sábado, 6 de outubro de 2007

Itália

(Repubblica Italiana) 301 262 km2 e 57 290 519 habitantes; 34, segundo a fórmula de Cline. Unificada desde 17 de Março de 1861.





Guelfos e gibelinos


Nos séculos XIII e XIV, a Itália divide-se entre os partidários do papa, a parte Guelfa (os partidários de Otão IV) e a parte Ghibellina (partidários dos Hohenstaufen, liderados por Frederico II), defensora do imperador; os guelfos predominam em Florença, Milão, Bolonha, Mântua e Ferrara; os guibelinos em Siena, Pisa, Rimini, Modena, Pavia e Cremona; no fim do século XV, os guelfos assumem-se como aliados do rei de França, enquanto os guibelinos se inclinam para Carlos V. Em 1494 o rei de França Carlos VIII ocupa Nápoles e, em nome dos direitos históricos da casa de Anjou, assume-se como rei; será expulso no ano seguinte; nova investida de Luís XII sobre Milão, contra a qual se ergue uma Santa Liga formada pelo papa Júlio II. Francisco II, aliado a Veneza, vence os suíços em Marignano (1515) e toma posse do ducado de Milão durante seis anos. Francisco I, em Fevereiro de 1525, é derrotado em Pavia por um exército de Carlos V comandado pelo belga Charles de Lannoy; é obrigado a assinar o Tratado de Paris de 1526, onde renuncia a Milão e a Nápoles, assim como à Flandres, à Borgonha e ao Artois. Entre 1536 e 1538; Francisco I conquista a Sabóia e o Piemonte em 1536; a França irá abandonar estas conquistas em 1559. Sexta guerra entre os Valois e os Habsburgos, a partir de 1556; em Agosto de 1557, vitória de Filipe II em Saint-Quentin; a França ocupa Calais, em Janeiro de 1558, e o Luxemburgo; termina com o tratado de Cateau-Cambrésis (3 de Abril de 1559), Filipe II mantém Milão e o reino de Nápoles e o rei de França permanece em Calais, há duzentos anos na posse dos ingleses, Metz, Toul e Verdun; a partir de então os reis de França renunciam a uma presença forte em Itália e Habsburgos são obrigados a renunciar a um império universal.

Disputas entre Habsburgos e os Bourbons

Nos séculos XVII e XVIII, a Itália é um campo de disputas entre os Habsburgos e os Bourbons, onde apenas emergem duas comunidades políticas essencialmente italianas: a decadente República de Veneza e os domínios da Casa de Sabóia. Com efeito, parte da Guerra da Sucessão de Espanha desenrola-se no norte de Itália, ficando os Habsburgos austríacos com a parte de leão do território, depois da Paz de Utrecht, de 1713. Contudo, os Bourbons de Espanha, com Filipe V, casado com Isabel Farnese e pela acção do ministro italiano Alboreti, tenta, a partir de 1717, intervir pela força na Itália, assim procurando rever a partlha de Utrecht. Só uma acção conjugada da Áustria, da França e da Inglaterre obrigam à cedência espanhola, no tratdo de Madrid de 1729. Mas Isabel Farnese não desiste e em 1731 consegue que o seu segundo filho, Filipe, fique com o Ducado de Parma. Com a Guerra de Sucessão da Polónia (1734-1738) e a Guerra de Sucessão da Áustria (1741-1748), a Itália volta a ser campo de conflitos. A situação estabiliza com a paz de Aix-la-Chapelle de 1748: o Milanês e a Toscana são atribuídos aos austríacos; nas Duas Sicílias reinam os Bourbons de Espanha, que também acumulam com Parma, Placência e Guastalla; a França consegue o protectorado de Génova e Modena e mantêm os Estados papais no centro; Veneza continua independente e a Casa de Sabóia reforça-se, com o Piemonte, a Sardenha e Montferrat.

Incursões napoleónicas

Este equilíbrio vai ser desfeito com as incursões napoleónicas, iniciadas em 1796; em 28 de Abril de 1796, pelo armisticio de Cherasco já é eliminado o Piemonte; em 14 de Maio já entra em Milão; segue-se Veneza que, entretanto, pela Paz de Campoformio, é atribuída à Áustria. Entretanto, Napoleão vai reorganizando o modelo político italiano. Em Outubro de 1796 cria a República Cispadana; em Julho de 1797, a República Cisalpina; em Outubro de 1797, a República Lígure; seguem-se outras ocupações a sul: Roma cai em Fevereiro de 1798; Nápoles em Janeiro de 1799 - o rei Fernando foi obrigado a exilar-se em Palermo -, e mais duas repúblicas se juntam ao modelo, a República Romana e a República Partenopeia. Contudo, a partir da primavera de 1799, tropas austro-húngaras obrigam os franceses a retirar-se da Lombardia; contudo, no ano seguinte, depois da vitória de Napoleão em Marengo (14 de Junho), restabelece-se a ocupação francesa na Lombardia, garantida pela Paz de Lunéville, de 9 de Fevereiro de 1801. Em Janeiro de 1802 já Napoleão unifica o território, instituindo uma República Italiana de que se assume como presidente. Mas em Maio de 1804, depois de estabelecido o Império francês, Napoleão transforma-a no Reino de Itália de que assume a titularidade, colocando Eugénio de Beauharnais, como Vice-rei; muito simbolicamente, em 26 de Maio de 1805, o mesmo Napoleão recebe em Milão a coroa de ferro dos lombardos. É também em 1805 que conquista Veneza aos austríacos, bem como o Trieste e a Ilíria; em Janeiro de 1806 reocupa Nápoles; quatro anos depois, integra Trento; em 1809, na Itália, fora da dominação napoleónica, apenas resta a Casa de Sabóia, reduzida à Sardenha, e os Bourbons de Nápoles, na Sicília; a irmã, Elisa, é grã-duquesa da Toscana, o papa é expulso e os Estados Pontifícios são integrados no Império francês.

Congresso de Viena

Resta esperar pelo Outono de 1813 quando os austríacos, depois da derrota das tropas napoleónicas em Leipzig, tratam de reocupar os seus domínios italianos; em Maio de 1814, já o papa Pio VII volta a Roma. Depois do Congresso de Viena, a Itália, considerada como mera expressão geográfica, segundo o célebre dito de Metternich, passa a ter uma nova configuração; os Habsburgos austríacos passam a ser titulares do reino Lombardo-Veneziano, anexam Trento, a Ístria e a Dalmácia; dominam no centro, onde regressam vários príncipes titulares aparentados com os Habsburgos, no grão-ducado da Toscana, no ducado de Modena e no ducado de Parma; os Estados Pontificios mantêm-se, mas guarnições austríacas instalam-se em Ferrara e em Romana; cresce também o reino do Piemonte-Sardenha que passa a integrar a República de Génova; no sul, o reino das Duas Sicílias é atribuído aos Bourbons de Nápoles.

Nacionalismo liberal

É neste ambiente que o nacionalismo liberal vai operar; a partir de 1815, a partir de meios aristocráticos e burgueses, especialmente entre universitários e militares passam a operar inúmeras lojas maçónicas, influenciadas pelos modelos dos carbonari que em Nápoles se opuseram à dominação francesa; o principal adversário são os austríacos, os tedeschi e a Santa Aliança que os sustenta.

Os efeitos da Revolução de 1830

O impulso libertacionista recebe novo alento a partir da Revolução de Julho de 1830 em França, destacando-se, sobretudo, a acção de Giuseppe Mazzini que, no exílio, a partir de 1831, funda o movimento Jovem Itália (La Giovane Italia)que integra num mais vasto movimento, a Jovem Europa que pretendia assumir como o contraponto da Santa Aliança. As palavras de ordem deste movimento são as de Deus e Povo. Serão os mazzinianos que estarão por trás das várias revoltas frustradas que ocorrem em 1833 e 1834, visando a instituição de uma república unitária, democrática e deísta, mais ou menos de inspiração maçónica.

Risorgimento

Esta é a pedra básica do chamado Risorgimento que também vai ter um pilar piemontês, onde Cesare Balbo, autor do livro As Esperanças de Itália, e Massimo d'Azeglio, propõem um modelo de federação em torno da Casa de Sabóia, o chamado albertismo, onde a federação constituiria uma associação de Estados, entendidos como associação de comunas, e onde as comunas se vislumbram como associações de famílias. Contudo, uma terceira linha italianista emerge entre os meios clericais e católicos, impulsionada pelo abade Vincenzo Gioberti que, na linha neo-guelfa, propõe o estabelecimento de uma confederação de príncipes italianos agrupados em torno do papado. Esta linha tem um forte sustentáculo em 1846 quando o prelado liberal Giovanni Mastai Ferreti é eleito papa, com o nome de Pio IX, sucedendo a um Gregório XVI, considerado partidário da Áustria; com efeito, logo no início do respectivo pontificado, os Estados pontificais adoptam uma série de medidas de abertura e de amnistia que não tardam a ser seguidas noutras regiões de Itália. No Piemonte, Carlos Alberto, logo em 5 de Março de 1848, abandona o modelo da legitimidade da Santa Aliança, concedendo uma carta constitucional.

A primavera dos povos de 1848

Acontece também que vai chegar a Itália o choque da primavera dos povos que assume particulares dimensões na Lombardia, onde em 22 de Março de 1848, e instaura uma república em Milão; aproveitando as circunstâncias o Piemonte de Carlos Alberto assume a liderança do processo e trata de declarar a guerra à Áustria, proclamando então que a Itália se libertará por si mesma (L'Italia farà da se). Contudo, Pio IX vai deitar água na fervura quando, em 29 de Abril, sob o pretexto de condenar qualquer guerra entre cristãos, não apoia a luta dos italianos contra os Habsburgos. Aliás o próprio movimento de revolta cresce entre os Estados pontificais. Nos finais de 1848, em Roma, o primeiro-ministro do Papa é assassinado, Pio IX é obrigado a fugir para Gaeta e os mazzinianos tomando a ofensiva chegam a proclamar uma república em 9 de Fevereiro de 1849. Sol, aliás, de pouca dura, dado que em 4 de Julho de 1849 se restabelece a ordem papal, garaças ao apoio de uma força expedicionária francesa, para lá enviada por Napoleão III. O Piemonte, no entanto, vai alastrando e entre Junho e Julho de 1848 estende-se a Parma, Modena, a toda a Lombardia e a Veneza. Contudo, entre 23 e 25 de Julho, Carlos Alberto é derrotado na batalha de Custozza e é obrigado a abandonar Milão, nos termos do armistício de Salasco, assinado em 9 de Agosto. No ano seguinte volta entretanto à guerra, mas em 23 de Março, sofre nova derrota na batalha de Novara, abdicando em pleno campo de batalha a favor do filho Vitor Emanuel II, Il Re Galantuomo.

Segue-se uma aliança entre o Piemonte e a França de Napoleão III que, em 1859, declaram guerra à Áustria. Com o armistício de Vilafranca e a Paz de Zurique, esboça-se a organização de um Estado federal italiano. A Áustria cedia a Lombardia, mantendo-se, embora, em Veneza; a França obtinha definitivamente Nice e Sabóia e conseguia evitar a intervenção da Prússia na guerra.

Contudo, os Estados da Itália central decidem através de referendo a integração com o Piemonte. Garibaldi com os mil camisas vermelhas desembarca na Sicília, conquista Nápoles e oferece esses territórios ao rei do Piemonte.

Mas em 1879, já depois da integração de Roma no Reino de Itália, um dos líderes do triunfante Risorgimento, Azeglio, proclamava: agora, a Itália está feita, mas é preciso fazer italianos. De Mazzini fica a ideia mítica da Terceira Roma. Um caldo que vai inebriar Benito Mussolini. Em Outubro de 1922, a marcha sobre Roma que vai levar ao poder Mussolini. Em 1929, o Tratado de Latrão entre a Itália e a Santa Sé.

Retirado de Respublica, JAM

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Ismo

Sufixo de origem bizantina, divulgado no ocidente europeu pelos cultores da teologia. Vem do grego ismos. Começou por ser utilizado em Portugal pela linguagem eclesiástica em palavras como baptismo, cristianismo, aforismo, exorcismo ou paganismo. Na época do renascimento, surgem várias palavras com o sufixo, por via erudita (v. g. humanismo). Nova invasão, pela língua erudita, surge nos séculos XVIII e XIX, por via francesa. Nos começos do século XX passou a ser utilizado massivamente, passando da lingiagem erudita à linguagem popular, coincidindo com o aparecimento da sociedade industrial. Significa, em princípio, a generalização de alguma coisa. Na politologia serve sobretudo para qualificar uma doutrina, uma corrente de pensamento ou uma ideologia, bem como uma atitude, uma maniera de agir que se pretende de acordo com uma doutrina.

Retirado de Respublica, JAM

Israel

20 325 km2. Cerca de cinco milhões de habitantes. Pela declaração do ministro dos negócios estrangeiros britânico Arthur James Balfour, de 2 de Novembro de 1917, aceita-se a reivindicação do movimento sionista no sentido da criação de um lar nacional judeu na Palestina. Trata-se, então, de dividir o Império Otomano, e os britânicos obtêm em 1920 um mandato sobre a Palestina, dividida em 1921, com a separação da Transjordânia. Uma primeira guerra entre Maio de 1948 e Janeiro de 1949. Novo conflito em 1967.

Retirado de Respublica, JAM

"O Estado de Israel (em hebraico Sound מְדִינַת יִשְׂרָאֵל?, Medinat Yishra'el; em árabe دَوْلَةْ اِسْرَائِي, Dawlat Israil) é um país no Oriente Médio, na extremidade sudeste do Mar Mediterrâneo. É uma república democrática parlamentar fundada em 14 de Maio de 1948. É o único Estado judeu em todo o mundo[1][2]. Faz fronteira com o Líbano no norte, Síria e Jordânia ao leste e Egito no sudoeste[3].

A capital do país e sede do governo é Jerusalém, que é também a residência do Presidente da nação, repartições do governo, suprema corte e o Knesset (parlamento). A Lei BásicaJerusalém, completa e unida, é a capital de Israel" apesar de a Autoridade Palestina ver Jerusalém Oriental como futura capital da Palestina e as Nações Unidas e a maioria dos países não aceitarem a Lei Básica, argumentando que o status final deve esperar futuras negociações entre Israel e a Autoridade Palestina. A maioria dos países mantém sua embaixada em Tel Aviv[4][5][6]. Israel é o único país no Oriente Médio considerado como uma democracia liberal, tendo uma extensiva gama de direitos políticos e direitos civis[7]. Em adição, Israel é considerado o mais avançado na região em termos de liberdade de imprensa[8], regulamentações empresariais[9], competição econômica,[10], liberdade econômica[11] e desenvolvimento humano médio[12]. estabelece que " presentes

O conflito entre Israel e a Palestina[13][14]. Em particular, isto causou tensões com os vizinhos árabes de Israel, com alguns dos quais Israel também entrou em conflito.[14] Grupos como a Anistia Internacional[15] e Human Rights Watch[16] têm sido críticos das políticas de Israel, enquanto outras organizações como a Freedom House[17] e o governo dos Estados Unidos e alguns países da Europa geralmente apoiando Israel[18]. em andamento continua a ser uma fonte de tensão dentro e fora de Israel

Segundo as escrituras bíblicas, Israel é a terra prometida por Deus aos hebreus e é o berço da religião e da cultura judaica desde o século XVII a.C.."

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Islândia

(Lýoveldio Island) 103 033 km2 e 260 000 habitantes. Depois da ocupação viking, no século IX, integra-se na Noruega; fica dependente da Dinamarca de 1380 a 1918; desde esta data, torna-se Estado independente em regime de união pessoal; desde 1944 com independência completa, tornando-se república. Membro da NATO desde 1949.

Retirado de Respublica, JAM

"A Islândia, oficialmente República da Islândia (islandês: Ísland ou Lýðveldið Ísland, AFI: [ˈliðvɛltɪð ˈistlant]) é um país insular localizado no noroeste da Europa (apesar de geograficamente situar-se na dorsal meso-atlântica), entre o resto do continente e a Groenlândia. Em julho de 2007, dua população era de 311.396 habitantes. Sua capital e maior cidade é Reiquiavique.

A ilha é banhada pelo Oceano Atlântico a sul e oeste, e pelo Mar da Noruega a norte e a leste, e está separada da Groenlândia pelo Estreito da Dinamarca. Os territórios mais próximos, além da própria Groenlândia, são as ilhas Feroé, a sudeste, e a ilha norueguesa de Jan Mayen, a nor-nordeste. É considerado um dos melhores países do mundo para se viver, devido ao seu elevado índice de desenvolvimento humano e à alta qualidade de vida da sua população. A Islândia é um dos poucos países do mundo que não tem exército."

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Isidoro (Santo) de Sevilha 570-636

Isidorus Hispalensis. Arcebispo de Sevilha desde 594. Chefe da igreja católico sob o regime dos visigodos em Espanha. Promotor dos concílios de Toledo. Autor da principal obra enciclopédiaca dos conhecimentos do mundo antigo. Define a civitas como a "multidão humana associada pelo consenso do direito e pela comunhão da concórdia". Também as Siete Partidas referem que "pueblo llamam el ayuntamiento de todos los omes comunalmente, de los mayores e delos medianos e de los menores". referia que natio vem de nascendo tal como gens de engendrar :"gens autem appelata propter generationes familiarum, id est a gignendo, sicut natio a nascendo".

Retirado de Respublica, JAM

Isabel Maria - Regime político do Primeiro Cartismo (1826-1828)

O ciclo político correspondente ao primeiro período de vigência da Carta Constitucional, entre 1826 e 1828, apesar de curto, merece destaque. Quanto à forma do poder, assinale-se que os dois diplomas fundamentais para a respectiva definição são, além da Carta Constitucional, jurada em 31 de Julho de 1826, as instruções de 7 de Agosto de 1826 sobre as eleições, referendadas pelo ministro Trigoso. Eles traduzem a introdução em Portugal de um novo edifício institucional, aquele que podia ter sido concretizado em 1814, evitando a ruptura vintista, mas que vai ser boicotado pela pressão da balança da Europa, principalmente pela atitude táctica da Santa Aliança, motivado pela situação política espanhola. A introdução do constitucionalismo nasce torta e demorará muito tempo a endireitar. Com efeito, D. Pedro não conhece a efectiva realidade portuguesa, vê-se a si mesmo como meio Bolívar e meio Washington, marcado pela codificacionite à maneira de Bentham. Os cortesãos de Lisboa pensam que D. Pedro abdicaria em D. Miguel. Stuart sugere que a Carta seja pelo menos efectivada através da reunião dos Três Estados à maneira tradicional. Acaba por dominar o pronunciamento de Saldanha, apoiado pelas burguesias comerciais e pelas maçonarias. A sede formal do poder acha-se na regência individual de D. Isabel Maria e no governo que dela dimanava. No Governo, na Câmara dos Deputados, na Câmara dos Pares e no Conselho de Estado. Mas D. Pedro, a partir do Rio de Janeiro não comanda o processo. Com efeito a sede efectiva do poder está no comando militar do ministério da guerra, no jogo de influências no Paço, junto da regente. Local onde se fazem e desfazem governos, pela intriga e pela pressão diplomática.
Quanto aos grupos sociais, os grandes do reino são favoráveis à Carta, juntamente com a burguesia mercantil. A pequena nobreza não é beneficiada. O clero em guerra aberta. O povo em geral abstém-se. No governo está o grupo de Trigoso/ Sobral/ Lavradio em sucessivos conflitos, primeiro, com o grupo de Saldanha; depois, com o grupo de Melo Breyner. Acaba por triunfar o grupo ligado aos apostólicos.
Quanto às facções, destacam-se o grupo apostólico do interior manobrado por D. Carlota Joaquina, apoiado por membros do clero ferozmente antimaçónicos; o grupo rebelde apostólico que invade Portugal a partir de Espanha, com o marquês de Chaves, Magessi e Teles Jordão; os moderados apostólicos que aceitam as regras do jogo nas Câmaras e no governo, como é o caso do bispo de Viseu, Francisco Alexandre Lobo e do visconde de Santarém. Próximos estão todos os futuros miguelistas que esperam a chegada de D. Miguel em conciliação com D. Pedro. Há moderados que pretendem conciliar o tradicionalismo com a ideia de governo representativo (Trigoso e São Luís); moderados liberais que apoiam Lavradio e Sobral, como Luís Mouzinho de Albuquerque, Filipe Ferreira Araújo e Castro, Mouzinho da Silveira e o conde de Vila Real. Neste grupo amplo, pode incluir-se Palmela bem como os aristocratas e grandes do reino satisfeitos com a Carta.
De referir também a existência de exaltados, ditos progressistas, como Cândido José Xavier e Pinto Pizarro, aliados a Saldanha, que comandam a máquina do ministério da guerra até Julho de 1827. Deste grupo, faz parte José Liberato Freire de Carvalho, que é nomeado redactor da Gazeta de Lisboa por Saldanha. Do mesmo modo, Abrantes e Castro.
Quanto à influência externa, é dominante a dos britânicos, sob o gabinete de Canning, até Agosto de 1827. O principal representante é o embaixador A’Court, um tory, ligado ao Palmela. Em finais de Dezembro de 1826 desembarca a divisão de Clinton. As tropas britânicas vêm mais defender o terreno face a uma eventual agressão franco-espanhola. A Áustria de Metternich está interessada num acordo com o Brasil.
No tocante aos actores principais, destacam-se: D. Isabel Maria, a regente, é, entre os filhos do falecido rei, a mais joanina. Saldanha, William A’Court, Trigoso, o ministro do reino; Lavradio, ministro dos estrangeiros; São Luís eleito presidente da Câmara dos Deputados em 30 de Outubro de 1826. Palmela actua em Londres. Nomeado ministro dos estrangeiros em 8 de Junho de 1827. José Joaquim Rodrigues de Bastos, intendente da polícia. D. Miguel em Viena de Áustria. Jura a Carta logo em Outubro de 1826, por pressão de Metternich. Conde da Ponte nomeado ministro da guerra e dos estrangeiros em 26 de Junho de 1827, reprime as Archotadas. Cândido José Xavier, saldanhista, substitui o conde da Ponte nos estrangeiros e na guerra em 7 de Setembro de 1827. Pinto Pizarro é o principal administrador do ministério da guerra, apoiante de Saldanha. Na primeira jogada, impõe, pela ameaça do pronunciamento militar, o juramento da Carta logo em 31 de Julho de 1826. Numa segunda jogada, dinamiza o combate bem sucedido aos rebeldes militares anti-cartista. Numa terceira jogada, perde o golpe das archotadas. Chefias militares: Marquês de Chaves, Magessi, Teles Jordão. Chefias militares favoráveis à Carta: Vila Flor, marquês de Angeja, Azeredo.

Retirado de Respublica, JAM

Irlanda

(Eire) 70 280 km2 e 3 720 000 habitantes. Os ingleses começaram a conquista sistemática da ilha no século XII, mas qutro séculos depois, o seu domínio apenas atinge algumas regiões costeiras orientais, em redor de Dublin; a partir de finais do século XV começa a tentativa de integração, nomeadamente pela aplicação das leis britânicas em 1494. Com Henrique VIII procede-se à ocupação e assume o título de Rei da Irlanda. Ocupação e repressão religiosa pela confiscação de terras e por massacres. Os irlandeses apoiam Jaime II. Uma memória de humilhações, onde atingiram ponto alto as campanhas de Cromwell de 1649-1650, como castigo de uma revolta de 1641-1649. Novos proprietário de terras protestantes. Proibidos os irlandeses de frequentar escolas até 1781-1782. A liberdade religiosa é assegurada em 1691. mas logo volta a intolerância. O próprio Guilherme III promulga s leis penais de 1704 que impedem a aquisição e terras pelos católicos, o respectivo acesso a funções públicas e o banimento da hierarquia religiosa católica. Fortes rebeliões em 1791 e 1798, por impulso do nacionalismo revolucionário. Em 1800 é instituído o Acto de União e os irlandeses passam a estar directamente representados no Parlamento de Londres. Grandes fomes em 1846 e 1849. Nos finais do século XIX, as leis agrárias de Gladstone restituem aos irlandeses dois terços das terras.

Sinn Fein

Em 1900 surge o Sinn Fein (em gaélico, só nós) com Arthur Griffith. O movimento já não pede apenas autonomia, mas antes a independência total; advogando a resistência passiva, o movimento, a partir da lei do Home Rule de 1912, evoluiu para a acção violenta, estando na base dos acontecimentos de 1914. A revolta da Páscoa de Dublin, em 1916, foi dirigida por uma ala extremista do movimento, dirigida por Patrick Pearse; a partir de Outubro de 1917, passou a ser dirigido por De Valera que, em 1919-1920 desencadeou uma luta armada contra as tropas britânicas.

Estado Livre da Irlanda

Em 6 de Dezembro de 1921 era constituido, pelo Tratado de Londres, o Estado Livre da Irlanda, qualificado como um domínio independente, dominion, no seio da Commonwealth britânica e que não impedia o Reino Unido de ser qualificado, até 1927 como United Kingdom of Great-Britain and Ireland e não de Northern Ireland.

De Valera

Na base do processo está sobretudo a acção de Eamon De Valera e do Sinn Fein que nas eleições de Dezembro de 1918 conseguiram eleger 73 representantes n parte católica da ilha, com os quais constituiram um parlamento irlandês separado, o Dáil Eiremann, que em Janeiro de 1919 proclamou unilateralmente a independência da Irlanda. De Valera que se opôs ao Tratado de Londres, contraraiamente à maioria do parlamento irlandês que o aceitou em Janeiro de 1922, por 64 contra 57 votos, colocou-se à frente do Irish Republican ArmyCumann nan Gaedheal. que assumiu um combate armado até à primavera de 1923. Os moderados, aceitando o Tratado de Londres, constituiram o

Fianna Fáil

Só em 1926 é que De Valera se separou do Sinn Fein, constituindo o Fianna Fáil, aceitando participar na vida parlamentar a partir de 1927. Em Fevereiro de 1932 já ganhava as eleições, mantendo-se no poder sem interrupção até 1948.

Eire

Em 29 de Dezembro de 1937 surge uma nova Constituição que transforma a Irlanda num Estado Soberano e Independente, o Irish Free State, que passou a adoptar o antigo nome de Eire, abolindo o estatuto de domínio; em 25 de Abril de 1938 chegava-se a um acordo com Londres. Em Fevereiro de 1948, De Valera perdeu as eleições, sendo substittuído por Costello, do Fianna Gael, com o apoio dos trabalhistas; nesta sequência em 18 de Abril de 1948 era proclamada a República do Eire.

Retirado de Respublica, JAM

"Este artigo trata da Illa de Irlanda, como unidade xeográfica, incluindo o estado chamado

Irlanda (ou República de Irlanda) e Irlanda do Norte. Ireland ( en Irlandés: Éire) é a terceira illa máis grande de Europa. Está situada entre o océano Atlántico e o Mar de Irlanda. Politicalmente está dividida na República de Irlanda (oficialmente chamada Irlanda), un estado que cubre os cinco sextos da illa (sur, leste, oeste e noroeste), e Irlanda do Norte, parte do Reino Unido, no nor-leste da illa. [1] O nome deriva do Anglo-saxón, e significa 'Terra de Ériu'.

A poboación da illa é aproximadamente de 5,8 millóns de persoas (2001); 4 millóns na República de Irlanda e 1,7 millós en Irlanda do Norde."

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Iraque

República do Iraque. Independente desde 1921. 434 924 km2. Cerca de 19 milhões de habitantes. A monarquia foi abolida em 14 de Julho de 1958, subindo ao poder uma coligação dominada por nasseristas e comunistas. Dez anos depois, o partido Baas, afastando os dois primeiros, consegue o monopólio do poder, personalizado por Saddam Hussein desde 1980. Depois de uma longa guerra contra o vizinho Irão entre 1980 e 1988, desencadeia a ocupação do Koweit em 2 de Agosto de 1990, donde é afastado apenas em Fevereiro de 1991, com a chamada Guerra do Golfo.


Retirado de Respublica, JAM

Política
Ver artigo principal: Política do Iraque

Seu regime político é o presidencialista, após a ditadura de Saddam Hussein.

Atualmente vive em clima de conflito armado entre forças do governo e grupos contra o regime imposto pelo Estados Unidos.

Após viver por três décadas sob regime do ditador Saddam Hussein (morto na forca), o Iraque sofreu uma intervenção militar por parte dos Estados Unidos apoiado por alguns países da OTAN...

Para eternizar seu nome, Saddam gastou 2,5 bilhões de dólares por ano desde 1991 erguendo meia centena de palácios em vários pontos do país. Logo surgiu a suspeita de que funcionavam como esconderijos para as armas-químicas e biológicas que os americanos dizem existir no Iraque. os palácios têm arcos em estilo neo-islâmico, paredes de mármore, jardins monumentais, cascatas e piscinas - a água é um símbolo de poder em países desérticos como o Iraque. O ditador também gastou uma fortuna para atrelar sua imagem no Islã. Nenhum líder árabe, desde o século XIII, construiu tantas mesquitas quanto ele.

Fidel Castro disse: "O objetivo principal é preciso dizer sinceramente, foi a conquista de uma de destruição em massa e, no entanto, os norte-americanos têm o monopólio dessas armas". "O mundo se opôs, mais de 90% dos espanhóis, a maioria dos europeus, em todas as partes do mundo se opôs. Essa é a lei da selva e a lei do mais forte". matéria-prima essencial que se chama petróleo". Ainda afirmou que, "os argumentos que os Estados Unidos usaram para invadir o Iraque não são válidos: acusaram o governo de ter armas

Quanto a Saddam, disse que o ex-presidente iraquiano realmente cometeu erros e que o alertou, em diversas ocasiões, para que saísse do Kuwait, após a invasão do país, em 1990. "Nós nos esforçamos muito para convencê-lo a se retirar", afirmou. Fidel frisou, no entanto, que os erros do ex-ditador não justificam a ação liderada pelos Estados Unidos.

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Irão

República Islâmica do Irão. 1 600 000 km2. 58 milhões de habitantes, com cerca de 62% da população alfabetizada. Irão quer dizer país dos arianos, chamava-se Pérsia até 1935. Os persas são cerca de 60% da população, mas 98% são muçulmanos, dominados pelos chiitas. A república islâmica foi estabelecida em 1979. Um dos Estados mais antigos do mundo. Descobertas as primeiras jazidas de petróleo em 1908. Uma revolução constitucional em 1906. Nacionalização da Anglo-Iranian Oil Copmpany em 1951.

Retirado de Respublica, JAM


"Política

Ver artigo principal: Política do Irão

O sistema político do Irão tem por base a constituição de 1979, que fez do país uma república islâmica. Nos termos da constituição, as relações políticas, económicas, sociais e culturais vigentes no país devem estar de acordo com o Islão[1]

O Guia Supremo (ou Faqih) é o chefe de Estado do Irão. O cargo é ocupado desde Junho de 1989 pelo aiatolá Ali Khamenei, que sucedeu a Khomeini. É eleito pela Assembleia dos Peritos para um mandato vitalício. Suas principais atribuições são a de comandante-em-chefe das Forças Armadas, nomeação do chefe do poder judiciário, do chefe da segurança interna, dos líderes das orações da sexta-feira, do director das estações de rádio e de televisão, bem como de seis dos doze membros do Conselho dos Guardiães. Pode demitir o Presidente do Irão caso considere que este não governa de acordo com a constituição.

O poder executivo compete ao presidente, segunda figura do Estado após o Guia Supremo. É eleito através de sufrágio universal para um mandato de quatro anos. Até 1989, ano em que foi aprovada uma reforma constitucional, este cargo detinha pouco poderes. A reforma aboliu o cargo de primeiro-ministro e concedeu maiores poderes ao cargo presidencial. O presidente nomeia e supervisiona o Conselho de Ministros e coordena as decisões governamentais. O seu poder encontra-se limitado pelo Guia Supremo. Os candidatos a presidente devem ser iranianos xiitas e seus nomes são previamente aprovados pelo Conselho dos Guardiães. O atual Presidente do Irão, eleito em 2005, é Mahmoud Ahmadinejad.

O poder legislativo é exercido por um parlamento unicameral (Majlis-e-Shura-ye-Eslami, "Assembleia Consultiva Islâmica") composto por 290 membros eleitos através de sufrágio universal para um período de quatro anos. À semelhança do que acontece com os candidatos a presidente, o Conselho dos Guardiães deve aprovar as candidaturas a deputado. Todas as leis aprovadas pelo parlamento devem ser enviadas para o Conselho dos Guardiães, que verifica se estas estão em concordância com a constituição e com o Islão[2]. Em circunstâncias especiais, o parlamento pode demitir o presidente através um voto de censura com maioria de dois-terços.


O chefe do poder judiciário, actualmente Mahmoud Hashemi Shahrudi, é nomeado pelo Guia Supremo. O chefe do poder judiciário nomeia por sua vez o presidente do Tribunal Supremo e o procurador-geral. O sistema legal iraniano baseia-se na lei islâmica ou charia. Este sistema prevê a prática da retribuição, que permite, dentre outros casos, a um membro da família da vítima de homicídio executar a sentença. Os castigos corporais ou a amputação de membros estão previstos para casos como roubo, consumo de bebidas alcóolicas ou adultério.

O Conselho dos Guardiães é composto por doze juristas, metade dos quais são especialistas em direito religioso, sendo nomeados pelo Guia Supremo; a outra metade é formada por especialistas em direito civil nomeados pelo Conselho Supremo Judiciário e aprovados pelo parlamento. Este conselho analisa as leis do parlamento para garantir que se encontram de acordo com a constituição.

A Assembleia de Peritos foi originalmente constituída com o objectivo de redigir a constituição de 1979. Desde então, esta assembleia, composta por 86 membros, tem como função eleger o Guia Supremo, supervisionar a actuação deste e retirá-lo do exercício das suas funções caso este seja declarado incapacitado. Os membros devem ser clérigos e são eleitos para um período de oito anos.

O Conselho de Discernimento do Interesse Superior do Regime é um órgão composto por 22 membros (clérigos, juristas e políticos), nomeados pelo Guia Supremo. É presidido por Hashemi Rafsanjani e a sua principal função é arbitrar os conflitos entre o parlamento e o Conselho dos Guardiães."

Imagens e texto 2 retirados da Wikipédia

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Integração Internacional

Segundo Haas, é o processo através do qual os agentes políticos transferem para um novo centro político interesses, expectativas e lealdades, assentando em doutrinas e em instituições que têm como objectivo a aplicação de um direito universal acima das jurisdições nacionais, segundo as quais pode atribuir-se a uma entidade superior aos Estados um poder decisório que penetra na tradicional jurisdição interna dos Estados. De acordo com o ensino do Professor Adriano Moreira, essa mesma integração internacional tanto poderá ser federalista como funcionalista. Entre as formas de integração funcionalista, há que referir a integração económica (zonas de comércio livre, mercados comuns e mercados únicos), a integração social (livre circulação de mercadorias, serviços, capitais e pessoas), a integração política (institui novos mecanismos de decisão política, nomeadamente poder legislativo, poder executivo, poder judicial e poder confederativo, ou política externa) e a integração militar (instaura uma política comum de segurança e defesa que visa optimizar a defesa e a segurança, aumentar o potencial político na balança internacional dos poderes, ou eliminar as causas de anteriores conflitos entre os agentes que participam na integração). Haas.

Retirado de Respublica, JAM

Integralismo

I. brasileiro


Em 7 de Outubro de 1932 é lançado em São Paulo o manifesto da Acção Integralista Brasileira que se transforma em partido político em 1935. O partido é extinto em 1937, depois de ter tentado um golpe de Estado contra Getúlio Vargas, em pleno regime do Estado Novo brasileiro. Tenta novo golpe em 1938, pelo que o chefe nacional do movimento, Plínio Salgado foi obrigado a exilar-se em Portugal. O movimento, no seu máximo, chegou a ter um milhão e meio de militantes, organizados em quatro mil núcleos. Entre os militantes, destaca-se Miguel Reale que chega a ser secretário nacional para a doutrina, defendendo então uma democracia orgânica, sem partidos, com sufrágio familiar e corporativo. Outras figuras são Jayme Regallo Pereira, autor de Democracia Integralista, 1936, Gustavo Barroso, O Integralismo em Marcha, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1936. Entre as obras de Plínio Salgado, Psicologia da Revolução, 1934, bem como as Obras Completas, São Paulo, Editora das Américas, 20 vols., a partir de 1956. A fase integralista de Miguel Reale está represnetada em O Estado Moderno, Rio de Janeiro, José Olympo, 1934, bem como O Capitalismo Internacional, Rio de Janeiro, José Olympio. Sobre a matéria, José Chasin, O Integralismo de Plínio Salgado, São Paulo, Ciências Humanas, 1978; Hélgio Trindade, O Integralismo. O Fascismo Brasileiro na Década de 30, São Paulo, Difel, 1974; Jarbas Medeiros, A Ideologia Autoritária no Brasil, Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas, 1978.

I. Lusitano

Em 8 de Abril de 1914, durante o governo de Bernardino Machado, começa a publicar-se em Coimbra o jornal Nação Portuguesa. Logo em 7 de Setembro de 1914 Ramalho Ortigão declara-se simpatizante do movimento em Carta de um Velho a um Novo, dirigida a João Amaral. Durnate o governo de Pimenta de Castro, em 7 de Abril de 1915, na Liga Naval, iniciam um ciclo de conferências sobre a questão ibérica, promovido pelo Integralismo Lusitano.

Retirado de Respublica, JAM

Integration (Parsons)

Uma das quatro funções que cabem ao sistema social na relação com o respectivo ambiente. A primeira das funções voltadas para as relações internas, pela qual o sistema social tende a integrar ao máximo todas as respectivas tendências internas que correm o risco de marginalizar-se ou de ser colocadas fora do sistema. Eis a função de integração (integration) que representa o nível de compatibilidade que caracteriza as relações internas dos elementos de um determinado sistema, correspondente ao subsistema social, à socialização propriamente dita.

Retirado de Respublica, JAM

Integrismo

Cisão no movimento carlista espanhol,, fundada por Ramón Nocedal, de 1892 a 1923, visando restaurar o império absoluto da nossa fé integra.

Retirado de Respublica, JAM

Interaccionismo simbólico

Doutrina assumida pela Escola de Chicago nos anos trinta, cunhada por Herbert Blumer, segundo a qual os indivíduos não são simples reflexo dos factos sociais, antes os produzindo pelas respectivas interacções. Um grupo existe quando os respectivos membros desenvolvem uma compreensão semelhante de determinada situação. O objecto principal da sociologia deveria ser o de se estudarem os pontos de vista e as representações dos diversos actores sociais. Segundo Robert King Merton, se os homens definem as suas situações como tais, elas são reais nas suas consequências.

Ver Elias, Norbert

Retirado de Respublica, JAM

Interesse

O que faz o homem actuar, o fim que o movimenta. A relação de um homem com uma coisa ou com outro homem que lhe permite satisfazer uma necessidade. Já Cícero definia a res publicamultidão unida pelo consenso do direito e pela utilidade comum, ou por uma pacto de justiça e uma comunidade de interesses, que implicaria a communio. Pufendorf faz derivar a sociabildade dos próprios interesses, porque os homens, em virtude daquilo que considera a imbecilitas, isto é, o desamparo de cada um, quando entregues a si mesmo, encontram-se num estado de necessidade (naturalis indigentia), necessitando uns dos outros para poderem sobreviver. Hegel fala na sociedade civil como a imagem dos excessos e da miséria, onde se desenrola o combate dos interesses privados, da luta de todos contra todos. Seria uma espécie de Estado Exterior (Aussererstaat), um Estado privado de eticidade, da consciência da sua unidade interna essencial, dado que na sociedade civil, apenas os indivíduos seus componentes se consideram governados pelos seus interesses particulares. Jhering entende que a luta pelo direito abrange tanto a luta do homem pela realização dos respectivos interesses como a luta do Estado pela realização do interesse geral, chegando memso a considerar que os direitos subjectivos são interesses juridicamente protegidos Segundo Possenti, Weber substituiu a noção de bem comum pela de interesse. Com efeito, este autor salienta que enquanto a pertença à sociedade, ou associação, assenta numa partilha de interesses, marcada por uma vontade orientada por motivos racionais, já a comunidade é entendida como um grupo a que se pertence por aceitação de valores afectivos, emotivos ou tradicionais, considerando que a acção comunitária refere‑se à acção que é orientada pelo sentimento dos agentes pertencerem a um todo. A acção societária, por sua vez, é orientada no sentido de um ajustamento de interesses racionalmente motivado. Mais do que isso: Weber estabelece uma graduação associativa que passa pelos graus de sociedade, grupo, empresa, instituição, Estado. Na sociedade os indivíduos calculam os interesses mútuos. E de uma sociedade pode passar‑se ao grupo quando esse entendimento de interesses passa a contrato explícito, acontecendo uma empresa quando o fim é determinado de forma racional. Um grau mais elevado de empresa é a instituição, quando a empresa é habilitada a impor aos respectivos membros o seu comportamento pela via do decreto ou de textos regulamentares. Esser entende os interesses como representações de apetências que têm, ou devem ter, as partes num litígio, quando procuram obter um efeito jurídico favorável. Roscoe Pound parte do pressuposto que o fim do direito é assegurar as condições da vida em sociedade, pela procura de um sistema de equilíbrio entre os interesses individuais e os interesses sociais. como uma

Philipp Heck (1858-1943) e a Escola de Tubinga geram a chamada jurisprudência dos interesses, concebendo o direito como um processo de tutela de interesses: as normas como resultantes dos interesses de ordem material, nacional, religiosa ou ética que, em cada comunidade jurídica se contrapõem uns aos outros e lutam pelo seu reconhecimento, enquanto meras soluções valoradoras de conflitos de interesses.

Interesses que são considerados como causais para a norma, dado determinarem, no legislador, representações, ideias de dever-ser que se transformam em comandos, pelo que se impõe a investigação histórica dos interesses. Proclama-se assim que o direito é um processo de tutela de interesses e que as normas são as resultantes dos interesses de ordem material, nacional, religiosa, ou ética, que, em cada comunidade jurídica se contrapõem uns aos outros e lutam pelo seu reconhecimento. As leis são perspectivadas como soluções valoradoras de conflitos de interesses, pelo que, em lugar da vontade pessoal do legislador, há que determinar, na interpretação das leis, os interesses reais que as causaram, dos quais o legislador é um mero transformador. Neste sentido, o respeito pela lei deve ser o de uma obediência inteligenteinteresses morais, enquanto factos psicológico-sociais. Para o autor em causa, que, durante vinte anos, foi o director do departamento jurídico da universidade de Harvard, compete, ao direito, o controlo social e, ao pensamento jurídico, a engenharia social (social engineering), traduzindo-se os respectivos objectivos no balancing of competing interests, pelo que o jurista, principalmente o juiz, tem de tomar em conta os interesses juridicamente protegidos da sociedade e os valores desta sociedade. Ficou célebre a respectiva distinção entre interesses privados, interesses sociais e interesses públicos, onde estes últimos são os interesses do Estado, enquanto pessoa colectiva que pretende subsistir e que também é a principal protectora dos interesses sociais. Os interesses sociais agrupam-se em seis classes: os interesses na manutenção da ordem social (segurança, saúde, estabilidade das aquisições e das transacções); a protecção das instituições familiares, económicas e políticas; a protecção da moralidade e a manutenção dos bons costumes; a conservação dos recursos sociais e patrimoniais; a melhoria da construção social pelo progresso do desenvolvimento das faculdades humanas; a protecção da existência humana individual segundo as normas da sociedade. Já os interesses privados são de três ordens: os interesses da personalidade (protecção da integridade física, da liberdade da vontade, da reputação, da vida privada, da liberdade de pensamento e de opinião); os interesses familiares (casamento, pensão alimentar; relações entre pais e filhos); e os interesses da fortuna (protecção da propriedade, liberdade de testar, liberdade de comerciar e de contratar, direito de associação e respeito pela palavra dada). Como salienta Eric Weil, a lei e a moral... não existem num lugar supra-celeste, ou se elas aí existissem, não era de lá que elas agiriam. É o homem que actua e o homem actua por interesses, entendidos como o fim que leva o homem a actuar... o que faz mover o homem. Para este, autor, aliás, a sociedade é sempre cálculo, ao contrário do Estado que é o órgão no qual uma comunidade pensa. face à lei. Para a jurisprudência dos interesses, o juiz, no julgamento dum caso concreto, também não tem de funcionar como mero autómato de subsunções lógicas das realidades face aos conceitos formais extraídos da legislação. Pelo contrário, deve ponderar toda a complexa situação de facto, procurando detectar os interesses em conflito e, só depois, adoptar o juízo de valor sobre esses interesses contidos na lei. Nesta senda, o já referido Roscoe Pound observa que o conceito de interesses inclui os

Interesse comum. Ver Rousseau


Interesse público.

Equivale às chamadas maximes d'État, conforme Gabriel Naudé. Bentham, o máximo que pode fazer "o homem do mais alto espírito público", o "homem mais virtuoso" é "buscar tão frequentemente quanto possível a coincidência entre o interesse público e os seus interesses privados, e tão raramente quanto possível permitir que eles se distanciem". Para Marcelo Caetano, os interesses públicos são os que dizem respeito à existência, conservação e desenvolvimento da sociedade política.


Retirado de Respublica, JAM

Internacional (I, II e III)

I Internacional

Fundada em 29 de Setembro de 1864 em Inglaterra. Reúne os trade-unionistas britânicos, os proudhonianos, os marxistas alemães e refugiados húngaros, polacos e italianos. Terá a preponderância de Marx. Em 1866 surge o conflito entre Marx e Proudhon e no ano seguinte entre Marx e Bakunine. Entre nós, logo em 1871, José Fontana escreve em 1871 um folheto O que é a Internaciona?, para, no ano seguinte, fundar a Associação de Fraternidade Operária.

No Congresson de Haia de 1872, acabam por retirar-se os blanquistas e os bakuninistas. A organizaçã, dominada pelo marxismo, entra em agonia e extingue-se em 1877.

II Internacional (1889)

Federação de partidos nacionais de inspiração marxista, depois do desaparecimento do bakuninismo, no começo da década de oitenta.

III Internacional (1919)

Fundada em Moscovo em 4 de Março de 1919. Conhecida, segundo o calão jornalístico, por Komintern.

Retirado de Respublica, JAM

Internacionalismo

Em 1914 Lenine, embora defendesse o internacionalismo proletário contra o nacionalismo burguês, já reconhecia que em todo o nacionalismo burguês de uma nação oprimida existe um conteúdo democrático geral dirigido contra a opressão; e é este conteúdo que nós apoiamos sem restrições. Mas Lenine sabia que, com o hibridismo gerado, tanto podia mobilizar um nacionalista para o internacionalismo, como desarmar nacionalismos pela mesmíssima mistura explosiva. Porque neste domínio haveria, sobretudo, que entender o movimento libertacionista, instrumentalizando a revolta em nome de uma ideia abstracta, mas desde que a mesma fosse susceptível de ser lida pelos mais contraditórios sonhadores dos amanhãs que cantam. Como ele próprio explicitou: as pessoas que não tenham examinado bem a questão acharão "contraditório" que os sociais-democratas de nações opressoras insistam na "liberdade de secessão" e os sociais-democratas das nações oprimidas na "liberdade de união". Mas um pouco de reflexão mostra que não há nem pode haver qualquer outra via para a internacionalização e a fusão das nações, qualquer outra via da situação presente para aquele objectivo.

No manual de Ética da Edições Progresso de Moscovo, de 1986, que constitui um repositório do comunismo brejneviano, defendia-se a necessidade de um patriotismo socialista organicamente ligado ao internacionalismo, porque ninguém pode ser internacionalista sem ser patriota ferveroso; da mesma maneira, ninguém pode ser verdadeiro patriota sem ser internacionalista consequente. Nesta unidade consiste a sua essência. Assim, o patriotismo socialista distinguir-se-ia do patriotismo burguês, dado que a história da burguesia tornou absolutamente claro que para ela o patriotismo, a Pátria, o interesse nacional foram sempre um biombo destinado a camuflar objectivos interesseiros de classe. Quando se trata de lucros e do domínio de classe, a burguesia não hesita em atraiçoar a Pátria e firmar uma aliança com estrangeiros. Aliás, segundo o mesmo texto, o patriotismo socialista também se distinguiria do cosmopolitismo, dado existirem coisas que uma pessoa não pode escolher. Uma delas é a Pátria. Este é um valor especial, é um valor sagrado. Nina Andreeva, depois fundadora do grupo neocomunista e neo-estalinista Unidade, denunciava o ataque dos liberais e dos tradicionalistas. Para ela, os neoliberais guiar-se-iam pelo Ocidente, sendo a sua tendência um cosmopolitismo e um internacionalismo apátrida enquanto os tradicionalistas quereriam o retorno aos modelos da Rússia pré-socialista. Ambos imporiam o pluralismo extrasocialista, o que objectivamente impede a reestruturação da consciência social.

Retirado de Respublica, JAM

Interregno (o). Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal, 1928

Fernando Pessoa, em 1928, numa edição do Núcleo de Acção Nacional, publica um texto subtitulado Defesa e Justificação da Ditadura Militar em Portugal, onde analisa a subida ao poder de Salazar. Considera que gradualmente se sentia a sua chefia, foi primeiro um prestígio de pasmo, pela diferença entre ele todas as espécies de chefes políticos que o povo conhecesse; veio depois o prestígio administrativo; do financeiro - prestígio que o povo, incapaz de criticar ou de perceber uma obra financeira - imediatamente aceitou em virtude do prestígio já dado. E isto porque todo o prestígio consiste na posse, pelo prestigiado, de qualidades que o prestigiador não tem e se sente incapaz de ter.

Retirado de Respublica, JAM

Intuição da essência

Edmund Husserl propõe um avançar para as próprias coisas, através da chamada intuição da essência, porque, sendo as coisas do espírito simultaneamente reais e ideais, seria possível contemplá-las, descobrindo o que há nelas de invariável e permanente. Uma essência que só se obtém pela descoberta do que está imanente aos próprios objectos e não pela descoberta daquilo que apenas é comum a muitos objectos. Porque só por dentro das coisas é que as coisas realmente são...

Retirado de Respublica, JAM

Intuicionismo

A filosofia da vida de Henri Bergson(1859‑1941), autor de Essai sur les Donnée immédiates de la Conscience, de 1889, a sua tese de doutoramento, bem como Les deux sources de la Morale et de la Réligion, 1932, Matière et Mémoire, 1896, e L'Évolution Créatrice, 1907.

Retirado de Respublica, JAM