terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Catolicismo social

Movimento fundado por Lammenais, distinto do catolicismo revolucionário.
Retirado de Respublica, JAM

Catolicismo revolucionário

Movimento político francês fundado por Buchez, que se distinguia do catolicismo social de Lammenais.
Retirado de Respublica, JAM

Categoria

Do gr. kategoria. Classe de objectos da mesma natureza ou classe de ideias. Aristóteles considerava a c. como cada um dos géneros mais gerais onde se colocam os objectos do pensamento. Inventaria dez categorias ou modos de ser (substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, posse, fazer e continuar), pela referência às quais, qualquer coisa individual pode ser discutida. Os lógicos medievais vão apenas utilizar as primeiras quatro. Para Eric Weil, o princípio organizador do discurso particular que desenvolve os conceitos (as categorias particulares) dum domínio.
Retirado de Respublica, JAM

Catecismo Revolucionário 1869

Obra escrita por Netchaev e Bakunine, na Suíça. Impressa em cifra, em carácteres latinos. Aí se declara que o revolucionário é um indivíduo marcado. Não tem interesses nem sentimentos pessoais, nem laços, nada que lhe seja particular, nem sequer o nome. Tudo nele é absorvido com vista a um único interesse, a um único pensamento, a uma única paixão: a Revolução. Netchaev levou à prática estas respectivas teorias, constituindo no Outono de 1869, em Moscovo, o grupo terrorista Narodnaya rasprava, organizado segundo o modelo de uma federação hierarquizada de células de cinco elementos.
Retirado de Respublica, JAM

Catarse

Do gr. katharsis. O mesmo que purga, expressão que em sentido figurado significa libertação. Utilizada pela linguagem freudiana. O eliminar de emoções destrutivas, através da apreciação de uma experiência estética.
Retirado de Respublica, JAM

Catalunha

(Catalunya) O nome vem-lhe dos visigodos, Gothalonia; ocupada pelos árabes em 720, foi, desde finais do século VIII, reconquistada pelos francos de Carlos Magno, passando a marca dentro do império franco; os finais do século X os condes da Catalunha, tornam-se independentes e resistem aos mouros. A Catalunha, juntamente com Aragão, nos séculos XII e XIII, chegou a constituir uma entidade política, incluindo as Baleares e Valência, que, nos séculos XIV e XV, chegou a estender-se à Sicília e à Sardenha, quando os catalães se assumiam como a primeira potência mediterrânica e até arrancaram ao império bizantino o ducado de Atenas. A partir de 1472 sucumbe ao unitarismo castelhano, apesar da frustrada revolta de 1640, contra Filipe IV, e da tentativa de apoio aos exércitos franceses na Guerra da Sucessão de Espanha. Em 1714, os Bourbons retiram-lhe os últimos privilégios. No século XIX a Catalunha renasce como nação cultural, por influxo do romantismo catalanista. Com a Esquerra republicana, em 14 de Abril de 1931, chega a proclamar-se uma República Catalã; em 1932 é criação da Generalitat de Catalunya; em Outubro de 1977, Tarradellas voltava à generalitat. Em Outubro de 1979, através de referendo, regressava-se à autonomia, ratificada pelas Cortes de Madrid em 11 de Janeiro de 1980; em 20 de Março de 1980 já era eleito o novo parlamento catalão e emergia o novo líder Jordi Pujol com a Convergência e União.
Retirado de Respublica, JAM

Cataláxia

Hayek considera a existência de uma espécie de kosmos do mercado, orientado pela cataláxia, pela troca permanente de informação através da qual os objectivos dos indivíduos se ajustariam espontaneamente uns aos outros, pelo que qualquer intervenção do Estado nesse domínio introduz, com efeito, uma desordem em sentido cibernético nessa ordem auto‑regulada. O Estado, assim, apenas poderia criar o quadro jurídico a partir do qual é possível a difusão máxima da informação no seio da sociedade.JAM
Retirado de Respublica, JAM

Castro, Josué de (1908-1973)

Professor de geografia humana no Rio de Janeiro desde 1939. Presidente da FAO de 1952 a 1956. Deputado desde 1955. Privado de direitos políticos em 1964.

·Geografia da Fome
1ª ed. De 1946. Brasília Editora, 1970
·Geopolítica da Fome
1951
Retirado de Respublica, JAM

Castro, Fidel n. 1926

Político cubano. Educado pelos jesuítas e licenciado em direito. Ataca o quartel de Moncada em 26 de Julho de 1953. Amnistiado em 1954, refugia-se no México. Desembarca em Cuba em 2 de Dezembro de 1956 e inicia a guerrilha na Sierra Maestra. Até Maio de 1956, o grupo sobrevive e instala-se. De Junho a Novembro de 1957, o grupo rebelde, constituído apenas por uma centena de homens, conquista a Sierra. Até Março de 1958 o Exército Rebelde, unido e cresecndo, passa da guerra de guerrilhas à guerra de colunas. Em 9 de Abril de 1958 fracassa a greve geral, pelo que o movimento urbano rebelde passa a subordinar-se cada vez mais aos guerrilheiros da Serra, contra a qual Batista decide lançar uma ofensiva. A partir de Julho de 1958, fracassada a ofensiva de batista, os rebeldes ocupam a parte oriental da ilha e lançam a sublevação geral. Os comunistas aderem ao movimento apenas em Outubro desse ano. Surgem várias colunas rebedes, dos campos para as pequenas cidades, das cidades para as capitais de província e de Havana por estas, num processo em espiral. O chamado foquismo triunfava. Battista foge no dia 1 de Janeiro de 1959 e Castro torna-se primeiro ministro em Fevereiro. Em 13 de Janeiro desse ano declara: nem eu, nem o movimento são comunistas. Dois anos depois, em 2 de Dezembro de 1961, já proclama: serei marxista-leninista até ao último dia da minha vida.
Retirado de Respublica, JAM

Casta

Palavra universal de origem portuguesa, a partir do lat. castus. Grupo social fechado que pratica a endogamia. É o modelo praticado na sociedade hindu. Em sentido amplo, diz-se de modelos hierárquicos que dividem a sociedade em grupos superiores, os puros, e grupos inferiores, os impuros, com a proibição dos casamentos mistos e a própria divisão de trabalho. Segundo Bouglé o sistema de castas implica três coisas: especialização hereditária. organização hierárquica e repulsa mútua. Na Índia, a casta superior dos bramânes tem o monopólio da oração e do sacrifício. Na base estão os párias ou intocáveis (porque estão excluídos dos rituais sociais que permitem a purificação). Entre as duas, há os guerreiros e os comerciantes. A hierarquia não assenta no poder, mas na relação de distância ou de proximidade face a um valor. Uma casta está situada numa posição cimeira da hierarquia não pelo facto de obter obediência das outras, mas porque está mais próxima de um determinado valor (no caso indiano, a casta cimeira é a que está mais distante da impureza da vida animal). Neste sistema não existe o indivíduo como valor.
Retirado de Respublica, JAM

Cassirer, Ernst (1874-1945)

Alemão de origem judaica, nascido em Wroclaw. Estuda em Marburgo, com Hermann Cohen e Paul Natorp. Professor em Berlim, desde 1906, e em Hamburgo, entre 1919 e 1930. Reitor desta Universidade em 1929-1930. Depois da ascensão de Hitler ao poder vai para o exílio, ensinando nas Universidades de Oxford (1933-1935) e Gotemburgo, na Suécia. Emigra para os Estados Unidos e ensina em Yale (1941-1944) e na Columbia University de Nova Iorque (1944-1945). Neokantiano, criador da chamada filosofia das formas simbólicas.
Unidade das formas simbólicas
Assume-se contra a dualismo de Windelband, que opunha as ciências nomotéticas às ciências idiográficas, propondo a unidade das formas simbólicas, entendidas como representações activas do mundo e não como imagens passivas (v. g. o mito, a linguagem verbal e numérica, a arte). Elas são considerados os meios característicos criados pelo homem para separar-se do mundo. Mas, através desta separação, o homem acaba por unir-se mais firmemente ao mundo.
Forma como abstracção ideante
Considera, assim, que o princípio constitutivo das ciências da cultura não deve ser procurado nos valores, mas sim na forma, considerada como uma unidade na orientação, não uma unidade no ser, isto é, uma abstracção ideante e não como conceito.
As ciências da cultura
Considera que o princípio constitutivo das ciências da cultura não deve ser procurado nos valores, mas sim na forma, considerada como uma unidade na orientação, não uma unidade no ser, isto é, como uma abstracção ideante e não como conceito. A cultura é vista como um mundo intersubjectivo: o homem vive nas palavras da linguagem, nas imagens da poesia e das artes plásticas, nas formas da música, nos quadros forjados pela imaginação e pela fé religiosa. Porque necessita de representar imaginariamente algo que não existe para poder passar da possibilidade à realidade, da potência ao acto.
O símbolo
O símbolo é que origina a cultura, incluindo entre as diversas actividades simbólicas, o mito, a linguagem, a arte e a historiografia. Se o naturalismo se preocupa com o ser e com a causa, eis que a filosofia das formas simbólicas deve preocupar-se com o devir e com a forma. As ciências da natureza determinam, as ciências da cultura caracterizam. E isto porque o fenómeno da cultura está carregado de significações que ultrapassam a coisa, pelo que o conhecimento só pode fazer-se por aproximações.
Contra o positivismo
Neste sentido, proclama que a regra fundamental do positivismo consiste em afirmar que qualquer proposição, que não possa ser reduzida com o máximo rigor ao simples testemunho de um facto, não tem nenhum sentido real nem compreensível.
O nome e a essência
Observa que o nome e essência estão entre si numa relação recíproca e necessária: o nome não significa apenas, mas é a essência do objecto; a potência da coisa real está contida no nome.
Retirado de Respublica, JAM

Casa

Casa, apesar de significar domus, vem do lat. casa, choupana, habitação humilde, ao contrário de domus, a casa mais rica. Uma comunidade complexa, abarcando três tipos de relações: primeiro, a relação do homem e da mulher, para a conservação da espécie; segundo, a relação dos pais com os filhos, tendo em vista a sobrevivência e a educação destes; terceiro, a relação do chefe da casa, enquanto unidade económica, com os respectivos dependentes. O conceito de casa engloba, portanto, tanto o de comunidade familiar propriamente dita, a associação entre marido e mulher e entre o pai e os filhos, como o de comunidade económica, onde Aristóteles incluía a relação entre o senhor, ou o dono, e o escravo.

A primeira das comunidades que Aristóteles inventaria é a casa (oikos). Uma comunidade complexa, abarcando três tipos de relações: primeiro, a relação do homem e da mulher, para a conservação da espécie; segundo, a relação dos pais com os filhos, tendo em vista a sobrevivência e a educação destes; terceiro, a relação do chefe da casa, enquanto unidade económica, com os respectivos dependentes. O conceito de casa engloba, portanto, tanto o de comunidade familiar propriamente dita, a associação entre marido e mulher e entre o pai e os filhos, como o de comunidade económica, onde Aristóteles incluía a relação entre o senhor, ou o dono, e o escravo. Segundo as suas próprias palavras, a primeira união necessária é a de dois seres que são incapazes de existir um sem o outro: é o caso daquela que se estabelece entre o macho e a fêmea tendo em vista a procriação (... ) uma tendência natural para se deixar, depois de si, um ser semelhante a si. A segunda é a união daquela cuja natureza é a de mandar com aquele cuja natureza é a de ser mandado, tendo em vista a conservação em comum. A casa, ou família em sentido amplo, formou-se destas duas comunidades: do homem e da mulher, do senhor e do escravo. É uma comunidade constituída pela natureza para a satisfação das necessidades quotidianas, sendo constituída por aqueles que comem o mesmo pão ou que se aquecem com o mesmo fogo, como o próprio Aristóteles evoca, citando autores anteriores. A casa é assim entendida como uma sociedade mais ampla que a dos parentes biológicos, dado que nela também se incluem os escravos. E o mesmo Aristóteles, acentuando o carácter económico desta comunidade, não deixa de assinalar que, nas famílias pobres, em vez dos escravos, estão os bois.
Retirado de Respublica, JAM

Carvalho, Joaquim de (1892-1958)

Professor da Faculdade de Letras de Coimbra. Marcado pelo neokantismo de Marburgo, torna-se discípulo de Hermann Cohen e, como tal, judaizante. Estudioso do pensamento de Espinosa, assume-se como um dos mais importantes historiadores da cultura filosófica portuguesa. Um dos principais colaboradores da História de Portugal dita de Barcelos, coordenada por Damião Peres, onde subscreve análises sobre a evolução do liberalismo português do século XIX.
Retirado de Respublica, JAM

Cartistas

Nome que passaram a tomar os antigos chamorros depois da Revolução de Setembro de 1836. A equipa chamorra, ligada ao Grande Oriente Lusitano, liderada por José da Silva Carvalho, com o setembrismo, entrou em compromisso com Palmela, até então acusado de conservador, e ligou-se intimamente ao paço, transformou-se no grupo cartista.
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Cartesianismo

Descartes, partindo do je pense donc je suis, lança a ilusão de nos tornarmos donos e senhores da natureza (nous rendre maîtres et possesseurs de la nature). Gera a separação entre o sujeito e o objecto, entre o homem e a natureza, levando a que, depois, com o idealismo alemão, tivessemos tentado reconciliar o homem com a natureza e o sujeito com o objecto.
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Carta de Paris para uma Nova Europa 1989

Os efeitos do ano 1989 vão, entretanto, fazer sentir-se de forma existencial no quotidiano dos europeus. Primeiro, a reunificação alemã, concretizada em 3 de Outubro. Depois, a tentativa de estabelecimento da casa comum europeia, principalmente com a reunião em Paris do CSCE, onde foi assinada a esperançosa Carta de Paris para uma Nova Europa (19 a 21 de Novembro). Isto é, quarenta anos depois do discurso do Salon de l'Horloge, modificava-se radicalmente o terreno em que assentara o projecto europeu. A Europa dos Seis da Mitteleuropa, que apenas visava um duradouro tratado de paz entre os tradicionais rivais das margens do Reno e os países que naturalmente sofriam com essas aventuras bélicas, depois dos sucessivos alargamentos, primeiro, à Grã-Bretanha, à Irlanda e à Dinamarca, e depois, à Grécia, a Portugal e à Espanha, reparava agora que apenas era parcela da Europa. O gradualismo anterior marcado pela firme intenção de recusa da política de hegemonia, deparava-se agora com o fulgor de uma Alemanha renascida que pactava directamente com Moscovo a retirada das forças soviéticas e que até tratava de reconhecer unilateralmente a Eslovénia e a Croácia, como sucedeu em 23 de Dezembro de 1991, dois dias antes da bandeira soviética ser arreada no Kremlin. Bem tenta Mitterrand proclamar a necessidade de uma confederação europeia com Moscovo, conforme ocorreu numa reunião em Praga com intelectuais europeus, em Junho de 1991. Mas é o próprio Havel que logo lhe responde, salientando que esse tipo de salto nunca pode ser concretizado sem a participação dos Estados-Unidos da América e do Canadá.
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Carta do Atlântico (1941)

Assinada em 14 de Agosto de 1941, na sequência da cimeira entre Roosevelt e Churchill, ao largo da Terra Nova, a bordo do Potomac. Nela foram fixadas as bases sobre as relações entre os Estados Unidos e o Reino Unido depois da guerra. Serviu depois como inspiração fundamental para a Carta da ONU. No art. VI desse documento, proclamava-se que depois da destruição final da tirania nazi, esperamos ver erguer-se no mundo um estado de paz, no qual todos possam viver sem guerra dentro dos limites das suas próprias fronteiras.
Retirado de Respublica, JAM

Carreira política

Do lat. carrus, carro, caminho de um carro. Gradação hierárquica de cargos, implicando um cursus honorum, uma hierarquia de subida, com sucessivas honras, por etapas.
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Carolíngio, Império

O Império de Carlos Magno (768-814), com a capital em Aix-la-Chapelle abrangia os territórios das actuais Bélgica, Holanda, França, Alemanha ocidental, Áustria, norte de Itália e nordeste de Espanha; depois da morte de Carlos Magno, pelo tratado de Verdun (843), o império foi repartido entre os respectivos netos: Carlos o Calvo, ficou com a Gália a oete do Mosa e do Ródano, Luís, com a Germania e Lotário, com aquilo que se designará Lotaríngia, parte da Itália e da Gália, entre o Mosa e o Ródano, a oeste, e o Reno e os Alpes, a Leste.
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Carneiro, Francisco Lumbralles de Sá (1934-1980)

Francisco Lumbralles de Sá Carneiro. Natural do Porto. Licenciado em direito por Lisboa. Advogado no Porto. Deputado da União Nacional em 1969. Apresenta requerimento na Assembleia Nacional sobre os presos políticos. Em entrevista ao jornal República, em 16 de Abril de 1971, declara-se social-democrata. Em 26 de Janeiro de 1973, renuncia a deputado e começa a colaborar no semanário Expresso. Fundador do Partido Popular Democrático em 3 de Maio de 1974. Ministro do I Governo Provisório, e o elemeto do governo mais próximo de Palma Carlos. Figura central do processo político português da década de setenta. Marcado pelo modelo do catolicismo político, semeado pelo Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, assume-se como social democrata logo em 1972, quanto muitos viam nele o ponto de partida para o lançamento de um partido democrata-cristão. Desiludido com a experiência de colaboração com o marcelismo, enquanto deputado da ala liberal, transforma-se num dos quatro principais líderes políticos do Portugal revolucionário e pós-revolucionário, distinguindo-se, mais pelo estilo do que pela ideologia, tanto dos centristas de Diogo Freitas do Amaral, apoiado pelos democratas-cristãos e pelos conservadores europeus, como dos socialistas democráticos de inspiração marxista, liderados por Mário Soares e protegidos pela Internacional Socialista. Depois da experiência de dois governos constitucionais do PS, no primeiro monopartidário e no segundo com o apoio e a participação do CDS, Sá Carneiro assume uma jogada de risco, atacando frontalmente o PS e os modelos eanistas.
Retirado de Respublica, JAM