domingo, 14 de outubro de 2007

Liebknecht, Karl (1871-1919)

Filho do fundador do SPD Wilhelm Liebnecht. Advogado, celebrizado pela defesa de revolucionários. Funda em 1907 o primeiro movimento de juventude socialista. Ataca desde logo o militarismo, denunciando depois as relações das chefias políticas alemãs com os fabricantes de armamento. Assume o pacifismo da II Internacional em 1914, aliando-se a Jean Jaurès. É o único deputado do Reichstag que em Dezembro de 1914 vota contra as despesas de guerra. Aliado a Rosa Luxemburg contra a direcção do SPD forma então o Gruppe Internationalle, mais tarde transformado no Spartakusbund. Expulso do partido em Janeiro de 1916, é mobilizado como soldado raso, mas será preso por liderar uma manifestação contra a continuação da guerra. Proclama a República Socialista em Berlim em Novembro de 1918, quando já advoga as teses da revolução violenta. Será assassinado juntamente com Rosa Luxemburg. Autor de Militarismus und Antimilitarismus de 1907, obra que lhe valeu uma condenação à prisão, e de Estudo das Leis do Movimento no Desenvolvimento da Sociedade, publicado postumamente em 1920.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada da Britannica

Lieber, Franz (1798-1872)

Alemão, instalado nos Estado Unidos desde 1827, mudando o nome para Francis Lieber. Estuda em Jena e assume-se como liberal, sendo preso por duas vezes por causa da respectiva militância política. Professor da Columbia University de Nova Iorque, marcado pelo organicismo e pela teoria germânica. Adepto do organicismo intervencionista e anti-individualista, defendendo um conceito de soberania una e indivisível, totalmente contrário ao modelo da divisibilidade dos federalistas norte-americanos. Influencia John William Burgess, A. Browson, autor de Constitutional Government, de 1842, e E. Mulford, autor de The Nation, 1870.

Retirado de Respublica, JAM

Foto picada de Richard Wolf

Liderança

Do inglês leader. O mesmo que chefia. Comando ou verticalidade do poder. A qualidade que permite a uma pessoa liderar outras, através de um comando baseado na aquiescência e não na coacção. Não é apenas uma qualidade pessoal, mas antes a interacção da personalidade do líder com uma dada situação social, pois as mesmas qualidades pessoais podem não servir para certas circunstâncias de tempo e de espaço.

A polis tem de ter uma liderança, um comando, mas não pode deixar de ter participação popular. A polis precisa da verticalidade de um poder, mas não prescinde da horizontalidade da cidadania. Ela tem de ser auto-suficiente, mas não pode deixar de permitir que o governado também seja governante, que também ele participe na decisão. O exagero da liderança, da estruturação vertical, ao mesmo tempo que permite o crescimento da população e do território, leva a que surja uma pirâmide do poder, onde no vértice, se constitui uma elite, os poucos da sede activa do poder, e na base se conglomera a sede passiva do poder, os muitos. Parsons coloca a liderança como um dos três elementos do poder institucionalizado, ao lado da autoridade e das regras. Com efeito, em qualquer democracia impõe-se tanto uma liderança governativa como a participação dos cidadãos nas decisões, mas essas duas exigências são sempre acompanhadas pelas degenerescências do elitismo, por um lado, e pela indiferença ou apatia das massas, por outro. A necessidade de governabilidade e de liderança tende para o estabelecimento de uma elite no topo da pirâmide do poder, muitas vezes marcada pelo facciosismo da partidocracia, pelo burocratismo e pelo fenómeno da compra do poder ou da corrupção.

ver Liderança em Parsons, 135, 932.

Retirado de Respublica, JAM

Liceu

Do gr. Apolo Lykeios, lugar onde Aristóteles começou a ensinar por volta de 395 a.C.. Aí se construiu um passeio coberto (peripatos), donde veio o chamado modelo peripatético de ensino, o investigar passeando à volta de um problema.

Retirado de Respublica, JAM

"O Liceu (Lyceum) foi uma escola fundada por Aristóteles em 335 a.C. no bosque consagrado a Apolo Lykeios (provavelmente a origem do nome de sua escola) a leste de Atenas. Foi também conhecida por Peripatos, ou escola peripatética.

Os discursos feitos por Aristóteles eram divididos entre os esotéricos, feitos pela manhã, e os exotéricos, estes pela tarde. Enquanto aqueles eram direcionados a um público mais restrito já que exigiam estudos mais avançados - lógica, física, metafísica - os exotéricos eram destinados a um público em geral, e diziam respeito a temas mais acessíveis - retórica, política, literatura."

Retirado da Wikipédia

Liberté (De La) des Anciens Comparée à celle des Modernes”, 1815

Obra de Benjamin Constant onde se ditingue a liberdade dos Antigos, a liberdade pública de participação no governo, da liberdade dos modernos, a liberdade de privada de resistir ao governo e de desenvolver uma liberdade individual: o direito de não ser submetido senão às leis, de não poder nem ser preso, detido ou sujeito à morte, nem maltratado de qualquer maneira, por efeito de uma vontade abstracta de um ou de vários indivíduos. É, para cada um, o direito de dizer a sua opinião, de escolher o seu trabalho e de o exercer, de dispor da sua propriedade, de até abusar dela, de ir, de vir, sem obeter autorização, e sem dar conta dos seus motivos e dos seus passos. É para cada um o direito de se reunir com outros indivíduos, para conferenciar sobre os seus interesses, para professar o culto que ele e os seus associados preferem ou para preencher os seus dias e as suas horas de uma maneira mais conforme às suas inclinações ou às suas fantasias. Em suma, é o direito que cada um tem de influenciar a administração do governo, pela noemação de todos ou de certos funcionároios, através de representações, petições, ou requerimentos a que a autoridade está mais ou menos obrigada a tomar em consideração. É uma liberdade individualista que se distingue da liberdade colectiva, a liberdade pública típica dos Antigo.


Retirado de Respublica, JAM

Libertarismo

Uma das facetas do liberalismo contemporâneo de matriz norte-americana. Os libertarians, também ditos anarco-capitalistas, assumem o extremismo da liberdade e da propriedade, contraditando os liberais conservadores. Invocam John Locke e Ludwig von Mises, num radical individualismo que, no plano da política externa, também assume o isolacionismo. Entre os seus principais representantes, contam-se Robert Nozick (Anarquia, Estado e Utopia, 1974), David Friedman (The Machinery of Freedom), Barry Norman (On Classic Liberalism and Libertarianism, 1980) e Murray Rothabard (For a New Liberty. The Libertarian Manifest, de 1973). Consideram o liberalismo e o marxismo são irmãos-gémeos.


Retirado de Respublica, JAM (aumentado)

Libéria

Estado africano, fundado em 1821 pela American Colonization Society. República independente desde 1847. Neste século, entre os principais líderes destacam-se William Tubman, presidente de 1944 a 1971, e William Tolbert, de 1971 a 1980, data em que foi assassinado. A partir de 1990, o Estado entra em convulsão, depois da revolta de Charles Taylor.

Retirado de Respublica, JAM


"A Libéria é um país da África Ocidental, limitado a norte pela Serra Leoa e pela Guiné, a leste pela Costa do Marfim e a sul e a oeste pelo Oceano Atlântico. A sua capital é a cidade de Monróvia. A Libéria ("Terra Livre") foi fundada no século XIX por escravos libertos dos Estados Unidos da América, não tendo conhecido o domínio colonial.

História da Libéria

A História da Libéria inicia-se em inícios do século XIX, quando foi fundada nos Estados Unidos da América a American Colonization Society, organização cujo objectivo era levar para África antigos escravos negros e negros já nascidos livres.

Em 1461 o navegador português Pedro de Sintra atingiu o norte da actual costa da Libéria, na
área do Cabo Mesurado e da embocadura do rio Junk. No ano seguinte, Pedro de Sintra regressou à região acompanhado por Soeiro da Costa, tendo penetrado na área do Cabo Palmas e no rio Cavalla. Duarte Pacheco Pereira descreve a região na sua obra Esmeraldo de situ orbis, que passou a ser conhecida como "Costa da Pimenta" devido à abundância na região de grãos de pimenta, o principal produto de interesse comercial da região.

A partir de começos do século XVI os Portugueses foram substituídos na região por corsários franceses, ingleses e holandeses. Em 1663 os ingleses fundaram entrepostos comerciais na costa, mas estes foram destruídos no ano seguinte pelos holandeses.

No começo do século XIX discutia-se nos Estados Unidos sobre o destino de ex-escravos. Dois grupos manifestavam suas idéias: o primeiro era composto por representantes do governo que queriam dar liberdade aos escravos e acreditavam que estes se desenvolveriam melhor se voltassem para a África. E o segundo grupo era composto pelos próprios cidadãos brancos que acreditavam que os negros não tinham condições de se enquadrar no sistema capitalista. É bom lembrar que a escravidão nos Estados Unidos só foi abolida na década de 1860, e que esses ex-escravos eram apenas uma minoria que foi dispensada.

Não há registros corretos, mas foi nesse período que um quaker e empreendedor afro-americano chamado Paul Cuffe investiu na primeira leva de imigrantes que desembarcaram em Serra Leoa (a Libéria ainda não existia). Mas Paul Cuffe morreu e para completar a tragédia, os imigrantes que ele levara até a África tombaram devido a uma febre amarela em função da precária situação do local.

Mas as mortes dos negros não abalaram o presidente James Monroe, pelo contrário, inspiraram-no a criar uma colônia na África para se livrar dos ex-escravos. Em 1816 ele se reúne com representantes da burguesia para criar uma colônia na África. Com a ajuda de Robert Finley é fundada a Sociedade Americana de Colonização. Essa sociedade tinha por objetivo arrecadar verbas para enviar os negros para a nova colônia.

Em 1820 os burgueses já tinham juntado dinheiro suficiente. Até que em janeiro o navio Elizabeth parte com três agentes brancos e 88 emigrantes. Para a insatisfação de Monroe os agentes e 22 emigrantes morreram de Febre Amarela.

Mas isso também não desmotivou Monroe e em 1821 o navio Sail chega com mais uma leva de emigrantes.

Quando a Sociedade Americana de Colonização definiu o território liberiano, ela não pensou nas graves conseqüências que viriam. Isso porque os ex-escravos teriam que dividir o território do país com tribos africanas que lá habitavam. Rapidamente estalaram conflitos entre tribos nativas e os recém-chegados imigrantes, conflitos esses que iniciaram a triste história do país.

Em 1822 é fundada a capital Monróvia, em homenagem a James Monroe. Em 1847, Joseph Robert, governador da colônia, proclama a independência. Com esse acontecimento, a Libéria foi o primeiro país independente da África.

A 26 de Julho de 1847 a Libéria declarou a sua independência, assumindo a forma de uma república cuja Constituição foi decalcada a partir da Constituição dos Estados Unidos da América. Joseph Jenkins Roberts foi o primeiro presidente do país, exercendo funções até 1856. O reconhecimento da independência da Libéria pelos países mais importantes da época ocorreu entre 1848 e 1862: Grã-Bretanha em 1848, França em 1852 e Estados Unidos em 1862.

Desde a sua fundação que o Estado liberiano se identificou com os colonizadores e com a experiência de vida destes nos Estados Unidos. O país adoptou o inglês como língua oficial. Os colonizadores definiam-se como "americanos", e de inspiração americana eram a bandeira, o lema ("The Love of Liberty Brought Us Here", "O amor pela liberdade trouxe-nos até aqui") e brasão de armas (um barco de imigrantes) da jovem nação.

O período imediato à independência ficou marcado pelas disputas territoriais. O desejo da Libéria em expandir a soberania para o interior provocou a contestação não apenas com as populações indígenas, mas das potências europeias, nomeadamente da Grã-Bretanha e da França. Com estes países foram assinados tratados que definiam as fronteiras nos anos de 1885 e 1892 respectivamente.

Em Maio de 1943 William V.S. Tubman foi eleito Presidente da Libéria, tendo sido reeleito nas sucessivas eleições até 1971, ano em que faleceu. Este período ficará marcado pelo maior protagonismo da Libéria na cena internacional e africana, assim como pelos esforços de melhoria da economia e de promoção de reformas sociais.

Em Janeiro de 1944 a Libéria declarou guerra à Alemanha nazi e ao Japão e em Abril do mesmo ano assinou a Carta das Nações Unidas.

A nível social, registe-se que nas eleições de 1951 votaram pela primeira vez as mulheres e a população indígena do país. Em Fevereiro de 1958 o Parlamento da Libéria aprovou uma lei que criminaliza a discriminação racial.

Em Dezembro de 1960 a Libéria tornou-se membro do Conselho de Segurança da ONU e em 1963 o país aderiu à Organização da Unidade Africana. O Presidente Tubman destacou-se também como fervoroso defensor da independência das colónias africanas em relação à Europa.

Tubam estimulou o investimento estrangeiro e a exploração do minério de ferro que proporcionou ao país rendimentos que seriam utilizados para construir novas escolas, estradas e hospitais (embora principalmente na região costeira). Em 1963 a Libéria e os Estados Unidos assinaram um acordo que possibilitou a transferência da zona franca de Monróvia para as mãos do governo liberiano.

A 12 de Abril de 1980 o exército liberiano, liderado pelo Sargento Samuel K. Doe, protagonizou um golpe de estado que assumiria características violentas com a morte do presidente Tolbert e das figuras próximas a este. Encabeçando o "Conselho de Redenção Popular" (People's Redemption Council, PRC), Doe assumiu plenos poderes, suspendeu a Constituição, baniu os partidos políticos e fechou as fronteiras.

Devido à pressão dos Estados Unidos, Doe viu-se obrigado a promulgar em Julho de 1984 uma nova Constituição com certos elementos democráticos. Em Outubro do ano seguinte tiveram lugar as primeiras eleições multipartidárias após o golpe, mas estas foram fraudulentas. Em Janeiro de 1986 Doe tomou posse como o primeiro presidente da Segunda República. Os últimos anos da década de oitenta foram marcados na Libéria pela inflação, desemprego, corrupção, tribalismo e violação dos direitos humanos. O distanciamento entre a Libéria e os Estados Unidos acentou-se.

Em Dezembro de 1989 um grupo de militares chefiados por Charles Taylor inicia no nordeste da Libéria uma revolta contra o governo. Líder do National Patriotic Front of Liberia (NPFL), Charles conseguiu em pouco tempo dominar quase todo o país. Contudo, as dissidências no interior da NPFL (no Verão de 1990 Prince Johnson forma a Independent National Patriotic Front of Liberia, INPFL) impedem que Taylor tome Monróvia. Em Setembro de 1990 Doe é emboscado e assassinado por militantes da Independent National Patriotic Front of Liberia.

A comunidade internacional procurou restaurar a ordem no país e nesse sentido as Nações Unidas e a Organização da Unidade Africana apoiam as tentativas de mediação da Comunidade Económica dos Estados Unidos da África Ocidental (CEDEAO), que enviou para Monróvia uma força de paz, a ECOMOG, composta por soldados que eram na sua maioria da Nigéria. A ECOMOG revelou-se incapaz de resolver a situação e em breve espalham-se pelo país os conflitos entre a NPFL, a ECOMOG, a INPFL e a United Liberation Movement of Liberia for Democracy (ULIMO), sendo esta última formação composta por antigos aliados do presidente Doe.

Em Agosto de 1995 as partes em conflito chegam a um acordo de paz assinado em Abuja. Nos termos do acordo os chefes das facções rivais deveriam participar num governidade unidade nacional, até à realização de eleições em 1996.

A trégua foi quebrada em Abril de 1996 com novos confrontos em Monróvia, provocada por uma revolta da ULIMO-J. Contudo, um novo cessar-fogo foi declarado em Agosto e o desarmamento das facções iniciou-se em finais do mesmo ano.

Estima-se que a guerra tenha provocado entre 150 mil e 200 mil mortos e mais de um milhão de refugiados.

Em Julho de 1997 tiveram lugar eleições presidenciais e legislativas. Charles Taylor, agora líder do Partido Patriótico Nacional que conquistou a maioria dos lugares no parlamento, ganhou as presidenciais nas quais concorreram doze candidatos, tornando-se o primeiro presidente da Terceira República. Taylor procurou reconciliar as facções rivais, escolhendo vários dos seus líderes como ministros.

Em 1999 a Serra Leoa acusa Charles Taylor de apoiar com armas os rebeldes da Revolutionary United Front, que lutavam contra o governo leonês, recebendo diamantes em troca. Em 2001 as Nações Unidas impuseram sanções à Libéria por prestar este tipo de apoio.

Em meados do mesmo ano rebentaram confrontos no norte do país entre um novo grupo rebelde, Liberians United for Reconciliation and Democracy (LURD), e as forças do governo. Taylor acusou a Guiné de apoiar este grupo e mandou atacar várias aldeias guineenses perto da fronteira com a Libéria.

Em meados de 2003 a LURD dominava praticamente todo o país, limitando o poder de Taylor a Monróvia. Perante pressões internacionais, Taylor demitiu-se em Agosto do mesmo ano e exilou-se na Nigéria. Taylor foi sucedido pelo seu vice-presidente, Moses Blah, até que novas eleições em Outubro elegeram Charles Gyude Bryant como novo presidente."

Imagens e texto 2 retirados da Wikipédia

Liberdade

Liberdade (Hobbes).

Adopta um conceito mecanicista de liberdade, entendendo-a como mera ausência de obstáculos exteriores. Neste sentido, considera odireito como a liberdade de fazer uma coisa ou de a não fazer.


Liberdade (Kant).

Considerada como aquele único e originário direito que compete a todos os homens só por força da sua humanidade, dado que o homem é livre se não precisar de obedecer a ninguém, mas apenas às leis. Pelo que, se a minha acção, ou, em geral, o meu estado pode coexistir com uma lei geral, então, qualquer um que me impeça de realizar algo cometerá uma injustiça. Neste sentido, chega mesmo a proclamar que a coacção equivale à liberdade: se certo uso da liberdade se converte num obstáculo à liberdade segundo leis universais (isto é, se é injustiça), a coacção que se opõe, enquanto impedimento de um obstáculo à liberdade, coincide com a liberdade segundo leis universais, ou seja, que é justa, pelo que direito e capacidade de constrangimento significam o mesmo.

— O princípio fundamental do Estado de Direito, Boa Sociedade, Sociedade Aberta ou Great Society: onde está a sociedade está o direito, onde está o direito está a liberdade. A passagem da teleocracia de uma sociedade tribal e fechada, à nomocracia de uma sociedade aberta (tese de Michael Oakeshott). — A paz pelo direito. O Estado de Direito e o ideal de Estado-Razão contra a Razão de Estado. A operação de juridificação da política e de constitucionalização do poder, visando dar direito a uma sociedade senhorial e civilizar uma comunidade guerreira, através do direito contra o poder e da paz contra a guerra (tese de Blandine Barret-Kriegel). — A perspectiva kantiana de direito, como o conjunto das condições pelas quais o arbítrio de cada um pode concordar com o arbítrio de todos segundo uma lei universal da liberdade. A liberdade como status negativus (as liberdades) e a liberdade como status positivus (autonomia e afirmação do valor da pessoa). — Os direitos do homem. Da Déclaration des Droits de l’Homme et le Citoyen de 1789 à Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948. Dos direitos originários e dos direitos, liberdades e garantias aos direitos fundamentais e aos direitos de personalidade. O desafio globalista. — A perspectiva pós-liberal de liberdade: a libertação. Liberdade dos antigos e liberdade dos modernos HUMBOLDT,115,804

Liberdade Política vs. L. Filosófica
Montesquieu distingue entre uma liberdade filosófica e uma liberdade política. Se a primeira não passa de uma mero exercício de vontade, já a segunda é um poder fazer o que se deve querer (pouvoir faire de que l’ondoit vouloir), isto é, não consiste em fazer o que se quer, mas sim em poder fazer tudo aquilo que se deve querer e em não ser obrigado a fazer aquilo que se não deve querer. Como salienta Hannah Arendt, a liberdade política não é o eu quero, mas antes o eu posso, dado consistir sempre na conciliação entre a liberdade propriamente dita, ou liberdade filosófica, e o poder, o domínio político devia ser constituído e construído de modo a que o poder e a liberdade estivessem combinados. A liberdade política não pode pois reduzir-se à indeterminação do querer, sendo tributária dos concretos sistemas de direito e de política estabelecidos.

Liberdade dos modernos e dos antigos
Benjamin Constant distingue a liberdade dos Antigos, a liberdade pública de participação no governo, da liberdade dos modernos, a liberdade de privada de resistir ao governo e de desenvolver uma liberdade individual

Liberdade orgânica
António Sardinha fala numa liberdade orgânica, considerada irmã gémea da competência, da hierarquia e da autoridade,132,913

Liberdade política
ParaMontesquieu é o poder das leis e não o poder do povo, sendo sinónimo de independência: a liberdade é o direito de fazer tudo o que as leis permitem, porque se um cidadão pudesse fazer tudo o que elas proibem, não teria mais liberdade, dado que os outros também teriam tal poder. A liberdade não é o fazer o que se quer, mas sim em fazer tudo o que se deve querer e em jamais ser coagido a fazer o que não se deve querer. Distingue claramente entre uma liberdade filosófica,que consistiria no "exercício da vontade",e uma liberdade política,entendida como "poder fazer o que se deve querer".Para ele "a liberdade política não consiste em fazer o que se quer.Num Estado,isto é,numa sociedade onde existem leis e liberdade,não pode consistir senão num poder natural de se fazer ou não se fazer o que quer que se tenha em mente".mais considera que a liberdade "consiste em poder fazer tudo aquilo que se deve querer e em não ser obrigado a fazer aquilo que não se deve querer".

Conforme refere Hannah Arendt,"conceptualmente falando a liberdade política não residia no eu quero,mas no eu posso,e que,por isso mesmo,o domínio político devia ser constituído e construído de modo a que o poder e a liberdade estivessem combinados".

Retirado de Respublica, JAM

Liberalismo

Segundo Fernando Pessoa, numa definição modelar, é a doutrian que mantém que o indivíduo tem o dirieto de pensar o que quiser, de exprimir o que pensa como quiser, e de pôr em prática o que pensa como quiser, desde que essa expressão ou essa prática não infrinja directamente a igual liberdade de qualquer outro indivíduo.

Etimologia

Apesar de Napoleão ter usado a expressão libérale na proclamação de 10 de Novembro de 1799 (19 de Brumário), ela só foi consagrada após a revolução espanhola de Cádis. Com efeito, Napoleão, qualifica como tal os idéologues, os sensualistas, como Cabanis e Destutt de Tracy, proclamando les idées conservatrices, tutélaires, libérales, sont rentrées dans leur droit. Assim, os wighs ingleses passam a ser conhecidos, a partir de 1816 pelo castelhanismo de british liberales, até que em 1840 o partido recebe a designação de Liberal Party.

Por outras palavras, o nome foi encontrado a posteriori, destinando-se a recobrir uma realidade que foi gradativamente instituída. Gournay falava num laissez faire, laissez passez. Galliani num le monde va tout seul. Mercier de la Rivière em proprieté, sureté, liberté, voilà tout l'ordre social. D'Argensson cunha o ne pas trop gouverner.

Liberalismo em Portugal.

A primeira vaga liberal, ligada aos desencadeadores do movimento de 20 de Agosto de 1821 é a do liberalismo radical, à maneira de Manuel Fernandes Tomás e Ferreira Borges. O segundo grupo tem a ver com o chamado liberalismo moderado, à maneira de Silvestre Pinheiro Ferreira e de Palmela.

Liberalismo ético.
A tentativa de religação entre a política e a moral. O moralismo escocês (Adam Smith, Adam Ferguson).

Retirado de Respublica, JAM

Liberalism Ancient and Modern, 1968

Obra de Leo Strauss onde se faz a análise da educação liberal e do liberalismo da filosofia política clássica. Notas sobre Lucrécio, Marsílio de Pádua e Espinosa. Perspectivas sobre a boa sociedade. Nesta obra fala no liberalismo como o contraponto do conservadorismo. (cfr. trad. fr. Libéralisme Antique et Moderne, Paris, Presses Universitaires de France, 1990).

Retirado de Respublica, JAM

Liberal, Partido (1974)

Criado em 28 de Maio de 1974 por dissidentes da Convergência Monárquica que não concordam com a criação do PPM. Junta militantes da Acção Católica.

Retirado de Respublica, JAM

Liberal, Partido (1919)

Liberal, Partido (1919) Imediatamente após a queda do sidonismo, surgem tentativas para a unificação das oposições republicanas aos democráticos. Alberto Madureira, em 13 de Abril de 1919, tenta a criação de um partido republicano conservador, com o unionista Nunes da Ponte, o sidonista ex-monárquico Francisco Fernandes e o sidonista António Miguel de Sousa Fernandes, antigo governador civil de Lisboa. Em 15 de Abril, a Junta Municipal de Lisboa dos evolucionistas manifesta-se contrária à dissolução do partido. No dia 16 de Abril, reunião no consultório de Egas Moniz de delegados dos partidos centrista, unionista e evolucionista, com republicanos independentes, tendo em vista a unificação naquilo que então se qualificava como o partido republicano reformador. malogro, face à resistência dos evolucionistas O evolucionista Ribeiro de Carvalho, em entrevista a A Capital, defende um grande partido moderado, incluindo democráticos, que se oposraia a um grande partido radical, para onde deveriam transitar os radicais democráticos, evolucionistas e unionistas, o que só se conseguiria com a dissolução dos três grandes partidos. Em 24 de Abril, ex-parlamentares evolucionistas reúnem com António José de Almeida e manifestam-se contrários à dissolução do partido. Mas, em fins de Setembro, sob o governo de Sá Cardoso, onde apenas participam democráticos, depois de António José de Almeida ter sido eleito presidente em 6 de Agosto, dissolvem-se os partidos unionista e evolucionista. A reunião dos unionistas decorrem em 29 de Setembro. O congresso dos evolucionistas em 30 de Setembro e 1 de Outubro. No dia 5 tomava posse António José de Almeida. Não tarda que o novo partido, já integrado por evolucionistas e unionistas, abra as portas aos sidonistas: primeiro, à facção do ex-evolucionista e ex-centrista, Egas Moniz. Depois, aos restantes sidonistas moderados. Assim, em 13 de Outubro o directório do Partido Nacional Republicano, então liderado por Egas Moniz, aconselha a dissolução do mesmo grupo. Idêntica posição é tomada em 15 de Outubro, pela facção sidonista que se lhe opunha, então dirigida por Feliciano Costa e que publicava A Situação. No entanto, um grupo de antigos evolucionistas, liderado por Júlio Martins, não adere à fusão e, com o apoio de alguns democráticos radicais e do ex-centrista e ex-sidonista Cunha Leal, em 8 e Outubro, trata de constituir o grupo parlamentar populares. Nesse mesmo dia, o novo partido liberal logo elege como líder parlamentar o antigo evolucionista António Granjo, que se havia destacado como conspirador contra o sidonismo. Entretanto, o governo Sá Cardoso pede a demissão em 3 de Janeiro de 1920 e António José de Almeida logo trata de convidar os novos liberais para constituirem governo, o que fazem sob a presidência de Fernandes Costa, com António Granjo, Mesquita de Carvalho, Mendes dos Reis, Tito de Morais, Jorge Vasconcelos Nunes, José Barbosa, Pinto Veloso e Fernandes de Almeida. Contudo, o gabinete nem sequer chega a tomar posse, marcada para o dia 15 de Janeiro de 1920, face a uma manifestação promovida pela ala radical dos democráticos, a chamada formiga branca. Nesse mesmo dia, chega a esboçar-se uma tentativa de assalto aos jornais apoiantes dos liberais, A Luta e a República. António José de Almeida reconduziu imediatamente o gabinete de Sá Cardoso e logo trata de convidar algumas personalidades para a constituição de um ministério nacional. Tenta, em primeiro lugar, o liberal e ex-unionista Tomé de Barros Queirós, que logo desiste. Recorrre, depois, ao presidente do Senado, Correia Barreto, que também desiste. Finalmente tenta o presidente da Câmara dos Deputados, Domingos Pereira, que em 21 de Janeiro já constitui gabinete, com quatro democráticos e outros tantos liberais, acompanhados por um socialista. Era a primeira vez que os liberais, enquanto tal, acediam ao governo, mobilizando o ex-evolucionista Luís Augusto Pinto Mesquita de Carvalho para a justiça, o ex-unionista José Barbosa para as colónias; o ex-evolucionista Celestino Germano pais de Almeida para as colónias; e Jorge Vasconcelo Nunes para o comércio. Dura pouco esta concentração e em 8 de Março de 1920 no governo democrático de António Maria Baptista apenas aparece o ministro liberal Joaquim Pero Vieira Júdice Biker, na marinha. Em 19 de Julho de 1920, os liberais voltam ao governo e à presidência do ministério, com António Granjo numa experiência de conjugação com os reconstituintes e um democrático, que dura apenas quatro meses. Entre os ministros liberais deste gabinete, para além de Granjo na preisdência e na agricultura, Inocêncio Camacho nas finanças, Manuel Ferreira da Rocha nas colónias e Júlio Ernesto Lima Duque no trabalho. Entretanto, os liberais são afastados dos gabinetes de Álvaro de Castro, Liberato Pinto, Bernardino Machado de 20 de Novembro de 1920 a 23 de Maio de 1921. Contudo, nesta data voltam ao poder com Tomé de Barros Queirós num governo integralmente constituído por elementos do partido, com os generais Abel Hipólito e Alberto Carlos da Silveira, José de Matos Cid, Ricardo Pais Gomes, Melo Barreto, António Granjo, Fernandes Costa, Ginestal Machado, Lima Duque e Manuel Sousa da Câmara. É durante este gabinete que se realizam as eleições de 10 de Julho de 1921 que dão a primeira e única vitória eleitoral dos liberais face aos democráticos. Estes ficam reduzidos a 54 deputados (cerca de 30%) contra 88 deputados liberais (cerca de 50%), mas com 15% para os reconstituintes de Álvaro de Castro, à frente da dissidência dos reconstituintes, oriunda dos mesmos democráticos. Uma fraca maioria relativa, aliás, dependente de uma minoria dominada pelos ex-jovens turcos. Mesmo assim, constitui-se novo governo liberal a partir de 30 de Agosto, agora liderado por António Granjo, com Raúl Lelo Portela, Vicente Ferreira, Freitas Soares, Ricardo Pais Gomes, Melo Barreto, Ferreira da Rocha, Ginestal Machado, Lima Duque, Fernandes Costa e Aboim Inglês. A experiência é bruscamente interrompida pelo golpe outubrista de 19 de Outubro e pelo assassinato do próprio chefe do governo. Depois dos liberais, juntamente com os democráticos e os reconstituintes, terem em finais de Novembro, acordado no princípio da não colaboração com os governos outubristas, segue-se o gabinete de concentração partidária liderado por Francisco Cunhal Leal, em 16 de Dezembro de 1921, onde participa o liberal Augusto Joaquim Alves dos Santos, na pasta do trabalho. Aliás, neste gabinete, estava previsto que os liberais assumissem a pasta do comércio, através de Celestino de Almeida, mas Cunha Leal rejeitou o nome. Seguem-se as eleições de 29 de Janeiro de 1922 onde os democráticos voltam à vitória, com 74 deputados. Com efeito, depois de se esboçarem listas conjuntas de democráticos, liberais e reconstituintes, o governo decidiu apresentar listas próprias, baralhando todo o esquema e prejudicando essencialmente os liberais, dado que estes foram obrigados a uma conjunção com os reconstituintes e os cunha lealistas. Segue-se o longo governo democrático de António Maria da Silva, de Fevereiro de 1922 a Novembro de 1923, o governo mais estável da I República, que também marca o fim dos liberais que, em 5 de Fevereiro de 1923 se diluem num partido nacionalista, onde também começam por participar os reconstituintes e os seguidores de Cunha Leal.


Retirado de Respublica, JAM

L'Hopital, Michel (1505?-1573)

Um dos inspiradores do grupo de les politiques. Embaixador francês junto do Concílio de Trento em 1560. Campeão da tolerância em matéria religiosa.

· Mémorie adressé à Charles IX et à Catherine de Medicis sur la necessité de mettre un terme à la guerre civile ou le but de la guerre et de la paix, 1570.

Retirado de Respublica, JAM

Ley Regia de Portugal, 1627

Obra de João Salgado Araújo, publicada em Madrid, em defesa de Filipe IV. Aí se fala nos Reis como señores absolutos, num soberano Principe e em soberania real considerando que os reis têm poder plenario para la administracion. Contudo, na mesma obra, não deixa de elogiar o modelo consensualista dos nossos foros e costumes.

Ver Araújo, João Salgado.

Retirado de Respublica, JAM


Lewin, Kurt (1890-1947)

Psicólogo norte-americano de origem alemã, funda o Centro de Pesquisa de Dinâmica de Grupo do Michigan.

Retirado de Respublica, JAM

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Teoria Psicológica

A teoria do campo psicológico, formulada por Lewin, afirma que as variações individuais do comportamento humano com relação à norma são condicionadas pela tensão entre as percepções que o indivíduo tem de si mesmo e pelo ambiente psicológico em que se insere, o espaço vital, onde abriu novos caminhos para o estudo dos grupos humanos. Dedicou-se às áreas de processos sociais, motivação e personalidade, aplicou os princípios da psicologia da Gestalt.

Ver também: Psicologia ambiental Lewin desenvolveu a Action-Research, tentando resolver problemas levantados pela sociedade em sua época.

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Texto 2 retirado da Wikipédia

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