sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Neves, José Acúrsio das (1766-1834)

Formado em leis, foi juiz em Angra até 1807. Membro da Junta do Comércio desde 1810, será saneado pelo vintismo. Procurador às cortes de 1828, será destacada figura do miguelismo. Morto em 6 de Maio de 1834.

Contra-Revolução consensualista,131,907 Se uma certa costela vintista procura retomar o consensualismo pré‑absolutista, o facto é que entre os adversários do liberalismo também se encontram desenvolvimentos provindos da mesma raiz doutrinária. É o caso do miguelista José Acúrsio das Neves. Ele revolta‑se contra os vintistas porque "em lugar de seguirem o caminho trilhado pela experiência, tomaram pelos espaços aéreos da abstracção, para subverterem tudo com as suas vãs teorias, e tão vãs, que fazem lembrar os engenhosos pensamentos do autor da história de Gulliver sobre o governo da Lapúcia". Para ele "todos falam em pátria; porém, uns para a salvarem, como Catão; outros para lhe lançarem novos ferros, como César, quando passava o Rubicão, dizendo que ia vingá‑la, ou como Sylla, e os triúnviros quando em nome dela proscreviam os cidadãos mais respeitáveis da República".



Preocupa‑se, contudo, com o facto do poder tender para o despotismo: "os governantes tendem sempre a aumentar, concentrar o seu poder; e daqui vem que o Governo democrático propende para o aristocrático, o aristocrático para o oligárquico, este para o monárquico, e finalmente para o despótico". Refere em seguida o despotismo como "o governo que para se manter, for obrigado a substituir a força física à força moral, onde o amor dos povos...não for o laço de união entre os governantes e os governados". E isto porque "segundo os publicistas é aquela monstruosa espécie de Governo, onde um só, sem lei e sem regra, move tudo pela sua vontade... é todo aquele que não reconhece outro princípio senão a vontade de quem governa, ou seja um só, ou sejam muitos, porque o distintivo consiste na natureza do mesmo Governo, e não no número das pessoas que o exercitam". No despotismo "tudo se prostitui a quem governa; não há emulação" e "não se querem para os empregos senão homens servis e aduladores".



Considera que a política tem de ser limitada pela moral: "que é a política, quando não tem por fundamento a ciência dos costumes? Porque os legisladores, e principalmente os modernos têm separado uma da outra, é que os povos são agitados pelas comoções mais violentas". Acontece também, por via disso, que "a razão anda sempre em guerra com a opinião, e em seus combates ... é sempre condenada à morte". O problema está em que "o triunfo das ideias falsas, e por consequência o das falsas opiniões públicas, não tem mais duração que a do engano ou da vilência que as sustenta".



Retirado de (ver também bibliografia em) Respublica, JAM

Neuman, Sigmund (1904-1962)

Politólogo norte-americano. Em 1942 faz uma das primeiras análises da política de massas do nazismo, considerando que este em vez de nascer da atomização dos indivíduos, produziu esta ao destruir deliberadamente os grupos da República de Weimar.

· Permanent Revolution, Nova Iorque, 1942.

· Modern Political Parties. Approaches to Comparative Politics, Chicago, The University of Chicago Press, 1955 (ed.) [trad. cast. Partidos Políticos Modernos, Madrid, Editorial Tecnos, 1965].

Retirado de Respublica, JAM

Neto, João Baptista Pereira

Professor do ISCSP e Reitor da Universidade Internacional. Licenciado em 1960, doutorado em 1964, Professor Catedrático desde 1970.

· Angola: Meio Século de Integração, (dissertação de doutoramento), Lisboa, ISCSPU, 1964.

· Geopolítica Tropica, Lisboa, ISCSPU, 1965.

· «Evolução e Tendências Recentes das Hipóteses Geopolíticas», In Estudos Políticos e Sociais, vol. VI, n.º 1, pp. ...*, Lisboa, ISCSPU, 1968.

Retirado de Respublica, JAM

Neto, António Lino n. 1873

Advogado e professor de economia do Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Passa depois a professor de direito industrial no Instituto Superior Técnico. Vice-reitor da Universidade Técnica entre 1938 e 1942.
Fundador e dirigente do Centro Católico Português, eleito em 1919. Director do jornal católico A União, orgão do CCP, desde 19 de Janeiro de 1920, assumindo uma postura centrista, contra a ala monárquica dos católicos, expressa pelo jornal A Época, dirigida por Fernando Sousa (Nemo). Do seu grupo, apoiado pela Igreja oficial e pelo próprio Papa, faz parte António de Oliveira Salazar.
Em Maio de 1920 escreve que a Igreja é a mais bela democracia que tem visto o mundo e a primeira democracia de todos os tempos. Nemo contesta, baseando-se em Charles Maurras. Também Pequito Rebelo em A Monarquia havia criticado o presidente do Centro Católico Português, em Março desse ano. Em Dezembro de 1922 António Maria da Silva elogia António Lino Neto.
Em 21 de Outubro de 1923, declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime. Em 24 de Novembro seguinte, toma posição sobre o governo nacionalista de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha. Em Janeiro de 1924 considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de “golpe de Estado”, venha dos governados com o nome de “jornada gloriosa”.
Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever.
Em Abril de 1924 profere conferência no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo. Ainda reúne a direcção do Centro Católico em 17 de Dezembro de 1931, quando esta organização decide não enfrentar a União Nacional.


Retirado de Respublica, JAM

Neto, António Agostinho (1922-1979)

Médico por Lisboa, depois de frequentar a faculdade de medicina de Coimbra.
Filho de um pastor protestante angolano. Concluído o liceu em Luanda, começa como empregado administrativo dos serviços de saúde. Em 1947 parte para Portugal onde cursa medicina.
Um dos fundadores do MPLA e o primeiro presidente da República Popular de Angola, desde 11 de Novembro de 1975, até à data da morte. Começa como militante do MUD Juvenil em 1954, tomando parte, como representante da oposição portuguesa no I Encontro Mundial da Juventude Rural realizado em Viena nesse ano, organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática, de orientação pró-soviética.
Preso pela PIDE em 1955 por fazer parte do MUD Juvenil, juntamente com Pedro Ramos de Almeida e Ângelo Veloso. Regressa a África em 1959, assumindo a presidência do MPLA, de que foi um dos fundadores em 1956. É um dos principais organizadores da Casa dos Estudantes do Império. Preso em Angola em Julho de 1960, é remetido para o Tarrafal, donde passa para o Aljube. Daqui se evade no Verão de 1962, numa acção organizada pelo PCP...

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Webboom

Netchaev, Serguei (1847-1882)

Fundador da Sociedade do Machado, morto na prisão.

Foi redactor, em colaboração com Bakunine, de um Catecismo Revolucionário, escrito em 1869, na Suíça, onde se declara que o revolucionário é um homem antecipadamente condenado. Não pode permitir-se relações apaixonadas, nem possuir coisas ou seres amados. Devia mesmo despojar-se do seu nome. Tudo nele se deve concentrar numa única paixão a revolução. Na mesma obra, considera-se que o revolucionário é um indivíduo marcado. Não tem interesses nem sentimentos pessoais, nem laços, nada que lhe seja particular, nem sequer o nome. Tudo nele é absorvido com vista a um único interesse, a um único pensamento, a uma única paixão: a Revolução. A obra foi escrita em colaboração com Bakunine, sendo impressa em cifra, em carácteres latinos:


"1. O revolucionário é um homem condenado. Ele não tem interesses pessoais, negócios, sentimentos, dedicações, propriedade, nem sequer um nome. Tudo nele é absorvido por um exclusivo interesse, um só pensamento, uma só paixão - a revolução.


2. No mais íntimo do seu ser, não apenas em palavras, mas em atos, o revolucionário não tem qualquer ligação com a ordem social e com o mundo civilizado, com as leis, aparências e convenções ou moralismos, geralmente aceitos neste mundo, que para ele é um inimigo impiedoso. Se tiver que continuar a viver nele, será somente com o propósito de destruí-lo com mais certeza.


(...) 4. Ele despreza a opinião pública. Despreza e odeia a moral dos dias de hoje com todas as suas motivações e manifestações. Para ele o que quer que ajude o triunfo da revolução é ético; tudo o que o impede é contrário à ética e criminoso.


5. O revolucionário é um homem condenado.

É impiedoso em relação ao Estado e a todo o sistema das classes privilegiadas; por sua vez, não deve esperar compaixão. Entre ele e o Estado e as classes dominantes há uma guerra contínua e irreconciliável - que pode ser travada secreta ou abertamente. Deve estar pronto para morrer a qualquer momento, e deve treinar para suportar torturas. (...)

15. Todo o ignóbil sistema social deve ser dividido em várias categorias ... (...)

19. A quarta categoria consiste nas autoridades ambiciosas e liberais de vários matizes, pois com eles pode-se conspirar nos termos dos seus próprios programas. Deve-se convencê-los de que são obedecidos cegamente, mas ao mesmo tempo não se deve permitir que escapem mais. É preciso entrar na posse de todos os seus segredos, comprometê-los ao máximo, de modo que não lhes sobre nenhum caminho para fugir e usá-los como instrumentos de perturbação da ordem do país.

20. A quinta categoria - teóricos (refere-se aos adversários de Bakunin dentro do campo revolucionário), conspiradores, revolucionários, que expõem suas idéias perante grupos ou pelos jornais, mas que são pouco ativos. Eles devem ser continuamente impelidos para diante, instados a fazer declarações práticas subversivas, cujo resultado seria a completa destruição da maioria e o verdadeiro treinamento revolucionário de apenas alguns. (...)

25. Portanto, para nos aproximarmos cada vez mais do povo, devemos antes de tudo ligar-nos àqueles elementos das massas que, desde a fundação do poder estatal de Moscou, jamais cessaram de protestar não só com palavras, mas também com fatos contra tudo o que, direta ou indiretamente, estivesse ligado ao Estado: contra a nobreza, a burocracia, o clero, as guildas (significando os comerciantes e capitalistas em geral) e contra o parasitismo dos kulaks. Estendamos as mãos à raça audaciosa dos bandidos - os únicos genuínos revolucionários da Rússia".

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de intersiderale

Nerves (The) of Government, 1963

Para o professor de Harvard, Karl Deutsch, em The Nerves of Government. Models of Political Communication and Control, 1963, a ideia de comunicação atinge a sua culminância utilizando duas metáforas fundamentais:


1. por um lado, faz equivaler o sistema político a um sistema nervoso, a um sistema de ligação de centros nervosos que são irrigados pela informação, um sistema dotado de sensores que captam a informação que, depois de transportada para os centros nevrálgicos do sistema, é seleccionada e se transforma em decisões;

2. por outro lado, compara-se o mesmo sistema político a um sistema de pilotagem, como um processo que tem em vista a obtenção de determinados fins, a condução da nau do Estado a um determinado porto, falando-se na política como um sistema de pilotagem do futuro. O ponto inicial do processo está nos receptores de dados e mensagens, nos centros de recepção de informação, nos pontos de entrada da informação proveniente do ambiente externo e interno, equivalentes ao que Easton considerava como os porteiros (gate-keepers). Os centros receptores comunicam a informação aos centros de processamento de dados, locais onde também se recebem os inputs sobre o próprio funcionamento do sistema. O centros de processamento de dados, em seguida, passam a informação tanto aos centros de decisão como ao centro de armazenamento, ao local do sistema onde funciona a memória e os valores.

A memória é o sítio do sistema onde se armazena a informação e onde os valores permitem confrontar as possibilidades de execução com as preferências. É aqui que se confrontam as mensagens do presente com informações recuperadas do passado. Surge, assim, como fonte da individualidade e da autonomia de um determinado sistema, atribuindo-lhe identidade, isto é, permitindo que surja um povo, entendido por Deutsch como uma comunidade de significações partilhadas, e gerando a autonomia, isto é, permitindo que o sistema seja capaz de utilizar informações do passado para poder decidir-se no presente.

É a partir desta repartição e exaltação de símbolos de uma comunidade que se teoriza a political socialization e a educação política, fundamentais para a comunicação de mensagens e para evitar o que Durkheim qualificava como anomia, a situação de um grande número de pessoas não saber que regras seguir no seu comportamento social.

Num terceiro momento do processo, temos o centro de decisão, que tanto recebe informação do centro de processamento de dados quanto do centro de memória e valores. Surge, assim, a retroacção da informação (feedback), dado que as informações podem ser recordadas e retroactivadas para decisões do presente. Deste modo, qualquer decisão é sempre a soma do ambiente com a memória. Contudo, a decisão é preparada na central da consciência do sistema, no local onde ocorre o processamento de resumos altamente simplificados e concentrados de mensagens de segundo grau, de mensagens já seleccionadas e estudadas pelos centros de recepção de dados, o sítio onde se dá simultaneamente a inspecção e a coordenação, preparando-se a decisão. Num quarto momento, temos as implementation orders, realizadas pelos effectors. Isto é, depois de um centro de decisão surgem as estruturas que produzem ou fabricam as decisões.

Governar transforma-se, assim, numa pilotagem do futuro, sendo equivalente à condução de um navio, dado que também na governação se caminha para um determinado objectivo, recebendo informação sobre a viagem já decorrida, sobre a posição actual, e face ao objectivo programado. Deutsch refere, no artigo Communications Models and Decision System, de 1967, que o conceito subjacente a todas as operações deste género pode ser designado por retroacção (feedback). As aplicações deste princípio de retroacção às máquinas modernas cercam-nos por todos os lados. Os termóstatos nas nossas casas, os ascensores automáticos dos edifícios comerciais, os aparelhos de visor automático das baterias aéreas e os mísseis teleguiados de hoje, todos representam aplicações deste princípio.

O mesmo autor, retomando São Tomás de Aquino, considera que a nossa palavra “governo” vem de uma raiz grega que se refere à arte de pilotar um navio. O mesmo conceito subjacente reflecte‑se no duplo sentido da expressão inglesa “governor” que tanto quer dizer uma pessoa encarregada do controlo administrativo de uma unidade política como o dispositivo mecânico que controla a marcha de uma máquina a vapor ou de um automóvel. Ao olharmos estas questões mais de perto, verificamos, com efeito, que existe uma certa similitude subjacente entre a forma de “governar” um navio ou uma máquina (seja pela mão do homem, seja pela pilotagem automática) e a arte de governar as organizações humanas. Pilotar um navio consiste em guiar o seu comportamento futuro, a partir de informações respeitantes, de um lado, à sua marcha no passado e, por outro, à posição que ocupa no presente relativamente a um certo número de elementos que lhe são exteriores, o fim. Governar equivale a pilotar, a conduzir o navio para um determinado porto, para um fim, um objectivo, um goal. Porque, tal como pilotar um navio é confrontar constantemente a respectiva posição com a prévia rota estabelecida, determinando-se a distância que o separa do porto de chegada, assim governar é confrontar um fim, o programa de política externa e de política interna, com o grau de execução do programa, com as medidas tomadas. A situação é semelhante aos mísseis teleguiados, que dispõem de um servomecanismo, de um sistema de correcção da rota que os aproximam do objectivo, do alvo. Até os sistemas de voo com pilotagem automática dispõem desse sistema de correcção da rota, tendo em vista a aproximação ao ponto de chegada. Em qualquer dos casos, o elemento fundamental é aquilo que Deutsch qualifica como o negative feedback, as informações sobre o próprio estado do sistema que levam o mesmo a reagir às suas próprias transformações. As informações sobre as consequências das decisões e das acções voltam ao sistema, de maneira a surgir um controlo da acção com base nos erros passados. Deutsch faz aqui uma comparação com os termóstatos que reagem a uma elevação anormal da temperatura cortando a energia ao próprio sistema, para, depois, a retomarem quando se volta à normalidade. O negative feedback leva, assim, a que um sistema disponha de dois tipos de informações:
-
as informações externas, as informações da relação do ambiente com o sistema;
-
as informações internas, as informações sobre o próprio estado do sistema.

Nestes termos, haveria que atender:
-
ao load, ou carga, ao peso da informação recebida pelo sistema;
-
ao lag, o atraso ou demora do sistema, ao espaço de tempo que vai do momento da recepção da informação sobre a posição à execução do momento de adaptação, ou, como diz Deutsch, à fracção de tempo que vai entre a recepção da informação sobre a posição de um avião inimigo e o momento em que os canhões anti-aéreos estão realmente apontados para o local escolhido para a intercepção;
-
ao gain, ao ganho, à soma das modificações reais do comportamento que resultam das operações de correcção, à velocidade e à importância da reacção do sistema político face aos novos dados de que se teve conhecimento;
- ao lead, à décalage ou adiantamento, à distância entre a posição correctamente prevista do alvo móvel e a posição real donde os últimos sinais foram recebidos. É que as probabilidades de êxito na procura de objectivos estão sempre inversamente relacionadas com a quantidade de “load” e “lag”. Até certo ponto podem relacionar-se positivamente com as quantidades de “gain”, mas em elevados níveis de “gain”, esta relação pode inverter-se; e sempre se relacionam positivamente com a quantidade de “lead”.

Retirado de Respublica, JAM

Nepotismo

Do latim nepos, sobrinho. Diz-se de todo o abuso de poder a favor de parentes e de amigos. A expressão começou por ser aplicada aos favores concedidos pelos papas a membros da respectiva família, onde se destacaram tanto os papas de Avinhão como Alexandre VI, Leão X e Paulo III.

Retirado de Respublica, JAM

"Nepotismo (do latim nepos, neto ou descendente) é o termo utilizado para designar o favorecimento de parentes em detrimento de pessoas mais qualificadas, especialmente no que diz respeito à nomeação ou elevação de cargos.
Originalmente a palavra aplicava-se exclusivamente ao âmbito das relações do papa com os seus parentes, mas actualmente é utilizado como sinónimo da concessão de privilégios ou cargos a parentes no funcionalismo público. Distingue-se do favoritismo simples, que não implica relações familiares com o favorecido.
Nepotismo ocorre, assim, quando, por exemplo, um funcionário é promovido por ter relações de parentesco com aquele que o promove, havendo pessoas mais qualificadas e mais merecedoras da promoção. Alguns biólogos sustentam que o nepotismo pode ser instintivo, uma maneira de seleção familiar. [Neste último sentido, deve confrontar-se com a meritocracia].
Um grande nepotista foi Napoleão Bonaparte. Em 1809, 3 dos seus irmãos eram reis de países ocupados pelo seu exército.
Outro exemplo (menos usual) ocorre quando alguém é acusado de fazer fama, às custas de algum parente já famoso (especialmente, se for o pai, a mãe, ou algum tio ou avô)."

Retirado (e adaptado) da Wikipédia

(ver, também aqui)

Consultar, sobre o conceito de meritocracia, o excelente artigo de BESSA, António Marques, in POLIS, Enciclopédia, vol. 4, Editorial Verbo, Lisboa, 1985.

NEP

A Novaia Ekonomitcheskaia Politika, a Nova Política Económica, estabelecida pelo X Congresso do Partido Comunista da Rússia, reunido entre 8 e 16 de Março de 1921, onde se restauram formas de produção capitalista, contrariamente ao vanguardismo colectivista dos anteriores anos do comunismo de guerra.

Retirado de Respublica, JAM

Neo (ismos)

- Neo-conservadorismo
Movimento de ideias que preparou e justificou, nos anos oitenta do século XX, a subida ao poder de Ronald Reagan, nos Estados Unidos da América, e de Margaret Thacher, no Reino Unido. Misturando algum populismo, que lhe deu o voto das chamadas classes conservadores, asssumiu uma certa leitura neoliberal das relações entre o aparelho de poder e a economia. Entre os principais teóricos do processo, Milton Friedman, Friedrich von Hayek, Jeane J. Kirkpatrick e Irving Kristol.,137,963.

- Neoconservadorismo e novas direitas.
As perspectiva da new right norte-americana (Irving Kristoll) e a luta contra o modelo da Great Society de Lyndon Johnson (Daniel Bell e Patrick Moynhan). Os anos Reagan. O conservadorismo britânico, entre Roger Scrutton e Michael Oakeshott. Os anoas de Margaret Thatcher. O modelo francês: da nouvelle droite (Alain Benoist) à defesa da revolução conservadora (Guy Sorman). A geração portuguesa da revista Futuro Presente.

- Neocorporativismo
O neocorporativism como sistema de representação de interesses oposto ao pluralismo, marcado pelo monopólio da representação atribuído pelo centro. Teses de Leo Panitch e Philippe Schmitter. Surge nos Estados Unidos entre autores preocupados com a crise da representação política e a do sindicalismo.
Cawson 1985 Schmitter 79

- Neodarwinismo
Uma nova formulação do transformismo de Charles Darwin, segundo a qual a evolução das espécies, através da especificação, pode ser explicada pelas mutações genéticas.

- Neogarrettismo
Movimento lietrário defensor do carácter nacional da literatura e promovendo o regresso às tradições, nomeadamente pelo estudo do folclore. Entre nós, foi inspirado por Ramalho Ortigão e por Teófilo Braga. Um dos seus cultores, Lopes de Mendonça, diz que, com Garrett, é uma nacionalidade que ressuscita. Destaca-se Alberto de Oliveira que cunha o nome do movimento. Nesta senda se inserem autores como Teixeira de Pascoaes, Afonso Lopes Vieira, António Sardinha, Adolfo Coelho, Leite de Vasconcelos, António Arroio, Fortunato de Almeida, J. Lúcio de Azevedo, M. da Silva Gaio e Carlos Malheiro Dias. Este subsolo de ideias reparte-se tanto pelo movimento republicano da Renascença Portuguesa como pelos monárquicos do Integralismo Lusitano, sendo, depois, instrumentalizado pelo Estado Novo, cujos livros de leitura obrigatórios utilizam os textos dos autores do movimento.

- Neokantismo
Movimento antipositivista alemão surgido nos finais do século XIX, visando um regresso a Kant. Marcado por duas escolas, a de Marburgo (Cohen, Natorp, Salomon, Emge e Stammler) e a de Baden, ou Heidelberg (Windelbando, Rickert).

- Neoliberalismo
Movimento de ideias surgido nos anos trinta deste século, opondo-se aos vários dirigismos económicos então dominantes, tanto à direita como à esquerda. Tem como antecedentes várias escolas, desde o marginalismo, com Gossen e Jevons, e os neo-clássicos, com Alfred Marshall e Pigou, passando pela Escola Psicológica de Viena, com Menger, pela Escola de Lausanne, com Walras, e reafirmando-se com a Nova Escola Austríaca, de von Mises e Hayek. Colóquio Lippmann, Agosto de 1938. Societé du Mont Pélerin. Nova vaga nos anos oitenta deste século. A Escola Monetarista de Chicago de Milton e Rosa Friedman.

- Neoliberalismos
A Escola de Viena (Carl Menger, Ludwig von Mises, Schumpeter e a Hayek) e as polémicas com a Escola de Cambridge (Keynes). O neoliberalismo dos anos trinta (o Colóquio Walter Lippmann de 1938). Os neoliberais franceses (Louis Baudin, Jacques Rueff, Daniel Villey). A luta contra a economia planificada e o dirigismo. O anti-keynesianismo. A formação da Sociedade Mont-Pélérin. Karl Raimund Popper e a sociedade aberta. A Sociedade Mont Pélérin (1947). Ludwig von Mises, Lippmann e Wilhelm Röpke. O liberalismo ordeiro do pós-guerra (economia social de mercado). As propostas de Hayek para a renovação do liberalismo. O modelo de Milton Friedman. Os modelos libertários norte-americanos (Ruthbard e D. Friedman). A perspectiva de Robert Nozick. As correcções éticas ao liberalismo: a teoria da justiça de John Rawls. Recepção d neoliberalismo em Portugal, do Grupo de Ofir de Francisco Lucas Pires ao Clube da Esquerda Liberal. O popperisamo de João Carlos Espada (1992).

- Neoliberalismo e teologia de mercado
O regresso do livre-cambismo e do laissez faire. O modelo dos young urban professionals (yuppies).

- Neomarxismo (s)
Designa-se por neomarxismo ou marxismo ocidental o conjunto das correntes nascidas nos anos vinte deste século, em torno das teses de Lukacs, Ernst Bloch, Karl Korsch e Antonio Gramsci. Toma-se como ponto de partida o ano de 1923, quando se publica a Historia e Consciência de Classe, de Lukacs, e Marxismo e Filosofia, de Korsch. Quase todos os neomarxistas têm origem esquerdista e aceitam o essencial do leninismo político. Rejeitam, contudo, a variante determinista do marxismo assumida pela II Internacional, nomeadamente o materialismo dialéctico. Gramsci chega mesmo a saudar a Revolução de 1917, como uma revolução contra Das Kapital. Todos fazem alargar o marxismo a outras correntes de pensamento. Lukacs, adquire as teses de Simmel, Weber e Dilthey. Gramsci recebe Croce, Gentile, Pareto e Mosca. Libertam-se assim dos modelos do naturalismo marxista onde, de certa maneira, Haeckel havia substituído Hegel e onde Marx nos aparecia interpretado por Engels.

1. A perspectiva italiana

O chamado neomarxismo tem um cunho essencialmente italiano, distinto do revisionismo alemão ou austríaco. Baseia-ne numa tradição de leitura hegeliana de Marx, protagonizada, em primeiro lugar por A. Labriola, que recebeu os contributos de Croce e até de Gentile e, depois foi consagrada por Gramsci, sendo continuada por Galvano della Volpe e Lucio Coletti. A tese de Gramsci: a sociedade civil como o domínio das superstruturas culturais e ideológicas; se na sociedade civil, enquanto conjunto dos organismos privados, reina a hegemonia, o predomínio ideológico dos valores e normas burguesas, já na sociedade política ou Estado dá-se a dominação directa ou comando, com identificação entre Estado e Governo.

2. França

Já em França, importa referir que, em 1929 era publicada em França a Revue Marxiste, dirigida por Georges Politzer e Henri Lefevre. Segue-se a tentativa de Sartre, procurando adequar o marxismo ao existencialismo, invocando-se a fenomenologia e Heidegger, até se atingir o neogramscianismo de Louis Althusser, procurando integrar o estruturalismo. A perspectiva neomarxista que entende o político como condensação de uma relação de classes ou de uma relação de forças (Poulantzas).

3. Alemanha

Na Alemanha, destaca-se a chamada Escola de Frankfurt, onde Marx se mistura com Nietzsche e Freud. Os fundadores são Adorno e Horkheimer, os criadores de um marxismo sem proletariado. A escola só repudia o leninismo no pós-guerra, com Habermas. Dela nos vem o radicalismo irracionalista de Walter Benjamin, bem como a adequação ao movimento da contracultura, com Herbert Marcuse.

— O renascimento das análises neomarxistas da teoria dos grupos no Ocidente. O intelectualismo da perspectiva, confundindo classe teórica com classe real; o economicismo, que reduz o campo social às relações de produção económica; o objectivismo, que esquece as lutas simbólicas.

Neo-marxismo. Reflexos do neomarxismo em Portugal. A Revista Crítica de Ciências Sociais e o magistério de Boaventura Sousa Santos.

- Neoplatonismo
Movimento renascentista marcado pelo judeu português Leão Hebreu, autor dos Dialoghi di Amore, de 1535, onde pretende conciliar Aristóteles e Platão, juntando os ensinamentos da Bíblia e da Cabala. Defende-se que todo o universo é um todo, animado por uma espécie de líbido cósmica, onde todos os corpos se atraem em nome do desejo, visando uma união deleitosa, num desejo que sobe das coisas para as almas e destas para Deus. As teses influenciam particularmente o nosso Luís de Camões e propagam-se em autores como António Ferreira, Sá de Miranda e Frei Heitor Pinto, sendo marcantes nas posteriores teorizações da saudade. Geram, inclusive, uma certa heresia cristã de cariz panteísta e permanecem em autores do século XX do nosso nacionalismo místico, de Teixeira de Pascoaes a Agostinho da Silva.

- Neopositivismo
Várias correntes de pensamento se enquadram no neopositivismo. Destaque para o Círculo de Viena e para a chmada Escola de Cambridge, com Bertrand Russell e Ludwig Wittgenstein.

- Neo-realismo
Movimento literário do século XX que, entre nós, procurou reproduzir o chamado realismo socialista. Ligado nas suas origens a intelectuais comunistas, tem os seus principais cultores em romancistas como Alves Redol, em Gaibéus, de 1940, e Soeiro Pereira Gomes, em Esteiros, de 1941,tendo como principal órgão vulgarizador o periódico O Diabo. O próprio Álvaro Cunhal aparece como teórico do movimento, insurgindo-se particularmente contra as ideias de arte pela arte propagandas pelo presencismo, nomeadamente de José Régio. Outros autores marcantes são Manuel da Fonseca (n. 1911), autor de Aldeia Nova, de 1942, e Carlos de Oliveira (n. 1921), com Casa na Duna, de 1943, e Uma Abelha na Chuva, de 1953. Já liberto dos espartilhos ideológicos, é no movimento que se insere o romancista médico Fernando Namora, com As Sete Partidas do Mundo, de 1948, Fogo da Noite Escura, de 1943, Casa da Malta, de 1945, e Retalhos da Vida de um Médico, de 1949. O movimento passou a dominar os intelectuais orgânicos do sistema literário português, amarfanhando muita da nossa criatividade.

- Neo-romantismo Hannah Arendt (1906-1975).

- Neotomismo
Movimento desencadeado pelo papa Leão XIII a partir da encíclica Aeterni Patris de 1879.

Retirado de Respublica, JAM

sábado, 3 de novembro de 2007

Nemours, Pierre Samuel Dupont de (1739-1817)

Discípulo de Quesnay, autor da expressão fisiocracia. Deputado da Constituinte transporta para a França revolucionária muitas das teses de Quesnay. Considera que a ordem natural é a constituição física dada por Deus ao universo. Em 1761 considera como formas de mau governo a democracia, a aristocracia e a monarquia electiva, defendendo a monarquia hereditária, pelo facto de só nesta o governo ser simples e natural, onde os soberanos são verdaeiramente déspotas, palavra utilizada em sentido não pejorativo.

· De l'Origine et Progrès d'une Science Nouvelle, Paris, 1768.

· Physiocratie ou Constitution Naturelle du Gouvernement le Plus Avantageux du Genre Humain, 1767. Recolha dos escritos económicos do mestre, Quesnay.


Retirado de Respublica, JAM


Foto picada de Chateaucountry

Nemésio, Vitorino Mendes Pinheiro da Silva (1901-)

Escritor, poeta e professor universitário português. Natural da ilha Terceira. Activista republicano enquanto estudante, já depois do 28 de Maio de 1926, quando milita na Maçonaria. Em 1928-1929 entra em polémica com Luís Cabral de Moncada, a partir das páginas da revista Seara Nova. Entre as suas publicações, destaca-se a dissertação de doutoramento A Mocidade de Herculano Até à Volta do Exílio, 1932, em dois volumes.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de teiaportuguesa

Nehru, Jawaharlal (1889-1964)

Estuda direito na Grã Bretanha. Membro do Indian National Congress desde 1918, torna-se o respectivo presidente a partir de 1928. Primeiro ministro da União Indiana desde 1947 até à data da morte. Responsável pela invasão de Goa em 18 de Dezembro de 1961.

Retirado de Respublica, JAM


Jawaharlal Nehru (जवाहरलाल नेहरू, Javāharlāl Nehrū) (Allahabad, 14 de novembro de 1889Nova Délhi, 27 de maio de 1964), também conhecido como Pandit (professor) Nehru, foi um líder da ala socialista no congresso nacional indiano durante e após o esforço da Índia para a independência do império britânico. Tornou-se no primeiro-ministro da Índia na independência, de 15 de agosto de 1947 até sua morte.


Filho de Motilal Nehru, um destacado dirigente do Congresso, Jawaharlal regressou à Índia após formar-se na Universidade de Cambridge para exercer a advocacia antes de ser introduzido na política por seu pai, chegando a ser o braço-direito de Mohandas Gandhi e alcançando a presidência do Congresso pela primeira vez em 1929.

Preso 32 meses depois dos eventos de 1942, Nehru formou o primeiro governo hindu em julho de 1946, com a oposição da Liga Muçulmana que aspirava a criar um estado separado (o Paquistão), em 1947.

Como primeiro-ministro, Nehru inaugurou uma política exterior de não-alinhamento, convertendo-se no fundador e dirigente desse movimento. Reivindicou a Caxemira apesar da oposição do Paquistão, o que desatou a primeira guerra entre os dois países (1947-49). Também anexou Hyderabad em setembro de 1948) e a colônia portuguesa de Goa em dezembro de 1961). A partir da derrota militar para a República Popular da China, em outubro de 1962, realizou uma política de boa vizinhança.”


Texto 2 retirado da Wikipédia

Foto 1 picada do Indian Institute of Science

Foto 2 picada de languageinindia

Negreiros, José de Almada (1893-1970)

José Sobral de Almada Negreiros. Poeta e pintor português. Juntamente com Fernando Pessoa é um dos fundadores do modernismo português. Abril de 1917. Conferência de Almada Negreiros no Teatro República e lançamento do manifesto futurista Ultimatum Futurista às Gerações Portuguesas do Século XX.

Liga-se ao nacional-sindicalismo de Rolão Preto.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Planetadegostini

Negreiros, Joaquim Trigo de (1900-1973)

Licenciado em direito por Coimbra em 1923. Presidente da Câmara Municipal de Vila Flore (1926-1927). Deputado, governador civil do Porto (1938-1940) e membro do governo do salazarismo, entre 1940 e 1958. Um dos principais gestores da repressão do regime do Estado Novo nos anos cinquenta, é substituído depois da campanha presidencial de 1958. Ligado ao grupo marcelista. Conta-se que, depois de ter feito obras na cadeia de Peniche, disse a Salazar que os dois poderiam vir a ser clientes do estabelecimento. Chega a Presidnete do Supremo Tribunal Administrativo.

Retirado de Respublica, JAM

Necessidade

Categoria típica da filosofia hegeliana, desenvolvida por Feuerbach: uma existência sem necessidade é uma existência supérflua. Quem não tem necessidades tão pouco tem necessidade de existir; que exista ou não é o mesmo, tanto para ele como para os demais. Com efeito, Hegel definiu a sociedade civil como um sistema de necessidades, dado que ela tem de produzir o necessário para a subsistência dos respectivos membros através da troca mercantil. Neste sentido, a necessidade é o local onde se manifesta a oposição entre o ideal a que se aspira, a ideia, e a realidade do existente, a praxis, donde surge o impulso para o desenvolvimento, para o devir. O ideal deixa de ser uma mera ideia abstracta e passa a ser consciência da oposição entre o ser e o não-ser. As dificuldades, da quais nasce a consciência da necessidade derivam apenas da exterioridade da natureza, segundo Feuerbach. E seria a massa, isto é, a humanidade unificada pela religião do amor, que faria o trânsito da ideia para a praxis. Esta perspectiva ainda marcada pelo naturalismo será superada pelo historicismo de Marx, dado que para este a consciência da necessidade não deriva apenas da exterioridade da natureza, mas da interioridade das condições históricas, da interioridade da sociedade humana. A necessidade pode transformar-se, de exigência natural, em força motora da história. Em vez do homem abstracto da natureza, pode surgir o homem real e vivo da história. A existência passa assim a determinar a consciência.

Necessidades Artificiais
Categoria desenvolvida pelos filósofos da Escola de Frankfurt nos anos trinta, nomeadamente por Erich Fromm, Wilhelm Reich e Herbert Marcuse, também dita falsas necessidades. Segundo esta tese, o capitalismo cria artificialmente necessidades, injectando-as na psique dos indivíduos, fazendo com que o sistema sobreviva com um aumento da procura de bens e serviços supérfluos.

Retirado de Respublica, JAM

Não-decisão

Segundo Bachrach e Baratz há "two faces of power". Uma que produz comportamentos visíveis e outra que leva a não-decisões, podendo até provocar a ausência de qualquer contestação visível. A este propósito, Habermas fala numa violência ex-comunicacional. Por exemplo, num partido dominado pela força esmagadora de uma liderança é impensável que surja uma candidatura rival. Da mesma forma, numa instituição fortemente hierarquizada, há debates tabus e o candidato a contestatário não pode sequer colocar problemas considerados inoportunos. Deste modo, se reduzem ao silêncio os adversários, dado que ninguém pode lançar questões que sejam prejudiciais ao líder.

Retirado de Respublica, JAM

Nacionalidades, Princípio das

Johann Kaspar Bluntschli, no último quartel do século XIX, é um dos defensores do princípio segundo o qual cada nação tem a vocação e o direito de constituir um Estado. Assim como a humanidade está dividida numa pluralidade de nações, assim deve ser o mundo repartido por igual número de Estados. Cada nação é um Estado. Cada Estado um ser nacional. Mistura, no entanto, tal princípio com uma concepção organicista de Estado e não deixa de o integrar na defesa de uma comunidade europeia de marca federalista.

Retirado de Respublica, JAM

Nacionalidade

Segundo o dicionário da língua portuguesa, a nacionalidade é o conjunto de laços que ligam uma pessoa a um Estado. Neste sentido, podemos entender a nacionalidade como cidadania, como o estado próprio de quem está juridicamente vinculado a um Estado. Noutro sentido, nacionalidade pode identificar-se com nação, como o constitutivo sociológico-político de um grupo nacional, o conjunto das características étnicas, linguísticas e culturais que levam um grupo social a constituir-se em nação. No primeiro sentido, há ainda que distinguir aquilo que em inglês se designa por nationality e em alemão Staatsangehorigkeit, a pertença permanente e passiva de uma pessoa face a um Estado, enquanto súbdito, daquilo que é a citizenship ou Staatsburgerschaft, situação típica dos que gozam da plenitude dos direitos.

Retirado de Respublica, JAM

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Mythus des zwanzigsten Jharhunderts, 1930

Obra de Alfred Rosenberg (1893-1946). Para este autor nazi a tarefa do século XX consiste na criação de um novo tipo de homem, a partir de um novo mito de vida. O mito é a força formadora, a alma criadora da realidade. E a filosofia tem de dar forma conceitual aos mitos. Neste sentido, advoga o renascimento alemão em torno do mito do vermelho, do sangue e dos heróis, contra o ouro, símbolo do dinheiro e dos plutocratas. Daí considerar o Estado como um simples meio para a conservação étnica.

Retirado de Respublica, JAM