Metafísica do poder
Retirado de Respublica, JAM
Tentativa de compilação, dentro do espaço académico de língua portuguesa, de todas as informações que, nas Ciências Sociais, contribuam para a edificação do sistema teórico-conceptual da Politologia, como lugar para continuar a pensar e reescrever a Política! Sem mitos xenófobos! Sem reducionismos ideológicos! Oxalá!
Giorgio la Pira refere também "os problemas políticos e sociais ... apresentam‑se colocados sobre dois planos hierarquicamente distintos: um técnico e outro meta‑técnico; um político... e um meta‑político; um físico e outro meta‑físico. Existe uma técnica social e existe, anterior a ela, uma metafísica social: esta última tem como objecto, precisamente, as normas básicas que orientam a discussão e solução técnica dos problemas sociais". Porque "uma Weltanschauung está sempre subentendida em toda e qualquer concepção política integral sob toda e qualquer valoração integral da economia, do direito ou da política acha‑se necessariamente uma certa solução dos problemas de Deus, do homem, do mundo".
Retirado de Respublica, JAMSegundo Hannah Fenichel Pitkin, há em todos os autores uma metapolítica, os pontos de vista mais largos que ultrapassam a ideologia de cada um e se prendem com as concepções do mundo e da vida, com as ideias que cada um tem sobre a sociedade e a natureza do homem. Para o pensamento grego clássico, a política era inseparável da metapolítica: só passou a haver política quando se concebeu uma metapolítica, quando tratou de fazer depender-se a polis de um fim, de uma razão, de uma ideia suprapositiva. Quando a polis deixou de ser apenas ordem e tratou de subir à categoria de governação, onde o reger tende a ser caminhar para um certo fim, tende a ser pilotar, conduzir o navio a um determinado ponto futuro. Mas caminharmos para a metapolítica, não pode fazer esquecer-nos a base do processo, do biológico ao social. Começa-se na metapolítica, mas logo deve refluir-se para o intrapolítico; porque, ao mergulhar no concreto, se regressa ao normativo e ao dever ser. É por causa desta pesquisa sobre a metapolítica que a política acaba por ser gerada. Tal como os factos têm de integrar-se nas ideias, para que as ideias fecundem os factos...
Há uma noção metapolítica de nação, desde os messiânicos aos que, em nome da Providência, fazem depender a nação da mão de Deus.
Retirado de Respublica, JAM"Metapolítica é a ciência da relação do fundamento último da política e as funções nas quais a política deve atuar. Entende-se que o fundamento metapolítico, seja ele a liberdade, a igualdade, a religião ou a raça é mais importante do que o sistema em si e que portanto deve definir e sempre estar acima dos meios políticos específicos."
Retirado da Wikipédia
"Divulgação na mentalidade colectiva e na sociedade civil de valores e ideias (ou de "ideologemas") excluindo qualquer meio ou qualquer finalidade política, assim como a etiquetagem política, mas de acordo com uma visão de Grande Política, ou seja, na demanda de um impacto histórico.
A metapolítica situa-se fora e acima da política polítiqueira, a qual se tornou teatral e já não constitui o lugar da política. A estratégia metapolítica visa difundir uma concepção-do-mundo de modo a que os valores desta última adquiram na história a potência e o poder a longo prazo. Esta estratégia é incompatível com as ambições burguesas de obtenção do poder, "de estar" no poder a curto prazo. Polivalente, a metapolítica deve dirigir-se às instâncias de decisão, aos mediadores, aos difusores de todas as correntes de pensamento, as quais não revela necessariamente o conjunto do seu discurso. A metapolítica expressa igualmente uma sensibilidade como uma doutrina; torna-se cultural ou ideológica segundo as circunstâncias.
Horizontes alargados, flexibilidade, eficácia prática e dureza do "discurso interno" (que se distingue do discurso externo, o qual não trai absolutamente o discurso interno, mas não diz "tudo", adaptando a formulação) são os quatro pilares da estratégia metapolítica."
Retirado de Metapedia
O estrangeiro que, em Atenas, tinha autorização de residência na polis, distinto do cidadão, ou eupátrida, e do escravo. Paga uma taxa especial e é obrigado a cumprir serviço militar, tendo o direito a protecção judicial, mas sem poder ser proprietário fundiário. Entre os metecos, há muitos comerciantes do Pireu e alguns intelectuais, como Aristóteles. Nos finais do século IV começam a receber a plena cidadania. Em 404 a. C. são acusados de ligação aos democratas, são perseguidos pela chamada Oligarquia dos Trinta.Retirado de Respublica, JAM
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Etimologicamente, significa o caminho para. De odos, caminho, a que se juntou o prefixo meta, significando depois. Em termos gerais, o caminho que se deve seguir para alcançar a verdade num domínio científico. Metodologia, é a ciência dos métodos, equivalente à epistemologia.
Método sempre quis dizer caminho, sempre foi um meio, um instrumento para se atingir o fim da verdadeira ciência: a inteligibilidade do real. Logo, se os fins não devem ser postos ao serviço dos meios, talvez o primeiro dos vícios científicos esteja naqueles que acabam por transformá-lo numa ideologia, dando prevalência ao método sobre o objecto. Quando dizemos que no princípio de cada ciência está o método, não podemos esquecer que o logos é anterior e superior ao método, que a ontologia é superior à metodologia, que a verdade, deve, em qualquer caso, prevalecer, como assinala Gadamer. As eternas perguntas sobre o como se caminha para a verdade (know how), essa ilusão teórica do conhecer o conhecimento, podem desviar-nos do próprio objecto que pretendemos analisar e, de tanto pensarmos o pensamento, podemos acabar por nem sequer pensar. Se dermos preponderância à pergunta do como, do knowing how, insistindo nas prescrições metodológicas, podemos desviar-nos das próprias coisas, esquecendo o knowing that, não respondendo à pergunta fundamental sobre o quê. Com efeito, no nosso tempo, as ciências sociais estão cercadas por um excesso de metodologismo, onde abundam as engenharias conceituais com muitos manuais cheios de instruções sobre a descoberta da verdade, que, muitas vezes, têm levado a que se coisifique o pensamento. Ora, a aprtir do momento em que se transforma o próprio pensamento numa simples coisa, está aberta a senda para a objectivização do sujeito e para a subjectivização do objecto.
Método axiomático-dedutivo
O método típico da matemática e da geometria que a partir do cartesianismo entrou em confronto com o método aristotélico. Também dito método racionalista, marcado pelo esprit geométrique. No tocante às ciências sociais, este método tende a hipostasiar o processo analítico que vai dos efeitos para as causas e a transformar as coisas sociais e políticas numa espécie de objecto maquinal. Decompõe os todos nas suas partes componentes; procede a uma análise exaustiva de cada um dos elementos integrantes desse todo; procura as respectivas leis de funcionamento; tende a reconstruir o todo pela soma das respectivas parcelas.
Método sociológico
Segundo Émile Durkheim, são as seguintes les règles de la méthode sociologique: o reconhecimento da existência de factos sociais, como maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo e que são dotadas de um poder de coerção que se lhe impõem; a exigência de considerar os factos sociais como coisas, destacadas dos sujeitos conscientes que os representam e susceptíveis do mesmo tratamento que os factos naturais, nomeadamente no tocante às relações de causalidade; e a necessidade de afastarmos sistematicamente as pré-noções.
Metodologia política
Um quarto campo da actual ciência política tem a ver com as questões metodológicas, desde a análise terminológica dos conceitos, ao problema da própria linguagem. Se, por um lado, importa analisar os métodos qualitativos (ver, sobretudo W. Crotty, Political Science. Looking to the Future [1991]) , também não deve perder-se de vista todo o espaço dos métodos quantitativos.
A descoberta das grandes linhas metodológicas pode referenciar-se, em primeira linha, nos grandes balanços sobre o estado da arte. Assim, depois do relatório da UNESCO, La Science Politique Contemporaine. Contribution à la Recherche, à la Méthode et l’Enseignement, de 1950, há que referir os trabalhos de C. B. MacPherson [1954], William ª Robson [1955], Dwight Waldo [1956], William James MacKenzie [1967, 1970 e 1972], Marcel Prélot [1969] e Paul Ricoeur [1978]. A partir de então, surgiram vários estudos e relatórios sobre as origens, o desenvolvimento e o estado da disciplina.
Na perspectiva anglo-saxónica, refiram-se:
. Stanley H. Hoffmann [Hoffmann, Stanley H., «Tendances de la Science Politique aux États Unis», in Revue Française de Science Politique, pp. 913 segs., Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques/CERI, 1957];
. Bernard Crick [Crick, Bernard, The American Science of Politics. Its Origins and Conditions, Berkeley, University of California Press, 1959. ];
. Albert Somit e Joseph Tanehaus [Somit, Albert, Tanenhaus, Joseph, American Political Science. A Profile of a Discipline, Nova York, Atherton Press, 1964;
. Tanenhaus, Joseph, The Development of American Political Science, Boston, Allyn & Beacon, 1967. ];
. David B. Truman [1965], Karl Deutsch [1966], M. D. Irish [1968], Preston King [1975], Ada Finifter [1983 e 1993], D. M. Ricci [1984], David Easton [1985] e Gabriel Almond [1990].
Em França, são de assinalar os de Georges Lavau [1956 e 1969], Marcel Prélot [1956-1957], François-Michel Bourricaud [1958], Jean Myriat [1960], Maurice Duverger [1965], Jean Leca [1982] e Pierre Favre [1982].
No tocante a outros países, mencionam-se Norberto Bobbio [1969] e Kastendiek [1987].
Mesmo quanto a Portugal, são marcantes os contributos de Maria José Stock [1984], Manuel Braga da Cruz e Manuel de Lucena [1985], Marcelo Rebelo de Sousa [1989], Nuno Rogeiro [1993], a que se soma o nosso relatório de concurso para professor associado de 1993, publicado em 1994, com o título Sobre a Ciência Política.
Nos ensaios sobre introdução à política, podemos também perspectivar as principais opções nesse domínio. E, aqui, refiram-se Anderson, Rodde e Christo [1957], Meynaud [1959], Duverger [1964], Jean-Yves Calvez [1967], Guild e Palmer [1968], Abendroth e Lenk [1968], Jean-Pierre Lassalle [1969], Mitchell [1969], Abcarian e Masannat [1970], Haas e Kariel [1970], Althoff e Rush [1971], Raymond Polin [1971], º H. Ibele [1971], Chemillier-Gendreau e C. Courvoisier [1971], David Everson e Popard Paine [1973], Bernstein e Deyer [1979], Leon Hurwitz [1979], Debbasch e Pontier [1982], Patrick de Loubier [1983], Philippe Braud [1984], John Schrems [1986], García Cotarello e Paniagua Soto [1987], Philippe Bénéton [1987], Alan Isaak [1987], Martin Marger [1987], Harmon Zeigler [1990], Jean-Luc Chabot [1991], James Danzinger [1991], Winter e Bellows [1992], Kay Lawson [1993], Gamble, Redenius e Weber [1992, 2ª ed. ], Breslin, Hague e Harrop [1992], Jean Baudouin [1992], Ponton e Gill [1993], Leslie Lipson [1993, 9ª ed. ], Ethridge e Handelman [1994], Howlett e Laycock [1994], Vernon Van Dike [1995], Robert Heneman [1995], Kenneth Minogue [1995], Richard Cole [1995], Dominique Chagnollaud [1996].
Não faltam sequer, em português, as tentativas de Fernando Luso Soares [1975], Francisco Lucas Pires [1978], Marques Bessa e Nogueira Pinto [1978], e Vitalino Canas [1992].
A literatura sobre a metodologia na ciência política abunda, com destaque para Burdeau [1959], Duverger [1959], Grawitz [1964], Meehan [1965], Crotty [1968, 1969 e 1991], Isaak [1969], Etzioni [1970], Holt e Turner [1970], Landau [1972], Mayer [1972], Garson [1976], Giddens [1976], Smelser [1976], Feyerabend [1979], Bernstein e Deyer [1979], Ragin [1987], Jones [1995], Marsh [1995], Olson [1995] e Stoker [1995].
Metodologismo.
O exagero de teorias sobre o método, resultantes da intersecção do cientismo positivista com o hegelianismo que levam à predominância do know how sobre o know that. O método, a procura do conhecer o conhecimento, transforma-se numa ideologia, como acontece com o estruturalismo sistemista e em muitos devaneios do neo-marxismo. Dá-se assim a prevalência do método sobre o objecto e este modelo de pensamento transformou-se na medida de todas as coisas...
Métodos quantitativos
Sobre os métodos quantitativos nos domínios da ciência política, importa consultar Champney [1995]. Sobre a metodologia em geral, também neste domínio, são já clássicas as obras de Crotty [1969], Isaak [1969], Holt e Turner [1970], Landau [1972] e Mayer [1972].
Metodenstreit
O mesmo que conflito sobre o método. Polémica desencadeada a partir de 1880, quando os teóricos neokantianos consideraram que a vida humana era insusceptível de explicação causal, passando a defender-se a compreensão como o processo típico das ciências humanas, das Geisteswissenschaften, que não deveriam seguir os modelos analíticos das ciências da natureza, conformem defendiam positivistas. O positivismo lógico do Círculo de Viena voltou a defender a mesma unidade metodológica de todas as ciências.
Retirado de Respublica, JAM
Alemão, bávaro. Doutor em filosofia e teologia. Professor de teologia em Münster. Um dos inspiradores da teologia da libertação. Considera que a dinâmica essencial da História é a memória do sofrimento, como consciência negativa de liberdade futura e como estimulante para agir, no horizonte desta liberdade, de modo a superar o sofrimento. Uma memória do sofrimento que força a olhar para o “theatrum mundi” não só a partir do ponto de vista dos bem-sucedidos e arrivistas mas também do ponto de vista dos vencidos e das vítimas. Defende uma nova relação entre a política e a moral, uma espécie de moralização da política, considerada o novo nome para a cultura· A Fé em História e Sociedade. Estudos para uma teologia fundamental prática, [ed. orig. 1977] trad. port., São Paulo, Edições Paulinas, 1981.
· Antropocentrismo Cristiano, Salamanca, Ediciones Sígueme, 1972.
· Teología del Mundo, Salamanca, Ediciones Sígueme, 1970.
Jesuíta. Defensor do direito natural cristão, autor de umas Institutiones iuris naturalis (1885‑1890). Considera que o direito é a ciência da rectidão moral de acordo com os princípios racionais. Critica o estatismo jurídico, quando referindo‑se à Staateswissenschaft da respectiva época, observa que "nos tratados recentes de direito público, prevaleceu o costume de animosamente distinguir 'Estado público' e 'sociedade' e alguns vangloriam‑se desta invenção como de um grande progresso da ciência", confundindo “Staat com Staatsgewalt (...) Ouvindo‑os direis que o Estado com os seus órgãos é uma instituição completa e materialmente distinta do corpo social, como uma couraça férrea e frígida que lhe fosse eternamente sobreposta". Observa também que "o povo tira a designação da unidade política e a nação da unidade fisiológica. Assim, um povo pode ser composto de diversas nações ou raças".
Filósofo polaco fixado em França desde 1882. Violento crítico do positivismo. Salienta que a lei é uma construção ideal que exprime, não o que se passa na realidade, mas o que ocorreria, verificadas certas condições.·Identité et Realité, 1907
·De l'Explications dans les Sciences, 1921.
·La Déduction Relativiste, 1925.
·Le Cheminement de la Pensée, 1931.
·Les Groupes de Pression en France, Paris, Librairie Armand Colin, 1958.
·Introduction à la Science Politique, Paris, Librairie Armand Colin, 1959.
·La Science Politique. Fondements et Perspectives, Lausanne, edição do autor, 1960.
La Science Politique en France (1945-1958). Bibliographie Commentée, Paris, Presses de la Fondation Nationale des Sciences Politiques, 1960.
Sociólogo norte-americano. Doutorado em Harvard em 1936. Professor em New Orleans (1939-1941) e na Columbia University, desde 1941, onde trabalha com Lipset e Lazarsfeld. Inspirador do estrutural-funcionalismo e da escola funcionalista de ciência política. Considera a função como as consequencias objectivas de processos sociais que contribuem para a adaptação ou para o ajustamento de um determinado sistema. Neste sentido, liberta-se da tradição antropológica do funcionalismo e de certos sociólogos, considerando que a função como uma relação não necessária e empiricamente constatável, ligando dois elementostipificáveis, de forma independente face à totalidade a que os mesmos pertencem. Neste sentido, corrige o excessivo funcionalismo pelo estruturalismo. É o criador dos conceitos de equivalente funcional ou de substituto funcional, isto é, a ideia de que, tal como um só elemento, ou uma só estrutura, pode ter várias funções, — a chamada multifuncionalidade das estruturas —, também uma só função pode ser exercida por elementos ou por estruturas diversas que, entre si, podem substituir-se. Considera também que existe, além disso, a possibilidade de uma disfunção, se as funções já não contribuírem para a adaptação ou para um ajustamento de um sistema. Cabe-lhe também a distinção entre as funções manifestas e as funções latentes, isto é, as funções inconscientes.
Doutorado na Columbia University em 1900, principia a sua carreira como professor de história das doutrinas políticas. Em 1923 cria, na APSA, um Committee on Political Research que, para além de desenvolver os esquemas do psicologismo e do behaviorismo nos domínios da ciência política, vai dedicar-se à unificação das ciências sociais, para o que recebe fortes apoios da Fundação Rockefeller. A partir de New Aspect of Politics, de 1925, obra que inaugura a chamada Escola de Chicago, onde se aplicarão os modelos do psicologismo e do behaviorismo aos domínios da ciência política, a qual é entendida como simples ciência social que tem como fenómeno central o poder. As propostas de Merriam já constavam do manifesto The Present State of the Study of Politics, de 1921, onde propunha duas bases para renovação dos estudos politológicos: por um lado, a exploração das bases psicológicas e sociológicas do comportamento político; por outro, a introdução dos métodos quantitativos na análise política. Outras das suas obras fundamentais são Political Power, de 1934, e Systematic Politics, de 1945.
Formado pela École Normale Supérieure. Professor de liceu, passa a leccional na universidade de Lyon, de 1945 a 1948, e depois ma Sorbonne, de 1949 a 1952, e no Collège de France, de 1952 a 1961. Começa por adoptar aquilo que designou por marxismo fenomenológico. Nesta fase, funda com Sartre em 1944 a revista Les Temps Modernes. Abandona o comunismo nos anos cinquenta, procurando aquilo que qualifica como a terceira via, a que, então, chama novo liberalismo, chegando a apoiar o governo socialista de Mendès-France. Conhecer
Salienta que conhecer passa pela compreensão, pela significação e pela estrutura. Conhecer é "apreender um dado numa certa função, numa certa relação enquanto me dá o significado ou me apresenta esta ou aquela estrutura ".
Estrutura
Por seu lado, a estrutura é "um conjunto que tem um sentido e que oferece então à análise intelectual um ponto de apoio. Mas, ao mesmo tempo, não é uma ideia‑constitui‑se, altera‑se ou reorganiza‑se diante de nós como espectáculo".
Cultura e política
Seguindo o relativismo cultural proposto por Husserl, considera que "há um centro na história, que é a acção política, e uma periferia, que é a cultura". Mas tal como não há uma "política puramente filosófica", também não existe política que não traduza "uma filosofia do homem e da vida". Neste sentido, considera que se devem ultrapassar as antinomias filosóficas tradicionais: do interior/exterior; da verdade/erro; do eu/outro; da liberdade/necessidade; do sujeito/objecto; uma ambiguidade que, contudo, não considerada imperfeição. Assim, rejeita tanto o dogmatismo de um idealismo subjectivista, como as certezas dogmáticas de um realismo objectivista. A política da ambiguidade responderia assim a uma valência do mundo humano.
· La Structure du Comportement, 1942.
· Phénoménologie de la Perception, 1945.
· Humanisme et Terreur. Essai sur le Problème Communiste, Paris, Éditions Gallimard, 1947.
· Les Aventures de la Dialectique, Paris, Éditions Gallimard, 1955.
· Sens et Non-Sens, Paris, Nagel, 1966.
· Signes, Paris, Gallimard, 1960.
. Elogio da Filosofia, Trad. Port., Lisboa, Guimarães, 1993.
Retirado de Respublica, JAM
Foto picada de uri
Politólogo francês, especialista em relações internacionais. Criador da chamada sociologia das relações internacionais.
· «Sociologie Politique et Droit Constitutionnel», In Archives de Philosophie du Droit, vol. XIV, pp. 227 segs., Paris, 1969.
· La Vie Internationale, Paris, Librairie Armand Colin, 1970.
· Sociologie des Relations Internationales, 4ª ed., Paris, Éditions Dalloz, 1988.
Termo cunhado por Michael Yong em 1958 na obra The Rise of Meritocracy, querendo significar o governo daqueles que têm mérito. Uma sociedade onde o poder é exercido pelos melhores, por aqueles que têm mais talento ou melhor preparação e que o obtêm pela competição e pela selecção, não pela herança ou pela pertença a uma determinada classe, mas antes como consequência do princípio da igualdade de oportunidades.
Retirado de Respublica, JAM
Meritocracia (do latim mereo, merecer, obter) é a forma de governo baseado no mérito. As posições hierárquicas são conquistadas, em tese, com base no merecimento, e há uma predominância de valores associados à educação e à competência.
A meritocracia está associada, por exemplo, ao estado burocrático, sendo a forma pela qual os funcionários estatais são selecionados para seus postos de acordo com sua capacidade (através de concursos, por exemplo). Ou ainda – associação mais comum – aos exames de ingresso ou avaliação nas escolas, nos quais não há discriminação entre os alunos quanto ao conteúdo das perguntas ou temas propostos. Assim meritocracia também indica posições ou colocações conseguidas por mérito pessoal.
Embora a maioria dos governos seja em parte baseada na meritocracia, ela não se expressa de forma pura em nenhum lugar. Governos como de Singapura e da Finlândia utilizam padrões meritocráticos para a escolha de autoridades, mas misturados a outros. O modelo mais próximo de uma meritocracia talvez seja a hierarquia militar, na qual os postos são em teoria obtidos por adequação aos valores de bravura, coragem e sagacidade.
O principal argumento em favor da meritocracia é que ela proporciona maior justiça do que outros sistemas hierárquicos, uma vez que as distinções não se dão por sexo ou raça, nem por riqueza ou posição social, entre outros fatores biológicos ou culturais. Ainda existem classes sociais, e os defensores da meritocracia não pretendem acabar com elas; mas há um critério mais justo para a distribuição dos estamentos sociais.
Conforme o sufixo "cracia" indica, meritocracia é, estritamente falando, um sistema de governo baseado na habilidade (mérito) em vez de riqueza ou posição social. Neste contexto, "mérito" significa basicamente inteligência mais esforço. Entretanto a palavra "meritocracia" é agora freqüentemente usada para descrever um tipo de sociedade onde riqueza, renda, e classe social são designados por competição, assumindo-se que os vencedores, de fato, merecem tais vantagens. Conseqüentemente, a palavra adquiriu uma conotação de "Darwinismo Social", e é usada para descrever sociedades agressivamente competitivas, com grandes diferenças de renda e riqueza, contrastadas com sociedades igualitárias.
Governos e organismos meritocráticos enfatizam talento, educação formal e competência, em lugar de diferenças existentes, tais como classe social, etnia, ou sexo. Na prática, pesquisas sobre mobilidade social indicam que todos esses critérios supostamente neutros favorecem os filhos daqueles que já são privilegiados de algum modo.
Em uma democracia representativa, onde o poder está, teoricamente, nas mãos dos representantes eleitos, elementos meritocráticos incluem o uso de consultorias especializadas para ajudar na formulação de políticas, e um serviço civil, meritocrático, para implementá-los. O problema perene na defesa da meritocracia é definir, exatamente, o que cada um entende por "mérito".
Os primeiros indícios de semelhante mecanismo remonta à Antiguidade, na China. Confúcio e Han Fei são dois pensadores que propuseram um sistema próximo ao meritocrático. Também podem ser citados Gengis Khan e Napoleão Bonaparte, cada qual utilizou no exército e na vida política de seus estados elementos da meritocracia.
Transferido para a Faculdade de Direito de Lisboa no ano lectivo de 1924-1925. Autor de uma das mais veementes críticas ao positivismo no plano jurídico, quando jovem estudante de direito, logo em 1910, numa conferência intitulada Idealismo e Direito, apenas publicada em 1913, que aparece como reacção contra o discurso positivista de Manuel de Arriaga, no acto da sua tomada de posse como reitor da Universidade de Coimbra. Aí Merêa vem proclamar a necessidade de uma filosofia crítica, anti-intelectualista, pluralista e emeinentemente humana. Faz a revisão linguística e gramatical do Código Civil de 1966. Analisando a neo-escolástica peninsular fala no respectivo "carácter democrático", que resulta de "um substracto psicológico das nações ibéricas, um fundo latente mas perenemente vigoroso, cujas energias estão sempre prontas a reagir, ainda mesmo nas épocas que se caracterizam exteriormente por uma atitude apática de submissão". Salienta também que o desenvolvimento desta segunda escolástica peninsular aconteceu quando "na Inglaterra , onde um absolutismo sememlhante ao dos Filipes originava uma semelhante ausência de lutas intestinas , se desenvolveu espontaneamente a teoria do direito divino dos reis". Observa também que naquela época, "era aos reis e não aos papas que convinha defender a teoria do direito divino da realeza".
Cardeal Desiré-Joseph Mercier. Neotomista, fundador do Instituto Superior de Filosofia da Universidade de Lovaina. Organizador das chamadas semanas sociais. Funda a Union Internationale d'Études Sociales e coordena a edição do Côde de Malines, de 1927. Estuda em Lovaina. Director do seminário de Malines. Arcebispo de Malines em 1906, feito cardeal em 1907. Entre 1921 e 1926 tenta a unificação de católicos e anglicanos.
·Métaphysique Générale
Lovaina, 1919.
·Psychologie
Lovaina, 1919.
Do latim mercenarius, mercenário, o que recebia merces, salário. Aquele que combate por dinheiro e não por razões políticas. Aplica-se em geral aos soldados. Antes dos nacionalismos revolucionários, quando ainda não eram dominantes as guerras nacionais, os modelos de exércitos iluministas eram acima de tudo exércitos profissionais, próximos dos conceitos de mercenarismo.
Retirado de Respublica, JAM
O mercantilismo que teve em Colbert (1619-1683) o seu epígono e no reinado francês de Luís XIV, o laboratório modelo, tem origem em Jean Bodin, o teórico do soberanismo, sendo particularmente sugerido por Antoine Montchrétien (1575-1621), o inventor da expressão economia política. Esta visão de enriquecimento do Estado foi também defendida por Juan Mariana. Na Inglaterra, a política do Navigation Act de Cromwell foi marcada por idêntica perspectiva, bem como as teses do banqueiro escocês John Law, no século XVIII. O mercantilismo que comeou por ser meramente metalista, pela criação de um grande stock de moeda na posse do Estado, depressa evoluiu para uma faceta industrialista, à maneira de Colbert, ou comercialista, à maneira britânica
Mercantilismo (Colbert)
Colbert tem, aliás, um projecto simples, transformar a França em uma fábrica e um Estado. Alguns chegam a qualificar o modelo como uma espécie de socialismo monárquico. Nele se aliam estatismo, capitalismo e individualismo, contra o anterior modelo de monarquia limitada pelas ordens e de economia comunitária. Teve particulares consequências na política internacional, quando se aplicou o modelo do individualismo possessivo às relações entre os Estados. Conforme a definição de Colbert, o comércio passa a ser entendido como uma guerra entre moedas, uma guerra perpétua e pacífica de espírito e de indústria entre todas as nações. Porque uma nação só se enriqueceria arruinando as outras nações, assegurando uma mais valia das exportações sobre as importações.
Mercantilismo em Portugal
O modelo foi logo seguido em Portugal por Duarte Ribeiro Macedo, pelo conde da Ericeira, D. Luís de Meneses (1632-1690), por D. Alexandre de Gusmão (1695-1753), e por D. Luís da Cunha.
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Do latim mercari, comerciar, comprar para vender, e de merx, mercadoria, donde vem mercatu, o comprado. Forma do verbo mercare, comprar para vender. Por evolução semântica, eis que da ideia daquilo que é comprado, passou-se para o lugar público onde se vendem mercadorias.
Conjunto ordenado de signos extraídos de um repertório aceite para transmitir informação, segundo a definição de C. Cherry. Abrange um conjunto de objectos comunicáveis. Segundo MacLuhan, o medium é ele próprio a mensagem.
Retirado de Respublica, JAM
Os críticos do Estado Providência de cariz neoliberal ou social-democrata antiplaneamentista começaram a falar nos anos oitenta em menos Estado, mais sociedade, propondo crescentes privatizações e desregulamentações, no âmbito da proclamada libertação da sociedade civil. Com efeito, passou a reconhecer-se que o novo modelo de Estado sofria de raquitismo. Que criou estruturas adiposas de gordura sem adequado músculo e calcificada ossatura, o que teria posto em causa as articulações e a própria estrutura óssea do corpo social. Contudo, ao mesmo tempo que se falava em menos Estado relativamente aos intervencionismos anteriores, eis que logo se clamava por um melhor Estado, isto é, por uma nova intervenção da esfera pública em domínios como os da qualidade de vida, do ambiente, do regionalismo e da descentralização visando responder às novas questões sociais.
Publicado por Zé Rodrigo às 6:19:00 da tarde
Categorias temáticas: Para uma História das Ideias Políticas (de A a Z)
Fundador da chamada Escola Psicológica de Viena, defensora do individualismo metodológico. Desencadeia a chamada Methodenstreit, ou discussão sobre o método, criticando as teses económicas da escola histórica alemã subscritas por Schmoller.Bispo cortesão, à maneira de Richelieu e de Mazarino. Doutor em cânones. Deputado do Santo Ofício desde 1626, quando velasco Gouveia é preso. Conselheiro de Filipe IV, passa-se para D. João IV, depois de 1640. Secretário do Estado da Nobreza nas Cortes de 1641, sendo autor do assento da aclamação de D. João IV. Bispo do Porto, Coimbra e Braga depois de 1640. Escreve Suma Política, editada em Lisboa no ano de 1649 e em Amsterdão no ano seguinte. Preso de 1654 a 1656, acusado de ligações a Espanha. Com a regência de D. Luiza de Gusmão é reabilitado, chegando a ser nomeado embaixador em França. Apoia D. Afonso VI no golpe contra a regente. Depois, apoia o Conde de Castelo Melhor no golpe contra o conde da Atouguia. Em 1663 é nomeado inquisidor geral. Contudo, nesse ano, quando Évora chega a ser ocupada pelos espanhóis, vê a casa assaltada e é condenado ao desterro interno. Em 1669, depois do reatamento de relações com Roma, é esbulahdo de todos os cargos eclesiásticos que detinha. Considera que o Rei, e o Reino, formam um corpo político entre si; ambos vivem com o mesmo espírito, se não por união, ao menos por recíproca dependência. Assim, o estado bem fundado na disciplina militar, resiste facilmente às próprias rebeliões, com dificuldade se deixa vencer das armas estranhas, e com algum cuidado pode estender seus limites. Neste sentido, salienta que a prudência é seguir os costumes dos maiores que o tempo e experiência tem qualificado e que o vassalo cumpre com sua obrigação sendo bom, mas o Principe deve sê‑lo e parecê‑lo. A razão é a "alma da política" e "a Razão de Estado é uma arte". Ora, "quando cada um se governa a si mesmo, se dá a Ética; quando a família, a Económica; quando República ou Reino, a Política. As duas primeiras, se ocupam em coisas particulares, e domésticas; a terceira nas coisas públicas, e comuns. Porém, todas se respeitam, e unem com o mesmo vínculo; o homem se ordena para a família; a família consta de muitos homens; a República de muitas famílias. Subordinam‑se entre si estas artes, de modo que a ética se requere para a económica, a Económica para a Política". Deste modo, "a República é um corpo e congregação de muitas famílias sujeitas ao justo governo de uma cabeça soberana". Enquanto isto, a pátria é do corpo, a alma só tem por pátria o Céu, porém enquanto anima o corpo, é cidadão do mundo todo:porque aonde ama, aí vive como em pátria".
· Summa Política, oferecida ao Príncipe D. Teodósio de Portugal, Lisboa, 1649. 2ª ed. em latim, 1645; cfr. ed. port., Lisboa, Edições Gama, 1945, com estudo de Rodrigues Cavalheiro.
►Albuquerque, Martim, «Para uma Teoria Política do Barroco em Portugal. A “Summa Politica” de Sebastião César de Meneses», Porto, separata da Revista de História, 1979. } Torgal, Luís Reis, Ideologia Política e Teoria do Estado na Restauração, Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade, 1982, tomo II, pp. 264 segs..
Publicado por Zé Rodrigo às 6:15:00 da tarde
Categorias temáticas: Biografias de Portugueses, História Política Portuguesa
Estava exilado em Londres desde 1819, por ter estado envolvido num processo de restauração da Constituição de Cádis. Chefe do governo espanhol isabelino, a partir de 14 de Setembro de 1835, durante oito meses. Responsável pelo decreto de 11 de Outubro de 1835 que suprimiu as comunidades religiosas, para permitir a venda dos conventos e conseguir fundos para os recursos de guerra contra os carlistas. Havia sido, a partir de Londres, o principal angariador de empréstimos para a expedição do nosso D. Pedro IV. Era um grande amigo de Silva Carvalho.
Monge austríaco que em 1865, depois de experiências com ervilhas na sua horta, descobre as leis da hereditariedade, ao considerar que as características que passam das plantas para os seus rebentos são matematicamente previsíveis. A tese então publicada (Experiências na Hibridização das Plantas), surgiu antes do tempo, não foi aceite e o seu próprio autor até desistiu das pesquisas logo em 1868. Vem a ser redescoberta em 1900 e hoje constitui a base da chamada revolução verde.(do russo mencheviki, minoria). Corrente minoritária surgida em 1906 no seio do partido operário social-democrata da Rússia, em oposição dos bolcheviques, ou maioritários. Foi líder dos mencheviques G. Plekhanov (1856-1918).
Retirado de Respublica, JAM
Publicado por Zé Rodrigo às 6:12:00 da tarde
Categorias temáticas: Para uma História das Ideias Políticas (de A a Z)
Publicado por Zé Rodrigo às 6:11:00 da tarde
Categorias temáticas: Biografias, Pensamento jurídico-político
Segundo os teólogos da libertação, a força da libertação provém da memória do sofrimento, tal como colonizar é proibir recordações, evitar a memória e, consequentemente, impedir a identidade e a autonomia do colonizado. *Metz considera que a dinâmica essencial da História é a memória do sofrimento, como consciência negativa de liberdade futura e como estimulante para agir, no horizonte desta liberdade, de modo a superar o sofrimento. Uma memória do sofrimento que força a olhar para o “theatrum mundi” não só a partir do ponto de vista dos bem-sucedidos e arrivistas mas também do ponto de vista dos vencidos e das vítimas.
Retirado de Respublica, JAM
Obra de Saint-Simon, de 1813. Aí se estabelece aquilo que Comte vai transformar em lei dos três estados, dado que pretende descobrir a lei segundo a qual há uma lei da civilização que comanda a passagem do sistema feudal e teológico ao sistem industrial e científico, com o abandono do sistema de transição dominado pelos legistas e metafísicos.
Retirado de Respublica, JAM
(Klaipeda) Região actualmente lituana que a Alemanha foi obrigada a ceder em 1919; era maioritariamente alemã, sendo recuparada por Hitler em 1939.
Advogado e poeta. Folclorista. Assume-se como monárquico.
Retirado de Respublica, JAM
"Pedro da Cunha Pimentel Homem de Mello (Porto, 6 de Setembro de 1904 - Porto, 5 de Março de 1984). Poeta, professor e folclorista.
Nasceu no Porto, em 1904, no seio de uma família fidalga, filho de António Homem de Mello e de Maria do Pilar da Cunha Pimentel, tendo desde cedo sido imbuído de ideais monárquicos, católicos e conservadores. Foi sempre um sincero amigo do povo e a sua poesia é disso reflexo. O seu pai, pertenceu ao círculo íntimo do poeta António Nobre.
Estudou Direito em Coimbra, acabando por se licenciar em Lisboa, em 1926. Exerceu a advocacia, foi subdelegado do Procurador da República e, posteriormente, professor de português em escolas técnicas do Porto (Mouzinho da Silveira e Infante D. Henrique), tendo sido director da Mousinho da Silveira. Membro dos Júris dos prémios do secretariado da propaganda nacional. Foi um entusiástico estudioso e divulgador do folclore português, criador e patrocinador de diversos ranchos folclóricos minhotos, tendo sido, durante os anos 60 e 70, autor e apresentador de um popular programa na RTP sobre essa temática. Pedro Homem de Mello casou com D. Maria Helena Pamplona e teve dois filhos, Maria Benedicta, que faleceu ainda criança e Salvador Homem de Mello, que faleceu sem deixar desccendência poucos anos após o seu pai.
Foi um dos colaboradores do movimento da revista Presença. Apesar de gabada por numerosos críticos, a sua vastíssima obra poética, eivada de um lirismo puro e pagão (claramente influenciada por António Botto e Federico García Lorca), está injustamente votada ao esquecimento. Entre os seus poemas mais famosos destacam-se Povo que Lavas no Rio (imortalizado por Amália Rodrigues), Havemos de Ir a Viana e O Rapaz da Camisola Verde.
Afife (Viana do Castelo) foi a terra da sua adopção. Ali viveu durante anos num local paradisíaco, no Convento de Cabanas, junto ao rio com o mesmo nome, onde escreveu parte da sua obra, "cantando" os costumes e as tradições de Afife e da Serra de Arga.
Um dos principais teóricos do absolutismo pombalista, defendendo aquilo que designa por monarquia pura e considerando como um sonho todos os chamados privilégios da nação e salientando que o chamado pacto social é um ente suposto que só existe na imaginação alambicada de alguns filósofos. Para ele, os nossos Principes não devem a sua autoridade ao povo, nem dele receberam o grande poder que hoje e sempre exercitaram. Neste sentido, considera que o poder do rei tem de ser ilimitado: em Portugal não há lei alguma ...que limite o poder do Rei e que dê parte no seu governo por alguma maneira ao povo,nobres ou ecclesiásticos...a majestade só reide na pessoa do Rei,como é da natureza do principado. Até porque o reino de Portugal, como não veio ao Rei, por doação ou translacção dos povos, mas pelo direito do sangue e da conquista, ficou desde sempre pertencendo ao seu livre império e administração. Salienta que D. João IV adquiriu assim por sufrágio popular, não o poder que já lhe pertencia, mas a sua posse, não a soberania que já ostentava, mas o seu exercício. Refere mesmo que constitui uma inépcia extraída da infame e funestíssima seita dos monarcómanos aquilo do intróito e proémio das referidas Cortes que se lê no opúculo de Francisco Velasco...que o povo pode eleger e depôr o rei, que o poder do rei parte do povo, e que este algumas vezes pode, se as circunstâncias o impuserem, assumir e reinvidicar para si a soberania que a princípio conferiu ao rei.
Depois de concluir o curso naval, serve no Real Corpo de Engenharia. Maçon, do mesmo grupo que Rodrigo da Fonseca, a loja Segredo, do Oriente Escocês, entre 1840-1841 e 1850. Secretário do governador de Cabo Verde, João Fontes Pereira de Melo, seu pai em 1840. Ajudante de campo de Saldanha na Maria da Fonte. Chefe dos regeneradores. Governador da Companhia Geral do Crédito Predial Português desde 1881. Morre em 27 de Janeiro de 1887. Aquele que até 1871 era depreciativamente considerado como o fontículo, consegue, pelo equilíbrio e pelo pragmatismo, captar uma ampla base social e política de apoio, com breves referências doutrinárias. Dizia-se liberal e conservador, mas desdenhava a restauração, apesar de herdar alguma coisa do estilo de Costa Cabral e de praticar muita da matreirice de Rodrigo da Fonseca. Se consegue mobilizar avilistas e constituintes, provoca também que os reformistas e os históricos se congreguem numa oposição progressistas que assume a bandeira da memória liberal, gerada pelo setembrismo e pela patuleia. E permite que muitas ideias novas se grupusculizem, desde os novos católicos do grupo A Palavra, aos socialistas e republicanos. O vulcão das novas ideias políticas europeias, perante a estabilidade governativa portuguesa consegue aqui entrar pelo puro prazer das ideias pensadas, gerando-se movimentos que nascem dos princípios e das abstracções e que têm tempo de adequação às circunstâncias. Com este governo, inicia-se um ciclo de estabilidade política. Se o primeiro governo de Fontes dura cerca de cinco anos e meio (1871-1876), não tarda um segundo governo do mesmo político, com cerca de dezasseis meses (1878-1879), depois de um breve intervalo de um governo de Ávila, com cerca de onze meses (1878). Entre os ministros de Fontes desses dois governos, destacam-se Rodrigues Sampaio, na pasta do reino, Andrade Corvo, nos estrangeiros e António Serpa, que substitui Fontes na pasta da fazenda, a partir de Agosto de 1872. São eles os três principais líderes dos regeneradores que, a partir de então, passam a identificar-se com o fontismo. Não tardará um novo ciclo de governação fontista entre 1881 e 1886.