa da Câmara, indicado pelo Instituto Superior de Agronomia e que o ministro até então desconhecia. A Campanha, a partir de 13 de Agosto de 1830 passou a designar-se Campanha de Produção Agrícola, terminando oficialmente em 1937.


Retirado de Respublica, JAM

Lilienfeld, Paul von (1828-1903)

Russo. Um dos teóricos do organicismo. Considera o Estado como organismo real (realer Organismus), como a mais alta classe do organismo vivo. O governo é o cérebro do conjunto social, assumindo-se como o supremo representante da consciência da sociedade. Considera que o desenvolvimento da autoridade central representa um sintoma da evolução. Salienta que o Estado está sujeito à lei da decadência, podendo padecer de algumas doenças, nomeadamente do parasitismo. Salienta, em 1896: para que um organismo social funcione regularmente, não basta que tenha à sua frente um governo, é necessário que a vida da família, indústria, comércio, propriedade, relações jurídicas, etc., estejam igualmente penetrados do mesmo princípio, porque só assim se prestarão ao regime disciplinar do organismo central, e só assim este poderá efectuar, por actos reflexos, directos ou indirectos, a sua acção excitadora ou depressiva.


Retirado de Respublica, JAM

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ligas em Portugal

Liga de Acção Nacional (1918)

Fundada a Liga de Acção Nacional em Fevereiro de 1918. Com António Sérgio, Francisco Reis Santos e Pedro José da Cunha.

Liga Anarquista Portuguesa (1929)

Em Setembro de 1929 é criada a Liga Anarquista Portuguesa, na clandestinidade, procurando-se a reorganização de uma corrente abalada pela vaga de prisões de 1927.

Liga de Defesa da República (1928)

A chamada Liga de Paris. Criada por Afonso Costa e Bernardino Machado no exílio da capital francesa. Procura insurgir-se contra a pretensão do governo da Ditadura no sentido da obtenção de um grande empréstimo internacional, quando era ministro das finanças Sinel de Cordes.

Liga Liberal (1890)
Movimento de protesto surgido em Agosto de 1890 durante o governo de António Serpa contra a assinatura do Tratado de Londres, em 20 de Agosto. O movimento, presidido por Augusto Fuschini e participado por João Crisóstomo chegou a mobilizar uma manifestação com cerca de 400 oficiais fardados. Em 14 de Outubro, João Crisóstomo constituía um governo extrapartidário.

Liga da Mocidade Republicana (1923)
Movimento fundado por estudantes de direito antes do 28 de Maio de 1926, reunindo Adelino da Palma Carlos, Mayer Garção, Joaquim Camacho, José Rodrigues Miguéis e Filipe Ferreira. Participa na revolta de 3 e 7 de Fevereiro de 1927.

Liga Portuguesa contra a Guerra e o Fascismo (1934)
Organismo criado em Agosto de 1934 pelos comunistas, sob a direcção de Bento de Jesus Caraça, na sequência da fundação de uma liga internacional com o mesmo nome criada em 1932 pela Internacional Comunista. A LPCGF assumia um carácter frentista, um programa de
democracia popular e, a partir de 1935, tenta a criação em Portugal de uma Frente Popular.

Liga de Unidade e de Acção Revolucionária (1967)
Movimento fundado em Paris em 19 de Junho de 1967, sob a liderança de Palma Inácio, depois do assalto ao banco de Portugal na Figueira da Foz. Entre os principais aderentes, Camilo Mortágua e Fernando Pereira Marques, futuro deputado do PS. Ligada a Emídio Guerreiro e José Augusto Seabra.

Retirado de Respublica, JAM

Liechenstein

(Furstentum Liechenstein) Um micro-Estado de 157 km2 e 30 000 habitantes. O principado foi instituído em 1719 pelo imperador Carlos VI, tendo integrado o Sacro Império, a Confederção do Reno, entre 1807 e 1814, e a Confederação Germânica, a partir de 1815; o pincipado, soberano desde 1866, está agregado à Suiça nos domínios monetário e diplomático desde 1921.

Retirado de Respublica, JAM

"Liechtenstein[1] é um minúsculo principado, um micro-estado, localizado no centro da Europa, encravado nos Alpes, entre a Áustria, a leste, e a Suíça a oeste. Sua capital é Vaduz. O alemão é a língua oficial do país.

É um dos mais ricos estados do mundo, favorecendo-lhe a postura de micro-estado, e é referido como um local onde a prática de branqueamento de capitais é frequente."

Imagens e texto 2 retirados da Wikipedia

domingo, 14 de outubro de 2007

Liebknecht, Karl (1871-1919)

Filho do fundador do SPD Wilhelm Liebnecht. Advogado, celebrizado pela defesa de revolucionários. Funda em 1907 o primeiro movimento de juventude socialista. Ataca desde logo o militarismo, denunciando depois as relações das chefias políticas alemãs com os fabricantes de armamento. Assume o pacifismo da II Internacional em 1914, aliando-se a Jean Jaurès. É o único deputado do Reichstag que em Dezembro de 1914 vota contra as despesas de guerra. Aliado a Rosa Luxemburg contra a direcção do SPD forma então o Gruppe Internationalle, mais tarde transformado no Spartakusbund. Expulso do partido em Janeiro de 1916, é mobilizado como soldado raso, mas será preso por liderar uma manifestação contra a continuação da guerra. Proclama a República Socialista em Berlim em Novembro de 1918, quando já advoga as teses da revolução violenta. Será assassinado juntamente com Rosa Luxemburg. Autor de Militarismus und Antimilitarismus de 1907, obra que lhe valeu uma condenação à prisão, e de Estudo das Leis do Movimento no Desenvolvimento da Sociedade, publicado postumamente em 1920.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Britannica

Lieber, Franz (1798-1872)

Alemão, instalado nos Estado Unidos desde 1827, mudando o nome para Francis Lieber. Estuda em Jena e assume-se como liberal, sendo preso por duas vezes por causa da respectiva militância política. Professor da Columbia University de Nova Iorque, marcado pelo organicismo e pela teoria germânica. Adepto do organicismo intervencionista e anti-individualista, defendendo um conceito de soberania una e indivisível, totalmente contrário ao modelo da divisibilidade dos federalistas norte-americanos. Influencia John William Burgess, A. Browson, autor de Constitutional Government, de 1842, e E. Mulford, autor de The Nation, 1870.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Richard Wolf

Liderança

Do inglês leader. O mesmo que chefia. Comando ou verticalidade do poder. A qualidade que permite a uma pessoa liderar outras, através de um comando baseado na aquiescência e não na coacção. Não é apenas uma qualidade pessoal, mas antes a interacção da personalidade do líder com uma dada situação social, pois as mesmas qualidades pessoais podem não servir para certas circunstâncias de tempo e de espaço.

A polis tem de ter uma liderança, um comando, mas não pode deixar de ter participação popular. A polis precisa da verticalidade de um poder, mas não prescinde da horizontalidade da cidadania. Ela tem de ser auto-suficiente, mas não pode deixar de permitir que o governado também seja governante, que também ele participe na decisão. O exagero da liderança, da estruturação vertical, ao mesmo tempo que permite o crescimento da população e do território, leva a que surja uma pirâmide do poder, onde no vértice, se constitui uma elite, os poucos da sede activa do poder, e na base se conglomera a sede passiva do poder, os muitos. Parsons coloca a liderança como um dos três elementos do poder institucionalizado, ao lado da autoridade e das regras. Com efeito, em qualquer democracia impõe-se tanto uma liderança governativa como a participação dos cidadãos nas decisões, mas essas duas exigências são sempre acompanhadas pelas degenerescências do elitismo, por um lado, e pela indiferença ou apatia das massas, por outro. A necessidade de governabilidade e de liderança tende para o estabelecimento de uma elite no topo da pirâmide do poder, muitas vezes marcada pelo facciosismo da partidocracia, pelo burocratismo e pelo fenómeno da compra do poder ou da corrupção.

ver Liderança em Parsons, 135, 932.

Retirado de Respublica, JAM

Liceu

Do gr. Apolo Lykeios, lugar onde Aristóteles começou a ensinar por volta de 395 a.C.. Aí se construiu um passeio coberto (peripatos), donde veio o chamado modelo peripatético de ensino, o investigar passeando à volta de um problema.

Retirado de Respublica, JAM

"O Liceu (Lyceum) foi uma escola fundada por Aristóteles em 335 a.C. no bosque consagrado a Apolo Lykeios (provavelmente a origem do nome de sua escola) a leste de Atenas. Foi também conhecida por Peripatos, ou escola peripatética.

Os discursos feitos por Aristóteles eram divididos entre os esotéricos, feitos pela manhã, e os exotéricos, estes pela tarde. Enquanto aqueles eram direcionados a um público mais restrito já que exigiam estudos mais avançados - lógica, física, metafísica - os exotéricos eram destinados a um público em geral, e diziam respeito a temas mais acessíveis - retórica, política, literatura."

Retirado da Wikipédia

Liberté (De La) des Anciens Comparée à celle des Modernes”, 1815

Obra de Benjamin Constant onde se ditingue a liberdade dos Antigos, a liberdade pública de participação no governo, da liberdade dos modernos, a liberdade de privada de resistir ao governo e de desenvolver uma liberdade individual: o direito de não ser submetido senão às leis, de não poder nem ser preso, detido ou sujeito à morte, nem maltratado de qualquer maneira, por efeito de uma vontade abstracta de um ou de vários indivíduos. É, para cada um, o direito de dizer a sua opinião, de escolher o seu trabalho e de o exercer, de dispor da sua propriedade, de até abusar dela, de ir, de vir, sem obeter autorização, e sem dar conta dos seus motivos e dos seus passos. É para cada um o direito de se reunir com outros indivíduos, para conferenciar sobre os seus interesses, para professar o culto que ele e os seus associados preferem ou para preencher os seus dias e as suas horas de uma maneira mais conforme às suas inclinações ou às suas fantasias. Em suma, é o direito que cada um tem de influenciar a administração do governo, pela noemação de todos ou de certos funcionároios, através de representações, petições, ou requerimentos a que a autoridade está mais ou menos obrigada a tomar em consideração. É uma liberdade individualista que se distingue da liberdade colectiva, a liberdade pública típica dos Antigo.


Retirado de Respublica, JAM

Libertarismo

Uma das facetas do liberalismo contemporâneo de matriz norte-americana. Os libertarians, também ditos anarco-capitalistas, assumem o extremismo da liberdade e da propriedade, contraditando os liberais conservadores. Invocam John Locke e Ludwig von Mises, num radical individualismo que, no plano da política externa, também assume o isolacionismo. Entre os seus principais representantes, contam-se Robert Nozick (Anarquia, Estado e Utopia, 1974), David Friedman (The Machinery of Freedom), Barry Norman (On Classic Liberalism and Libertarianism, 1980) e Murray Rothabard (For a New Liberty. The Libertarian Manifest, de 1973). Consideram o liberalismo e o marxismo são irmãos-gémeos.


Retirado de Respublica, JAM (aumentado)

Libéria

Estado africano, fundado em 1821 pela American Colonization Society. República independente desde 1847. Neste século, entre os principais líderes destacam-se William Tubman, presidente de 1944 a 1971, e William Tolbert, de 1971 a 1980, data em que foi assassinado. A partir de 1990, o Estado entra em convulsão, depois da revolta de Charles Taylor.

Retirado de Respublica, JAM


"A Libéria é um país da África Ocidental, limitado a norte pela Serra Leoa e pela Guiné, a leste pela Costa do Marfim e a sul e a oeste pelo Oceano Atlântico. A sua capital é a cidade de Monróvia. A Libéria ("Terra Livre") foi fundada no século XIX por escravos libertos dos Estados Unidos da América, não tendo conhecido o domínio colonial.

História da Libéria

A História da Libéria inicia-se em inícios do século XIX, quando foi fundada nos Estados Unidos da América a American Colonization Society, organização cujo objectivo era levar para África antigos escravos negros e negros já nascidos livres.

Em 1461 o navegador português Pedro de Sintra atingiu o norte da actual costa da Libéria, na
área do Cabo Mesurado e da embocadura do rio Junk. No ano seguinte, Pedro de Sintra regressou à região acompanhado por Soeiro da Costa, tendo penetrado na área do Cabo Palmas e no rio Cavalla. Duarte Pacheco Pereira descreve a região na sua obra Esmeraldo de situ orbis, que passou a ser conhecida como "Costa da Pimenta" devido à abundância na região de grãos de pimenta, o principal produto de interesse comercial da região.

A partir de começos do século XVI os Portugueses foram substituídos na região por corsários franceses, ingleses e holandeses. Em 1663 os ingleses fundaram entrepostos comerciais na costa, mas estes foram destruídos no ano seguinte pelos holandeses.

No começo do século XIX discutia-se nos Estados Unidos sobre o destino de ex-escravos. Dois grupos manifestavam suas idéias: o primeiro era composto por representantes do governo que queriam dar liberdade aos escravos e acreditavam que estes se desenvolveriam melhor se voltassem para a África. E o segundo grupo era composto pelos próprios cidadãos brancos que acreditavam que os negros não tinham condições de se enquadrar no sistema capitalista. É bom lembrar que a escravidão nos Estados Unidos só foi abolida na década de 1860, e que esses ex-escravos eram apenas uma minoria que foi dispensada.

Não há registros corretos, mas foi nesse período que um quaker e empreendedor afro-americano chamado Paul Cuffe investiu na primeira leva de imigrantes que desembarcaram em Serra Leoa (a Libéria ainda não existia). Mas Paul Cuffe morreu e para completar a tragédia, os imigrantes que ele levara até a África tombaram devido a uma febre amarela em função da precária situação do local.

Mas as mortes dos negros não abalaram o presidente James Monroe, pelo contrário, inspiraram-no a criar uma colônia na África para se livrar dos ex-escravos. Em 1816 ele se reúne com representantes da burguesia para criar uma colônia na África. Com a ajuda de Robert Finley é fundada a Sociedade Americana de Colonização. Essa sociedade tinha por objetivo arrecadar verbas para enviar os negros para a nova colônia.

Em 1820 os burgueses já tinham juntado dinheiro suficiente. Até que em janeiro o navio Elizabeth parte com três agentes brancos e 88 emigrantes. Para a insatisfação de Monroe os agentes e 22 emigrantes morreram de Febre Amarela.

Mas isso também não desmotivou Monroe e em 1821 o navio Sail chega com mais uma leva de emigrantes.

Quando a Sociedade Americana de Colonização definiu o território liberiano, ela não pensou nas graves conseqüências que viriam. Isso porque os ex-escravos teriam que dividir o território do país com tribos africanas que lá habitavam. Rapidamente estalaram conflitos entre tribos nativas e os recém-chegados imigrantes, conflitos esses que iniciaram a triste história do país.

Em 1822 é fundada a capital Monróvia, em homenagem a James Monroe. Em 1847, Joseph Robert, governador da colônia, proclama a independência. Com esse acontecimento, a Libéria foi o primeiro país independente da África.

A 26 de Julho de 1847 a Libéria declarou a sua independência, assumindo a forma de uma república cuja Constituição foi decalcada a partir da Constituição dos Estados Unidos da América. Joseph Jenkins Roberts foi o primeiro presidente do país, exercendo funções até 1856. O reconhecimento da independência da Libéria pelos países mais importantes da época ocorreu entre 1848 e 1862: Grã-Bretanha em 1848, França em 1852 e Estados Unidos em 1862.

Desde a sua fundação que o Estado liberiano se identificou com os colonizadores e com a experiência de vida destes nos Estados Unidos. O país adoptou o inglês como língua oficial. Os colonizadores definiam-se como "americanos", e de inspiração americana eram a bandeira, o lema ("The Love of Liberty Brought Us Here", "O amor pela liberdade trouxe-nos até aqui") e brasão de armas (um barco de imigrantes) da jovem nação.

O período imediato à independência ficou marcado pelas disputas territoriais. O desejo da Libéria em expandir a soberania para o interior provocou a contestação não apenas com as populações indígenas, mas das potências europeias, nomeadamente da Grã-Bretanha e da França. Com estes países foram assinados tratados que definiam as fronteiras nos anos de 1885 e 1892 respectivamente.

Em Maio de 1943 William V.S. Tubman foi eleito Presidente da Libéria, tendo sido reeleito nas sucessivas eleições até 1971, ano em que faleceu. Este período ficará marcado pelo maior protagonismo da Libéria na cena internacional e africana, assim como pelos esforços de melhoria da economia e de promoção de reformas sociais.

Em Janeiro de 1944 a Libéria declarou guerra à Alemanha nazi e ao Japão e em Abril do mesmo ano assinou a Carta das Nações Unidas.

A nível social, registe-se que nas eleições de 1951 votaram pela primeira vez as mulheres e a população indígena do país. Em Fevereiro de 1958 o Parlamento da Libéria aprovou uma lei que criminaliza a discriminação racial.

Em Dezembro de 1960 a Libéria tornou-se membro do Conselho de Segurança da ONU e em 1963 o país aderiu à Organização da Unidade Africana. O Presidente Tubman destacou-se também como fervoroso defensor da independência das colónias africanas em relação à Europa.

Tubam estimulou o investimento estrangeiro e a exploração do minério de ferro que proporcionou ao país rendimentos que seriam utilizados para construir novas escolas, estradas e hospitais (embora principalmente na região costeira). Em 1963 a Libéria e os Estados Unidos assinaram um acordo que possibilitou a transferência da zona franca de Monróvia para as mãos do governo liberiano.

A 12 de Abril de 1980 o exército liberiano, liderado pelo Sargento Samuel K. Doe, protagonizou um golpe de estado que assumiria características violentas com a morte do presidente Tolbert e das figuras próximas a este. Encabeçando o "Conselho de Redenção Popular" (People's Redemption Council, PRC), Doe assumiu plenos poderes, suspendeu a Constituição, baniu os partidos políticos e fechou as fronteiras.

Devido à pressão dos Estados Unidos, Doe viu-se obrigado a promulgar em Julho de 1984 uma nova Constituição com certos elementos democráticos. Em Outubro do ano seguinte tiveram lugar as primeiras eleições multipartidárias após o golpe, mas estas foram fraudulentas. Em Janeiro de 1986 Doe tomou posse como o primeiro presidente da Segunda República. Os últimos anos da década de oitenta foram marcados na Libéria pela inflação, desemprego, corrupção, tribalismo e violação dos direitos humanos. O distanciamento entre a Libéria e os Estados Unidos acentou-se.

Em Dezembro de 1989 um grupo de militares chefiados por Charles Taylor inicia no nordeste da Libéria uma revolta contra o governo. Líder do National Patriotic Front of Liberia (NPFL), Charles conseguiu em pouco tempo dominar quase todo o país. Contudo, as dissidências no interior da NPFL (no Verão de 1990 Prince Johnson forma a Independent National Patriotic Front of Liberia, INPFL) impedem que Taylor tome Monróvia. Em Setembro de 1990 Doe é emboscado e assassinado por militantes da Independent National Patriotic Front of Liberia.

A comunidade internacional procurou restaurar a ordem no país e nesse sentido as Nações Unidas e a Organização da Unidade Africana apoiam as tentativas de mediação da Comunidade Económica dos Estados Unidos da África Ocidental (CEDEAO), que enviou para Monróvia uma força de paz, a ECOMOG, composta por soldados que eram na sua maioria da Nigéria. A ECOMOG revelou-se incapaz de resolver a situação e em breve espalham-se pelo país os conflitos entre a NPFL, a ECOMOG, a INPFL e a United Liberation Movement of Liberia for Democracy (ULIMO), sendo esta última formação composta por antigos aliados do presidente Doe.

Em Agosto de 1995 as partes em conflito chegam a um acordo de paz assinado em Abuja. Nos termos do acordo os chefes das facções rivais deveriam participar num governidade unidade nacional, até à realização de eleições em 1996.

A trégua foi quebrada em Abril de 1996 com novos confrontos em Monróvia, provocada por uma revolta da ULIMO-J. Contudo, um novo cessar-fogo foi declarado em Agosto e o desarmamento das facções iniciou-se em finais do mesmo ano.

Estima-se que a guerra tenha provocado entre 150 mil e 200 mil mortos e mais de um milhão de refugiados.

Em Julho de 1997 tiveram lugar eleições presidenciais e legislativas. Charles Taylor, agora líder do Partido Patriótico Nacional que conquistou a maioria dos lugares no parlamento, ganhou as presidenciais nas quais concorreram doze candidatos, tornando-se o primeiro presidente da Terceira República. Taylor procurou reconciliar as facções rivais, escolhendo vários dos seus líderes como ministros.

Em 1999 a Serra Leoa acusa Charles Taylor de apoiar com armas os rebeldes da Revolutionary United Front, que lutavam contra o governo leonês, recebendo diamantes em troca. Em 2001 as Nações Unidas impuseram sanções à Libéria por prestar este tipo de apoio.

Em meados do mesmo ano rebentaram confrontos no norte do país entre um novo grupo rebelde, Liberians United for Reconciliation and Democracy (LURD), e as forças do governo. Taylor acusou a Guiné de apoiar este grupo e mandou atacar várias aldeias guineenses perto da fronteira com a Libéria.

Em meados de 2003 a LURD dominava praticamente todo o país, limitando o poder de Taylor a Monróvia. Perante pressões internacionais, Taylor demitiu-se em Agosto do mesmo ano e exilou-se na Nigéria. Taylor foi sucedido pelo seu vice-presidente, Moses Blah, até que novas eleições em Outubro elegeram Charles Gyude Bryant como novo presidente."

Imagens e texto 2 retirados da Wikipédia

Liberdade

Liberdade (Hobbes).

Adopta um conceito mecanicista de liberdade, entendendo-a como mera ausência de obstáculos exteriores. Neste sentido, considera odireito como a liberdade de fazer uma coisa ou de a não fazer.


Liberdade (Kant).

Considerada como aquele único e originário direito que compete a todos os homens só por força da sua humanidade, dado que o homem é livre se não precisar de obedecer a ninguém, mas apenas às leis. Pelo que, se a minha acção, ou, em geral, o meu estado pode coexistir com uma lei geral, então, qualquer um que me impeça de realizar algo cometerá uma injustiça. Neste sentido, chega mesmo a proclamar que a coacção equivale à liberdade: se certo uso da liberdade se converte num obstáculo à liberdade segundo leis universais (isto é, se é injustiça), a coacção que se opõe, enquanto impedimento de um obstáculo à liberdade, coincide com a liberdade segundo leis universais, ou seja, que é justa, pelo que direito e capacidade de constrangimento significam o mesmo.

— O princípio fundamental do Estado de Direito, Boa Sociedade, Sociedade Aberta ou Great Society: onde está a sociedade está o direito, onde está o direito está a liberdade. A passagem da teleocracia de uma sociedade tribal e fechada, à nomocracia de uma sociedade aberta (tese de Michael Oakeshott). — A paz pelo direito. O Estado de Direito e o ideal de Estado-Razão contra a Razão de Estado. A operação de juridificação da política e de constitucionalização do poder, visando dar direito a uma sociedade senhorial e civilizar uma comunidade guerreira, através do direito contra o poder e da paz contra a guerra (tese de Blandine Barret-Kriegel). — A perspectiva kantiana de direito, como o conjunto das condições pelas quais o arbítrio de cada um pode concordar com o arbítrio de todos segundo uma lei universal da liberdade. A liberdade como status negativus (as liberdades) e a liberdade como status positivus (autonomia e afirmação do valor da pessoa). — Os direitos do homem. Da Déclaration des Droits de l’Homme et le Citoyen de 1789 à Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Dos direitos originários e dos direitos, liberdades e garantias aos direitos fundamentais e aos direitos de personalidade. O desafio globalista. — A perspectiva pós-liberal de liberdade: a libertação. Liberdade dos antigos e liberdade dos modernos HUMBOLDT,115,804

Liberdade Política vs. L. Filosófica
Montesquieu distingue entre uma liberdade filosófica e uma liberdade política. Se a primeira não passa de uma mero exercício de vontade, já a segunda é um poder fazer o que se deve querer (pouvoir faire de que l’ondoit vouloir), isto é, não consiste em fazer o que se quer, mas sim em poder fazer tudo aquilo que se deve querer e em não ser obrigado a fazer aquilo que se não deve querer. Como salienta Hannah Arendt, a liberdade política não é o eu quero, mas antes o eu posso, dado consistir sempre na conciliação entre a liberdade propriamente dita, ou liberdade filosófica, e o poder, o domínio político devia ser constituído e construído de modo a que o poder e a liberdade estivessem combinados. A liberdade política não pode pois reduzir-se à indeterminação do querer, sendo tributária dos concretos sistemas de direito e de política estabelecidos.

Liberdade dos modernos e dos antigos
Benjamin Constant distingue a liberdade dos Antigos, a liberdade pública de participação no governo, da liberdade dos modernos, a liberdade de privada de resistir ao governo e de desenvolver uma liberdade individual

Liberdade orgânica
António Sardinha fala numa liberdade orgânica, considerada irmã gémea da competência, da hierarquia e da autoridade,132,913

Liberdade política
ParaMontesquieu é o poder das leis e não o poder do povo, sendo sinónimo de independência: a liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem, porque se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proibem, não teria mais liberdade, dado que os outros também teriam tal poder. A liberdade não é o fazer o que se quer, mas sim em fazer tudo o que se deve querer e em jamais ser coagido a fazer o que não se deve querer. Distingue claramente entre uma liberdade filosófica,que consistiria no "exercício da vontade",e uma liberdade política,entendida como "poder fazer o que se deve querer".Para ele "a liberdade política não consiste em fazer o que se quer.Num Estado,isto é,numa sociedade onde existem leis e liberdade,não pode consistir senão num poder natural de se fazer ou não se fazer o que quer que se tenha em mente".mais considera que a liberdade "consiste em poder fazer tudo aquilo que se deve querer e em não ser obrigado a fazer aquilo que não se deve querer".

Conforme refere Hannah Arendt,"conceptualmente falando a liberdade política não residia no eu quero,mas no eu posso,e que,por isso mesmo,o domínio político devia ser constituído e construído de modo a que o poder e a liberdade estivessem combinados".

Retirado de Respublica, JAM

Liberalismo

Segundo Fernando Pessoa, numa definição modelar, é a doutrian que mantém que o indivíduo tem o dirieto de pensar o que quiser, de exprimir o que pensa como quiser, e de pôr em prática o que pensa como quiser, desde que essa expressão ou essa prática não infrinja directamente a igual liberdade de qualquer outro indivíduo.

Etimologia

Apesar de Napoleão ter usado a expressão libérale na proclamação de 10 de Novembro de 1799 (19 de Brumário), ela só foi consagrada após a revolução espanhola de Cádis. Com efeito, Napoleão, qualifica como tal os idéologues, os sensualistas, como Cabanis e Destutt de Tracy, proclamando les idées conservatrices, tutélaires, libérales, sont rentrées dans leur droit. Assim, os wighs ingleses passam a ser conhecidos, a partir de 1816 pelo castelhanismo de british liberales, até que em 1840 o partido recebe a designação de Liberal Party.

Por outras palavras, o nome foi encontrado a posteriori, destinando-se a recobrir uma realidade que foi gradativamente instituída. Gournay falava num laissez faire, laissez passez. Galliani num le monde va tout seul. Mercier de la Rivière em proprieté, sureté, liberté, voilà tout l'ordre social. D'Argensson cunha o ne pas trop gouverner.

Liberalismo em Portugal.

A primeira vaga liberal, ligada aos desencadeadores do movimento de 20 de Agosto de 1821 é a do liberalismo radical, à maneira de Manuel Fernandes Tomás e Ferreira Borges. O segundo grupo tem a ver com o chamado liberalismo moderado, à maneira de Silvestre Pinheiro Ferreira e de Palmela.

Liberalismo ético.
A tentativa de religação entre a política e a moral. O moralismo escocês (Adam Smith, Adam Ferguson).

Retirado de Respublica, JAM

Liberalism Ancient and Modern, 1968

Obra de Leo Strauss onde se faz a análise da educação liberal e do liberalismo da filosofia política clássica. Notas sobre Lucrécio, Marsílio de Pádua e Espinosa. Perspectivas sobre a boa sociedade. Nesta obra fala no liberalismo como o contraponto do conservadorismo. (cfr. trad. fr. Libéralisme Antique et Moderne, Paris, Presses Universitaires de France, 1990).

Retirado de Respublica, JAM

Liberal, Partido (1974)

Criado em 28 de Maio de 1974 por dissidentes da Convergência Monárquica que não concordam com a criação do PPM. Junta militantes da Acção Católica.

Retirado de Respublica, JAM