quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Nyerere, Julius Kambarage (1922-1999)

Líder político da Tanzânia.

Retirado de Respublica, JAM


"Julius Kambarage Nyerere (13 de abril de 1922 - 14 de outubro de 1999) foi Presidente do Tanganyika, desde a independência deste território em 1962 e, posteriormente, da Tanzania até se retirar da política em 1985. Em (1985-86) foi-lhe atribuído o Prêmio Lênin da Paz.

Nyerere nasceu no Tanganyika, filho de um chefe Zanaki, e ficou conhecido pelo cognome Mwalimu (professor, em KiSwahili), da sua anterior profissão antes de se tornar activo na política, mas também pela sua forma de dirigir. Estudou para professor na Universidade Makerere, em Kampala (Uganda) história e economia política na Universidade de Edimburgo. Foi o primeiro tanzaniano a estudar numa universidade britânica e o segundo a completar um grau universitário (“Master of Arts”) fora de África.

Lançou-se na política em 1954, quando era professor e foi co-fundador, em Julho desse ano do partido Tanganyika African National Union (TANU), que levou o seu país à independência da Grã-Bretanha em 13 de Dezembro de 1962. Entretanto, na sequência das conversações com a potência colonizadora e de novas eleições no partido, Nyerere tinha sido nomeado, em 1959, Primeiro Ministro do território semi-independente do Tanganica e, com a independência, tornou-se o seu primeiro Presidente.

Um dirigente que trabalhava pela justiça social, unidade nacional e boas relações raciais, Nyerere conduziu a união política entre o Tanganica e Zanzibar, que levou à constiuição da República Unida da Tanzânia em 1964. Em 1977, lidera a fusão do seu partido com o Partido Afro-Shirazi de Zanzibar para formar o Chama cha Mapinduzi (CCM) ou “Partido da Revolução”, em KiSwahili.

Nyerere, que se conservou no poder até 1985 quando, voluntariamente decidiu deixar a presidência, conduziu o país segundo uma política denominada "Socialismo Africano", internamente designada "Ujamaa", que significa "unidade" ou "família", em KiSwahili. Estabeleceu laços com a República Popular da China, que financiou a construção da linha de caminhos de ferro entre o porto de Dar es Salaam e a Zâmbia e participou ainda noutros projetos industriais.

Infelizmente e, apesar do imenso esforço em termos de educação, que fez com que a Universidade de Dar es Salaam, e principalmente o seu Instituto de Ciências Marinhas, sejam actualmente um “centro de excelência”, a política “Ujamaa” não deu os resultados pretendidos e foi abandonada gradualmente pelos governantes que o sucederam.

Nyerere foi também um dos fundadores da Organização da Unidade Africana (OUA) em 1963 e da SADC, liderou o seu Comité de Descolonização da OUA, deu sempre um grande apoio à FRELIMO, na sua luta pela independência de Moçambique e a Milton Obote do Uganda, que conseguiu depôr pelas armas o ditador Idi Amin.

Depois de deixar a presidência da Tanzania, Nyerere continuou activo na política internacional, principalmente como Presidente do Intergovernmental South Centre e teve um papel central como mediador do conflito no Burundi, em 1996.

(1968) Freedom and Socialism. A Selection from Writings & Speeches, 1965-1967, Dar es Salaam: Oxford University Press.
(1974) Freedom & Development, Uhuru Na Maendeleo, Dar es Salaam: Oxford University Press. (ensaios sobre educação de adultos, liberdade e desenvolvimento)
(1977) Ujamaa-Essays on Socialism, London: Oxford University Press.
(1979) Crusade for Liberation, Dar es Salaam: Oxford University Press.
(1978) "Development is for Man, by Man, and of Man": The Declaration of Dar es Salaam in B. Hall and J. R. Kidd (eds.) Adult Learning: A design for action, Oxford: Pergamon Press."


Texto 2 e imagem retirados da Wikipédia

Nussbaum, Martha (n. 1947)

Filósofa norte-americana, autora de The Fragility of Goodness, 1986, Therapy of Desire, 1994, e Love’s Knowledge, 1990.

Retirado de Respublica, JAM

“Martha Nussbaum (nascida Martha Craven no dia 6 de Maio de 1947) é uma filósofa americana com um determinado interesse em filosofia grega e romana antigas, filosofia política e ética.

O Nussbaum é atualmente Professora na Universidade de Chicago, com Distinção em Serviço Serviço Ernst Freund, de Direito e Ética, uma cadeira que inclui nomeações no Departamento de Filosofia, na Escola de Direito, e na Escola de Divindade. Ela também mantém nomeações Associadas em Clássicos e Ciência Política, é membro do Comité de Estudos Asiáticos do Sul, e um Membro de Conselho do Programa de Direitos Humano.

Ela anteriormente ensinou em Harvard e Brown onde detinha o título de professora universitária. Na Primavera de 2007, ela foi professora visitante na Escola de Direito de Harvard junto com o seu companheiro e colega da Universidade de Chicago Cass Sunstein, e está considerando atualmente uma oferta formal para se mudar para Harvard e outra oferta para voltar a Brown.”

Texto 2 e imagem retirados (ver, ainda, outras notas e bibliografia em) de Wikipedia

Nunes, Pedro (1502-1578)

Lente universitário, professor de matemática. O inventor do chamado nónio. Cosmógrafo-mor do reino. De ascendência judaica. Defende a aplicação à filosofia dos princípios certíssimos da matemática.

Retirado de Respublica, JAM

"Pedro Nunes (Alcácer do Sal, 1502Coimbra,11 de Agosto de 1578) foi um matemático português e um dos maiores vultos científicos do seu tempo, que contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da navegação, essencial para as Descobertas portuguesas. Dedicou-se ainda aos problemas matemáticos da cartografia. Foi também o inventor de vários aparelhos de medida, incluindo o nónio (nonius, o seu sobrenome em latim).

Em 1537 traduziu para português o Tratado da Esfera de Sacrobosco, os capítulos iniciais das Novas Teóricas dos Planetas de Purbáquio, e o livro primeiro da Geografia de Ptolomeu. Em 1544 foi-lhe confiada a cátedra de matemática da Universidade de Coimbra, a maior distinção da época que se podia conferir a um matemático.

Como muitas famílias judaicas portuguesas do seu tempo, a família de Pedro Nunes foi obrigada a converter-se ao Cristianismo. Os pais de Pedro Nunes eram judeus. Pedro Nunes era aquilo o que na altura se chamava de um "cristão-novo", um judeu convertido à força e obrigado a ocultar as suas origens. Os seus netos Matias Pereira e Pedro Nunes Pereira foram presos, torturados e condenados pela Inquisição. O primeiro esteve preso entre 31 de Maio 1623 e 4 de Junho de 1631 o segundo em Lisboa, entre 6 de Junho de 1623 e 1632."

Texto 2 e imagem retirados da Wikipédia

Nunes, Manuel Jacinto (n. 1926)

Professor de economia da Universidade Técnica de Lisboa. Licenciado em Finanças em 1949. Delegado do governo junto da OECE, logo em 1949, enquanto técnico do Ministeério da Economia. Autor do Plano da Siderurgia Nacional em 1955, feito com a colaboração de Nobre da Costa. Subsecretário de Estado do Tesouro de 21 de Julho de 1955 a 6 de Novembro de 1959. Doutorado em 1957. Professor Catedrático desde 1963. Director do ISCEF de 1968 a 1970. Um dos poucos membros do governo salazarista a ascender a ministro depois de 1974, asumindo-se também como governador do Banco de Portugal, em 1963-1966, 1974 (desde Julho)-1975 (até Maio), e 1980-1985. Presidente da Caixa Geral de Depósitos de 1976 a 1980. Presidente do Conselho Directivo da FLAD.

Retirado de
Respublica, JAM

Nunes, Leopoldo (n. 1897)

Jornalista português. Um dos propagandistas do Estado Novo, célebre pela biografia de Carmona e pelas reportagens durante a guerra civil de Espanha. Funcionário da Assembleia Nacional, como redactor do Diário das Sessões.

Retirado de Respublica, JAM

Nunes, José Jacinto (1839-1931)

Político republicano, deputado e senador depois de 1910. Homem dos tempos da propaganda durante a monarquia, autor de Reivindicações Democráticas.

Retirado de
Respublica, JAM

"Nasceu em Pedrogão Grande em 25 de Outubro de 1839.

E faleceu em Grândola em 9 de Novembro de 1931. "Foi aluno do Seminário de Coimbra, tendo-o abandonado para se inscrever na Faculdade de Direito, onde tirou o seu curso. Numa geração que viveu sob a influência das ideias da Revolução Francesa de 1789, Jacinto Nunes revelou-se, um entusiasta pelos ideais democráticos.

Terminado o curso em 1865, exerceu a advocacia na sua terra natal durante algum tempo. Em 1866 foi nomeado Administrador do Concelho de Grândola. Entre 1869 e 1869 desempenhou a presidência das Câmaras Municipais de Torres Vedras e de Abrantes.

A partir de 1870 exerceu, quase ininterruptamente, a presidência da Câmara Municipal de Grândola. Casou em 7 de Julho de 1869, na Igreja de Santa Margarida da Serra, com D. Maria da Natividade Pais de Vasconcellos, data a partir da qual se afeiçoou de tal forma a esta terra que apenas se deslocava a Lisboa para o desempenho da sua actividade parlamentar e apenas durante o período de férias.

Fez parte do Directório do Partido Republicano, tendo sido vítima de perseguições e preso por duas vezes.

Embora candidato em 1870, apenas foi eleito deputado em 1893, pelo círculo de Lisboa, tendo sido um dos primeiros deputados republicanos a entrar no Parlamento. Eleito várias vezes deputado, foi seguidamente eleito senador. Tomou parte nas Constituintes, mas nunca quis ser ministro nem nunca foi condecorado. Foi autor do projecto de amnistia contribuindo, assim, para a conciliação dos portugueses.

Teve três parlamentares na famália: os genros Brito Camacho, que também foi ministro e chefe do Partido Unionista e Mário Infante de Lacerda, bem como o seu filho Jorge Nunes, inúmeras vezes eleito deputado e ministro de várias pastas.

Exerceu sempre a advocacia em Grândola sem nunca ter cobrado honorários a qualquer cliente.

Para Grândola conseguiu levar, com o filho Jorge Nunes, o caminho de ferro, com o apoio do filho Jorge Nunes, a quem foi dado o nome da maior avenida da Vila e que vai da Praça da República até à estação ferroviária. Conseguiu ainda a criação da Comarca e que os terrenos onde hoje se situa o complexo turístico de Tróia fossem incluídos no Concelho.

Colaborou activamente nos jornais O Século, para cuja fundação contribuiu, e A Luta, entre outros da época.

Publicou várias obras, entre as quais Reivindicações Democráticas, Descentralização de Lisboa e Projecto do Código Administrativo.

O seu nome foi dado à praça em frente ao cemitério do Alto de S. João, em Lisboa, o qual foi posteriormente substituído pelo de Paiva Couceiro , sendo dado o seu nome a uma rua próxima.

Na Praça da República, em Grândola, existe uma estátua de Jacinto Nunes, de autoria de Mestre Euclides Vaz.

A casa onde habitou em Grândola foi, após a sua morte, adquirida pela Câmara Municipal, sendo instalados os Paços do Concelho que aí têm funcionado até hoje."

Texto 2 e iagem retirados de CM de Grândola

Nunes, D. José da Costa (1880-1976)

Natural da Ilha do Pico, estabelecido em Macau desde 1918. Bispo de Macau de 1920 a 1940. Primaz do Oriente e Patriarca das Índias Orientais de 1940 a 1953, a partir de Goa. Cardeal desde 1962, passa para Roma onde se assume como uma das principais figuras da Cúria.

Retirado de
Respublica, JAM

"O Cardeal D. José da Costa Nunes nasceu na Candelária, Ilha do Pico (onde se encontra este busto) em 15 de Março de 1880 e faleceu em Roma, Itália, em 29 de Novembro de 1976, aos 96 anos.
Foi Bispo de Macau (1920) e nomeado Arcebispo de Goa e Damão com o título de Patriarca das Índias Orientais, a 11 de Março de 1940. Em 1953 passou a fazer parte da Cúria Romana, como vice-carmelengo da Santa Sé. No Consistório de Março de 1962 foi elevado à dignidade cardinalícia, pelo Papa João XXIII.

Os seus restos mortais foram transladados para a Igreja da Candelária em 27 de Junho de 1997."



Foto e texto 2 picados de Casa do Triângulo

Nunes, Adérito Sedas (1928-1991)

Licenciado em Economia pelo ISCEF. Ligado ao Gabinete de Estudos Corporativos do Centro Universitário da Mocidade Portuguesa desde 1952. Miltante católico, destaca-se como organizador do Congresso da JUC de 1953, juntamente com Maria de Lurdes Pintasilgo. Docente de História dos Factos e das Doutrinas Económicas do ISCEF a partir de 1955. Director do Centro de Estudos Corporativos do Ministério das Corporações em 1956-1958. Também é docente na Faculdade de Ciências e na Academia Militar. Nos anos sessenta passa a ser regente da cadeira de Introdução às Ciências Sociais do ISCEF. Director e fundador da revista Análise Social, surgida em 1963, e do Gabinete de Investigações Sociais, instituído em 1962. Procurador à Câmara Corporativa. Em 1972 torna-se subdirector do ISCSTE. Depois de 1974 é professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Presidente da Junta Nacional de Investigação Científica em 1976. Em 1979, Ministro da Cultura e da Coordenação Científica do III Governo Presidencial presidido pela sua companheira de militância político-religiosa, Maria de Lurdes Pintasilgo. Em 1982 institucionaliza a partir do Gabinete de Investigações Sociais o Instituto de Ciências Sociais.

1954, Problemas do Corporativismo
1958. Princípios de Doutrina Social, Lisboa, Moraes Editores, 1961.
1958, Sociologia e Ideologia do Desenvolvimento
1970, A Situação Universitária Portuguesa
1970, O Problema Político da Universidade
1973, Sobre o Problema do Conhecimento nas Ciências Sociais. Materiais de uma Experiência Pedagógica, Lisboa, Gabinete de Investigações Sociais, 1977


· Questões Preliminares sobre Ciências Sociais, Lisboa, Gabinete de Investigações Sociais
7ª ed., Lisboa, Editorial Presença, 1982


1992, História dos Factos e Doutrinas Sociais


Retirado de Respublica, JAM
Foto picada do ICS

Nunes, Feliciano Joaquim de Souza (1730-1808)

Nasce no Rio de Janeiro. Ligado a Gomes Freire de Andrade. Autor de uns Discursos Político-Morais Comprovados com vasta erudição das divinas e honradas letras, a fim de desterrar do mundo os vícios mais inveterados introduzidos e dissimulados, Lisboa, 1758, reeditados por Alberto Oliveira, Rio de Janeiro, Oficina Industrial Gráfica, 1931.

Retirado de Respublica, JAM
Foto picada de INCM

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Nozick, Robert (1938-2002)

"Nozick dedicou quase toda a sua vida intelectual ao ensino de filosofia na Universidade de Harvard. Com “Anarchy, State, and Utopia” (1974) tornou-se um dos mais influentes pensadores do século XX no campo da filosofia política, pelo menos no mundo anglo-americano. Este livro é não só uma crítica exaustiva a “A Theory of Justice”, de John Rawls, como também uma teoria moderna de direitos individuais e de Estado minimalista. Nozick argumenta que os direitos dos indivíduos, incluindo os direitos de propriedade, são prioritários e que a protecção desses direitos contra a violência e o roubo é a única justificação para a existência do Estado. Toda a “redistribuição” da riqueza viola os direitos das pessoas. Como tal, os Estados-providência modernos não são legítimos. Nozick mostra também que num Estado minimalista podem coexistir diferentes comunidades com os seus próprios valores.

Nozick nunca quis ser ideólogo de um movimento político. Para ele, a liberdade individual devia ser vista como um todo que abrangesse as oportunidades de um mercado livre e fortes direitos individuais, como os direitos dos homossexuais e a liberdade de prostituição. Além dos seus escritos políticos, tinha um interesse multifacetado na filosofia e escreveu livros sobre diferentes temas."

Texto picado de Movimento Liberal Social

Teórico político norte-americano, professor em Harvard. Adepto de um super-liberalismo libertário, adversário do Estado.

Obras do Autor:

· Anarchy, State and Utopia, Oxford, Basil Blackwell Publishers, 1974 [Anarquia, Estado e Utopia, Ruy Jungmann, trad., Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1991]
· Philosophical Explanations, 1981.

Bibliografia:

. Redondo, M. Jimenez, Constructivismo, Rawls, Nozick, Valencia, Facultad de Filosofia y Ciencias de la Educación, 1983.
. Rouban, Luc, «La Philosophie Formelle de l'État selon Robert Nozick», in Revue Française des Sciences Politiques, Fevereiro de 1984.
. Vallespín, Fernando, Nuovas Teorias del Contrato Social. John Rawls, Robert Nozick y James Buchanan, Madrid, Alianza, 1985.
. Gonzalez, José Maria, Thiebaut, Carlos, org., Convicciones Políticas, Responsabilidades Éticas, Madrid, Ediciones Anthropos, 1990.
. Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, pp. 239 segs..

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada do Google

Novum Organum, 1620

Francis Bacon procura um novo método ou instrumento, organon, considerando pernicioso o silogismo da escolástica. Neste sentido, propõe um novo tipo de indução, onde, pelo exame dos factos, se procura a lei que os rege. Porque saber verdadeiramente é saber pelas causas. Considerando que o poder e o conhecimento são sinónimos, apoia a posição de Maquiavel e de outros que expõem o que homens realmente fazem e não o que deveriam fazer. Assim, defende que se misture a sabedoria da serpente com a inocência da pomba. Salienta que a verdade é filha da experimentação e não da autoridade, que a idade do ouro está adiante do homem e não atrásìBacon, Francis.
Retirado de Respublica, JAM

Novo Príncipe, 1841

Obra do miguelista José da Gama e Castro, publicada, pela primeira vez no Rio de Janeiro. Há uma segunda edição de 1841, depois do autor, no ano anterior, Ter publicado uma tradução portuguesa de The Federalist. Contra a máxima de Thiers, segundo a qual, rei reina, mas não governa, propõe um outro aforismo, o rei governa, mas não administra.

Retirado de Respublica, JAM

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Novos filósofos

(Nouveaux Philosophes) Designação assumida por um conjunto de autores franceses dos anos setenta, com destaque para André Glucksmann e Bernard-Henry Lévy. Herdeiros do pessimismo de Adorno e Horkheimer, criticam Marx e Saint Just, invocando Sartre e Rousseau. Desta maneira assumem uma espécie de contra‑poder que, apesar de ser biologicamente de esquerda, como confessa Lévy, os não impediu de uma profunda crítica, tanto ao estalinismo como ao próprio socialismo,enquanto formas institucionalizadas de poder. Tal como Marcuse consideram que a imaginação pode conduzir, como na arte clássica, à reconciliação entre o princípio do prazer e o princípio da realidade, mantendo, deste modo, no plano da filosofia, o frustrado grito de revolta do Maio de 1968: l’imagination au pouvoir. Glucksmann, Lévy e Jean-Marie Benoist assumem o regresso a Rousseai. Foucault reinterpreta Marx conforme Freud. Deleuze e Lyotard misturam Marx e Nietzsche, enquanto Poulantzas reassume a teoria marxista de Estado, reinterpretando Marx à luz de certas pistas lançadas por Trotski e Gramsci.
Retirado de Respublica, JAM

Novo individualismo

(New Individualism) John Dewey, fundador do instrumentalismo e um dos principais influenciadores do pragmatismo, assume-se como defensor daquilo que qualifica como um "novo individualismo", onde se reconhece que os indivíduos estão presos num vasto complexo de associações.

Ver Dewey
Retirado de Respublica, JAM

Novo Código. A questão do

Apesar de tudo, algumas sementes consensualistas conseguem resistir. António Ribeiro dos Santos (1745‑1818), lente de cânones em Coimbra, por exemplo, é um dos que, por ocasião da viradeira do inicio do reinado de D. Maria I, reage ideologicamente contra o absolutismo pombalista, em nome desses ideais. Para Ribeiro dos Santos, em um governo que não é despótico, a vontade do Rei deve ser a vontade da Lei. Tudo o mais é arbitrário; e do arbítrio nasce logo necessariamente o despotismo (...) O Príncipe e a lei devem mandar uma mesma cousa, porque o throno e as leis têm a mesma origem, e dirigem-se a um mesmo fim. Embora não defenda directamente os princípios da soberania popular, tem a coragem de proclamar os direitos invioláveis da nação e de considerar os vassalos como corpo da nação. Aqueles direitos traduzir-se-iam na existência de leis fundamentais resultantes da convenção expressa ou tácita entre o Povo e o Príncipe. E estas tanto podiam ser escritas como consuetudinárias, entendendo como tal os costumes gerais e notórios (...) introduzidos de tempo imemorial por consentimento tácito dos seus Principes, e dos estados do Reino e confirmados por uso constante e prática de acções públicas e reiteradas; que são aquellas, a que os nossos Reis costumam muitas vezes recorrer em suas leis e testamentos, dando-lhes o título de costume e estilo destes reinos.
Entre essas leis fundamentais não escritas, Ribeiro dos Santos inclui princípios como o estabelecimento dos três Estados e das Cortes, bem como a liberdade que tem o povo de se tributar. Também a existência de Cortes é vista não como uma instituição arbitrária e dependente da vontade dos nossos príncipes (...) mas como um estabelecimento constitucional, fundado nos antigos usos e costumes (...) que exigiam a concorrência da nação,ou dos seus representantes no exercício do poder legislativo. Considera, do mesmo modo, que os povos constituindo os reis, lhes não transferirão absolutamente todo o poder e auctoridade que tinhão, mas só lhes derão o poder de administração, fazendo-os primeiros magistrados e mandatários da nação; e a ella inteiramente sujeitos e responsáveis no seu governo. Esta ideia da existência de leis fundamentais assinala, aliás, toda uma corrente de opinião consensualista que também se manifesta em certa faceta do nosso liberalismo moderado bem como nalguns autores do tradicionalismo anti-absolutista.
Retirado de Respublica, JAM

Novalis (1772-1801)

Friedrich von Herdenberg Novalis. Luterano de obediência morávia. Marcado pelo pietismo e pela nostalgia da Idade Média, critica a ruptura da Reforma e até chega a elogiar a acção dos jesuítas. Propõe assim refazer a unidade espiritual da Europa sem qualquer cedência às fronteiras nacionais. Nostálgico da respublica christiana e concebendo a Europa como um Estado dos Estados, considera que só a religião a pode restaurar. Defende o que qualifica como idealismo mágico, considerando que a pátria do homem é o seu mundo interior. Entende que a poesia é o autêntico real absoluto. Isto é o cerne da minha filosofia. Quanto mais poético, mais verdadeiro. Proclama até que estamos em missão; somos chamados para a formação da terra. Também Goethe refere que o homem deve voltar sempre a mergulhar no seu inconsciente pois aí vive a raiz do seu ser. E Schlegel proclama: a religião é a alma do mundo, da cultura que tudo anima, é o quarto elemento invisível que se agrega à filosofia, à moral e à poesia.

Retirado de Respublica, JAM

Imagem picada do Google

Novak, Michael (n. 1933)

Autor norte-americano, com antepassados eslovacos que emigraram para os Estados-Unidos em 1887. Católico. Estuda na Universidade Gregoriana de Roma e em Harvard. Professor em Harvard, Stanford e Syracuse, sendo actualmente professor em Washington no American Enterprise Institute. Pretende conciliar o comunitarismo católico com o capitalismo liberal. Defende o capitalismo democrático, assente em três elementos: uma economia de livre concorrência, um regime democrático respeitador dos direitos dos indivíduos, um conjunto de instituições culturais pluralistas animadas pelos ideais de liberdade e justiça para todos. Acentua a necessidade do progresso, da empresa, da interdependência e da cooperação).
Retirado de Respublica, JAM

Novais, J. de A. C. Amorim (1855-1913)

José de Abreu Couto Amorim Novais. Formado em direito em 1878. Advogado. Presidente da Câmara de Barcelos. Deputado desde 1881. Governador civil de Aveiro (1890), Braga (1893) e Porto (1894). Ministro da justiça de João Franco, de 19 de Maio de 1906 a 2 de Maio de 1907. Considerado então um ardente monárquico, muito religioso.

Retirado de Respublica, JAM

Nova Poesia Portuguesa (1912)

Texto de Fernando Pessoa publicado na revista Aguia, onde o poeta considera que por vitalidade de uma nação não se pode entender nem a sua força militar, nem a sua prosperidade comercial, coisas secundárias e por assim dizer físicas das nações; tem de se entender a sua exuberância de alma, isto é, a sua capacidade de criar, não já simples ciência, o que é restrito e mecânico, mas novos moldes, novas ideias gerais, para o movimento civilizacional a que pertence (in Textos de Crítica e Intervenção, p. 15).

Retirado de Respublica, JAM

Nova direita e Nova esquerda

Nova direita
Expressão inventada pela esquerda anglo-saxónica da década de oitenta que serve para qualificar uma série de movimentos neo-liberais e neo-conservadores (new-right). Neste universo, há, pelo menos, três famílias abrangidas: os neo-liberais, marcados pelas teses de Hayek, Popper e Milton Friedman; os neo-conservadores, influenciados por Roger Scruton, em torno da Salisbury Review, e William Buckley, em torno da National Review; e os libertários defensores do anarco-capitalismo, com Robert Nozick e Murray Rothbard. Já no âmbito da cultura política francesa, a expressão nouvelle droite foi assumida por um grupo restrito de tendências neo-organicistas e próximo do neo-fascismo, federado por Alain de Bénoist.

Nova esquerda
Expressão qualificadora de uma série de movimentos nascidos nos finais da década de cinquenta e principalmente nos anos sessenta, no universo anglo-saxónico. Dita new left, também assume a designação de new radicals. Assumindo-se como movimentos de contra-cultura são o caldo ideológico em que assentam os movimentos estudantis dos finais da década de sessenta. Associam-se ao processo ideológico do neo-marxismo assumido pela Escola de Frankfurt e ao renascimento analítico das teses de Lukacs, Gramsci e Althusser. Contudo, o principal doutrinador do movimento será Herbert Marcuse, atingindo o seu clímax com o Maio de 1968 francês. Insurgem-se contra o sistema (establishment), defendendo a necessidade de uma democracia participativa.

Retirado de Respublica, JAM

Le Nouveau Christianisme

Expressão de Saint-Simon com que se pretendia substituir a anterior fé religiosa pela fé na ciência. Base do gnosticismo positivista.
Retirado de Respublica, JAM

Nous

O espírito em grego. O mesmo que razão ou intelecto. Segundo Aristóteles, um dos princípios organizadores do universo.

Retirado de Respublica, JAM

Noumena

As coisas como elas são, em si mesmas.

Retirado de Respublica, JAM

Notáveis

A expressão surgiu em França depois de 1830 para designar os detentores do poder local que impuseram a sua presença no centro do aparelho de poder. Tem origem na Assembleia dos Notáveis do antigo regime, a comissão extraordinária a que os reis recorriam quando não podiam convocar os Estados Gerais. Na Constituição francesa de 1799, segundo o esquema imaginado por Siéyès, cada grupo de dez cidadãos escolhia um notável (notabilité) comunal, estes escolhiam os notáveis departamentais que designavam as notabilidades nacionais, em número de 5000.

Retirado de Respublica, JAM

Nós e eus

Schonfeld considera que a sociedade são os eus enquanto a comunidade é o nós. Por seu lado, Mounier observa que a experiência primitiva da pessoa é a experiência da segunda pessoa. O tu e, adentro dele, o nós, precede o eu, ou, pelo menos, acompanha-o.

Retirado de Respublica, JAM

Noronha, António Manuel de (1761-1860)

Visconde de Santa Cruz Desde 1851 Ministro da marinha e ultramar do governo da regência de D. Isabel Maria, de 6 de Dezembro de 1826 a 30 de Junho de 1827, quando é substituído pelo Visconde de Santarém. Governador de Angola em 1839. Deputado de 1842 a 1845.
Retirado de Respublica, JAM

Noronha, D. Caetano de (1820-1881)

D. Caetano Gaspar de Almeida e Noronha Portugal Camões de Albuquerque Moniz e Sousa. 3º Conde de Peniche e 8º Marquês de Angeja, Desde 1879 (Herdeiro de Uma Tia) Bacharel em direito (1842). Advogado. Começou cabralista. Governador civil de Évora em 1850-51. Regenerador. Eleito grão-mestre do Grande Oriente de Portugal em 24 de Novembro de 1863. Opõe-se à fusão. Nas eleições de 1867 constitui um grupo oposicionista dito liberal-progressista. Afasta-se de Lobo de Ávila em Março de 1868. Implicado na Janeirinha de 1868. Ligado aos reformistas, vence as eleições de 11 de Abril de 1869. No ano seguinteOs reformistas e penicheiros passam de 79 a 15 deputados e os históricos, integrando regeneradores a 89. Em Maio de 1870, reformistas e penicheiros abandonam a Câmara dos Deputados, acusando o presidente da Câmara dos Deputados de lhes coarctar a liberdade de expressão. Implicado na saldanhada de 1870. Ministro das obras públicas, comércio e indústria durante a saldanhada, de 26 de Maio a 1 de Agosto de 1870. Vai para embaixador em Bruxelas. Os penicheiros mostravam-se muito desordeiros e começaram logo a surgir boatos sobre um eventual golpe a desencadear por estes. Exílio de 1871 a 1877.
Retirado de Respublica, JAM

Noronha, D. Sancho de

·Tratado Moral de Louvores e Perigos de Alguns Estados Seculares
1549. Ver a edição de MARTIM DE ALBUQUERQUE, Lisboa, Estudos de Ciências Políticas e Sociais, 83º, 1969.
Retirado de Respublica, JAM

domingo, 18 de novembro de 2007

Normandia (Normandie)

Região francesa na actualidade; desde 911 que aí se estabeleceram os normandos que em 1066 conquistaram a Inglaterra com Guilherme o Conquistador. Depois de 1204 voltou a unir-se ao reino de França. Foram os normandos franceses que governaram Nápoles e a Sicília.

Retirado de Respublica, JAM

"A Normandia é um antigo país da Europa do noroeste da França que ocupou, em primeiro lugar, o baixo vale do Sena em 911, seguidamente o Mans e Bayeux em 924, o Cotentin, o Avranchin e as ilhas da Mancha em 933. Ducado de 911 para 1204, a parte insular (anglo-normande) da Normandia, excepto Chausey, formou as comarcas de Jersey e Guernesey, enquanto a sua parte continental (francesa) se tornou uma província histórica francesa após 1204.

Muito estáveis, as fronteiras continentais desta antiga província têm-se mantido bastante fielmente, excepto alguns territórios incorporados nos actuais Eure-et-Loir, Mayenne, Oise e Sarthe aquando da criação das jurisdições distritais e algumas comunas encravadas trocadas com Mayenne após a criação dos departamentos à altura da Revolução, com o Calvados, Eure, a Mancha, Orne e o Sena-Inferior.

Na época contemporânea, a Normandia permanece um espaço geográfico-cultural do qual três autarquias compartilham o nome que ostentam: as duas regiões administrativas, sob soberania francesa, da Alta Normandia e da Baixa Normandia; o ducado de Normandia, composto pelas comarcas de Jersey e de Guernesey, sobre o qual os monarcas da Grã-Bretanha exercem a soberania sob o título «de duque de Normandia». (...)".

Texto 2 (traduzido por JRC e pelo Smartlink) e imagem retirados da wikipédia

Nomos (Der) der Erde, 1950

Obra de Carl Schmitt onde se retoma o conceito grego de nomos basileus, considerando que a ocupação da terra é o nomos fundamentador do direito, o acto originário do mesmo, tanto em sentido histórico como em sentido lógico, fundamentando o direito face ao exterior (apropriação da terra por uma potência, face a outras, também ocupantes ou possuidoras de terra) e face ao interior (repartição da terra dentro do grupo dominante). Por causa disto, o direito vive em fluência permanente, vive sempre em função de uma relação de poder.

Retirado de Respublica, JAM

Nomos

Uma das parcelas da taxis, a que surge das convenções ou costumes (nomos), por oposição a thesis. Vai além da lei propriamente dita, abarcando as práticas e os costumes de carácter moral e religioso. Só com as reformas de Clístenes em Atenas e que passa a ligar-se mais directamente à ordem legal. Os sofistas vão dizer que as nomoi são uma criação humana contigente e relativa. Com a democracia, passam a estar dependentes das deliberações populares, começando a confundir-se com os decretos (psephisma) emitidos pela ecclesia. Em 403 a.C. surgem em Atenas comissões de nomotetas com a missão de reverem as leis existentes a fim de se evitarem contradições.


Retirado de Respublica, JAM

Nominalismo

Corrente do pensamento que reduz as ideias e os conceitos aos signos e sinais que os mesmos exprimem. Doutrina assumida por Ockham, Hobbes e, mais recentemente, por Henri Poincaré, o pai do chamado nominalismo científico. Segundo as teses de William of Ockham, os conceitos, os universais, não são substâncias, não são coisas reais (realia), mas meros signos ou símbolos que não existem fora do sujeito que procura conhecê-los. São predicados para os juízos. São nomes que servem para indicar uma pluralidade de coisas singulares, sendo comuns a uma dada classe de objectos, ao contrário do que defendia São Tomás de Aquino e a escolástica, para quem os universais possuem em Deus uma existência real, constituindo verdades eternas, verdades que o são em todos os tempos e todos os lugares. Pelo contrário, Ockham considera os mesmos universais como termos de segunda intenção, diversos dos termos de primeira intenção que resultam do conhecimento das coisas singulares, obtido pela intuição e pela experiência. Os primeiros são mais gerais e mais confusos; os segundos, marcados pela precisão. Não se aceita assim a distinção tomista entre essência e existência ou entre potência e acto, chegando mesmo a proclamar que a existência de Deus é uma questão de fé e não uma questão da razão.

Retirado de Respublica, JAM

Nomenclatura

Do latim nomenclatura, isto é, o conjunto de vocábulos de um dicionário. Por evolução semântica, passa a significar colecção dos termos técnicos de uma ciência. Em pleno devorismo português, no panfleto Hontem, hoje e amanhã visto pelo direito, da autoria de José Maria de Almeida e Araújo Correia Lacerda já surgia a designação de uma nova nomenclatura, para os homens do situacionismo, até porque tirar os bens aos nobres e ao clero reputava-se um acto de justiça, mas não era considerado escândalo o acumularem ofícios aqueles que apregoavam justiça e reforma, conforme as palavras de Lavradio (II, p.15).

Retirado de Respublica, JAM

Nogueira, Joaquim Fernando

Nasce em 1950. Licenciado em direito por Coimbra em 1974 e assistente da Faculdade de Direito de Coimbra desde então. Militante do PSD onde ascenderá a presidente da comissão política em Fevereiro de 1995, sucedendo a Cavaco Silva. Candidato a Primeiro Ministro e derrotado por António Guterres, abandona a política activa. Exerceu diversas funções governamentais: Secretário de Estado do Desenvolvimento Reigional em 1983, no governo do Bloco Central, Ministro Adjunto do Primeiro Ministro em 1985; Ministro da Presidência e da Justiça em 1987; Ministro da Presidência e da Defesa Nacional em 1990.

Retirado de Respublica, JAM

Nomeação

Forma de designação do funcionário burocrático, diversa da eleição. Uma das formas específicas da burocracia moderna, segundo Weber.

Retirado de Respublica, JAM

Nogueira, Alberto Marciano Gorjão Franco (n. 1918)

Celebrizado como ministro dos negócios estrangeiros de 4 de Maio de 1961 a 6 de Outubro de 1969, com Salazar e Marcello Caetano. Licenciado em direito. Na carreira diplomática desde 1941. Passa pelo Japão de 1945 a 1950. Cônsul em Londres em 1954. Integra as delegações portuguesas à ONU de 1956 a 1960. Deputado de 1969 a 1973. Antigo crítico literário de jornais da esquerda republicana dos anos quarenta. Diplomata de carreira. Depois de abandonar o governo, torna-se administrador por parte do Estado da Companhia de Caminho de Ferro de Benguela e liga-se à administração do grupo Espírito Santo. Edita em 1971, pela Ática, As Crises e os Homens, onde elabora a tese da traição das elites ao longo da história portuguesa. Biógrafo de Salazar. Depois de 1974, destaca-se também como memorialista e professor de história em universidades privadas. Outras obras importantes são Diálogos Interditos, de 1979, e Um Político Confessa-se. Diário 1960-1968.

Retirado de Respublica, JAM

Noesis

De nous, espírito. Uma das formas da actividade mental que utiliza a intuição em vez da chamada razão discursiva, como o faz a dianóia. Modleo retomado pela fenomenologia de Husserl que fala na necessidade da intuição da essência.

Retirado de Respublica, JAM

Nóbrega, Padre Manuel da (1517-1570)

Formado em Cânones por Coimbra em 1541, depois de tamém ter estudado em salamanca. Jesuíta de 1544. Chega ao Brasil em 1549, sendo o fundador da cidade de São Paulo, então dita de Piratininga (1554). Missionário, autor do célebre Diálogo sobre a Conversão dos Gentios, 1556-1557, a primeira obra literária escrita no Brasil (ver ed. do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, São Paulo, 1954).

Retirado de Respublica, JAM

Nobre, Augusto Pereira (1865-1946)

Naturalista pela faculdade de filosofia de Coimbra. Especialista em zoologia. Irmão de António Nobre, publica o em 1902, com o nome de Despedidas, com um prefácio de Sampaio Bruno. Democrático. Assumirá a linha ortodoxa de apoio a António Maria da Silva e dos bonzos. Ministro da instrução pública de 26 de Junho a 19 de Julho de 1920, no governo de António Maria da Silva; de 30 de Novembro de 1920 a 2 de Março de 1921, no governo de Liberato Pinto; de 6 de Fevereiro a 30 de Novembro de 1922, no governo de António Maria da Silva. Reitor da universidade do Porto entre 1919 e 1925.

Retirado de Respublica, JAM

Nitti, Francesco (1868-1953)

Italiano de origens judaicas, marcado pelo radicalismo liberal. Chefe do governo em 1919-1920. Obrigado ao exílio a partir de 1924.
Retirado de Respublica, JAM

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Nixon, Richard Milhous (1913-1994)

37º presidente dos Estados Unidos, depois de ter sido vice-presidente de Eisenhower. Derrotado numa primeira candidatura por John Kennedy em Novembro de 1960. Eleito em 1968. Renuncia depois do escândalo Watergate. Quaker. Ver The Memoirs of Richard Nixon, Nova Iorque, Grosset & Dunlop, 1978.

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Nisbet, Robert A. (n.1913 )

O estado surgiu com o imperium de César Augusto,78,519 Robert Nisbet dá ao Estado origens mais remotas. Teria surgido com o aparecimento do imperium de César Augusto, face à dissolução da família romana, quando aparece, então, como uma comunidade nova marcada pela pretensão universalista e estabelecendo uma relação directa entre o centro imperial o o individuo.

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Nietzsche, Friedrich Wilhelm (1844-1900)

Estuda em Bona teologia e filologia clássica em 1864, sendo aluno de Ritschl. No ano seguinte passa para Leipzig. Professor de filologia em Basileia a partir de em 1869. Influenciado pelo pessimismo e irracionalismo de Schopenhaer. Contacta Wagner. Doente desde 1876, deixa de ser professor em 1879. Passa a viver na Itália e na Suíça. Sofre de doença mental incurável desde 1889. Considera necessário que se supere a metafísica, considerada uma produção do homem decadente. Defende que o super-homem não é um democrata igualitarista nem um anarquista, mas um novo nobre. Não é uma nova espécie de homem nascida de uma mutação biológica, mas o homem de hoje nascido da educação e da selecção. Se considera que o Estado democrático é o ídolo dos fracos, não deixa de qualificar o anarquista como um nihilista, um homem ressentido e um decadente. O poder deve pertencer a uma raça pura e nobre, a uma nova e rara aristocracia, anti-cristã e anti-dionisíaca, que, sobre as ruínas dos falsos valores edificará um novo mundo político.

Goyard-Fabre, Simone, Nietzsche et la Question Politique, Paris, Éditions Sirey, 1977. ¾Philosophie Politique. XVème-XXème Siècle (Modernité et Humanisme), Paris, Presses Universitaires de France, 1987, pp 444 segs...

Strong, Tracy B., F. Nietzsche and the Politics of Transfiguration, University of California Press, 1975.

Valadier, Paul, Nietzsche et la Critique du Christianisme, Paris, Éditions du Cerf, 1974. 4Bénoîst, Alain, Vu de Droite, trad. port. Nova Direita/Nova Cultura, Lisboa, Edições Afrodite-Fernando Ribeiro de Melo, pp. 61-68.

Blondel, Jacqueline, «Nietzsche», in Dictionnaire des Oeuvres Politiques, pp. 603-617. 4Châtelet, François, Pisier-Kouchner, Evelyne, Les Conceptions Politiques du XXème Siècle. Histoire de la Pensée Politique, Paris, 1981, pp. 24-44.

Ebenstein, William, Ebenstein, Alan O., Great Political Thinkers, pp. 784 segs.. 4Freitas, Manuel Costa, «Nietzsche», in Logos, 3, cols. 1158-1167.

Maltez, José Adelino, Ensaio sobre o Problema do Estado, Lisboa, Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1991, II, p. 173.4Theimer, Walter, História das Ideias Políticas, trad. port., pp. 448 segs...

Retirado de Respublica, JAM

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Niebuhr, Karl Paul Reinhold (1892-1971)

Um dos fundadores do neo-realismo político em teoria das relações internacionais. Pastor protestante norte-americano e professor em Nova Iorque e Yale. Distingue entre moral individual e moral dos Estados, salientando que esta é marcada pelo egoísmo, pelo interesse nacional e pela força. Considera que as guerras levadas a cabo em nome desta moral são menos desastrosas que as guerras ideológicas.

· The Christian Century, 1931.

· Moral Man and Immoral Society, Nova Iorque, 1932.

· Christianity and Power Politics, Nova Iorque, 1940.

· Nature and Destiny of Man, 1943.

· The Nature and Destiny of Man. A Christian Interpretation, 2 vols., Nova Iorque, 1949.

· Christian Realism and Political Problems,Nova Iorque, 1953.

· Man's Nature and his Communities, Nova Iorque, Charles Scribner's Sons, 1965.

· Faith and Politics, 1968.


Retirado de Respublica, JAM

Foto picada do Google

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Newton, Isaac (1642-1727)

Autor de Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, de 1687. Professor em cambridge desde 1669, membro da Royal Society a partir de 1672.
Um dos fundadores da mecânica e da ciência moderna, juntamente com Galileu e Kepler, estabelecendo a lei da igualdade entre a reacção e a acção na colisão mecânica.
A partir de então, segundo Althusser, dá-se a passagem da "física especulativa" de Descartes a uma espécie de "física experimental".
Para Agostinho da Silva, ele "lançou pelo menos uma hipótese e de todo o tamanho: a da existência de um Deus que teria montado a mecânica e que, de vez em quando, no sarcasmo de Leibniz, ainda viria acertar o seu relógio".
Para Alain de Besançon, a descoberta destas leis da inércia e da gravitação constitui "uma proeza cósmica, talvez a maior de toda a história da ciência", gerando-se uma "revolução mecanicista" dado tratar‑se da "primeira lei cientificamente provada", instalando-se o positivismo moderno". O próprio Newton declara o seguinte: "tudo o que näo é deduzido dos fenómenos é uma hipótese: e as hipóteses, sejam físicas, sejam mecânicas, sejam das qualidades ocultas não devem ser recebidas na física experimental, e basta que a gravidade exista e que aja segundo as leis que expusemos".
Também Popper salienta que essa descoberta constituiu "um progresso sem precedentes", por ter criado "um saber verdadeiro, certo e suficientemente fundamentado", pelo que se tratou do "maior acontecimento intelectual de toda a história espiritual da humanidade".

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Wikipedia

New Science of Politics (Voegelin), 1952

Expressão de Eric Voegelin, de 1952, pela qual se propõe uma nova ciência da política, em pleno auge do behaviorismo que teria transformado a ciência política num instrumento do poder e numa apologia dos seus princípios.

Faz-se um ataque cerrado ao peso da herança positivista que teria feito deslocar o esforço científico da teoria para o método, quando importava voltar à consciência dos princípios, a uma ciência cristã e clássica do homem que teria sido prevertida por quatro super-homens, o progressista de Condorcet, o positivista de Comte, o materialista de Marx e o dionisíaco de Nietzsche.

O cientista político, quando aborda as realidades políticas, encontra um campo já ocupado sobretudo pelas auto-interpretações da sociedade, pelos símbolos sociais pré-existentes, pelos mitos e pelos ritos.

Todo o poder visa o ideal de um governo obtido pelo consenso dos cidadãos, o que pressupõe a articulação dos cidadãos individualmente considerados até ao ponto em que eles se possam tornar cidadãos activos na representação da verdade através do peitho, a persuasão.

A sociedade é iluminada por um complexo simbolismo, com vários graus de compactação e diferenciação ‑ desde o rito, passando pelo mito, até à teoria ‑ e esse simbolismo a ilumina com um significado na medida em que os símbolos tornam transparentes ao mistério da existência humana a estrutura interna desse pequeno mundo, as relações entre os seus membros e grupos de membros, assim como a sua existência como um todo. A auto‑iluminação da sociedade através dos símbolos é parte integrante da realidade social, e pode mesmo dizer‑se que é uma parte essencial dela, porque através dessa simbolização os membros da sociedade a vivenciam como algo mais que um acidente ou uma convivência; vivenciam‑na como pertencendo a sua essência humana.

O teórico, deve ao menos ser capaz de reproduzir imaginativamente as experiências que a sua teoria busca explicar. Em segundo lugar, a teoria como explicação só é inteligível para aqueles em que a explicação desperte experiências paralelas como base empírica para testar a base da teoria. Porque uma teoria não é apenas a emissão de uma opinião a respeito da existência humana em sociedade; é uma tentativa de formular o sentido da existência, definindo o conteúdo de uma género definido de experiências.

Gnosticismo

Voegelin considera que o gnosticismo contemporâneo é marcado por quatro ideias de super-homem: o progressista (Condorcet), o positivista (Comte); o materialista (Marx) e o dionisíaco (Nietzsche), propondo o regresso à ciência clássica e cristã do homem, a que chama new science of politics, entendida como uma ciência da existência humana na sociedade e na história e dos princípios de ordem geral, concepção já defendida por Aristóteles, Santo Agostinho e Hegel (Chicago, The Chicago University Pres, 1952) (cfr. a péssima trad. portuguesa de José Viegas Filho, A Nova Ciência da Política, 2ª ed., Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1982).

Abrange as seguintes matérias:

- análise do declínio e da restauração da filosofia política;
- acção do positivismo;
- as teses de Weber sobre a ciência livre de valores;
- obstáculos e êxitos na restauração da ciência política neoclássica.

- na segunda parte: estudo monográfico do conceito de representação política.

- na terceira parte: estudo da natureza da modernidade, da revolução gnóstica e do fim da modernidade.

Retirado de Respublica, JAM

New Deal

Roosevelt toma posse como presidente em 4 de Março de 1933. Imediatamente se estabelece uma nova forma de dirigismo económico, como o Emergency Banking Act, de 10 de Março, o Federal Securities Act, de 27 de Maio, o Banking Act, de 16 de Junho, o National Industrial Recovery, de 16 de Junho, um novo conjunto de leis da concorrência. Seguem-se novos diplomas sobre o programa de obras públicas, o Emergency Public Works Administration, e o de combate às causas e consequências da sobreprodução, Agricultural Adjustment Act, de 12 de Maio.

Retirado de Respublica, JAM

Neves, Monsenhor Francisco Moreira das (1906-1992)

Subdirector do jornal Novidades até 1974 (colaborador do jornal desde 1934) e um dos directores da editora União Gráfica. Um dos principais colaboradores do Cardeal Cerejeira, de quem foi biógrafo. Literato, ficou célebre por um estudo das ideias de Guerra Junqueiro. Autor de Inquietação e Presença, Leiria, 1942, onde descreve a vida de Miguel Sá e Melo, um jovem modernista católico aderente ao fascismo, bem como de Guerra Junqueiro. O Homem e a Morte, Porto, 1942.

Retirados de Respublica, JAM

Foto (ver também desenvolvimento) retirada de Respublica



"(...) Depois de frequentar o Seminário do Porto, recebeu a ordenação presbiteral, em 1929, de D. António Augusto de Castro Meireles. Nos primeiros dois anos paroquiou em Milhundos (terra de D. António Ferreira Gomes) e dedicou-se, em simultâneo, ao apostolado infantil com a fundação do Patronato de Santa Rita de Cássia.
Em 1934 veio para Lisboa para Chefe de Redacção do Jornal «Novidades». Entremeada com o jornalismo, a sua acção sacerdotal dispersa-se pela pregação, conferências e estudos eclesiásticos. Para além das reportagens e dos volumes de prosa e verso são bem conhecidos alguns programas radiofónicos e televisionados.
Em 1946 foi nomeado presidente nacional da Obra de Protecção aos Leprosos e elaborou imensos trabalhos na secção «Letras e Artes» do jornal «Novidades». Faleceu a 31 de Março de 1992 mas deixou saudades e obra. Eis alguns Livros saídos da pena do Pe. Moreira das Neves: «Sonho Azul» (Sonetos - 1931); «Hóstia florida (1936)»; «António Correia de Oliveira – biobibliografia ilustrada (1932)»; «As sete palavras de Nossa Senhora – Poemas Marianos»; «Leal Conselheiro Infantil»; «Inquietação e Presença»; «Mendigo de Deus»; «O Grupo dos Cinco» e «O cardeal Cerejeira (1945-1948)» (...)".



Retirado de Agência Ecclesia

Neves, José Acúrsio das (1766-1834)

Formado em leis, foi juiz em Angra até 1807. Membro da Junta do Comércio desde 1810, será saneado pelo vintismo. Procurador às cortes de 1828, será destacada figura do miguelismo. Morto em 6 de Maio de 1834.

Contra-Revolução consensualista,131,907 Se uma certa costela vintista procura retomar o consensualismo pré‑absolutista, o facto é que entre os adversários do liberalismo também se encontram desenvolvimentos provindos da mesma raiz doutrinária. É o caso do miguelista José Acúrsio das Neves. Ele revolta‑se contra os vintistas porque "em lugar de seguirem o caminho trilhado pela experiência, tomaram pelos espaços aéreos da abstracção, para subverterem tudo com as suas vãs teorias, e tão vãs, que fazem lembrar os engenhosos pensamentos do autor da história de Gulliver sobre o governo da Lapúcia". Para ele "todos falam em pátria; porém, uns para a salvarem, como Catão; outros para lhe lançarem novos ferros, como César, quando passava o Rubicão, dizendo que ia vingá‑la, ou como Sylla, e os triúnviros quando em nome dela proscreviam os cidadãos mais respeitáveis da República".



Preocupa‑se, contudo, com o facto do poder tender para o despotismo: "os governantes tendem sempre a aumentar, concentrar o seu poder; e daqui vem que o Governo democrático propende para o aristocrático, o aristocrático para o oligárquico, este para o monárquico, e finalmente para o despótico". Refere em seguida o despotismo como "o governo que para se manter, for obrigado a substituir a força física à força moral, onde o amor dos povos...não for o laço de união entre os governantes e os governados". E isto porque "segundo os publicistas é aquela monstruosa espécie de Governo, onde um só, sem lei e sem regra, move tudo pela sua vontade... é todo aquele que não reconhece outro princípio senão a vontade de quem governa, ou seja um só, ou sejam muitos, porque o distintivo consiste na natureza do mesmo Governo, e não no número das pessoas que o exercitam". No despotismo "tudo se prostitui a quem governa; não há emulação" e "não se querem para os empregos senão homens servis e aduladores".



Considera que a política tem de ser limitada pela moral: "que é a política, quando não tem por fundamento a ciência dos costumes? Porque os legisladores, e principalmente os modernos têm separado uma da outra, é que os povos são agitados pelas comoções mais violentas". Acontece também, por via disso, que "a razão anda sempre em guerra com a opinião, e em seus combates ... é sempre condenada à morte". O problema está em que "o triunfo das ideias falsas, e por consequência o das falsas opiniões públicas, não tem mais duração que a do engano ou da vilência que as sustenta".



Retirado de (ver também bibliografia em) Respublica, JAM

Neuman, Sigmund (1904-1962)

Politólogo norte-americano. Em 1942 faz uma das primeiras análises da política de massas do nazismo, considerando que este em vez de nascer da atomização dos indivíduos, produziu esta ao destruir deliberadamente os grupos da República de Weimar.

· Permanent Revolution, Nova Iorque, 1942.

· Modern Political Parties. Approaches to Comparative Politics, Chicago, The University of Chicago Press, 1955 (ed.) [trad. cast. Partidos Políticos Modernos, Madrid, Editorial Tecnos, 1965].

Retirado de Respublica, JAM

Neto, João Baptista Pereira

Professor do ISCSP e Reitor da Universidade Internacional. Licenciado em 1960, doutorado em 1964, Professor Catedrático desde 1970.

· Angola: Meio Século de Integração, (dissertação de doutoramento), Lisboa, ISCSPU, 1964.

· Geopolítica Tropica, Lisboa, ISCSPU, 1965.

· «Evolução e Tendências Recentes das Hipóteses Geopolíticas», In Estudos Políticos e Sociais, vol. VI, n.º 1, pp. ...*, Lisboa, ISCSPU, 1968.

Retirado de Respublica, JAM

Neto, António Lino n. 1873

Advogado e professor de economia do Instituto Comercial e Industrial de Lisboa. Passa depois a professor de direito industrial no Instituto Superior Técnico. Vice-reitor da Universidade Técnica entre 1938 e 1942.
Fundador e dirigente do Centro Católico Português, eleito em 1919. Director do jornal católico A União, orgão do CCP, desde 19 de Janeiro de 1920, assumindo uma postura centrista, contra a ala monárquica dos católicos, expressa pelo jornal A Época, dirigida por Fernando Sousa (Nemo). Do seu grupo, apoiado pela Igreja oficial e pelo próprio Papa, faz parte António de Oliveira Salazar.
Em Maio de 1920 escreve que a Igreja é a mais bela democracia que tem visto o mundo e a primeira democracia de todos os tempos. Nemo contesta, baseando-se em Charles Maurras. Também Pequito Rebelo em A Monarquia havia criticado o presidente do Centro Católico Português, em Março desse ano. Em Dezembro de 1922 António Maria da Silva elogia António Lino Neto.
Em 21 de Outubro de 1923, declara que o centro não é um partido político, embora represente uma influência de natureza política. Não pretendemos instalar-nos no poder nem confundimos legislação com regime. Em 24 de Novembro seguinte, toma posição sobre o governo nacionalista de Ginestal Machado: é necessário que a atmosfera de confiança que por toda a parte se vem desenvolvendo contra os políticos se não se acentue mais nem torne possível entre nós movimentos como os que lá for a determinaram a ascensão ao poder de Mussolini em Itália e de Primo de Rivera em Espanha. Em Janeiro de 1924 considera que o governo de Álvaro de Castro é um ministério de pessoas categorizadas. Acrescenta que a minoria católica condena e reprova, por fundamentalmente prejudicial ao povo, qualquer facto revolucionário, venha ele dos governantes com o nome de “golpe de Estado”, venha dos governados com o nome de “jornada gloriosa”.
Condena todas as ditaduras sejam as de um regime, como a de Mouzinho da Silveira, as de um partido, como a de João Franco, ou as de um homem, como a de Sidónio Pais. Alerta contra os messias porque a solução da crise nacional está em cada um de nós, cumprindo simplesmente, mas inteiramente o nosso dever.
Em Abril de 1924 profere conferência no Funchal: O Estado Moderno, Sindicalismo e Congreganismo. Ainda reúne a direcção do Centro Católico em 17 de Dezembro de 1931, quando esta organização decide não enfrentar a União Nacional.


Retirado de Respublica, JAM

Neto, António Agostinho (1922-1979)

Médico por Lisboa, depois de frequentar a faculdade de medicina de Coimbra.
Filho de um pastor protestante angolano. Concluído o liceu em Luanda, começa como empregado administrativo dos serviços de saúde. Em 1947 parte para Portugal onde cursa medicina.
Um dos fundadores do MPLA e o primeiro presidente da República Popular de Angola, desde 11 de Novembro de 1975, até à data da morte. Começa como militante do MUD Juvenil em 1954, tomando parte, como representante da oposição portuguesa no I Encontro Mundial da Juventude Rural realizado em Viena nesse ano, organizado pela Federação Mundial da Juventude Democrática, de orientação pró-soviética.
Preso pela PIDE em 1955 por fazer parte do MUD Juvenil, juntamente com Pedro Ramos de Almeida e Ângelo Veloso. Regressa a África em 1959, assumindo a presidência do MPLA, de que foi um dos fundadores em 1956. É um dos principais organizadores da Casa dos Estudantes do Império. Preso em Angola em Julho de 1960, é remetido para o Tarrafal, donde passa para o Aljube. Daqui se evade no Verão de 1962, numa acção organizada pelo PCP...

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Webboom

Netchaev, Serguei (1847-1882)

Fundador da Sociedade do Machado, morto na prisão.

Foi redactor, em colaboração com Bakunine, de um Catecismo Revolucionário, escrito em 1869, na Suíça, onde se declara que o revolucionário é um homem antecipadamente condenado. Não pode permitir-se relações apaixonadas, nem possuir coisas ou seres amados. Devia mesmo despojar-se do seu nome. Tudo nele se deve concentrar numa única paixão a revolução. Na mesma obra, considera-se que o revolucionário é um indivíduo marcado. Não tem interesses nem sentimentos pessoais, nem laços, nada que lhe seja particular, nem sequer o nome. Tudo nele é absorvido com vista a um único interesse, a um único pensamento, a uma única paixão: a Revolução. A obra foi escrita em colaboração com Bakunine, sendo impressa em cifra, em carácteres latinos:


"1. O revolucionário é um homem condenado. Ele não tem interesses pessoais, negócios, sentimentos, dedicações, propriedade, nem sequer um nome. Tudo nele é absorvido por um exclusivo interesse, um só pensamento, uma só paixão - a revolução.


2. No mais íntimo do seu ser, não apenas em palavras, mas em atos, o revolucionário não tem qualquer ligação com a ordem social e com o mundo civilizado, com as leis, aparências e convenções ou moralismos, geralmente aceitos neste mundo, que para ele é um inimigo impiedoso. Se tiver que continuar a viver nele, será somente com o propósito de destruí-lo com mais certeza.


(...) 4. Ele despreza a opinião pública. Despreza e odeia a moral dos dias de hoje com todas as suas motivações e manifestações. Para ele o que quer que ajude o triunfo da revolução é ético; tudo o que o impede é contrário à ética e criminoso.


5. O revolucionário é um homem condenado.

É impiedoso em relação ao Estado e a todo o sistema das classes privilegiadas; por sua vez, não deve esperar compaixão. Entre ele e o Estado e as classes dominantes há uma guerra contínua e irreconciliável - que pode ser travada secreta ou abertamente. Deve estar pronto para morrer a qualquer momento, e deve treinar para suportar torturas. (...)

15. Todo o ignóbil sistema social deve ser dividido em várias categorias ... (...)

19. A quarta categoria consiste nas autoridades ambiciosas e liberais de vários matizes, pois com eles pode-se conspirar nos termos dos seus próprios programas. Deve-se convencê-los de que são obedecidos cegamente, mas ao mesmo tempo não se deve permitir que escapem mais. É preciso entrar na posse de todos os seus segredos, comprometê-los ao máximo, de modo que não lhes sobre nenhum caminho para fugir e usá-los como instrumentos de perturbação da ordem do país.

20. A quinta categoria - teóricos (refere-se aos adversários de Bakunin dentro do campo revolucionário), conspiradores, revolucionários, que expõem suas idéias perante grupos ou pelos jornais, mas que são pouco ativos. Eles devem ser continuamente impelidos para diante, instados a fazer declarações práticas subversivas, cujo resultado seria a completa destruição da maioria e o verdadeiro treinamento revolucionário de apenas alguns. (...)

25. Portanto, para nos aproximarmos cada vez mais do povo, devemos antes de tudo ligar-nos àqueles elementos das massas que, desde a fundação do poder estatal de Moscou, jamais cessaram de protestar não só com palavras, mas também com fatos contra tudo o que, direta ou indiretamente, estivesse ligado ao Estado: contra a nobreza, a burocracia, o clero, as guildas (significando os comerciantes e capitalistas em geral) e contra o parasitismo dos kulaks. Estendamos as mãos à raça audaciosa dos bandidos - os únicos genuínos revolucionários da Rússia".

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de intersiderale