domingo, 21 de outubro de 2007

Microfísica do poder

A sociologia trata dos fenómenos políticos como fenómenos sociais, preocupando-se fundamentalmente com os *micropoderes, enquanto a ciência política procura sobretudo perspectivar a rede que se estabelece entre os vários poderes. Onde a sociologia trata da microfísica dos poderes, a ciência política procura enfrentar directamente uma espécie qualitativa de poder chamada poder político, o poder político institucionalizado. Onde a sociologia trata dos grupos e das relações entre grupos, no âmbito do sistema social, a ciência política trata da comunidade no seu todo, da rede de relações onde se inserem os grupos, procurando mais o centro do que as periferias.

Retirado de Respublica, JAM

Michels, Robert (1876-1936)

Influenciado por Max Weber e por Gustave le Bon. Membro activo da ala esquerda do SPD entre 1900 e 1907. Depois de 1918 torna-se colaborador do fascismo. Considera que a democracia gera oligarquia, a lei de ferro da oligarquia, porque quem diz organização diz oligarquia. Neste sentido, considera que os revolucionários de hoje são os reaccionários de amanhã. Acaba por dar ao nascente fascismo uma ética vitalista e voluntarista, em nome da necessidade de uma elite capaz de conduzir as massas durante o combate político. Isto é, transforma uma análise científica num pressuposto ideológico. Analisando o SPD considera que todo o partido, para ganhar votos, tem de perder a virgindade política e entrar em relações de promiscuidade com os elementos políticos mais heterogéneos. Conclui que a democracia desemboca naturalmente na oligarquia dado dominar o pressuposto psicológico da vontade de poder. Porque, quanto mais massificação mais organização, em virtude do princípio da divisão de trabalho que impõe a emergência de uma classe de políticos profissionais.

Obras do autor:

Zur Soziologie des Parteiwesens in der modernen Demokratie, Leipzig, Werner Klinkhardt Verlag, 1911 [trad. ing. Political Parties. A Sociological Study of the Oligarchic Tendency of Modern Democracy, Glencoe, The Free Press of Glencoe, 1958; trad. it. La Sociologia del Partito Politico [1ª ed., Turim, 1912], Bolonha, Edizioni Il Mulino, 1966; trad. fr. Les Partis Politiques. Essai sur les Tendances Oligarchiques des Démocraties, Paris, Éditions Flammarion, 1971; trad. port. Sociologia dos Partidos Políticos, Brasília, Editora da Universidade de Brasília, 1982].

Introducción a la Sociologia Política, trad. cast., Buenos Aires, Ediciones Paidós, 1969

Bibliografia:

Linz, J. J., Michels y su Contribución a la Sociologia Política, 1966.

Morán, M. Luz, Origen Histórico y Gnoseológico de la Teoría de las Élites (dissertação de doutoramento), 1981.

Bessa, António Marques, Quem Governa? Uma Análise Histórico- Política do Tema da Elite, Lisboa, ISCSP, 1993, pp. 237 segs...

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da PEP

Michelet, Jules (1798-1874)

Historiador francês. Um dos inspiradores do republicanismo não jacobino. O clássico defensor do Estado-Nação, da história pátria. Continua na senda da história, mestra da vida. Uma perspectiva claramente romântica. Começa como defensor do orleanismo, numa postura conservadora, sendo preceptor de um dos filhos de Luís Filipe. Professor no Collège de France, donde é expulso por se recusar a jurar Napoleão III. Passa, desde então, a viver em Itália. Na sua interpretação da revolução francesa, critica duramente o jacobinismo, defendendo a figura de Danton. Influencia o nosso Antero de Quental. Considera que a revolução fez da França uma "nova Roma", a "pátria universal" que ofereceu ao mundo o "evangelho da igualdade".

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikipédia

sábado, 20 de outubro de 2007

Mesocracia

Do grego mesos, médio. O mesmo que governo da classe média, da classse social situada entre a classe superior e a classe dos trabalhadores.


ver Classe Média.

Retirado de Respublica, JAM

Messianismo

Do hebraico meshiah, o messias). Doutrina que admite a chegada de um salvador que conduzirá o povo oprimido à respectiva liberatação. A crise de 1383‑1385 provoca a explosão do messianismo vem abalar pacientes tentativas de eliminação de heresias. Basta atentarmos nas teorias políticas expressas pelo nosso Fernão Lopes que não se coibe de considerar D. João I, o "mexias português". Trata‑se de um conjunto de ideias provindas do joaquinismo e de S. Ambrósio, mais ou menos, animadas pelo caldo herético de certo franciscanismo, com destaque para a biblia pauperum do século XII que vai levar o cronista a falar num "evangelho português" e a referir o começo da "sétima idade", com a vinda do Espírito Santo. Essa mistura explosiva que foi o franciscanismo com o messianismo, como aparece no Culto do Espírito Santo, permaneceu. Segue-se o messianismo bandarrista e, depois, o culto sebastianista. Mas messianista e gnóstico continuou a ser o positivismo, bem como o próprio socialismo, enredados no gnosticismo. Aliás, Guerra Junqueiro, conforme os relatos de Raul Brandão, chegou a profetizar a vinda de uma espécie de D. Sebastião científico, como veio a acontecer com o caldo de cultura do comunismo, enquanto sucedâneo da religião.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Christianismus.it

Mestres-pensadores

Com Hegel, a civilização europeia deixou de ser apenas greco-romana e judaico-cristã, passando a receber o impulso estruturante da especulação germânica, marcada por aquilo que André Glucksmann qualifica como o ciclo dos mestres-pensadores. Neste sentido, Hegel está para o pensamento contemporâneo como São Tomás de Aquino esteve para o fim da Idade Média. Segundo a caricatura que deles fez o mesmo Glucksmann: foram quase todos mestres da linguagem ao ponto de cada um tender a forjar uma linguagem própria para melhor a ter cientificamente na mão. Línguas de um domínio que se domina matematicamente a si próprio, movem‑se sempre no círculo de uma tautologia.

Retirado de Respublica, JAM

Metabolismo

Do gr. metabolis, ação de mudar, mudança de estado. Perspectiva assumida por Aristóteles sobre a dinâmica da polis. A passagem de um todo para outro todo, porque os seres nascem, crescem e morrem, onde a causa primeira de toda a mudança é uma causa interna, está situada nas suas própria parcelas. O todo, porque é composto de parcelas, tem uma causa interna, que está localizada nas suas próprias parcelas. Daí que cada todo possa transformar-se noutro todo. Num organismo vivo, a fisiologia ensina-nos que o metabolismo inclui um duplo processo de assimilação (anabolismo) e de transformação dos restos rejeitados (catabolismo).

Metabolismo político

Aristóteles

Retirado de Respublica, JAM

Metafísica do poder

Segundo Weber há uma casuística do poder, em confronto com uma metafísica do poder. A primeira corresponde ao Macht, a segunda ao Herrschaft. Na casuística do poder, há a possibilidade de alguém impor a sua vontade mesmo contra a vontade de outro. Trata-se de um poder socialmente amorfo. Mas quem dispõe de casuística pode acabar por aceder à metafísica do poder. A metafísica do poder converte uma acção comunitária amorfa numa acção racional, surgindo a relação comando/ obediência, onde há um direito ou poder de mando e um dever de obediência..

Retirado de Respublica, JAM

Metafísica social

Giorgio la Pira refere também "os problemas políticos e sociais ... apresentam‑se colocados sobre dois planos hierarquicamente distintos: um técnico e outro meta‑técnico; um político... e um meta‑político; um físico e outro meta‑físico. Existe uma técnica social e existe, anterior a ela, uma metafísica social: esta última tem como objecto, precisamente, as normas básicas que orientam a discussão e solução técnica dos problemas sociais". Porque "uma Weltanschauung está sempre subentendida em toda e qualquer concepção política integral sob toda e qualquer valoração integral da economia, do direito ou da política acha‑se necessariamente uma certa solução dos problemas de Deus, do homem, do mundo".

Retirado de Respublica, JAM


Metapolítica

Segundo Hannah Fenichel Pitkin, há em todos os autores uma metapolítica, os pontos de vista mais largos que ultrapassam a ideologia de cada um e se prendem com as concepções do mundo e da vida, com as ideias que cada um tem sobre a sociedade e a natureza do homem. Para o pensamento grego clássico, a política era inseparável da metapolítica: só passou a haver política quando se concebeu uma metapolítica, quando tratou de fazer depender-se a polis de um fim, de uma razão, de uma ideia suprapositiva. Quando a polis deixou de ser apenas ordem e tratou de subir à categoria de governação, onde o reger tende a ser caminhar para um certo fim, tende a ser pilotar, conduzir o navio a um determinado ponto futuro. Mas caminharmos para a metapolítica, não pode fazer esquecer-nos a base do processo, do biológico ao social. Começa-se na metapolítica, mas logo deve refluir-se para o intrapolítico; porque, ao mergulhar no concreto, se regressa ao normativo e ao dever ser. É por causa desta pesquisa sobre a metapolítica que a política acaba por ser gerada. Tal como os factos têm de integrar-se nas ideias, para que as ideias fecundem os factos...

Retirado de Respublica, JAM

Metapolítica e Nação

Há uma noção metapolítica de nação, desde os messiânicos aos que, em nome da Providência, fazem depender a nação da mão de Deus.

Retirado de Respublica, JAM

"Metapolítica é a ciência da relação do fundamento último da política e as funções nas quais a política deve atuar. Entende-se que o fundamento metapolítico, seja ele a liberdade, a igualdade, a religião ou a raça é mais importante do que o sistema em si e que portanto deve definir e sempre estar acima dos meios políticos específicos."

Retirado da Wikipédia

"Divulgação na mentalidade colectiva e na sociedade civil de valores e ideias (ou de "ideologemas") excluindo qualquer meio ou qualquer finalidade política, assim como a etiquetagem política, mas de acordo com uma visão de Grande Política, ou seja, na demanda de um impacto histórico.

A metapolítica situa-se fora e acima da política polítiqueira, a qual se tornou teatral e já não constitui o lugar da política. A estratégia metapolítica visa difundir uma concepção-do-mundo de modo a que os valores desta última adquiram na história a potência e o poder a longo prazo. Esta estratégia é incompatível com as ambições burguesas de obtenção do poder, "de estar" no poder a curto prazo. Polivalente, a metapolítica deve dirigir-se às instâncias de decisão, aos mediadores, aos difusores de todas as correntes de pensamento, as quais não revela necessariamente o conjunto do seu discurso. A metapolítica expressa igualmente uma sensibilidade como uma doutrina; torna-se cultural ou ideológica segundo as circunstâncias.

Horizontes alargados, flexibilidade, eficácia prática e dureza do "discurso interno" (que se distingue do discurso externo, o qual não trai absolutamente o discurso interno, mas não diz "tudo", adaptando a formulação) são os quatro pilares da estratégia metapolítica."

Retirado de Metapedia

Meteco

O estrangeiro que, em Atenas, tinha autorização de residência na polis, distinto do cidadão, ou eupátrida, e do escravo. Paga uma taxa especial e é obrigado a cumprir serviço militar, tendo o direito a protecção judicial, mas sem poder ser proprietário fundiário. Entre os metecos, há muitos comerciantes do Pireu e alguns intelectuais, como Aristóteles. Nos finais do século IV começam a receber a plena cidadania. Em 404 a. C. são acusados de ligação aos democratas, são perseguidos pela chamada Oligarquia dos Trinta.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de homolaicus

Método

Etimologicamente, significa o caminho para. De odos, caminho, a que se juntou o prefixo meta, significando depois. Em termos gerais, o caminho que se deve seguir para alcançar a verdade num domínio científico. Metodologia, é a ciência dos métodos, equivalente à epistemologia.

Método sempre quis dizer caminho, sempre foi um meio, um instrumento para se atingir o fim da verdadeira ciência: a inteligibilidade do real. Logo, se os fins não devem ser postos ao serviço dos meios, talvez o primeiro dos vícios científicos esteja naqueles que acabam por transformá-lo numa ideologia, dando prevalência ao método sobre o objecto. Quando dizemos que no princípio de cada ciência está o método, não podemos esquecer que o logos é anterior e superior ao método, que a ontologia é superior à metodologia, que a verdade, deve, em qualquer caso, prevalecer, como assinala Gadamer. As eternas perguntas sobre o como se caminha para a verdade (know how), essa ilusão teórica do conhecer o conhecimento, podem desviar-nos do próprio objecto que pretendemos analisar e, de tanto pensarmos o pensamento, podemos acabar por nem sequer pensar. Se dermos preponderância à pergunta do como, do knowing how, insistindo nas prescrições metodológicas, podemos desviar-nos das próprias coisas, esquecendo o knowing that, não respondendo à pergunta fundamental sobre o quê. Com efeito, no nosso tempo, as ciências sociais estão cercadas por um excesso de metodologismo, onde abundam as engenharias conceituais com muitos manuais cheios de instruções sobre a descoberta da verdade, que, muitas vezes, têm levado a que se coisifique o pensamento. Ora, a aprtir do momento em que se transforma o próprio pensamento numa simples coisa, está aberta a senda para a objectivização do sujeito e para a subjectivização do objecto.

Método axiomático-dedutivo

O método típico da matemática e da geometria que a partir do cartesianismo entrou em confronto com o método aristotélico. Também dito método racionalista, marcado pelo esprit geométrique. No tocante às ciências sociais, este método tende a hipostasiar o processo analítico que vai dos efeitos para as causas e a transformar as coisas sociais e políticas numa espécie de objecto maquinal. Decompõe os todos nas suas partes componentes; procede a uma análise exaustiva de cada um dos elementos integrantes desse todo; procura as respectivas leis de funcionamento; tende a reconstruir o todo pela soma das respectivas parcelas.

Método sociológico

Segundo Émile Durkheim, são as seguintes les règles de la méthode sociologique: o reconhecimento da existência de factos sociais, como maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo e que são dotadas de um poder de coerção que se lhe impõem; a exigência de considerar os factos sociais como coisas, destacadas dos sujeitos conscientes que os representam e susceptíveis do mesmo tratamento que os factos naturais, nomeadamente no tocante às relações de causalidade; e a necessidade de afastarmos sistematicamente as pré-noções.

Metodologia política

Um quarto campo da actual ciência política tem a ver com as questões metodológicas, desde a análise terminológica dos conceitos, ao problema da própria linguagem. Se, por um lado, importa analisar os métodos qualitativos (ver, sobretudo W. Crotty, Political Science. Looking to the Future [1991]) , também não deve perder-se de vista todo o espaço dos métodos quantitativos.

A descoberta das grandes linhas metodológicas pode referenciar-se, em primeira linha, nos grandes balanços sobre o estado da arte. Assim, depois do relatório da UNESCO, La Science Politique Contemporaine. Contribution à la Recherche, à la Méthode et l’Enseignement, de 1950, há que referir os trabalhos de C. B. MacPherson [1954], William ª Robson [1955], Dwight Waldo [1956], William James MacKenzie [1967, 1970 e 1972], Marcel Prélot [1969] e Paul Ricoeur [1978]. A partir de então, surgiram vários estudos e relatórios sobre as origens, o desenvolvimento e o estado da disciplina.

Na perspectiva anglo-saxónica, refiram-se:

. Stanley H. Hoffmann [Hoffmann, Stanley H., «Tendances de la Science Politique aux États Unis», in Revue Française de Science Politique, pp. 913 segs., Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques/CERI, 1957];

. Bernard Crick [Crick, Bernard, The American Science of Politics. Its Origins and Conditions, Berkeley, University of California Press, 1959. ];

. Albert Somit e Joseph Tanehaus [Somit, Albert, Tanenhaus, Joseph, American Political Science. A Profile of a Discipline, Nova York, Atherton Press, 1964;

. Tanenhaus, Joseph, The Development of American Political Science, Boston, Allyn & Beacon, 1967. ];

. David B. Truman [1965], Karl Deutsch [1966], M. D. Irish [1968], Preston King [1975], Ada Finifter [1983 e 1993], D. M. Ricci [1984], David Easton [1985] e Gabriel Almond [1990].

Em França, são de assinalar os de Georges Lavau [1956 e 1969], Marcel Prélot [1956-1957], François-Michel Bourricaud [1958], Jean Myriat [1960], Maurice Duverger [1965], Jean Leca [1982] e Pierre Favre [1982].

No tocante a outros países, mencionam-se Norberto Bobbio [1969] e Kastendiek [1987].

Mesmo quanto a Portugal, são marcantes os contributos de Maria José Stock [1984], Manuel Braga da Cruz e Manuel de Lucena [1985], Marcelo Rebelo de Sousa [1989], Nuno Rogeiro [1993], a que se soma o nosso relatório de concurso para professor associado de 1993, publicado em 1994, com o título Sobre a Ciência Política.

Nos ensaios sobre introdução à política, podemos também perspectivar as principais opções nesse domínio. E, aqui, refiram-se Anderson, Rodde e Christo [1957], Meynaud [1959], Duverger [1964], Jean-Yves Calvez [1967], Guild e Palmer [1968], Abendroth e Lenk [1968], Jean-Pierre Lassalle [1969], Mitchell [1969], Abcarian e Masannat [1970], Haas e Kariel [1970], Althoff e Rush [1971], Raymond Polin [1971], º H. Ibele [1971], Chemillier-Gendreau e C. Courvoisier [1971], David Everson e Popard Paine [1973], Bernstein e Deyer [1979], Leon Hurwitz [1979], Debbasch e Pontier [1982], Patrick de Loubier [1983], Philippe Braud [1984], John Schrems [1986], García Cotarello e Paniagua Soto [1987], Philippe Bénéton [1987], Alan Isaak [1987], Martin Marger [1987], Harmon Zeigler [1990], Jean-Luc Chabot [1991], James Danzinger [1991], Winter e Bellows [1992], Kay Lawson [1993], Gamble, Redenius e Weber [1992, 2ª ed. ], Breslin, Hague e Harrop [1992], Jean Baudouin [1992], Ponton e Gill [1993], Leslie Lipson [1993, 9ª ed. ], Ethridge e Handelman [1994], Howlett e Laycock [1994], Vernon Van Dike [1995], Robert Heneman [1995], Kenneth Minogue [1995], Richard Cole [1995], Dominique Chagnollaud [1996].

Não faltam sequer, em português, as tentativas de Fernando Luso Soares [1975], Francisco Lucas Pires [1978], Marques Bessa e Nogueira Pinto [1978], e Vitalino Canas [1992].

A literatura sobre a metodologia na ciência política abunda, com destaque para Burdeau [1959], Duverger [1959], Grawitz [1964], Meehan [1965], Crotty [1968, 1969 e 1991], Isaak [1969], Etzioni [1970], Holt e Turner [1970], Landau [1972], Mayer [1972], Garson [1976], Giddens [1976], Smelser [1976], Feyerabend [1979], Bernstein e Deyer [1979], Ragin [1987], Jones [1995], Marsh [1995], Olson [1995] e Stoker [1995].

Metodologismo.

O exagero de teorias sobre o método, resultantes da intersecção do cientismo positivista com o hegelianismo que levam à predominância do know how sobre o know that. O método, a procura do conhecer o conhecimento, transforma-se numa ideologia, como acontece com o estruturalismo sistemista e em muitos devaneios do neo-marxismo. Dá-se assim a prevalência do método sobre o objecto e este modelo de pensamento transformou-se na medida de todas as coisas...

Métodos quantitativos

Sobre os métodos quantitativos nos domínios da ciência política, importa consultar Champney [1995]. Sobre a metodologia em geral, também neste domínio, são já clássicas as obras de Crotty [1969], Isaak [1969], Holt e Turner [1970], Landau [1972] e Mayer [1972].

Metodenstreit


O mesmo que conflito sobre o método. Polémica desencadeada a partir de 1880, quando os teóricos neokantianos consideraram que a vida humana era insusceptível de explicação causal, passando a defender-se a compreensão como o processo típico das ciências humanas, das Geisteswissenschaften, que não deveriam seguir os modelos analíticos das ciências da natureza, conformem defendiam positivistas. O positivismo lógico do Círculo de Viena voltou a defender a mesma unidade metodológica de todas as ciências.

Retirado de Respublica, JAM

Metz, Johann Baptist (n. 1928)

Alemão, bávaro. Doutor em filosofia e teologia. Professor de teologia em Münster. Um dos inspiradores da teologia da libertação. Considera que a dinâmica essencial da História é a memória do sofrimento, como consciência negativa de liberdade futura e como estimulante para agir, no horizonte desta liberdade, de modo a superar o sofrimento. Uma memória do sofrimento que força a olhar para o “theatrum mundi” não só a partir do ponto de vista dos bem-sucedidos e arrivistas mas também do ponto de vista dos vencidos e das vítimas. Defende uma nova relação entre a política e a moral, uma espécie de moralização da política, considerada o novo nome para a cultura

· A Fé em História e Sociedade. Estudos para uma teologia fundamental prática, [ed. orig. 1977] trad. port., São Paulo, Edições Paulinas, 1981.

· Antropocentrismo Cristiano, Salamanca, Ediciones Sígueme, 1972.

· Teología del Mundo, Salamanca, Ediciones Sígueme, 1970.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada do CEPP

Meyer, Theodor

Jesuíta. Defensor do direito natural cristão, autor de umas Institutiones iuris naturalis (1885‑1890). Considera que o direito é a ciência da rectidão moral de acordo com os princípios racionais. Critica o estatismo jurídico, quando referindo‑se à Staateswissenschaft da respectiva época, observa que "nos tratados recentes de direito público, prevaleceu o costume de animosamente distinguir 'Estado público' e 'sociedade' e alguns vangloriam‑se desta invenção como de um grande progresso da ciência", confundindo “Staat com Staatsgewalt (...) Ouvindo‑os direis que o Estado com os seus órgãos é uma instituição completa e materialmente distinta do corpo social, como uma couraça férrea e frígida que lhe fosse eternamente sobreposta". Observa também que "o povo tira a designação da unidade política e a nação da unidade fisiológica. Assim, um povo pode ser composto de diversas nações ou raças".

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de fh-lueneburg

Meyerson, Émile (1859-1933)

Filósofo polaco fixado em França desde 1882. Violento crítico do positivismo. Salienta que a lei é uma construção ideal que exprime, não o que se passa na realidade, mas o que ocorreria, verificadas certas condições.

·Identité et Realité, 1907

·De l'Explications dans les Sciences, 1921.

·La Déduction Relativiste, 1925.

·Le Cheminement de la Pensée, 1931.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da IEP

Meynaud, Jean

Politólogo suíço, especialista na temática dos grupos de pressão e da tecnocracia.

·Les Groupes de Pression en France, Paris, Librairie Armand Colin, 1958.

·Introduction à la Science Politique, Paris, Librairie Armand Colin, 1959.

·La Science Politique. Fondements et Perspectives, Lausanne, edição do autor, 1960.


Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da UNIL

Meyriat, Jean

La Science Politique en France (1945-1958). Bibliographie Commentée, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1960.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de El Profesional de la Información

Mesa do Orçamento, Comer à

A expressão comer à mesa do orçamento, querendo significar uma política de favoritismo na distribuição de empregos e subsídios públicos tem especial desenvolvimento durante o regime do baronato devorista, entre 1834 e 1836, principalmente a partir da acção de Rodrigo da Fonseca como ministro do reino entre 15 de Julho e 18 de Novembro de 1835 durante o governo de Saldanha. Diz o ministro em causa, na altura, que postos todos a comer à mesma mesa depress passariam de convivas satisfeitos a amigos dedicados. Desencadeia uma política de criação de barões, como os de Moncorvo, Samodães, Bonfim, Sabrosa, Setúbal, Ruivós, Bóbeda, Leiria. Como então dizia Garrett, foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde... Gera-se assim uma política de empregadagem, logo criticada nuns versos de Brás Tisana: Uma nação de empregados/ É Portugal? Certamente: /Até D. Miguel, do trono/ De Maria... é pretendente.

Retirado de Respublica, JAM

Mesa da Consciência e Ordens (1532)

Com D. João III, em 1532, é criada a Casa da Consciência, com atribuições em matérias que dissessem respeito à consciência do rei. Mais tarde, com a incorporação na coroa das ordens militares, passa a designar-se Mesa da Consciência e Ordens. Detém, assim, uma larga esfera de acção, desde matérias do foro eclesiático à administração de bens das ordens, passando pelas capelas do padoado régio à própria tutela da Universidade - até ao século XVIII. Tem regimentos de 24 de Novembro de 1558, 20 de Junho de 1567 e 23 de Agosto de 1608. Mesa da Consciência e Ordens, criada por D. João III em 1532 e mantida pelo regimento filipino de 1608, onde se deu "o controlo do poder judiciário pela teologia e pela ética" que "se contribuía para fortalecer o poder, limitava‑o do ponto de vista ético", aquele ambiente de catedratismo inquisitorial que vai fazer murchar o impulso da resistência nacional vivificada pelas enraizadas autonomias populares.

Retirado de Respublica, JAM