sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Moda

Uma das ordens normativas da realidade que provoca o império do efémero, conforme a expressão de Lipovetsky. Traduz-se na emissão de sinais distintivos de um determinado grupo dominante, mas estes logo são imitados pelos restantes numa correria. Uma das formas de moda está no intelectualismo do politically correct e nos modelos do radical chic. Segundo Radbruch, outra coisa não é senão um esforço das camadas superiores da sociedade para se diferenciarem, por meio de certos caracteres e sinais exteriores, das camadas julgadas inferiores. A moda alimenta-se, por assim dizer, precisamente, dessa permanente e porfiada concorrência entre as duas camadas, que leva a superior a modificar constantemente os sinais da sua maior dignidade, desde que a inferior se apropria deles. Neste sentido, como referia Jean Anouhil, só é moda aquilo que passa de moda.


Retirado de Respublica, JAM

Mobilização

Em sentido genérico, é um processo que se caracteriza pela criação de novos compromissos e de novas identificações, muitas vezes pela reactivação de lealdades e de identificações esquecidas.

Mobilização e conflito
Processo que tende a formar grupos de conflito, destinados a impôr às autoridades a satisfação de um certo número de reivindicações.

Mobilização Militar
Recrutamento maciço tendo em vista a preparação para uma guerra.

Mobilização política
Para Karl Deutsch a mobilização política insere-se no âmbito da teoria da modernização. É o processo que tende a inserir um determinado indivíduo numa rede de comunicação única, abarcando o conjunto da sociedade, destinando-se a ligar e a fundir o indivíduo num âmbito público, social e político. Para Etzioni, por seu lado, é o processo pelo qual uma unidade faz crescer de forma significativa o seu controlo sobre os recuursos sociais de que ela não dispunha antes.

Retirado de Respublica, JAM

Mobilidade social

Mudança de classe ou de status de um indivíduo. Subida ou descida na estratificação social.

Retirado de Respublica, JAM


Miranda, Jorge

Professor catedrático da Faculdade de Direito de Lisboa e da Universidade Católica. Foi assistente de Marcello Caetano. Militante do Partido Popular Democrático nos primeiros anos de vida do partido. Foi um dos mais destacados deputados da Assembleia Constituinte. Doutorou-se em 1976, com uma tese sobre a Constituição. Abandonou o PPD com a dissidência da ASDI Estado e direito, 4, 29 -nação e povo, 68, 447.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da FD Lisboa

Miranda, Manuel Gonçalves de (1780-1841)

Bacharel em matemática. Grande proprietário. Capitão na guerra peninsular. Presidente da comissão dos emigrados em Londres. Deputado em 1820-1822, 1822-1823, 1826-1828 e 1834-1836. Ministro da guerra em 1822-1823. Ministro da marinha e ultramar no governo de Terceira, de 20 de Abril a 10 de Setembro de 1836. Par do reino desde 1836. Membro da Associação Eleitoral do Centro que concorreu às eleições de 1838. Volta a ministro em 28 de Janeiro 1841, no governo de Bonfim, primeiro na pasta da fazenda, sucedendo a Pereira Forjaz, e depois, em 12 de Março, na da marinha. Faleceu no exercício de funções ministeriais em 5 de Abril de 1841. Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano de 1839 a 1841, onde sucedeu a Silva Carvalho. Tem como grande inspector Rodrigo da Fonseca.

Retirado de Respublica, JAM

Miranda, Francisco Cavalcanti Pontes de (1892-1979)

Jurista brasileiro, formado no Recife. Um dos principais representantes do positivismo lógico do Círculo de Viena, distanciando-se da herança comteana, considerada totalitária. Obsreva, contudo, em texto de 1926, que o sociólogo vê, observa, e procura a visão mais objectiva que lhe seja possível, das coisas da vida. Não se instala no interior das correntes, vem dos factos, não participa deles, não os vive. Curiosa a sua perspectiva de democracia, expressa em 1947: toda a democracia é luta contra as lutas, porque organiza pleitos que evitam choques. Nela marcha-se, sem que se saiba para onde; mas marcha-se. O seu fim é, pois, esperança, e não, propriamente, fim; esperança que se chegue ao acordo, pelas simetrizações que atenuem as diversidades da vontade. Em 1933 critica o individualismo capitalista, considerando que um dos fenómenos mais graves do momento é que não há mais possibilidade de ascender à classe dirigente, fora do roubo por intermédio do Estado ou dos serviços excepcionais prestados ao fortalecimento ou defesa do capitalismo. A classe tende a tornar-se casta. O liberalismo económico é a doutrina que mais lhe serve, salvo quando há necessidade de pôr o Estado ao seu serviço. Acrescenta que o socialismo ou é antimarxista, ou rectificador de Marx, porque o capitalismo apoderou-se da técnica e reduziu o Estado a entidade parasitária, para que as lutas fossem em torno do poder político, e não em torno do poder económico-social.

Obras do autor:

·A Sabedoria dos Instintos, Rio de Janeiro, J. Ribeiro dos Santos, 1921.

·Sistema de Ciência Positiva do Direito, Rio de Janeiro, 1922. Nova ed. em 4 vols., Editora Borsoi, 1972.

·A Sabedoria da Inteligência, Rio de Janeiro, Leite Ribeiro, 1923.

·Introdução à Política Científica, Rio de Janeiro, 1924.

·Introdução à Sociologia Geral, Rio de Janeiro, Ed. Pimenta de Melo, 1926.

·Os Fundamentos Atuais do Direito Constitucional, Rio de Janeiro, 1932.

·Anarquismo, Comunismo, Socialismo, Rio de Janeiro, Adersen Editores, 1933.

·O Problema Fundamental do Conhecimento, Porto Alegre, Ed. Globo, 1937.

·Democracia, Liberdade, Igualdade, Rio de Janeiro, Ed. José Olímpio, 1945.

·Comentários à Constituição de 1946, Rio de Janeiro, Ed. H. Cohe, 1947.

·Horas LIterárias, Rio de Janeiro, José Olympio, 1960.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Biblio

Mises, Ludwig von (1881-1973)

Fundador da Escola Austríaca juntamente com Carl Menger e Eugen Von Bohm-Bawerk. Defende a teoria da utilidade marginal do valor subjectivo e do individualismo metodológico. Doutorado em Viena em 1906 com The Theory of Money and Credit, publicada em inglês em 1934. Professor em Viena de 1913 e 1938. Escreve Socialism entre as duas guerras. Consultor da Camara de Comércio Austríaca Em 1934 passa para a Suiça, colaborando no Instituto de Estudos Internacionais Escreve em 1940 Nationaloekonomie, rescrito para norte americanos como Human Action, 1949. Um dos fundadores da Sociedade Mont Pélérin em 1947. Vai para os USA em 1940, sendo professor da New York University (1945-69). Escreve em 1956 The Anti-Capitalistic Mentality, an examination of American socialism, he dealt with the opposition of a variety of intellectuals to the free market; in his view, these persons bear an unwarranted resentment toward the necessity of obeying mass demand, which is the basis of prosperity in big business. Among his other books are Planned Chaos (1947), concerning socialist totalitarianism, and Human Action (1949; rev. ed. 1966), a treatise on economics.

Obras do autor:

Nation, Staat und Wirtschaft. Beiträge zur Politik und Geschichte der Zeit, 1919.

·Antimarxismus, 1925.

·Kritik des Interventionismus, 1929.

·Socialism, 1936.

State and the Total War, 1944.

·Planned Chaos, 1947.

·Planning for Freedom, 1952.

·The Anti-Capitalistic Mentality, 1952.

·The Ultimate Foundations of Economic Science, 1962.

·Liberalism in the Classic Tradition, 1962. Cfr. trad. port. Liberalismo. Segundo a Tradição Clássica, Rio de Janeiro, Instituto Liberal, 1987, com pref. de Bettina Bien Greaves, de 1985, trad. port. de Haydn Coutinho Pimenta (segundo a edição inglesa de 1985, de acordo com a última versão de Mises de 1962 The Free and prosperous Commonwealth.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da arcadiafinancial

Mistério

O mistério envolve o homem que está sempre mergulhado no desconhecido. E mesmo antes de fazer ciência, é preciso crer na ciência (Jean Lacroix). O progressismo racionalista apenas aceita um tempo linear, que pode conduzir ao vazio. O mistério dá profundidade ao tempo, ao introduzir-lhe uma dimensão vertical. O tempo adquire sentido, passa a ser um tempo de revelação e de desvelamento. E Fernando Pessoa logo refere que as nações todas são mistérios.

Eliade, Mircea, Mythes, Rêves et Mystères, Paris, Éditions Gallimard, 1957 [trad. port. Mitos, Sonhos e Mistérios, Lisboa, Círculo de Leitores, 1990].

Lacroix, Jean, Histoire et Mystère [ed. orig. 1962; trad. port. História e Mistério, São Paulo, Livraria Duas Cidades, 1967].

Quadros, António, Portugal, Razão e Mistério, 2 vols., Lisboa, Guimarães Editores, 1986-1987.

(ver Escatologia)

Retirado de Respublica, JAM

Misticismo

Doutrina segundo a qual o homem pode atingir o sobrenatural através da extâse. O misticismo significa, como salienta Fernando Pessoa essencialmente confiança na intuição, nessa operação mental pela qual se atingem os resultados da inteligência sem usar a inteligência. Para o mesmo autor, o mito "um nada que é tudo". O misticismo, o "ter um sentimento nítido de uma coisa que não se sabe o que é", dado que o místico "onde não pode calcular, adivinha; onde não pode pôr à prova, profetiza", pelo que "em toda a matéria onde não pode haver ciência tem necessariamente que haver misticismo". Antero de Quental, do mesmo modo, já dizia que "o conhecimento cientifico constitui apenas a região média do conhecimento, entre o senso comum... e o conhecimento metafísico.

Retirado de Respublica, JAM

MIT (Massachusetts Institute of Technology)

Fundado em 1865 em Boston. Transferido para Cambridge em 1916. Entre os principais professores, Walt W. Rostow, Paul Samuelson e Norbert Wiener.


Retirado de Respublica, JAM

Mito

Se o homem é razão e vontade, também não deixa de ser imaginação. Com efeito, ao lado das duas potências da alma inventariadas por Platão, a ratio e a voluntas, tem também que colocar-sese uma terceira :o mito. O homem não é apenas animal rationale et politicum, é também animal symbolicum. É, em suma, animal social e cultural. Como justamente observa Paul Ricoeur, "toda a razão tem um horizonte sobredeterminado pela crença", havendo "um ponto, onde o racional comunica com o mítico", donde deriva toda "uma constituição simbólica do laço social". Com efeito, "toda a ética que se dirige à vontade para a lançar no agir deve ser subordinada a uma poética que abre novas dimensões à nossa imaginação". Voegelin assinala também que " a sociedade é iluminada por um complexo simbolismo, com vários graus de compactação e diferenciação - desde o rito, passando pelo mito, até à teoria - e esse simbolismo a ilumina com um significado na medida em que os símbolos tornam transparentes ao mistério da existência humana a estrutura interna desse pequeno mundo, as relações entre os seus membros e grupos de membros, assim como a sua existência como um todo. A auto-iluminação da sociedade através dos símbolos é parte integrante da realidade social, e pode mesmo dizer-se que é uma parte essencial dela, porque através dessa simbolização os membros da sociedade a vivenciam como algo mais que um acidente ou uma convivência; vivenciam-na como pertencendo a sua essência humana". Mais recentemente Edgar Morin vem considerar que "não podemos fugir ao mito, mas podemos reconhecer a sua natureza de mitos e relacionar-nos com eles, simultaneamente por dentro e por fora". Porque "o problema consiste em reconhecer nos mitos a sua realidade e não a realidade. Em reconhecer a sua verdade e não em reconhecer neles a verdade. em não introduzir neles o absoluto. Em ver o poder de ilusão que segregam constantemente e que pode ocultar a sua verdade. Devemos demitificar o mito, mas não fazer da demitificação um mito".

Segundo Mircea Eliade, o mito conta uma história sagrada, relata um acontecimento que teve lugar num tempo primordial, no começo, assumindo-se como um relato da criação. É uma alegoria ou uma fábula que explica uma determinada ordem e que assim alimenta o imaginário social. Para Sorel, o mito como poesia social, é o conjunto das representações mobilizadoras de um grupo. Para Malinowski é um instrumento de explicação e de justificação de uma situação de superioridade.

Retirado de Respublica, JAM

Minorias

Subgrupos que se distinguem do grupo dominante por diferenças físicas ou traços culturais. Tendem a ser excluídas da plena participação na vida do grupo.

Minorias e poder, 54, 340

Minorias nacionais, 71, 479.

Retirado de Respublica, JAM

Mill, James (1773-1836)

Um dos fundadores do utilitarismo, juntamente com Bentham. Pai de John Stuart Mill. Considera que a democracia representativa é a grande descoberta dos tempos modernos, porque permite a adequação dos interesses dos governantes aos dos governados. Os primeiros porque ficam com um largo espaço de autonomia na actuação, ao contrário do que acontece na democracia directa. Os segundos porque conservam a possibilidade de controlo dos actos dos governantes.

· Essay on Government, 1820.

· Analysis of the Phenomena of the Human Mind, 1829.

· Fragments on MacKintosh, 1835.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikipédia

Minorca

Menorca - Ilha das Baleares [a sengunda maior] , pertencente a Espanha. Foi conquistada pelos ingleses em 1708; depois de ter estado sob ocupação francesa de 1756 a 1763, regressa à posse dos ingleses. Volta para a Espanha em 1783, sendo, contudo, reocupada pelos ingleses de 1798 a 1802.

Retirado de Respublica, JAM

"Las Islas Baleares o Baleares (en catalán y oficialmente Illes Balears[1] ) son una comunidad autónoma española compuesta por las islas del archipiélago balear, situado en el Mar Mediterráneo junto a la costa oriental de la Península Ibérica.

El archipiélago está formado por dos grupos de islas y numerosos islotes:

Imagem e texcto 2 retirados da Wikipedia

Mínimo ético

Teoria instituída por Jeremy Bentham (1748-1832) e desenvolvida por Georg Jellinek (1851-1911), o autor da expressão, para quem o direito é o mínimo de moral declarado obrigatório para que a sociedade possa sobreviver. Isto é, que o direito e a moral têm o mesmo fundamento, porque tudo o que é direito é moral, embora o círculo da moral seja maior. Esta ideia de círculos concêntricos é proveniente de Bentham, que restringe o direito àquele círculo onde se aplicam penas materiais, salientando que as mesmas só devem existir para os casos em que o bem resultante da aplicação das mesmas for maior que o mal que as mesmas provocam. Porque o mal produzido pelas penas é uma despesa que o Estado faz, tendo em vista um lucro, o desaparecimento dos crimes. Numa perspectiva contrária, Fichte refere que as normas jurídicas e as normas morais são contraditórias, salientando que as normas morais exigem, categoricamente, o cumprimento dos deveres, enquanto as normas jurídicas permitem, mas não impõem, que se cumpra o próprio dever, acrescentando que se as leis morais proíbem o exercício de um direito, ele não deixará, por isso, de ser direito. Os autores desta cepa admitem assim uma graduação da moral, só possível numa moral hedonisticamente entendida. A tese está intimamente ligada ao contratualismo utilitarista, do modelo benthamiano (the greatest happiness to the greatest number is the foundation of morals and legislation), à ideia de que é possível a realização do máximo de utilidade com o mínimo de restrições pessoais, numa perspectiva que reduz o direito a uma simples moral do útil colectivo. Em todas estas famílias está a redução do contrato social à mera composição de um conflito de interesses, do bellum omnium contra omnes, considerando-se que os indivíduos renunciam a uma parte das suas liberdades naturais para garantirem o mínimo de convivência social, dado que o homem não é naturalmente um animal social, mas um animal a-social, individualista, um lobo do homem. Portanto, a sociedade não é uma coisa natural, mas antes algo de artificial, visando o finalismo de poderem gozar-se certas utilidades.

Retirado de Respublica, JAM

Milton, John (1608-1674)

Poeta e político inglês. Célebre pelo poema Paradise Lost de 1667. Politicamente é um monarcómaco, próximo de Buchanan. Defende um republicanismo aristocrático, considerando que o poder deve caber aos melhores. Se começa por apoiar o partido defensor da supremacia do parlamento, passa em seguida para os chamados independentes, acabando como apoiante de Cromwell. Sustenta os regicidas que levaram à morte de Carlos I, em 1648, teorizando o tiranicídio. Em 1650 já faz um ataque à monarquia, jutificando a república, considerando a hereditariedade como contrária às leis naturais. Não deixa, no entanto, de recear a democracia representativa. Em 1660 propõe a instituição de um senado perpétuo.


Obras do autor:

·Reformation in England, 1641.

·Areopagitica. A Speech for the Liberty of Unlicensed Printing, 1644. Título inspirado em Isócrates. Assume a forma de um discurso dirigido ao parlamento.

·The Tenure of Kings and Magistrates, 1648-1694.

·Eiconoclastes, 1649.

·Defensio pro populo anglicano, 1650-1651. Na primeira defesa, resposta a um folheto do professor de Leyden Salomonius que em 1649 publicara Defensio Regia pro Carolo I. Na segunda, elogia Cromwell.

·Defensio Secund, 1654.

·Ready and Easy Way to Establish a Free Community, 1660.

·De Doctrina Christiana, 1823.

Retirado de Respublica, JAM

"Representante do classicismo inglês e autor do célebre livro O Paraíso Perdido, um dos mais importantes poemas épicos da literatura Universal. Foi politico, dramaturgo e estudioso de Religião. Apoiou Oliver Cromwell durante o período republicano inglês. Porém foi preso e ficou cego. Na prisão, dita a sua obra prima, "O Paraíso Perdido", que conta a história da queda de Lúcifer, e foi publicado em 1667. Quatro anos mais tarde, lança o livro Paraíso Reconquistado, uma seqüência do primeiro poema, trata da vinda de Cristo à Terra reconquistar o que Adão teria perdido."

Foto e texto 2 retirados da Wikipédia

"O percurso tumultuoso de John Milton (1608-1674), e sobretudo o seu talento, transformaram-no numa constelação de centelhas que escurece a obra dos seus contemporâneos. A sua influência sobre a Literatura Romântica foi bastante profunda, assim como sobre a Era Vitoriana.
Enquanto estudava em Cambridge, interessou-se por teologia, filosofia, história, política, literatura e ciência na sua preparação para uma carreira poética. Crítico da educação ministrada na época, foi, sobretudo, um autodidacta. Viajou por França e Itália onde conheceu Galileu Galilei. Antes de dedicar largos anos ao serviço da causa puritana, realizou uma série de publicações, discutindo a legalidade e moralidade do divórcio, atacando a lei inglesa referente ao casamento.
O surgimento de um glaucoma, que o viria a conduzir à cegueira, forçou-o a ditar muitos dos seus trabalhos em prosa e em verso, nomeadamente a sua obra prima, Paradise Lost, em 1667, obra épica através da qual lhe foi reconhecido, com razão, mérito universal. Repleto de influências bíblicas, assim como de autores, entre os quais Homero, Virgílio, Spenser, Sidney e Shakespeare, o poema épico descreve a criação do universo, da terra, da humanidade, veicula a origem do pecado, da morte e da maldade, recria eventos no Inferno, no Céu, no Jardim do Éden, debate ideias políticas de tirania, liberdade e justiça e defende a posição teológica sobre a predestinação, livre vontade e salvação.
Logo no início de Paradise Lost, o poeta presenteia-nos com um discurso de elevada carga emocional proferido por Lúcifer, após ter afrontado Deus e ter sido expulso do paraíso, juntamente com a sua hoste de anjos caídos. Este monólogo poderoso, onde ódio, ressentimento e orgulho estão visivelmente patentes, possibilita ao leitor arrepiado recriar o aspecto e gestos do orador, tal é a veemência com que este se exprime:

« ‘Is this the region, this the soil, the clime,’
Said then the lost Archangel, ‘this the seat
That we must change for Heaven, this mournful gloom
For that celestial light? Be it so, since he
Who now is Sovran can dispose and bid
What shall be right: farthest from him is best,
Whom reason hath equalled, force hath made supreme
Above his equals. Farewell, happy fields,
Where joy for ever dwells! Hail horrors! hail,
Infernal World! And thou, profoundest Hell
Receive thy new possessor – one who brings
A mind not to be changed by place or time.
The mind is its own place, and in itself
Can make a Heaven of Hell, a Hell of Heaven (…)”
« (…) To reign is worth ambition, though in Hell.
Better to reign in hell than serve in heaven».

O discurso de Lúcifer inicia-se ao contemplar o local para onde foi banido por Deus. Aceita-o, reconhecendo-o como soturno, melancólico, deprimente, por contraposição com a luz diáfana do paraíso. Procura, orgulhosamente, aceitar o seu destino, afirmando, com rancor, ser melhor estar afastado do Omnipotente. Despede-se dos campos onde, para toda a eternidade, a alegria habita, e classifica o seu novo reino como inferno profundíssimo. Sem demonstrar qualquer laivo de arrependimento, assegura que o seu pensamento não sofrerá alteração, sendo que este consegue transformar o paraíso num inferno e vice-versa.
E remata a primeira parte do seu discurso com uma frase emblemática nesta obra que se aplica(rá) à humanidade em todos os lugares e todos os tempos: «reinar é uma ambição válida, apesar de ser no inferno. É melhor reinar no inferno, do que servir no céu»."

Publicado por Ana Márcia Pires, no Publicista, em 20 de Agosto de 2006

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Mills, C. Wright (1915-1962)

Professor da Columbia University desde 1946. Baseando-se no marxismo, cria uma escola sociológica crítica contra o excessivo quantitativismo do behaviorismo norte-americano. Parte do dualismo power elite e sociedade de massa, denunciando um poder invisível fundado no arbitrário. Considera toda a política é uma luta pelo poder; a forma básica do poder é a violência. Neste sentido, mistura o marxismo com algumas perspectivas de Max Weber. Teoriza a sociedade de massa, com a crescente especialização de funções e o colapso do pluralismo, onde a própria cultura é alvo de uma manipulação pela elite. Salienta também que a educação de massa produz aquilo que qualificou como analfabetismo educado, quando a educação perde a sua função crítica e é domesticada pelas exigências da economia. Entende o poder como um jogo de soma zero, implicando uma estrutura dicotómica, onde aquilo que têm os que exercem o poder é aquilo que falta aos que não detêm o poder. Deste modo, considera que a política é sobretudo uma luta pelo poder que assenta, se necessário, na violência. Observa que "dominar a teoria e o método equivale a tornar‑se um pensador consciente, um homem que trabalha sabendo quais são os pressupostos e as implicações do que faz. Ser dominado pela teoria e pelo método equivale a nunca poder começar o trabalho".


Obras do autor:

The New Men of Power. America’s Labor Leaders, Nova York, Harcourt, Brace & Co., 1948.

White Collar. The American Middle Classes, (1950), Nova Iorque, Oxford University Press, 1951[trad. fr. L’Élite au Pouvoir, Paris, Éditions Maspero, 1969; trad. port. Poder e Política, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1962].

The Power Elite, Nova York, Oxford University Press, 1956) (cfr. trad. port. Poder e Política, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1962; trad. fr. L’Imagination Sociologique, Paris, Éditions Maspero, 1967).

The Sociological Imagination, (1959) (cfr. trad. port. A Imaginação Sociológica, Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1975).

The Causes of World War Three, Londres, Secker & Warburg, 1959.


The Marxists, Nova York, Laurel Books, 1962.


Power, Politics and People, Oxford, Oxford University Press, 1963.


Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de WrightMills.Org

Mill, John Stuart (1806-1873)

Filho de James Mill. Nasce em Londres. Educado desde tenra idade, chega a ter Bentham como professor. Estuda direito e filosofia. Visita França em 1821. Funcionário da Companhia das Índias Orientais de 1823 a 1858. Deputado de 1866 a 1868 por Westminster. Tenta conciliar o utilitarismo com o positivismo. Começa, como o pai, como um estrito discípulo do utilitarismo de Bentham. Alarga em 1826, as influências, primeiro a Turgot e, a partir de 1841, a Comte. A ele se deve o método do empirismo como fonte do conhecimento. Influencia Decisivamente o pensamento liberal. Nos seus últimos escritos mostra certa simpatia pelas teorias socialistas.

Revisão do utilitarismo

Vai proceder a uma revisão das teses utilitaristas, acrescentando um novo critério à quantidade dos prazeres: a qualidade dos prazer. Um homem de qualidades superiores tem de procurar prazeres superior. Acrescenta que a felicidade que os utilitaristas procuram para critério da moralidade da conduta não é apenas a felicidade pessoal do agente, mas a de todos os interessados, dadno como exemplo a máxima de Cristo do ama o teu próximo como a ti mesmo.

vai conciliar positivismo e utilitarismo

apelava para não "nos limitarmos a olhar a superfície das instituições políticas", onde "nem sempre nos aparece a força preponderante".

"O governo é, aomesmo tempo, uma grande influência que age sobre a mente humana e um conjunto de arranjos para a realização dos negócios públicos"

"A espécie humana ganha mais em deixar cada homem viver como lhe apetece; sem o obrigar a viver como os outros querem"

Defesa da participação política

A participação política, onde inclui a própria defesa do sufrágio feminisno, constitui uma maneira de fazer sair o indivíduo se si mesmo e do círculo dos seus intereses privados para o pôr em relação activa com os outros.

Contra o despotismo da sociedade

Considera que o utilitarismo de Bentham, ao defender a maior felicidade para o maior número, acaba por privilegiar o social e o democrático, com prejuízo do individual e do liberal, levando ao "despotismo da sociedade sobre o individuo". Neste sentido, vai procurar os princípios fundamentais dos fundadores do liberalismo, como os da tolerância, defendido por Locke, salientando que a liberdade é procurar o nosso próprio bem à nossa própria maneira, mas de tal forma que não tentemos privar os outros da liberdade deles ou entravar os respectivos esforços para a obter.

Educação moral da sociedade

Contra o utilitarismo considera que "em política a escolha das instituições políticas é mais uma questão de moral e de educação do que uma questão de interesses materiais". Para ele "não há razão para que todas as experiências humanas sejam construídas sobre o mesmo modelo ou sobre um pequeno número de modelos. Se uma pessoa possui qualquer razoável quantidade de senso comum e de experiëncia, a sua própria maneira de organizar a respectiva existência é a melhor, não porque seja a melhor em si mesma, mas porque é a sua". Neste sentido, em lugar do intervencionismo do Estado, considera preferível uma educação moral da sociedade que leve os homens a associar‑se e a entreajudar‑se. Há assim um valor educativo da democracia, entendido como um meio de se cultivar o espírito público e a inteligência política.

As elites

Procura conciliar o princípio de governo do povo com a ideia de autonomia das elites, nomeadamente a possibilidade dos mais sábios poderem ser chamados ao governo, esses dois grandes elementos de que depende um bom governo e que visa combinar de forma mais ampla possível, as vantagens que derivam do juízo independente de um pequeno número particularmente instruído, com o grau mais elevado de segurança para esse objectivo que consiste em tornar esse pequeno número responsável perante todos.

Defesa das minorias e da diferença

Como Tocqueville, teme o despotismo da maioria, considerando necessário o reforço dos direitos das minorias e até a valorização do excêntrico. Importa defender a diferença para se evitar a tendência para a uniformidade e a mediocridade. Porque a espécie humana não é infalível, torna-se, assim, indesejável a unidade da opinião. Só com a diferença e o próprio confronto das opiniões é que se consegue o progresso.

Contra a uniformidade

Salienta que não há nenhuma razão para que todas as experiências humanas sejam construídas segundo o mesmo modelo ou sobre um pequeno número de modelos. Se uma pessoa possuir uma qualquer quantidade razoável de senso comum e de experiência, a maneira dela organizar a respectiva existência é a melhor, não porque seja a melhor em si mesma, mas porque é a sua.

O método da verificabilidade

Antecipando Karl Popper, Stuart Mill considera que "há a maior diferença entre presumir uma opinião como verdadeira porque, tendo todas as oportunidades de ser contestada, não foi refutada, e a de afirmar a sua verdade a fim de não permitir a sua refutação". Assim salienta a necessidade da "maior disseminação possível do poder compatível com a sua eficácia; mas a maior centralização possível da informação e a difusão desta a partir do centro".

Com o mesmo autor, em Principles of political economy, de 1848, vai atingir‑se o apogeu da chamada Escola Clássica da economia, interseccionando‑se, no plano meramente económico, com o utilitarismo de Bentham e o positivismo de Comte.

Com ele se sistematizam um conjunto de leis que vão marcar o liberalismo:a lei do interesse pessoal ou princípio hedonístico (cada individuo procura o bem e a riqueza e evita o mal e a miséria), a lei da concorrência, a lei da população, a lei do salário, a lei da renda e a lei da troca internacional (o país mais pobre e menos industrializado beneficia sempre com a liberdade do comércio).

Mill, no entanto, se é inteiramente liberal quanto à produção, defendendo o liberalismo concorrencial, considera que a justiça social, isto é a acção do Estado, pode intervir na distribuição :"a sociedade pode submeter a distribuição da riqueza às regras que lhe parecerem melhores".

O socialismo de Mill

Alguns falam mesmo num socialismo de Mill, particularmente visível nas suas propostas de reforma do direito das sucessões e da socialização da renda fundiária, fundando para o efeito uma Land tenure reform Association, em 1870, onde defendeu que "o problema social do futuro consiste em conciliar a maior liberdade de acção do indivíduo com o direito de todos sobre a propriedade das matérias primas que oferece o globo, e com uma participação de todos nos proveitos do trabalho comum".

"O único fim em que é legítimo que a humanidade, individual ou colectivamente, interfira com a liberdade de acção de outrem, é auto‑defesa... O poder só é legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, quando estiver em causa o bem‑estar dos outros"

apelava para não "nos limitarmos a olhar a superfície das instituições políticas", onde "nem sempre nos aparece a força preponderante".

A ideia de nacionalidade

O utilitarismo positivista e demoliberal de John Stuart Mill (1806-1873) em Considerations on Representative Government, de 1860, considera que há nacionalidade onde se encontram homens unidos por simpatias comuns que não existem entre eles e outros homens, simpatias que os levam a agir de acordo, de muito melhor vontade do que o fariam com outros, a desejar que esse governo seja exercido por eles próprios ou por uma porção entre eles, pelo que considera ser uma condição necessária das instituições livres está na circunstância das fronteiras do governo coincidirem no seu conjunto com as fronteiras da nação.

Analisando as causas do aparecimento desse sentimento, salienta que o mesmo pode ter sido engendrado por diversas causas: é por vezes o efeito da identidade de raça e de origem; muitas vezes a comunidade de língua e a comunidade de religião contribuem para o fazer nascer; os limites geográficos, igualmente. Mas a causa mais poderosa de todas é a identidade de antecedentes políticos, a posse de uma história nacional, e, por conseguinte, a comunidade de recordação, o orgulho e humilhação, o prazer e o pesar colectivos ligam‑se aos mesmos incidentes do passado. Contudo, nenhuma destas circunstâncias é indispensável ou absolutamente suficiente por si só.

Obras do autor:

Essays on Unsettled Questions in Political Economy, 1831.

System of Logic, 1843.

Principles of Political Economy, with some of their Aplication to Social Philosophy, 1846. Cfr. trad. port. Princípios de Economia Política, com Algumas das suas Aplicações à Filosofia Social, São Paulo, Abril Cultural, 1983.

Essay on Liberty, 2 vols., 1859. Cfr. trad. port. Da Liberdade, São Paulo, Instituição Brasileira de Difusão Cultural, 1964; ver tb. Trad. port. Parcial Da Liberdade de Expressão e de Pensamento, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1969.

Thoughts on Parliamentary Reform, 1859.

Considerations on Representative Government, 1860. Cfr. trad. port. O Governo Representativo, Lisboa, Livraria Arcádia, 1967.

Utilitarianism, 1861.

August Comte and the Positivism, 1865.

The Subjection of Women, 1869. Com Harriet Taylor.

Autobiography, 1873.


Bibliografia sobre o autor:

Himmelfarb, Gertrude, On Liberty and Liberalism. The Case of John Stuart Mill, Nova York, Alfred A. Knopf, 1974.

Negro, Dalmacio, Liberalismo y Socialismo en la Encrucijada Intelectual de Stuart Mill, 1975.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikipédia

Militares e política

S. Finer em The Man on Horseback, de 1962, relaciona os processos de intervenção militar com os tipos de cultura política. Numa cultura política madura, onde a legitimidade fundamental é inalcançável pelos militares, estes apenas têm intervenção política pela influência. Numa cultura política desenvolvida, onde a legitimidade é importante e resistente aos militares, estes apenas podem fazer chantagem. Numa cultura política baixa, onde a legitimidade, apesar de ter alguma importância, é apenas fluída, o nível característico da intervenção militar visa a substituição do governo de civis por um governo militar. Finalmente, na cultura política mínima, onde a legitimidade não tem importância, a intervenção militar visa substituir um regime civil por um regime militar.

Retirado de Respublica, JAM

Criar Valor

Mais uma lição de Economia Social,

Nesta escola que é o Jornal de Negócios

por João Borges de Assunção


"No mundo das empresas, a criação de valor é vista como essencial à sobrevivência. O valor criado é a diferença entre o valor do que é produzido e o valor dos recursos que são consumidos, tudo numa óptica de longo prazo.

Porém, a criação de valor é difícil de medir ou aferir. A contabilidade empresarial tem muita dificuldade em medir o valor criado. Na nossa economia, em que as empresas têm liberdade para entrar e sair dos mercados, os lucros são uma medida, imperfeita, imprecisa e de curto prazo, do valor criado para os accionistas de uma empresa no longo prazo.

Acresce que convém saber para quem se está a criar valor: para os accionistas, para os consumidores, para a sociedade ou para os gestores. Cada uma destas entidades vê de forma diferente o valor criado. Mas de uma forma ou doutra só vão sobrevivendo as empresas que criam valor suficiente que justifique os recursos que consomem. A sobrevivência e perenidade de uma empresa são um sinal de que tem feito coisas bem feitas através do tempo. Ou isso ou tem tido sorte, o que também é muito útil nos meios empresariais.

Convém ainda saber como é criado o valor. O que é que cada empresa faz que a torna útil aos outros? Cada empresa faz coisas diferentes e, dessa forma, contribui positivamente para a sociedade. Essa fórmula de criação de valor é muitas vezes difícil de perceber para as entidades externas, e mesmo para muitas das pessoas que constituem a organização.

A criação de valor não pode ser dissociada do conhecimento, da produtividade e da inovação. A evolução tecnológica vai modificando rapidamente a forma como cada empresa cria valor. Para a maior parte das empresas ficar parado significa criar cada vez menos valor. A partir de certa altura as empresas podem mesmo começar a destruir valor, isto é, a consumir mais recursos do que o valor dos bens e serviços que produzem. Nessa altura o normal é que as empresas saiam do mercado.

Uma melhor alternativa a sair do mercado é ir sempre melhorando a forma como se cria valor. Isso exige que a empresa, em particular a sua liderança de topo, tenha uma visão de futuro e uma estratégia para executar essa visão. Nesta perspectiva, o aproveitamento de regras especiais ou tratamento privilegiado podem dar lucro a uma empresa, mas dificilmente criam valor para a sociedade. É por isso que as alterações fiscais em benefício de uma determinada indústria, região ou classe profissional dificilmente pode criar valor. Quanto mais simples, uniformes e transparentes forem as regras vigentes numa sociedade, mais fácil é para as empresas focarem-se na criação de valor para a sociedade e não na forma como podem dobrar as regras a seu favor.

É a gestão de topo que deve assumir a responsabilidade se os objectivos organizacionais não forem atingidos. Passar a culpa para os colaboradores é indício de incompetência. Quando o líder de uma empresa já não sabe o que fazer para criar valor deve dar lugar a outro. É por isso que hoje a rotação de líderes empresariais é tão elevada. Os accionistas reconhecem rapidamente quando a criatividade e entusiasmo de um líder se esfumou.

Quando olhamos para o universo empresarial português temos de reconhecer que a estabilidade excessiva, quer nas empresas quer nas suas lideranças, sugere que há muitas oportunidades de mudar para melhor a liderança e a estratégia das empresas.

Também o Estado devia tentar perceber como cria valor para os cidadãos. Porém, ao contrário das empresas, em que o lucro é uma medida razoável da criação de valor, o Estado não tem nenhuma medida sintética do valor criado. Certamente que a diferença entre impostos cobrados e despesas efectuadas não reflecte o valor criado pelo Estado. Seria muito útil ao país que alguém percebesse o valor criado pelas despesas do Estado. Infelizmente, muitas despesas são assumidas sem qualquer preocupação com a criação de valor. Esta sim seria uma grande reforma. Passar a justificar a acção do Estado com uma resposta simples à seguinte pergunta: como é que esta medida cria valor para a sociedade portuguesa?

A preocupação com o valor não é uma questão de “economicismo”. É acima de tudo uma visão do mundo que centra a atenção dos líderes no essencial e importante em detrimento do mediático ou acessório."